Nefropatia Perdedora de Proteína em Cachorro: PLN e Glomerulopatia
A nefropatia perdedora de proteína (PLN) é a perda de proteína pela urina por lesão glomerular — proteinúria persistente > 2 mg/kg/dia. Softer Coated Wheaten Terrier, Bernese Mountain Dog e Rottweiler são raças com formas hereditárias. Hipoalbuminemia, edema, ascite e tromboembolismo são as complicações. IECA ou ARA-II + dieta hipoprotéica + anticoagulante.
A Softer Coated Wheaten Terrier de 5 anos chegou para exame de rotina — assintomática. RPCU de triagem (raça de risco): 3,8. Albumina: 1,7 g/dL. Colesterol: 520 mg/dL.
Proteinúria maciça. Síndrome nefrótica subclínica.
Benazepril 0,5 mg/kg/dia + ômega-3 + dieta com restrição de sódio + clopidogrel (profilaxia de tromboembolismo). RPCU mensal.
Por que Raças Específicas São Tão Afetadas
O Softer Coated Wheaten Terrier tem uma mutação hereditária no colágeno glomerular que torna o filtro renal poroso desde cedo. A proteinúria começa anos antes dos sinais clínicos — por isso triagem anual com RPCU é obrigatória a partir dos 3 anos em qualquer SCWT.
O Bernese Mountain Dog tem forma diferente (glomerulonefrite membranosa) mas progressão igualmente grave.
RPCU — O Exame que Faz o Diagnóstico Precoce
A relação proteína/creatinina urinária (RPCU) é simples e barata:
- Amostra simples de urina (sem coleta 24h)
- Normal: < 0,2
- Suspeito: 0,2-0,5
- Significativo: > 0,5 → investigar
- Maciço: > 2 → glomerulopatia provável
A diferença com PLE: na PLN, o colesterol está elevado; na PLE, está baixo.
O Risco de Tromboembolismo na Síndrome Nefrótica
Com proteinúria maciça, a antitrombina III (proteína anticoagulante) é perdida na urina junto com a albumina. O resultado: estado hipercoagulável — mesmo risco do Cushing.
Profilaxia com clopidogrel (antiagregante) é rotina em PLN com RPCU > 2.
Prognóstico
| Situação | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---| | PLN por erliquiose/dirofilariose | Tratar causa + IECA | Muito bom | | Glomerulonefrite focal, sem IRC | IECA + imunossupressor | Moderado-bom | | SCWT hereditária, precoce | IECA + monitoramento | Moderado | | Amiloidose, sem IRC | Controle sintomático | Reservado | | PLN + IRC + hipoalbuminemia grave | Suporte multimodal | Reservado |
Perguntas frequentes
O que é nefropatia perdedora de proteína e como é diferente da enteropatia perdedora de proteína?+
Nefropatia perdedora de proteína (PLN) e enteropatia perdedora de proteína (PLE) são as duas causas principais de hipoproteinemia em cães — mas têm origens e tratamentos distintos. PLN (Protein-Losing Nephropathy): perda de proteína pela urina por lesão glomerular; o glomérulo normalmente retém as proteínas maiores (albumina, globulinas); quando o glomérulo está lesado: filtração de proteínas → proteinúria; diagnóstico: RPCU (relação proteína/creatinina urinária) > 0,5 (suspeita) ou > 2 (definitivo); PLE (Protein-Losing Enteropathy): perda de proteína pelo trato gastrointestinal; linfangectasia, IBD grave, linfoma intestinal; diagnóstico: hipoproteinemia com RPCU normal + sinais gastrointestinais. Diferença diagnóstica: PLN: RPCU elevada + albumina e globulinas baixas; colesterol muitas vezes ELEVADO (síndrome nefrótica); PLE: RPCU normal + albumina E globulinas baixas + colesterol baixo. Causas de PLN: Glomerulonefrite: inflamação glomerular; Amiloidose renal: deposição de amiloide nos glomérulos — Shar-Pei, Beagle, Bracco Italiano; Glomerulopatia hereditária: SCWT (Softer Coated Wheaten Terrier): muito prevalente; Bernese Mountain Dog: glomerulonefrite membranosa; Rottweiler: glomerulosclerose.
Quais são os sinais e o diagnóstico da PLN canina?+
A PLN frequentemente é silenciosa até hipoalbuminemia grave. Sinais clínicos: Edema subcutâneo: acúmulo de líquido em regiões dependentes (pernas, peito, abdômen ventral); Ascite: acúmulo de líquido na cavidade abdominal; Efusão pleural: líquido na cavidade torácica — dispneia; Hidrotórax: mais raro; Perda de peso e fraqueza: por hipoproteinemia progressiva; Sinais de IRC tardia: polidipsia, poliúria, vômito, anorexia. Síndrome Nefrótica: proteinúria maciça + hipoalbuminemia + edema + hipercolesterolemia = síndrome nefrótica; risco aumentado de tromboembolismo (perda de antitrombina III). Diagnóstico: RPCU (relação proteína/creatinina urinária): coleta em urina de amostra simples (não necessita 24h); valores: < 0,2 = normal; 0,2-0,5 = borderline; > 0,5 = proteinúria significativa; > 2,0 = proteinúria maciça (glomerulopatia); Albumina sérica: < 2,0 g/dL = hipoalbuminemia; < 1,5 g/dL = risco de edema e efusão; Colesterol sérico: elevado na síndrome nefrótica; Biópsia renal: tipo histológico (glomerulonefrite, amiloidose): prognóstico e tratamento diferente; Busca de causa subjacente: erliquiose, leishmaniose, neoplasia, lupus, dirofilariose.
Como tratar a nefropatia perdedora de proteína canina?+
O tratamento tem dois objetivos: reduzir a proteinúria e tratar a causa subjacente. Tratamento de redução de proteinúria: IECA (Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina): benazepril: 0,25-0,5 mg/kg 1×/dia VO; enalapril: 0,5 mg/kg 2×/dia VO; reduzem pressão intraglomerular → menor filtração de proteínas; efeito antiproteinúrico mesmo sem hipertensão; ARA-II (Antagonistas do Receptor de Angiotensina): losartana: alternativa ou combinação com IECA; Espirolactona: reduz o nefro em alguns protocolos; Imunossupressores (em glomerulonefrite imunomediada): micofenolato mofetil: 10-20 mg/kg 2×/dia: boa penetração renal; ciclofosfamida: para casos graves; prednisona: controversa — pode piorar a perda de proteína; Ômega-3: ácidos graxos ômega-3 (EPA + DHA): efeito antiproteinúrico moderado; 40 mg/kg/dia de EPA+DHA. Manejo da síndrome nefrótica: Anticoagulantes: risco de tromboembolismo: perda de antitrombina III; heparina de baixo peso molecular ou rivaroxabana; clopidogrel: antiagregante preventivo; Dieta: restrição de sódio: controla edema e ascite; proteína: moderada e de alto valor biológico (não restringir demais — piora a hipoalbuminemia); ômega-3: suplementação dietética; Furosemida: com cuidado em IRC — reduz edema mas pode reduzir perfusão renal; Albumina IV: em emergência (edema grave + albumina < 1 g/dL): colóide temporário; Controle da causa: erliquiose, leishmaniose, dirofilariose: tratamento específico → melhora da proteinúria.
Qual o prognóstico da PLN canina e quais raças têm maior risco?+
O prognóstico depende do tipo histológico, da causa subjacente e da resposta ao tratamento. Raças com PLN hereditária: Softer Coated Wheaten Terrier (SCWT): PLN e PLE são as maiores causas de morte na raça; glomerulopatia hereditária autossômica recessiva; triagem com RPCU anual a partir dos 3 anos; Bernese Mountain Dog: glomerulonefrite membranosa hereditária; mortalidade significativa antes dos 6 anos em linhagens afetadas; triagem RPCU anual; Rottweiler: glomerulosclerose hereditária em algumas linhagens. Prognóstico por tipo histológico: Glomerulonefrite focal segmentar: prognóstico moderado — progressão variável; Glomerulonefrite membranosa: prognóstico moderado — pode responder ao tratamento; Amiloidose renal: prognóstico reservado — deposição irreversível; controle sintomático; SCWT hereditária: prognóstico reservado — IRC progressiva. Fatores de bom prognóstico: causa tratável identificada (erliquiose, dirofilariose); RPCU inicial < 2; albumina > 1,5 g/dL; ausência de IRC ao diagnóstico; resposta rápida a IECA. Fatores de mau prognóstico: amiloidose; IRC concomitante; albumina < 1 g/dL; tromboembolismo como complicação.
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