Neoplasia Espinhal em Cachorro: Tumor na Medula e Vértebras
Tumores espinhais em cães podem ser intraduais-intramedulares (dentro da medula), intradurais-extramedulares (entre medula e dura-máter) ou extradurais (fora da dura-máter). Paraplegia progressiva com dor espinhal marcante. RM é o exame de escolha. Meningioma e linfoma espinhal são os mais comuns. Prognóstico depende da localização, tipo histológico e rapidez de intervenção.
O Golden Retriever de 8 anos chegou com paraparesia progressiva há 3 semanas — "começou como dificuldade para subir escada, hoje não consegue se levantar". Dor intensa à palpação da coluna torácica (T6-T8). Membros posteriores: paraplegia, reflexo patelar e tibial exaltados, propriocepção ausente.
RM: massa extradural T7-T8 com compressão medular grave. LCR: linfoblastos presentes.
Linfoma espinhal extradural. Prednisona de urgência + protocolo CHOP.
A Localização Define Tudo
O Triângulo de Diagnóstico Diferencial
Em um cão com paraparesia progressiva + dor espinhal marcante, o diagnóstico diferencial é:
| Diagnóstico | Velocidade | Dor | Sinal radiológico | |---|---|---|---| | IVDD (extrusão de disco) | Aguda (horas a dias) | Moderada a intensa | Espaço intervertebral estreitado | | Tumor espinhal | Subaguda a crônica (semanas) | Intensa e progressiva | Massa tecido mole, lise óssea | | Discospondilite | Subaguda | Intensa + febre | Lise e esclerose de platô vertebral | | Embolismo fibrocartilaginoso | Aguda (minutos a horas) | Mínima | Ausente (RM normal inicialmente) |
A dor intensa e progressiva em cão de meia-idade/idoso = tumor espinhal até prova em contrário.
Por que o Linfoma Espinhal Responde Bem
O linfoma é altamente quimiossensível — as células neoplásicas são destruídas mais facilmente que tumores sólidos:
- CHOP induz remissão em 40-60% dos casos
- Prednisona sozinha: melhora temporária por redução do edema peritumoral
- Resposta visível em 1-2 semanas de quimioterapia: melhora neurológica é o primeiro sinal de resposta
A pergunta crítica: há percepção de dor profunda nos membros?
- Presente → cirurgia descompressiva de emergência ou quimioterapia: prognóstico moderado
- Ausente por > 48h → mielomalacia possível → prognóstico muito reservado
Prognóstico
| Situação | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---| | Linfoma espinhal, déficit parcial | CHOP | Moderado-bom (remissão 6-12 meses) | | Meningioma intradural, ressecável | Laminectomia | Bom (> 1 ano em 60%) | | Osteossarcoma vertebral | Cirurgia paliativa + quimio | Ruim (4-6 meses) | | Tumor intramedular | Radioterapia paliativa | Reservado | | Paraplegia sem percepção de dor > 48h | Qualquer | Muito reservado |
Perguntas frequentes
Quais são os tipos de neoplasia espinhal em cachorro?+
Os tumores espinhais caninos são classificados por sua localização anatômica em relação à medula espinhal e suas membranas (meninges). Classificação por localização: Extradural (fora da dura-máter): o mais comum (~ 50%); comprime a medula de fora para dentro; tipos: linfoma extradural: o mais frequente em cães jovens; osteossarcoma vertebral: metástase ou primário; fibrossarcoma, condrossarcoma vertebral; carcinoma metastático (mama, próstata, pulmão); Intradural-extramedulares (entre dura e medula): ~ 35% dos casos; meningioma espinhal: o mais comum neste compartimento; menos agressivo que o intradural; neurofibromas, schwannomas; Intramedular (dentro da medula): o menos comum (~ 15%); pior prognóstico — dentro do tecido nervoso; astrocitoma, ependimoma, glioma; metástases intramedulares raras mas possíveis. Tumores primários vs metástases: Tumores primários: originam na vértebra ou tecidos neurais; osteossarcoma vertebral, meningioma, linfoma; Metástases vertebrais: carcinoma de mama, próstata, pulmão, tireoide; hemangiosarcoma; mastocitoma; Linfoma espinhal: forma especial — linfoma multicêntrico com envolvimento espinhal OU linfoma espinhal primário; geralmente jovens a adultos jovens; responde bem à quimioterapia.
Quais são os sinais de neoplasia espinhal em cachorro?+
Os sinais dependem da localização vertebral do tumor e da velocidade de progressão. Por localização: Cervical (C1-C5): tetraparesia ou tetraplegia; dor cervical intensa; reflexos espinhais exaltados nos 4 membros; Cervicotorácica (C6-T2): fraqueza dos membros anteriores (reflexos reduzidos) + paresia dos posteriores; síndrome de Horner ipsilateral: ptose, miose, enoftalmia; Toracolombar (T3-L3): paraparesia ou paraplegia dos membros posteriores; reflexos espinhais dos posteriores exaltados; membros anteriores normais; Lombossacra (L4-S3): paresia com reflexos reduzidos nos posteriores; déficits de bexiga e intestino (bexiga atônica); Cauda equina (L6-S3): dor lombossacra intensa; paresia dos membros posteriores; incontinência urinária/fecal. Sinais gerais comuns a todos: Dor espinhal: frequentemente o primeiro sinal; piora ao toque na coluna; postura cifótica (corcunda); Déficits neurológicos progressivos: paraparesia ou tetraparesia progressiva; ataxia espinhal; Velocidade de progressão: extradural (linfoma): frequentemente rápida — dias a semanas; meningioma intradural: mais lenta — semanas a meses; intramedular: variável.
Como diagnosticar e tratar neoplasia espinhal em cachorro?+
O diagnóstico requer imagem avançada — radiografia simples é insuficiente para a maioria dos tumores espinhais. Diagnóstico: Radiografia da coluna: útil para: osteossarcoma vertebral (lise óssea visível), colapso vertebral, espondilopatia; insuficiente para tumores intra e extradurais de tecido mole; Mielografia: contraste intratecal: delineamento da compressão medular; pode identificar localização do tumor; substituída pela RM na maioria dos centros modernos; Ressonância Magnética (RM): exame de ESCOLHA: superior para todos os tipos de tumor; diferencia extradural de intradural-extramedular de intramedular; avalia extensão, intensidade de sinal, envolvimento de tecidos vizinhos; Tomografia computadorizada (TC): excelente para tumores ósseos; inferior à RM para lesões de tecido mole; Punção lombar (LCR): análise do líquor: linfoma espinhal frequentemente exfolia células neoplásicas no LCR; eosinofilia ou pleocitose associada. Tratamento: Cirúrgico: laminectomia descompressiva: remoção do tumor acessível; indicado: extradural e intradural-extramedular acessíveis; meningioma espinhal: excelente resposta à ressecção cirúrgica; Quimioterápico: linfoma espinhal: resposta excelente ao protocolo CHOP (ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina, prednisona); primeira escolha em linfoma; Radioterapia: osteossarcoma vertebral, metástases: paliativo ou curativo; Prednisona: anti-edema peritumoral: melhora temporária dos déficits neurológicos; diagnóstico diferencial com GME (granulomatosa).
Qual o prognóstico da neoplasia espinhal canina?+
O prognóstico varia enormemente com o tipo histológico, a localização e o grau de déficit neurológico pré-operatório. Prognóstico por tipo: Linfoma espinhal: prognóstico moderado a bom com quimioterapia; remissão completa em 40-60% com CHOP; duração média de remissão: 6-12 meses; Meningioma intradural-extramedular: melhor prognóstico entre os tumores sólidos; ressecção completa possível em localização favorável; sobrevida > 1 ano em 60-70% dos casos; Osteossarcoma vertebral: mau prognóstico — metástases pulmonares precoces; cirurgia paliativa + quimioterapia; sobrevida mediana: 4-6 meses; Tumor intramedular (astrocitoma, ependimoma): prognóstico reservado — ressecção cirúrgica muito difícil; radioterapia: paliativa; Metástases vertebrais: prognóstico depende do tumor primário; geralmente reservado. Fatores prognósticos: Déficit neurológico pré-operatório: menos grave = melhor prognóstico; paraplegia com percepção de dor ausente > 48h = prognóstico muito ruim (mielomalacia possível); Velocidade de progressão: progressão lenta = melhor prognóstico; Localização: tumores cervicais baixos e torácicos: acesso cirúrgico mais difícil; lombares: melhor acesso; Tipo histológico: como detalhado acima.
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