Intoxicação por Amitraz em Cachorro: Preventic e Triatix
O amitraz é um acaricida/inseticida da classe das formamidinas — presente em coleiras anticarrapatos (Preventic, Scalibor-like), sprays (Triatix) e banhações. Age como agonista alfa-2 adrenérgico em mamíferos, causando sedação profunda, bradicardia, hipotensão e atonia gastrointestinal. Antídoto: atipamezole (Antisedan) ou ioimbina. Cães MDR1/ABCB1 mutantes são significativamente mais sensíveis. Ingestão de coleira inteira é emergência.
O Border Collie de 2 anos foi encontrado adormecido no quintal — não respondia ao chamado.
FC: 38 bpm. Pupilas dilatadas. Temperatura: 36,1°C. Distensão abdominal.
A tutora lembrou: havia banhado o cão com Triatix duas horas antes — concentração não diluída adequadamente.
Atipamezole IV. Reversão em 20 minutos.
Amitraz — alfa-2 agonista. O antídoto existe. O diagnóstico precisa ser rápido.
Gravidade por Tipo de Exposição ao Amitraz
| Exposição | Gravidade | Conduta | |---|---|---| | Banhação correta (0,025%) | Baixa | Monitorar 12-24h | | Produto mal diluído (> 0,1%) | Moderada | Veterinário urgente | | Lambida de produto diluído | Baixa a moderada | Veterinário preventivamente | | Ingestão de coleira (Preventic) | Alta — EMERGÊNCIA | Veterinário imediato | | Produto concentrado ingerido (Triatix) | Muito alta — EMERGÊNCIA | Veterinário imediato |
Sinais Alfa-2 Adrenérgicos do Amitraz
| Sistema | Sinal | Gravidade | |---|---|---| | SNC | Sedação, ataxia, narcose, coma | Progressiva | | Cardiovascular | Bradicardia (< 40 bpm), hipotensão | Emergência | | GI | Atonia, íleo paralítico, distensão | Moderada a grave | | Metabólico | Hiperglicemia, hipotermia, midríase | Moderada |
Risco Aumentado em Cães MDR1 Mutantes
| Raça | Frequência MDR1 (-/-) | Recomendação | |---|---|---| | Collie (Rough/Smooth) | Até 35% | Testar antes de usar amitraz | | Shetland Sheepdog | Alta | Preferir alternativas | | Australian Shepherd | 17-20% | Preferir isoxazolines | | Border Collie | ~5% | Monitorar |
Antídoto — Atipamezole (Antisedan)
| Parâmetro | Detalhe | |---|---| | Mecanismo | Antagonista alfa-2 específico | | Dose | 0,05-0,1 mg/kg IV lento ou IM | | Início de ação | 15-30 minutos | | Duração | Curta — pode necessitar redosagem | | Disponibilidade | Clínicas e hospitais veterinários |
Perguntas frequentes
O que é o amitraz e como causa toxicidade em cães?+
O amitraz é um pesticida da classe das formamidinas — grupo químico distinto dos organofosforados e piretroides. Mecanismo de ação: Em artrópodes (carrapatos, ácaros): agonista de receptores de octopamina → paralisia e morte dos parasitas; Em mamíferos: agonista de receptores alfa-2 adrenérgicos (os mesmos receptores da dexmedetomidina, um sedativo veterinário); a ativação alfa-2 em mamíferos causa: bradicardia (coração lento), hipotensão, sedação/narcose, midríase (pupila dilatada), hiperglicemia (inibição de liberação de insulina), hipotermia, atonia GI (íleo paralítico), diminuição de motilidade intestinal; Produtos com amitraz: Coleiras: Preventic (collar 9%, 25 semanas de proteção); algumas formulações de coleiras combinadas; Sprays e banhações: Triatix (12,5%), Amitick, Abamil Plus; Gel tópico: algumas formulações veterinárias; Gel anti-demodex: amitraz diluído para demodicose; Concentrações: Spray/banho (diluído 1:500): concentração de uso ~0,025% — risco relativamente baixo; Coleira: 9% de amitraz em reservatório lento — risco alto se ingerida; Produto concentrado (Triatix 12,5%): emergência se ingerido; Sensibilidade pelo porte e idade: filhotes (< 4 meses): mais sensíveis — barreira hematoencefálica imatura; cães idosos: menor reserva cardiovascular; sensibilidade individual varia.
Quais são os sinais de intoxicação por amitraz e a gravidade por produto?+
Os sinais de intoxicação por amitraz são característicos da ativação alfa-2 adrenérgica — o quadro é relativamente específico e auxilia no diagnóstico. Sinais centrais (alfa-2 no SNC): Sedação progressiva: de sonolência a narcose profunda — o sinal mais precoce; Ataxia: incoordenaçõa antes da sedação completa; Depressão respiratória: em intoxicação grave; Coma: doses muito altas — emergência; Sinais cardiovasculares (alfa-2 no coração): Bradicardia: FC pode cair abaixo de 40 bpm; Hipotensão: pressão sistólica < 80 mmHg; Bloqueios AV: nos casos mais graves; Sinais gastrointestinais (alfa-2 na motilidade): Atonia GI: redução ou parada de motilidade intestinal; Íleo paralítico: distensão abdominal, ausência de sons intestinais; Constipação: em casos de menor gravidade; Sinais metabólicos: Hiperglicemia: inibição de secreção de insulina; Hipotermia: vasoconstrição periférica + redução metabólica; Midríase: pupilas dilatadas; Gravidade por tipo de exposição: Banhação correta (0,025%): sinais leves possíveis — sedação discreta, resolvem em 12-24h; Ingestão de produto diluído (lambida): moderado — veterinário preventivamente; Ingestão de coleira (parcial ou total): EMERGÊNCIA — reservatório de amitraz concentrado; Ingestão de Triatix 12,5%: EMERGÊNCIA — dose potencialmente fatal; Cronologia: início dos sinais: 30 min a 2h após exposição; pico: 4-6h; resolução (sem antídoto): 24-72h se o cão sobrevive.
O amitraz é mais perigoso para cães com mutação MDR1? Qual é o tratamento?+
Sim — a mutação MDR1/ABCB1 aumenta significativamente a sensibilidade ao amitraz, embora o mecanismo seja diferente do da ivermectina. MDR1 e amitraz: a proteína P-glicoproteína (P-gp, codificada por ABCB1/MDR1) é uma bomba de efluxo na barreira hematoencefálica — expulsa substâncias do SNC; em cães com mutação MDR1 (-/-): a barreira hematoencefálica tem menor capacidade de expulsão de xenobióticos; o amitraz (e seu metabólito ativo N-2,4-DMF) penetra mais no SNC → sedação mais profunda e prolongada; Raças com alta frequência de MDR1 mutante: Collie (Rough e Smooth): até 35% homozigotos (-/-); Shetland Sheepdog: alta frequência; Australian Shepherd: 17-20%; Pastor Americano: alta; Border Collie: ~5%; Whippet: variável; Treinamento MDR1 antes de usar amitraz: teste MDR1 disponível (Washington State University Veterinary Genetics Laboratory, Dr. Mark Neff group); Para cões MDR1 não testados dessas raças: preferir carrapaticidas sem amitraz (fluralaner, sarolaner, afoxolaner — isoxazolines); Tratamento da intoxicação por amitraz: Antídoto específico: Atipamezole (Antisedan): antagonista alfa-2 específico; dose: 0,05-0,1 mg/kg IV (lento) ou IM; efeito rápido — reversão em 15-30 min; meia-vida curta → pode necessitar redosagem; Ioimbina: antagonista alfa-2 alternativo; dose: 0,1 mg/kg IV lento; menos disponível no Brasil que o atipamezole; Suporte: fluidos IV para hipotensão; aquecimento para hipotermia; monitoramento cardíaco (ECG) se bradicardia; atropina IV se bloqueio AV sintomático; jejum alimentar no íleo paralítico; Descontaminação: coleira ingerida → remoção por endoscopia ou cirurgia; lavagem gástrica se < 1h (produto líquido); carvão ativado: indicado — adsorve amitraz e metabólitos; Banhação com produto: banho com sabão neutro para remover o acaricida da pelagem.
Como prevenir a intoxicação por amitraz e quais são as alternativas seguras?+
A prevenção é fundamental — especialmente para cães MDR1 suscetíveis e filhotes. Prevenção com coleiras de amitraz: Cão não deve mastigar ou ingerir a coleira: usar em cão que não mastiga acessórios; em cão com comportamento de mastigar objetos: coleira de amitraz é contraindicada; Coleira fora do alcance quando retirada: guarda em local inacessível; pedaço de coleira ingerido → emergência veterinária; Gatos da casa: amitraz em qualquer concentração é MUITO tóxico para gatos; NÃO usar coleira de amitraz em casa com gatos (lambida do cão colega ou contato com coleira); Crianças: manter crianças longe da coleira — o amitraz é absorvido por contato cutâneo; Alternativas ao amitraz para carrapatos: Isoxazolines (via oral): Fluralaner (Bravecto): 12 semanas de proteção — mínimo risco MDR1; Sarolaner (Simparica): mensal — bem tolerado; Afoxolaner (NexGard): mensal; Lotilaner (Credelio): mensal; Piretroides tópicos: Permetrina (tópico): NUNCA em gatos; Flumethrin (coleira Seresto): diferente do amitraz — mais seguro para MDR1; Fipronil (Frontline): spray/spot-on — sem interação MDR1 significativa; Amitraz em demodicose: uso em protocolo de demodicose generalizada: banhos de amitraz 0,025% semanais — alternativa ao isoxazolina; em cães MDR1 mutantes com demodicose: preferir ivermectina (com teste MDR1 confirmado -/- evitar) ou milbemicina; Resumo de segurança: colar com amitraz + cão MDR1 suscetível = risco; colar com amitraz + gato na casa = risco grave; produto concentrado (Triatix 12,5%) ingerido = emergência em qualquer cão.
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Torção Esplênica em Cães: Emergência Cirúrgica Abdominal
A torção esplênica (TE) é a rotação do baço em torno do hilo esplênico, interrompendo o fluxo vascular e causando congestão progressiva e necrose. Pode ocorrer isoladamente (Torção Esplênica Primária) ou associada à Dilatação-Vólvulo Gástrico (DVG). Pastor Alemão de meia-idade: predisposição específica para torção esplênica primária. Sinais: distensão abdominal, dor, anemia hemolítica progressiva, Heinz bodies. Tratamento: esplenectomia de emergência.
Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica
A Tetralogia de Fallot (ToF) é uma malformação cardíaca congênita composta de quatro defeitos simultâneos: (1) Comunicação Interventricular (CIV), (2) Estenose Pulmonar (EP), (3) Aorta cavalgante sobre o septo e (4) Hipertrofia Ventricular Direita (HVD). A EP severa força shunt direito-esquerdo → cianose (mucosas azuladas) e policitemia. Keeshond tem predisposição genética documentada. Diagnóstico: ecocardiografia. Tratamento: cirurgia paliativa (Blalock-Taussig) ou correção completa. Prognóstico: reservado sem intervenção.
Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães
A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET — também TEN) são reações cutâneas graves e potencialmente fatais — resultam na morte massiva de queratinócitos e desprendimento extenso da epiderme. No cão, o quadro canino equivalente envolve erosões/ulcerações mucosas, vesículas e descamação de pele em extensão variável. Causa mais comum: reação medicamentosa (antibióticos, anticonvulsivantes, AINEs, sulfonamidas). Diagnóstico: biópsia (necrose de queratinócitos em toda a espessura da epiderme). Tratamento: suspensão imediata do fármaco + suporte intensivo. Prognóstico: grave — mortalidade elevada na forma NET.