Guias e conteúdos para tutores
Reunimos guias práticos sobre comportamento, escolha de raça, treinamento e saúde para você ser o melhor tutor possível.
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Cachorro Pode Comer Aipim? Mandioca Cozida Sim, Crua Nunca
O aipim (mandioca mansa, macaxeira — Manihot esculenta var. dulcis) pode ser oferecido cozido em pequenas quantidades. COZIDO: glicosídeos cianogênicos inativados pelo calor, amido resistente reduzido, digestível. CRU: NUNCA — mesmo a mandioca 'mansa' tem linamarina que libera HCN (ácido cianídrico) quando mastigada. Sem sal, sem tempero, sem casca. Boa fonte de energia e carboidrato para cão ativo. A mandioca-brava (Manihot esculenta var. flabellifolia) tem concentração de HCN muito mais alta — potencialmente letal.
Cachorro Pode Comer Agrião? Isotiocianatos, Fasciola e Preparo Seguro
O agrião (Nasturtium officinale) cozido em pequena quantidade é tolerado por cães. ATENÇÃO CRÍTICA: agrião colhido de cursos d'água naturais no Brasil é veículo de Fasciola hepatica (fasciolose) — infecção grave do fígado. Comprar apenas de fonte controlada (mercado/supermercado). Isotiocianatos em quantidade alta causam irritação gastrointestinal. NUNCA agrião com alho, limão ou vinagre. Baixa caloria (20 kcal/100g), vitamina K alta. Cozimento inativa os isotiocianatos mais irritantes e elimina o risco de Fasciola.
Cachorro Pode Comer Acelga? Oxalato, Rins e Moderação
A acelga (Beta vulgaris var. cicla) pode ser oferecida a cães em pequena quantidade cozida. Perfil: baixa caloria (19 kcal/100g), vitamina K alta, vitamina A, magnésio. ATENÇÃO: oxalato de cálcio moderado a alto — NÃO recomendada para cão com histórico de urólitos de oxalato ou doença renal. Cozimento reduz oxalato em 30-50%. NUNCA acelga refogada com alho ou cebola. Em cão saudável, pequena quantidade esporádica é tolerada.
Bartoneloses Caninas: Bartonella vinsonii e Endocardite em Cães
As bartoneloses caninas são causadas por bactérias intracelulares facultativas do gênero Bartonella — transmitidas por pulgas (Ctenocephalides felis), carrapatos (Rhipicephalus, Ixodes) e piolhos. Bartonella vinsonii subsp. berkhoffii é a espécie mais documentada em cão — associada a endocardite bacteriana, arritmias, epistaxe e uveíte. Zoonose real: B. henselae causa a 'Doença da Arranhadura do Gato' em humanos e pode infectar cães. Diagnóstico: PCR em sangue (cultura pouco sensível). Tratamento: doxiciclina ou azitromicina por 4-8 semanas.
Ataxia Cerebelar em Cães: Descoordenação, Causas Hereditárias e Adquiridas
A ataxia cerebelar é a descoordenação dos movimentos causada por disfunção do cerebelo — diferente da fraqueza muscular (paresia) e da ataxia vestibular (com cabeça inclinada). Sinais: hipermetria (passadas exageradas), base larga, tremor intencional, sem déficit de força. Causas: hereditária (espinhas de raças específicas), adquirida (cinomose, meningite, toxinas — metronidazol, ivermectina). Diagnóstico: RM é o padrão-ouro. Prognóstico varia: hereditária progressiva (ruim); inflamatória (variável); tóxica (bom se removida).
Anemia Aplástica em Cães: Aplasia de Medula e Pancitopenia
A Anemia Aplástica (AA) canina — também chamada aplasia medular — é a falência da medula óssea em produzir células sanguíneas de todas as linhagens, resultando em pancitopenia (anemia + trombocitopenia + leucopenia). Causas: Ehrlichiose crônica (principal no Brasil), toxicidade por estrógeno (tumor de Sertoli, estrógeno exógeno), fármacos mielossupressores (cloranfenicol, quimioterápicos), imunomediada idiopática. Diagnóstico: mielograma ou biopsia de medula. Tratamento: imunossupressão (ciclosporina) + transfusão + fator de crescimento hematopoiético.
Actinomicose Canina: Actinomyces, Granulomas e Fístulas
A Actinomicose é causada por bactérias do gênero Actinomyces — anaeróbios gram-positivos que compõem a flora oral e intestinal normal do cão. A doença ocorre quando barreiras são rompidas (mordidas, corpo estranho, feridas). Característica: granulomas crônicos com fístulas que drenam pus com 'grãos de enxofre' (colônias bacterianas macroscópicas). Localização principal: cervicofacial, torácica, abdominal. Tratamento: penicilina ou amoxicilina por semanas a meses. Confundida com fungos e nocardiose.
Acromegalia Canina: Excesso de GH por Progesterona e Diabetes Resistente à Insulina
A Acromegalia Canina é causada por excesso de GH produzido pela glândula mamária sob estimulação de progesterona (endógena no diestro ou exógena via progestinas) — diferente da acromegalia felina que é hipofisária. SINAIS: engrossamento de tecidos moles (face, pele, patas), estridor inspiratório por hipertrofia faríngea, diabetes mellitus resistente à insulina. DIAGNÓSTICO: IGF-1 elevado + glucemia elevada. TRATAMENTO: ovariectomia → resolução espontânea na maioria dos casos se realizada antes da fibrose insular.
AVC em Cães: Acidente Vascular Cerebral, Diagnóstico e Recuperação
O AVC (Acidente Vascular Cerebral) canino é o infarto ou hemorragia cerebral que causa sinais neurológicos de início súbito e não progressivo. Diferente do humano: a maioria dos cães se recupera significativamente em 4-8 semanas. Sinais: head tilt agudo, ataxia, circling, nistagmo, desorientação — início em segundos a minutos. Causas: hipertensão arterial (mais frequente), hiperadrenocorticismo, hipotireoidismo, neoplasia. Diagnóstico: RM com DWI (ouro padrão). Cavalier King Charles Spaniel: predisposição específica.
Abscesso Dentário em Cães: Carnassial, Inchaço Facial e Tratamento
O abscesso dentário em cão é coleção de pus ao redor da raiz do dente — causado por infecção bacteriana da polpa ou do periodonto. O dente carnassial (quarto pré-molar superior) é o mais frequentemente afetado em cão. Manifestação clássica: inchaço abaixo do olho (fístula suborbitária) sem história de trauma. Diagnóstico: radiografia dental (apical). Tratamento: extração do dente afetado (padrão ouro) ou tratamento de canal. Nunca apenas antibiótico sem intervenção dental.
Torção Esplênica em Cães: Emergência Cirúrgica Abdominal
A torção esplênica (TE) é a rotação do baço em torno do hilo esplênico, interrompendo o fluxo vascular e causando congestão progressiva e necrose. Pode ocorrer isoladamente (Torção Esplênica Primária) ou associada à Dilatação-Vólvulo Gástrico (DVG). Pastor Alemão de meia-idade: predisposição específica para torção esplênica primária. Sinais: distensão abdominal, dor, anemia hemolítica progressiva, Heinz bodies. Tratamento: esplenectomia de emergência.
Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica
A Tetralogia de Fallot (ToF) é uma malformação cardíaca congênita composta de quatro defeitos simultâneos: (1) Comunicação Interventricular (CIV), (2) Estenose Pulmonar (EP), (3) Aorta cavalgante sobre o septo e (4) Hipertrofia Ventricular Direita (HVD). A EP severa força shunt direito-esquerdo → cianose (mucosas azuladas) e policitemia. Keeshond tem predisposição genética documentada. Diagnóstico: ecocardiografia. Tratamento: cirurgia paliativa (Blalock-Taussig) ou correção completa. Prognóstico: reservado sem intervenção.
Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães
A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET — também TEN) são reações cutâneas graves e potencialmente fatais — resultam na morte massiva de queratinócitos e desprendimento extenso da epiderme. No cão, o quadro canino equivalente envolve erosões/ulcerações mucosas, vesículas e descamação de pele em extensão variável. Causa mais comum: reação medicamentosa (antibióticos, anticonvulsivantes, AINEs, sulfonamidas). Diagnóstico: biópsia (necrose de queratinócitos em toda a espessura da epiderme). Tratamento: suspensão imediata do fármaco + suporte intensivo. Prognóstico: grave — mortalidade elevada na forma NET.
Síndrome de Fanconi em Cães: Tubulopatia Renal e Petiscos Chineses
A Síndrome de Fanconi (SF) é uma disfunção do túbulo proximal renal que impede a reabsorção de glicose, aminoácidos, fosfato, sódio, potássio e bicarbonato. Forma hereditária: Basenji (predisposição genética clara). Forma adquirida: associada a petiscos de frango, pato ou batata-doce desidratados provenientes da China — causa de alert da FDA (EUA) e múltiplos recalls. Diagnóstico: glucosúria sem hiperglicemia (o sinal mais característico). Tratamento: suplementação de eletrólitos e bicarbonato.
Seborreia em Cães: Descamação, Oleosidade e Cheiro de Cão
A seborreia canina é um distúrbio da queratinização e produção de sebo — manifesta-se como descamação excessiva (seborreia seca), oleosidade da pele (seborreia oleosa) ou ambas. Na maioria dos casos em cães: seborreia SECUNDÁRIA a uma causa identificável (alergia, hipotireoidismo, Demodex, infecção por Malassezia). A seborreia PRIMÁRIA (idiopática) é mais rara — ocorre em Cocker Spaniel, West Highland White Terrier, Basset Hound, Labrador. Diagnóstico correto: identificar e tratar a causa primária. Xampus queratolíticos: controle sintomático.
Rangeliose em Cães: O Cão Amarelo do Sul do Brasil
A rangeliose (rangaliose) é uma doença hemoprotozóaria causada por Rangelia vitalii (família Babesiidae) — exclusiva das Américas do Sul. Transmitida pelo carrapato Amblyomma aureolatum (carrapato-estrela) na Mata Atlântica do Sul e Sudeste do Brasil. Chamada 'nambiuvú' (guarani) ou 'cão amarelo'. Causa anemia hemolítica grave, icterícia e sangramento pelas orelhas, narinas e mucosas — tríade característica. Tratamento: dipropionato de imidocarb.
Yugoslavian Tricolour Hound: O Sabujo Tricolor da Sérvia
O Yugoslavian Tricolour Hound (Srpski Trobojni Gonič — FCI 229, Grupo 6) é um sabujo de caça médio-grande originário da Sérvia, sempre tricolor (preto, branco e ferrugem). 44-56 cm, 20-25 kg. Caçador de veado, javali e lebre em terreno balcânico acidentado. Excelente faro, forte instinto de pack. Muito raro fora da ex-Iugoslávia. Irmão da raça Sabujo da Sérvia (FCI 150, bicolor preto e tan).
Wirehaired Pointing Griffon: O Griffon de Korthals
O Wirehaired Pointing Griffon (FCI 107 — Griffon d'Arrêt à Poil Dur Korthals; também: Korthals Griffon) é um braco continental de pelo duro criado metodicamente por Eduard Karel Korthals no século XIX — cruzando 7 raças ao longo de décadas para criar o cão de caça 'ideal para qualquer terreno e qualquer caça'. 56-62 cm, 23-27 kg. Pelo duro mesclado marrom e cinza. FCI Grupo 7. Popular nos EUA e França.
Vira-Lata Caramelo: O Cão Brasileiro por Excelência
O vira-lata caramelo (SRD — Sem Raça Definida) é o cão mais icônico do Brasil — mestiço de coloração caramelo (amarelo a fulvo-escuro), médio porte (10-20 kg), adaptado ao clima tropical brasileiro. Não é uma raça reconhecida — é um tipo de cão popular definido pela cor e pelo porte. Extremamente resiliente, inteligente e leal. Popularizado pelas redes sociais, símbolo da cultura pet brasileira. Encontrado em abrigos em todo o Brasil — adoção é a principal forma de obter um caramelo.
Tiroler Bracke: O Sabujo de Montanha da Áustria
O Tiroler Bracke (Tyrolean Hound, FCI 68) é um sabujo de rastreio austríaco originário da região alpina do Tirol — utilizado por séculos para caça de lebre, raposa e veado em terreno montanhoso. FCI 68, Grupo 6. Três variedades de cor: preto-e-tan, vermelho/lebre-colorido e tricolor. 44-52 cm, 15-22 kg. Pelo denso e duplo para o frio alpino. Voz potente. Muito resistente ao frio e ao terreno acidentado.
Toy Fox Terrier: O Minúsculo Caçador de Ratos Americano
O Toy Fox Terrier (TFT) é um terrier americano miniaturizado — desenvolvido do Smooth Fox Terrier com cruzamentos de raças toy (Chihuahua, Manchester Terrier, Miniature Pinscher, Italian Greyhound) nos anos 1930. AKC 2003. UKC 1936. Sem reconhecimento FCI. 17-29 cm, 1.5-3.5 kg. Sempre tricolor: branco com marcações preto e tan. Temperamento de terrier em corpo minúsculo. Usado no circo americano por décadas.
Tenterfield Terrier: O Pequeno Terrier Nacional da Austrália
O Tenterfield Terrier é um terrier australiano desenvolvido dos English Toy Fox Terriers levados à Austrália pelos colonizadores britânicos no século XIX. ANKC reconhecido — raça nacional australiana. 23-30 cm, 2.5-5.5 kg. Sempre tricolor: branco com marcações preto e tan (ou marrom e tan). Temperamento de terrier ativo e corajoso em corpo compacto. Muito popular na Austrália — praticamente desconhecido fora dela.
Taigan: O Galgo das Montanhas do Quirguistão
O Taigan (também: Kyrgyz Taigan, Kyrgyz Greyhound, Taigan Borzoi) é um galgo de montanha originário do Quirguistão e das regiões alpinas do Cazaquistão — adaptado para caça em altitude extrema (2000-4000 m). Sem reconhecimento FCI formal. 60-75 cm, 20-35 kg. Pelo mais longo e denso que o Saluki para resistir ao frio das montanhas do Tian Shan. Temperamento independente e reservado com estranhos. Usado historicamente para caça de lobo, raposa e gazela com falcões.
Steirische Rauhaarbracke: O Sabujo Áspero da Estíria
A Steirische Rauhaarbracke (Styrian Coarse-Haired Hound, FCI 62) é um sabujo austríaco criado pelo industrial Karl Peintinger na Estíria (Steiermark) em 1870 — cruzamento metódico de Hanoverian Scent Hound com Istrian Coarse-Haired Hound. FCI 62, Grupo 6. Sempre vermelho ou fawn (palha) — único sabujo austríaco de pelo áspero. 45-53 cm, 15-18 kg. Extremamente robusto para caça em montanha alpina — especialmente javali.