Glaucoma em Cachorro: Pressão Intraocular e Risco de Cegueira
O glaucoma canino é uma síndrome de aumento da pressão intraocular (PIO) que danifica progressivamente o nervo óptico e a retina — levando à cegueira irreversível se não tratado. Dois tipos: primário (herança genética — Cocker, Basset, Shiba Inu, Boston Terrier) e secundário (uveíte, subluxação de lente, hifema). PIO normal: 12-25 mmHg; glaucoma: > 30 mmHg. Diagnóstico: tonometria de rebote. Emergência aguda: manitol IV + colírio hipotensor.
O Cocker Americano de 7 anos chegou com o olho esquerdo fechado e vermelho.
Tutora: "ele começou ontem à noite."
Olho visivelmente maior que o direito. Córnea com leve opacidade azulada.
TonoVet: PIO esquerdo = 58 mmHg. Direito: 18 mmHg.
Glaucoma agudo de ângulo fechado. Emergência.
Manitol IV. Dorzolamida e latanoprosta. PIO reduzida para 28 em 4 horas.
A visão residual: presente após 24h. O prognóstico: cuidadoso.
Pressão Intraocular — Referências
| PIO (mmHg) | Interpretação | Ação | |---|---|---| | 12-25 | Normal | Monitoramento | | 26-30 | Borderline | Repetir + avaliar sinais | | 31-40 | Glaucoma moderado | Colírios + urgência | | > 40 | Glaucoma grave — emergência | Manitol IV + oftalmologista |
Raças Predispostas ao Glaucoma Primário
| Raça | Risco | Tipo de Glaucoma | |---|---|---| | Cocker Americano | Muito alto | Ângulo fechado — mais comum | | Basset Hound | Alto | Ângulo fechado | | Shiba Inu | Alto | Ângulo fechado | | Boston Terrier | Alto | Ângulo fechado | | Chow Chow | Moderado-alto | Ângulo fechado |
Protocolo de Emergência — Glaucoma Agudo
| Intervenção | Dose | Objetivo | |---|---|---| | Manitol IV | 1-2 g/kg em 20-30 min | Redução rápida da PIO | | Dorzolamida 2% (colírio) | 3x/dia | Reduz produção de humor aquoso | | Latanoprosta 0,005% (colírio) | 1x/noite | Aumenta drenagem úvea-escleral | | Timolol 0,5% (colírio) | 2x/dia | Reduz produção de humor aquoso |
Perguntas frequentes
O que é glaucoma em cães e quais são os tipos?+
O glaucoma canino é uma síndrome caracterizada pelo aumento da pressão intraocular (PIO) acima dos limites fisiológicos — levando ao dano progressivo do nervo óptico e das células ganglionares da retina, culminando em cegueira irreversível se não tratado. Fisiopatologia básica: o humor aquoso é produzido pelo corpo ciliar e drenado pelo ângulo iridocorneal (via trabecular) e via úvea-escleral; quando a drenagem é insuficiente: o humor aquoso se acumula → PIO aumenta → comprime e danifica o nervo óptico → morte das células ganglionares da retina; o dano ao nervo óptico é IRREVERSÍVEL — cada episódio de PIO elevada causa perda permanente de campo visual; PIO normal: 12-25 mmHg; Glaucoma: geralmente > 30 mmHg; agudo grave: > 40-50 mmHg; Tipos de glaucoma canino: Glaucoma Primário: causa: malformação do ângulo de drenagem (goniodisgenesia) — herança genética; os dois subtipos: Glaucoma de ângulo fechado (GFC): o mais comum em cães; fechamento agudo do ângulo → bloqueio total da drenagem → crise aguda de PIO (emergência); Glaucoma de ângulo aberto (GAA): drenagem cronicamente reduzida — aumento gradual da PIO; raro em cães; mais semelhante ao glaucoma humano; Glaucoma Secundário: causa: doença ocular que compromete a drenagem; causas frequentes: uveíte anterior (inflamação → exsudato bloqueia o ângulo); subluxação ou luxação de lente; hifema (sangue na câmara anterior); neoplasia intraocular; catarata hipermatura; Raças predispostas ao glaucoma primário: Cocker Americano e Inglês: mais comum; Basset Hound; Shiba Inu; Boston Terrier; Chow Chow; Samoyeda; Retrievers (Labrador, Golden); Shar Pei.
Quais são os sinais do glaucoma agudo e crônico em cães?+
A apresentação clínica varia muito entre o glaucoma agudo (emergência) e o glaucoma crônico (progressivo silencioso). Glaucoma Agudo — emergência: instalação em horas a dias; Dor ocular intensa: o cão frota o olho, mantém o olho fechado, chora; Vermelhidão conjuntival: injeção escleral marcada (vasos dilatados na esclera); Buftalmo: aumento do globo ocular (olho maior que o normal) — sinal de PIO muito elevada por tempo; Córnea azulada/edematosa: edema de córnea — opacidade difusa azul-cinza; Midríase (pupila dilatada): a pupila não responde à luz (reflexo pupilar ausente); Diminuição ou perda de visão: o cão bate em coisas, não rastreia movimentos; PIO: > 40-50 mmHg (aferida pelo tonômetro); Glaucoma Crônico: desenvolvimento gradual ao longo de semanas a meses; sinais mais sutis; Buftalmo progressivo: o olho vai aumentando — pode ser o primeiro sinal notado pelo tutor; Degeneração retiniana progressiva; Diminuição gradual de visão: o cão começa a 'compensar' com outros sentidos; Dor crônica de baixa intensidade: o cão pode parecer menos ativo; Alterações do nervo óptico visíveis na oftalmoscopia; PIO moderada: 25-35 mmHg frequentemente; A questão da dor: o glaucoma em cães é DOLOROSO — muito mais que em humanos (anatomia diferente); cão com globo ocular aumentado (buftalmo) e opaco: frequentemente tem dor crônica não percebida pelo tutor.
Como é feito o diagnóstico e qual é o tratamento do glaucoma canino?+
O diagnóstico do glaucoma exige equipamento especializado — o tonômetro de rebote (TonoVet) é o padrão-ouro. Diagnóstico: Tonometria de rebote (TonoVet): mede a PIO de forma não-invasiva e rápida; pode ser feita em cão acordado (colírio anestésico); PIO > 25 mmHg: suspeita; > 30 mmHg com sinais clínicos: diagnóstico de glaucoma; Gonioscopia: avalia o ângulo de drenagem — distingue ângulo aberto de fechado; detecta goniodisgenesia (predisposição genética); indica qual olho está em risco no futuro; Oftalmoscopia indireta: avalia o nervo óptico e a retina; escavação da papila óptica: sinal de glaucoma crônico; ERG (eletrorretinograma): avalia função retiniana — indica se ainda há visão residual para orientar o tratamento; Tratamento do Glaucoma Agudo — emergência: Manitol IV (1-2 g/kg): osmótico potente — reduz rapidamente a PIO; infundir em 20-30 min; Dorzolamida 2% (colírio): inibidor da anidrase carbônica — reduz produção de humor aquoso; 3x/dia; Latanoprosta 0,005% (colírio): análogo de prostaglandina — aumenta drenagem úvea-escleral; Timolol 0,5% (colírio): beta-bloqueador — reduz produção de humor aquoso; Atropina 1%: CONTRAINDICADA no glaucoma de ângulo fechado — piora o fechamento do ângulo; Tratamento cirúrgico: Ciclofotocoagulação transescleral por diodo laser: reduz a produção de humor aquoso ao destruir parte do corpo ciliar; Implante de tubo de drenagem (tubo de Baerveldt): cria nova via de drenagem; Enucleação: remoção do olho em casos sem visão com dor crônica intratável — opção humanitária.
Como prevenir o glaucoma em raças predispostas e quando levar ao veterinário?+
A prevenção do glaucoma consiste em triagem de olho contralateral e detecção precoce em raças predispostas. Triagem em raças de risco: gonioscopia do olho contralateral ao primeiro afetado: detecta goniodisgenesia antes da crise; cão com goniodisgenesia: colírio profilático (latanoprosta) pode retardar o início; em raças predispostas (Cocker, Basset, Shiba, Boston): exame oftalmológico anual; Quando levar ao veterinário imediatamente: olho vermelho com dor e fechado: emergência — pode ser glaucoma agudo; globo ocular visivelmente maior que o olho contralateral; córnea azulada e opaca; pupila que não reage à luz; cegueira aguda unilateral; tempo é essencial: cada hora com PIO elevada = mais dano ao nervo óptico; Prognóstico de visão: glaucoma agudo tratado em < 24h: prognóstico de preservação visual possível; glaucoma tratado após 24-72h: prognóstico de visão reservado a ruim (dano irreversível); buftalmo com córnea opaca: normalmente já cego — tratamento para dor; Monitoramento domiciliar: medir o globo ocular visualmente: não é método acurado mas permite notar assimetria; tonômetros portáteis domiciliares: disponíveis mas cara e treinamento necessário; qualquer alteração no comportamento visual (bater em coisas, hesitar em ambiente escuro): consulta urgente; A enucleação como decisão compassiva: quando o olho está cego, globoso, opaco e doloroso: a remoção do olho (enucleação) é a opção mais humana; o cão com um olho adapta-se perfeitamente — a qualidade de vida melhora enormemente ao eliminar a dor crônica.
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Torção Esplênica em Cães: Emergência Cirúrgica Abdominal
A torção esplênica (TE) é a rotação do baço em torno do hilo esplênico, interrompendo o fluxo vascular e causando congestão progressiva e necrose. Pode ocorrer isoladamente (Torção Esplênica Primária) ou associada à Dilatação-Vólvulo Gástrico (DVG). Pastor Alemão de meia-idade: predisposição específica para torção esplênica primária. Sinais: distensão abdominal, dor, anemia hemolítica progressiva, Heinz bodies. Tratamento: esplenectomia de emergência.
Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica
A Tetralogia de Fallot (ToF) é uma malformação cardíaca congênita composta de quatro defeitos simultâneos: (1) Comunicação Interventricular (CIV), (2) Estenose Pulmonar (EP), (3) Aorta cavalgante sobre o septo e (4) Hipertrofia Ventricular Direita (HVD). A EP severa força shunt direito-esquerdo → cianose (mucosas azuladas) e policitemia. Keeshond tem predisposição genética documentada. Diagnóstico: ecocardiografia. Tratamento: cirurgia paliativa (Blalock-Taussig) ou correção completa. Prognóstico: reservado sem intervenção.
Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães
A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET — também TEN) são reações cutâneas graves e potencialmente fatais — resultam na morte massiva de queratinócitos e desprendimento extenso da epiderme. No cão, o quadro canino equivalente envolve erosões/ulcerações mucosas, vesículas e descamação de pele em extensão variável. Causa mais comum: reação medicamentosa (antibióticos, anticonvulsivantes, AINEs, sulfonamidas). Diagnóstico: biópsia (necrose de queratinócitos em toda a espessura da epiderme). Tratamento: suspensão imediata do fármaco + suporte intensivo. Prognóstico: grave — mortalidade elevada na forma NET.