Guias e conteúdos para tutores
Reunimos guias práticos sobre comportamento, escolha de raça, treinamento e saúde para você ser o melhor tutor possível.
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Piodermia Profunda em Cachorro: Furunculose e Celulite Bacteriana
A piodermia profunda canina é a infecção bacteriana que penetra além da epiderme — forunculose (ruptura folicular) e celulite dissecante. Causada por Staphylococcus pseudintermedius. Antibiótico sistêmico por 8-12 semanas (pele espessa). Demodex e hipotireoidismo são as causas subjacentes mais comuns. Cultura + antibiograma obrigatórios em casos recidivantes.
Pielonefrite em Cachorro: Infecção Renal e Febre Alta
A pielonefrite é a infecção bacteriana do parênquima renal e da pelve — muito mais grave que a cistite bacteriana. E. coli é o agente mais comum. Febre alta, dor lombar e sinais sistêmicos distinguem da cistite simples. Antibioticoterapia IV por 4-6 semanas é necessária. Pode causar insuficiência renal crônica irreversível.
Peritonite em Cachorro: Inflamação da Cavidade Abdominal
A peritonite é a inflamação da cavidade peritoneal — causa abdômen agudo, sepse e choque com alta mortalidade. Perfuração de víscera, deiscência de anastomose e corpo estranho perfurante são causas comuns. Cirurgia de emergência com lavagem peritoneal e antibióticos de largo espectro são essenciais.
Pênfigo Foliáceo em Cachorro: Doença Autoimune Bolhosa da Pele
O pênfigo foliáceo é a dermatose autoimune mais comum em cães — anticorpos contra a desmogleína-1 causam acantólise e pústulas estéreis. Crostas na face, orelhas e patas são típicas. Imunossupressão com prednisolona é o tratamento de escolha. Diagnóstico por biópsia com pústulas íntegras.
Paracoccidioidomicose em Cachorro: O Fungo Brasileiro
A paracoccidioidomicose (PCM) é causada por Paracoccidioides brasiliensis — fungo endêmico do Brasil, Argentina e Venezuela. O cão é hospedeiro acidental e não é transmissor para humanos. Lesões granulomatosas sistêmicas: pulmão, linfonodos, pele e ossos. Itraconazol por 6-12 meses. Cães de caça e de fazenda em áreas rurais do Brasil central e sudeste são os mais afetados.
Pannus (Ceratite Superficial Crônica) em Cachorro: A Doença do Pastor Alemão
O pannus (ceratite superficial crônica — CSK) é uma doença autoimune ocular que afeta principalmente o Pastor Alemão — pigmentação e vascularização progressiva da córnea causam perda de visão. A radiação UV piora a doença. Diagnóstico clínico. Corticosteroides tópicos + ciclosporina tópica controlam o avanço. Sem cura — tratamento é permanente.
Osteodistrofia Hipertrófica em Filhote: Metáfise em Chamas
A osteodistrofia hipertrófica (HOD) é uma doença óssea metafisária de filhotes de raças grandes e gigantes — dor intensa, febre alta e inchaço quente nas metáfises distais do rádio, ulna e tíbia. Etiologia incerta — associada à vacina contra cinomose ou deficiência de vitamina C. Weimaraners são a raça mais afetada. AINE + repouso na maioria dos casos.
Osteocondrose em Cachorro: Falha na Ossificação Endocondral e OCD
A osteocondrose é a falha na ossificação endocondral da cartilagem articular — resulta em cartilagem espessada que se fragmenta (OCD). Labrador, Golden Retriever e raças gigantes são os mais afetados. Ombro é a articulação mais comum. Cirurgia de remoção do fragmento é o tratamento de escolha para OCD.
Picada de Cobra em Cachorro: Ofidismo e Tratamento com Soro
A picada de cobra é emergência veterinária comum no Brasil — jararaca, cascavel e surucucu são as mais perigosas. Causa edema local, hemorragia sistêmica (jararaca), paralisia (cascavel) ou necrose (surucucu). Soro antiofídico específico é o tratamento definitivo. Cada espécie tem manifestações distintas.
Obstrução Ureteral em Cachorro: Nefrolitíase e Hidronefrose
A obstrução ureteral causa hidronefrose progressiva — o rim se dilata e perde função em dias a semanas. Cálculos de oxalato de cálcio são a causa mais comum em cães. Ureter de cão é extremamente fino (0,5-1 mm), tornando a desobstrução cirúrgica tecnicamente desafiadora. SUB (Subcutaneous Ureteral Bypass) é alternativa cirúrgica minimamente invasiva. Diagnóstico por ultrassonografia: pelve renal > 3mm já é significativa.
Obstrução Intestinal em Cachorro: Corpo Estranho e Cirurgia
A obstrução intestinal por corpo estranho é uma das emergências cirúrgicas abdominais mais comuns em cães jovens. Vômito repetido, dor abdominal e depressão progressiva são os sinais. Radiografia e ultrassom identificam a obstrução. Enterotomia ou ressecção intestinal + anastomose conforme a viabilidade do intestino. Prognóstico excelente se operado antes da necrose.
Neosporose Canina: Neospora caninum e Paralisia Progressiva
A neosporose é causada por Neospora caninum — protozoário semelhante ao Toxoplasma que causa paralisia ascendente progressiva nos membros posteriores em filhotes e aborto em bovinos (zoonose veterinária). Difícil diferenciar de toxoplasmose clinicamente. Clindamicina é o tratamento de escolha. Diagnóstico por PCR ou imuno-histoquímica.
Neoplasia Intestinal em Cachorro: Adenocarcinoma e Leiomiossarcoma
Os tumores intestinais caninos são relativamente raros mas de mau prognóstico. Adenocarcinoma (intestino delgado/grosso), leiomiossarcoma e linfoma alimentar são os mais comuns. Perda de peso progressiva com vômito ou diarreia crônica. Ultrassom abdominal identifica espessamento mural. Cirurgia + quimioterapia para casos selecionados.
Neoplasia Espinhal em Cachorro: Tumor na Medula e Vértebras
Tumores espinhais em cães podem ser intraduais-intramedulares (dentro da medula), intradurais-extramedulares (entre medula e dura-máter) ou extradurais (fora da dura-máter). Paraplegia progressiva com dor espinhal marcante. RM é o exame de escolha. Meningioma e linfoma espinhal são os mais comuns. Prognóstico depende da localização, tipo histológico e rapidez de intervenção.
Nefropatia Perdedora de Proteína em Cachorro: PLN e Glomerulopatia
A nefropatia perdedora de proteína (PLN) é a perda de proteína pela urina por lesão glomerular — proteinúria persistente > 2 mg/kg/dia. Softer Coated Wheaten Terrier, Bernese Mountain Dog e Rottweiler são raças com formas hereditárias. Hipoalbuminemia, edema, ascite e tromboembolismo são as complicações. IECA ou ARA-II + dieta hipoprotéica + anticoagulante.
Narcolepsia em Cachorro: Ataques de Sono e Cataplexia
A narcolepsia canina é um distúrbio neurológico raro causado pela deficiência de hipocretina (orexina) — neurônio hipotalâmico regulador do ciclo sono-vigília. O sinal mais dramático é a cataplexia: colapso súbito por perda do tônus muscular, geralmente desencadeado por emoção ou comida. O Labrador e o Dobermann têm formas hereditárias bem estudadas. Medicação reduz os episódios.
Mucocele Biliar em Cachorro: Vesícula Biliar e Ruptura Cirúrgica
A mucocele biliar é o acúmulo de muco espesso na vesícula biliar — causa icterícia obstrutiva e risco de ruptura (peritonite biliar fatal). Schnauzer Miniatura tem altíssima predisposição genética. O sinal ultrassonográfico patognomônico é o padrão 'estrela estrelada' (kiwi). A colecistectomia é urgente nos casos com risco de ruptura.
Miotonia Congênita em Cachorro: Músculo Que Não Relaxa
A miotonia congênita é um distúrbio do canal de cloro nas fibras musculares — o músculo contrai normalmente mas demora a relaxar. O sinal clínico mais característico é a rigidez após repouso que melhora com o exercício ('warm-up phenomenon'). O Chow Chow e o Miniature Schnauzer têm formas hereditárias documentadas. Sem cura — mexiletina reduz a rigidez.
Miosite Mastigatória em Cachorro: Trismo e Atrofia Temporal
A miosite mastigatória (MMM) é doença imunomediada exclusiva dos músculos da mastigação — masséter, temporal e pterigóides — causada por autoanticorpos contra a miosina de tipo 2M. Trismo (incapacidade de abrir a boca) e atrofia temporal são os sinais mais característicos. Imunossupressão com prednisona em dose alta é o tratamento. Diagnóstico por teste de anticorpos anti-2M em laboratório especializado.
Mielopatia Degenerativa em Cachorro: A Esclerose Lateral de Pastores
A mielopatia degenerativa (MD) é uma doença neurodegenerativa progressiva e incurável da medula espinhal — paraplégia progressiva que começa na região toracolombar e avança cranialmente. Pastor Alemão, Boxer e Welsh Corgi são raças de alto risco. Mutação no gene SOD1 (superóxido dismutase). Diagnóstico por exclusão. Fisioterapia prolonga mobilidade.
Meningoencefalomielite Granulomatosa Canina (GME): Inflamação Cerebral Imunomediada
A GME (Granulomatous Meningoencephalomyelitis) é a doença inflamatória imunomediada do SNC mais comum em cães — afeta o cérebro, cerebelo, tronco encefálico e medula. Poodle, Yorkshire e Maltês têm maior predisposição. Sinais dependem da localização (focal ou disseminada). Ciclosporina + prednisona é o protocolo mais eficaz. RM de crânio é o exame de escolha.
Meningoencefalite Granulomatosa em Cachorro (GME)
A meningoencefalite granulomatosa (GME) é uma doença inflamatória do SNC de origem imunomediada — formação de granulomas perivasculares no cérebro, cerebelo e medula espinhal. Cães pequenos de meia-idade são os mais afetados. Três formas: focal, disseminada e ocular. Diagnóstico por análise do LCR e RM. Corticoterapia intensa é o tratamento.
Meningite Responsiva a Esteroides Canina (SRMA): Dor Cervical e Febre
A meningite responsiva a esteroides (SRMA) é uma vasculite imunomediada das meninges espinais — principal causa de dor cervical aguda grave em cães jovens. Beagle, Bernese da Montanha e Boxer são raças predispostas. Febre + dor cervical intensa + neutrofilia + LCR com pleocitose neutrófila = diagnóstico. Prednisona é curativa na maioria dos casos. Não confundir com meningite infecciosa bacteriana.
Meningite em Cachorro: Bacterial e Imunomediada
A meningite canina pode ser bacteriana (secundária a otite, sinusite ou bacteremia) ou imunomediada (SRMA — Steroid-Responsive Meningitis-Arteritis). Febre intensa, rigidez cervical e hiperestesia são os sinais cardinais. O SRMA afeta principalmente Beagles e cães jovens de raças grandes. Punção do LCR confirma o diagnóstico. Corticosteroides são o tratamento do SRMA.