Guias e conteúdos para tutores
Reunimos guias práticos sobre comportamento, escolha de raça, treinamento e saúde para você ser o melhor tutor possível.
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Intoxicação por Cianobactéria em Cachorro: Algas Tóxicas em Lagos e Rios
As cianobactérias (algas azul-esverdeadas) produzem toxinas que podem matar um cão em minutos a horas. Neurotoxinas (anatoxinas, saxitoxina): tremores, paralisia respiratória — morte em 15-30 min. Hepatotoxinas (microcistinas): necrose hepática — morte em 1-24h. O florescimento de algas (bloom) aparece como tinta verde ou espuma na superfície da água. Sem antídoto específico — tratamento de suporte.
Intoxicação por Chumbo em Cachorro: Tinta, Canos e Neurologia
A intoxicação por chumbo (plumbismo) em cães causa danos neurológicos, gastrointestinais e hematológicos — o chumbo interfere na síntese de heme e no sistema nervoso central, causando convulsões, ataxia, anemia microcítica e megaesôfago. Fontes: tinta antiga (pré-1978), canos antigos, brinquedos importados, solo contaminado. Tratamento com EDTA ou penicilamina (quelação). Dano neurológico pode ser irreversível.
Intoxicação por Cebola e Alho em Cachorro: Anemia Hemolítica
Cebola e alho destroem os glóbulos vermelhos dos cães causando anemia hemolítica por Heinz bodies. Todos os membros do gênero Allium são tóxicos: cebola, alho, cebolinha, alho-poró, chalota. O alho é 5x mais potente que a cebola por peso. A toxicidade é dose-acumulativa — pequenas quantidades diárias podem intoxicar. Tratamento com fluidoterapia e, nos casos graves, transfusão.
Intoxicação por Cafeína em Cachorro: Café, Chá e Energéticos
A cafeína é tóxica para cães — causa taquicardia, hipertensão, tremores e convulsões. Cães têm metabolização muito mais lenta que humanos (meia-vida 4-4,5h vs 2-10h). Uma colher de chá de café solúvel pode ser letal para cão de 5kg. Presente em café, chá preto, chá verde, energéticos, medicamentos para dor e chocolate.
Intoxicação por Benzodiazepínico em Cachorro: Diazepam, Alprazolam e Outros
Os benzodiazepínicos (diazepam, alprazolam, clonazepam, lorazepam) potencializam o GABA-A no SNC → depressão do SNC em cães. Diferente dos humanos, os cães metabolizam benzodiazepínicos mais lentamente e podem ter reações paradoxais (agitação em vez de sedação). O flumazenil é o antídoto específico mas de curta ação. Prognóstico geralmente bom — menos perigoso que baclofeno ou opioides em cão.
Intoxicação por Beladona em Cachorro: Síndrome Anticolinérgica
A Atropa belladonna (beladona) e plantas relacionadas (Datura stramonium, Brugmansia) contêm alcaloides tropânicos (atropina, escopolamina, hiosciamina) que causam síndrome anticolinérgica — OPOSTA ao organofosforado: pupilas dilatadas (midríase), boca seca, taquicardia, retenção urinária, alucinações. Tratamento: fisostigmina IV (anticolinesterásico) + suporte.
Intoxicação por Baclofeno em Cachorro: O Relaxante Muscular que Deprime o SNC
O baclofeno é um relaxante muscular humano (agonista GABA-B) que causa em cães efeitos completamente diferentes dos efeitos em humanos — em vez de relaxamento muscular, produz depressão severa do SNC, bradicardia, hipotensão, coma e apneia. Um dos medicamentos humanos mais perigosos para cães. Sem antídoto específico. Dose de risco: a partir de 0,1 mg/kg. Ventilação mecânica pode ser necessária.
Intoxicação por Aspirina em Cachorro: AINEs e Toxicidade Gastrointestinal
A aspirina (ácido acetilsalicílico) é um dos analgésicos mais perigosos para cães — inibe irreversivelmente COX-1 e COX-2, causando úlcera gástrica, sangramento e nefrotoxicidade. Gatos são ainda mais sensíveis (meia-vida de 44 horas). Não existe dose segura de aspirina regular para cães sem supervisão veterinária. Tratamento com omeprazol, sucralfato e suporte.
Intoxicação por Antidepressivos em Cachorro: SSRIs e Tricíclicos
Os antidepressivos são medicamentos humanos frequentemente encontrados por cães dentro de casa — são a segunda classe de medicamentos humanos mais associada a intoxicação canina. Dois mecanismos principais: SSRIs (fluoxetina, sertralina) → síndrome serotoninérgica; tricíclicos (amitriptilina) → síndrome anticolinérgica + cardiotoxicidade. Serotonin syndrome: hipertermia + tremores + hipersalivação. Sem antídoto específico para SSRIs — suporte e ciproeptadina.
Intoxicação por Anticongelante em Cachorro: Etilenoglicol e Janela Terapêutica
O etilenoglicol (anticongelante) tem sabor adocicado que atrai cães e gatos — e causa insuficiência renal aguda irreversível em 24-72 horas. A janela terapêutica é de apenas 8 horas em cães (3 horas em gatos). Antídoto: fomepizol IV. Diagnóstico precoce é a única chance de sobrevivência.
Intoxicação por Anfetamina em Cachorro: Metanfetamina e ADHD
A anfetamina e a metanfetamina são estimulantes do SNC que causam em cães a mesma toxidrome simpaticomimética da cocaína — mas com meia-vida muito mais longa (8-12h vs 20-90min da cocaína). Medicamentos de ADHD (Ritalina, Concerta, Adderall) são anfetaminas acessíveis em domicílios com crianças. Sem antídoto. Controle de hipertermia é prioridade. Longa duração dos sintomas exige internação prolongada.
Intoxicação por Amitraz em Cachorro: Preventic e Triatix
O amitraz é um acaricida/inseticida da classe das formamidinas — presente em coleiras anticarrapatos (Preventic, Scalibor-like), sprays (Triatix) e banhações. Age como agonista alfa-2 adrenérgico em mamíferos, causando sedação profunda, bradicardia, hipotensão e atonia gastrointestinal. Antídoto: atipamezole (Antisedan) ou ioimbina. Cães MDR1/ABCB1 mutantes são significativamente mais sensíveis. Ingestão de coleira inteira é emergência.
Intoxicação por Álcool em Cachorro: Etanol e Fontes Inesperadas
O álcool (etanol) é muito mais tóxico para cães que para humanos — o metabolismo hepático é mais lento e o sistema nervoso é mais sensível. Dose letal estimada: 5-8 mL de etanol puro/kg. Fontes além de bebidas alcoólicas: fermento de pão cru, frutas fermentadas, xaropes medicamentosos, antissépticos. Tratamento de suporte. Emergência veterinária.
Intoxicação por Aflatoxina em Cachorro: Ração Contaminada
As aflatoxinas são micotoxinas produzidas por Aspergillus flavus e A. parasiticus — fungos que contaminam cereais, amendoim e milho em condições de calor e umidade. Em ração pet, a aflatoxina B1 causa hepatotoxicidade grave: icterícia, coagulopatia e insuficiência hepática aguda. Surtos documentados no Brasil com ração contaminada acima dos limites legais. Diagnóstico: ALT e bilirrubina elevadas + histórico de ração suspeita. Sem antídoto — suporte hepático intensivo.
Insuficiência Pancreática Exócrina em Cachorro (IPE): O Cão que Emagrece Comendo
A insuficiência pancreática exócrina (IPE) ocorre quando o pâncreas não produz enzimas digestivas suficientes — lipase, protease e amilase. O cão come muito, mas não absorve nutrientes: emagrecimento progressivo, fezes gordurosas volumosas e coprofagia (comer as próprias fezes). Causa mais comum em cães: atrofia acinar pancreática, especialmente em Pastor Alemão e Rough Collie. Diagnóstico: TLI sérico baixo. Tratamento: extrato pancreático em pó na ração — controle vitalício.
Icterícia em Cães: Pré-Hepática, Hepática e Pós-Hepática
A icterícia (icterus) em cães é a coloração amarela das mucosas, esclera e pele causada pelo acúmulo de bilirrubina. Classificação diagnóstica: pré-hepática (hemólise — AHIM, babesiose), hepática (hepatite, hepatopatia, leptospirose) e pós-hepática (obstrução biliar, mucocele da vesícula biliar). O diagnóstico diferencial exige hemograma + perfil hepático (ALT, ALP, GGT) + bilirrubina total e frações + ultrassonografia abdominal.
Hipotireoidismo em Cães: A Doença da Tireoide Mais Comum
O hipotireoidismo canino é a doença endócrina mais frequente em cães de médio e grande porte — causado principalmente por tireoidite linfocítica (autoimune) ou atrofia idiopática da tireoide. Os sinais clássicos são letargia, ganho de peso sem aumento de apetite, intolerância ao frio e alopecia bilateral simétrica com espessamento da pele. Diagnóstico: T4 total baixo + TSH canino elevado. Tratamento: levotiroxina oral diária — controle excelente, prognóstico muito bom.
Hipertireoidismo em Cachorro: Carcinoma Tireoidiano e Causas
O hipertireoidismo em cães é raro — diferente dos gatos, onde é a endocrinopatia mais comum. Em cães, a causa mais frequente é o carcinoma de tireoide funcional (tumor maligno que produz T4 de forma autônoma), não adenoma benigno como nos gatos. Sinal clássico: massa cervical palpável + emagrecimento com apetite mantido + taquicardia. Tratamento: cirurgia (tireoidectomia) + radioiodoterapia (I-131) + metimazol nos casos cirúrgicos inoperáveis.
Hemotórax em Cachorro: Sangue na Cavidade Pleural
O hemotórax é o acúmulo de sangue na cavidade pleural — espaço entre os pulmões e a parede torácica. Em cães, as causas mais comuns são trauma (acidente, queda), intoxicação por rodenticidas anticoagulantes (brodifacum, bromadiolona) e neoplasias torácicas (hemangiosarcoma). Manifesta-se como dispneia progressiva, mucosas pálidas e sinais de hipovolemia. Diagnóstico: radiografia + toracocentese diagnóstica. Tratamento: drenagem + hemostasia + transfusão.
Glaucoma em Cachorro: Pressão Intraocular e Risco de Cegueira
O glaucoma canino é uma síndrome de aumento da pressão intraocular (PIO) que danifica progressivamente o nervo óptico e a retina — levando à cegueira irreversível se não tratado. Dois tipos: primário (herança genética — Cocker, Basset, Shiba Inu, Boston Terrier) e secundário (uveíte, subluxação de lente, hifema). PIO normal: 12-25 mmHg; glaucoma: > 30 mmHg. Diagnóstico: tonometria de rebote. Emergência aguda: manitol IV + colírio hipotensor.
Estenose Pilórica em Cães: Vômito Projectil e Obstrução de Saída Gástrica
A estenose pilórica é uma obstrução da saída do estômago (piloro) para o duodeno — pode ser congênita (hipertrofia muscular do piloro, comum em braquicéfalos) ou adquirida (hipertrofia mucosa crônica, mais comum em cães de meia-idade e idosos). Vômito projectil de conteúdo não bilioso (não amarelo) é o sinal clássico. Diagnóstico por radiografia contrastada ou endoscopia. Tratamento cirúrgico (piloromiotomia de Fredet-Ramstedt ou piloroplastia) tem excelente prognóstico.
Diabetes Mellitus em Cachorro: Insulina e Controle Glicêmico
O diabetes mellitus (DM) canino é causado por deficiência de insulina (Tipo 1) ou resistência periférica à insulina (Tipo 2 funcional). Manifesta-se como poliúria, polidipsia, polifagia e emagrecimento progressivo. Diagnóstico: glicemia em jejum > 200 mg/dL persistente + glicosúria. Tratamento: insulinização vitalícia (NPH ou Caninsulin), dieta específica e monitoramento domiciliar. Complicações: catarata, neuropatia, cetoacidose diabética.
Corpo Estranho Gastrointestinal em Cães: Emergência Cirúrgica
Corpo estranho gastrointestinal é uma das emergências cirúrgicas mais comuns em cães — meias, ossos, brinquedos, espiga de milho, anzóis e fios são os mais frequentes. Corpos estranhos lineares (fios, elásticos, fitas) são os mais perigosos — causam 'sanfonamento' do intestino com risco de perfuração múltipla. Diagnóstico por radiografia e ultrassom. Tratamento: endoscopia (se no estômago) ou cirurgia (enterotomia/ressecção).
Coprofagia em Cães: Por Que Seu Cachorro Come Fezes e Como Resolver
Coprofagia (comer fezes) é comportamento comum em cães — afeta 16-23% dos cães segundo estudos. As causas variam: comportamento normal em fêmeas com filhotes, malnutrição, parasitas, ansiedade, aborrecimento. Na maioria dos cães adultos é comportamento aprendido com componente ambiental. Manejo ambiental é a principal estratégia. Suplementação pode ajudar em casos específicos.