Seborreia em Cães: Descamação, Oleosidade e Cheiro de Cão
A seborreia canina é um distúrbio da queratinização e produção de sebo — manifesta-se como descamação excessiva (seborreia seca), oleosidade da pele (seborreia oleosa) ou ambas. Na maioria dos casos em cães: seborreia SECUNDÁRIA a uma causa identificável (alergia, hipotireoidismo, Demodex, infecção por Malassezia). A seborreia PRIMÁRIA (idiopática) é mais rara — ocorre em Cocker Spaniel, West Highland White Terrier, Basset Hound, Labrador. Diagnóstico correto: identificar e tratar a causa primária. Xampus queratolíticos: controle sintomático.
O Cocker Spaniel chegou com o pelo grudento e o odor de ranço que a tutor reconhecia de longe.
Escamas amareladas na base do pelo. Prurido moderado. Pele oleosa entre as dobras.
Seborreia oleosa. A doença que o Cocker carrega na genética — progressiva desde os dois anos.
A investigação primeiro: hemograma, TSH, raspado de pele. Tudo negativo para causas secundárias.
Seborreia primária idiopática. O xampu de benzoil peróxido semanal. Os ácidos graxos na ração.
A seborreia que não tem cura — mas tem manejo que preserva a qualidade de vida.
Seborreia — Causas Primária vs Secundária
| Tipo | Causa | Início | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---|---|---| | Secundária | Alergia, hipotireoidismo, Demodex, Malassezia | Qualquer idade | Tratar a causa | Bom | | Primária | Genética/idiopática | 1-3 anos | Sintomático | Controle vitalício |
Raças Predispostas à Seborreia Primária
| Raça | Tipo Predominante | Gravidade | |---|---|---| | Cocker Spaniel Americano | Oleosa | Muito alta | | West Highland White Terrier | Oleosa + hiperplasia | Muito alta | | Basset Hound | Oleosa | Alta | | Labrador Retriever | Seca | Moderada |
Perguntas frequentes
O que é seborreia canina e quais são os tipos?+
A seborreia (inglês: seborrhea, seborrheic dermatitis; também: distúrbio da queratinização; não confundir com: piodermite — infecção bacteriana primária sem disfunção de queratinização; dermatite por Malassezia — levedura que CAUSA ou COMPLICA a seborreia — relação bidirecional; dandruff (caspa humana) — seborreia do couro cabeludo humano, patogênese diferente) é o distúrbio da diferenciação e produção das células epidérmicas (queratinócitos) + das glândulas sebáceas — resulta em pele excessivamente descamativa, oleosa ou ambas. Tipos clínicos de seborreia canina: Seborreia Seca (Seborrhea Sicca): descamação excessiva de escamas brancas ou cinzentas; pele seca e áspera ao toque; pelo fosco; escamas pequenas que se desprendem facilmente; prurido variável; Seborreia Oleosa (Seborrhea Oleosa): pele com excesso de sebo; pelo grudento, oleoso; odor rançoso característico ('cheiro de cão' intenso); escamas mais grossas e amareladas, aderidas à pele e ao pelo; prurido frequente — o sebo é substrato para Malassezia; Seborreia Mista: combinação de áreas secas e oleosas no mesmo animal; a forma mais comum na prática clínica; Classificação por etiologia: Seborreia Primária (idiopática, hereditária): a causa é intrínseca — defeito primário na diferenciação de queratinócitos; raras; raças específicas (Cocker Spaniel, WHWT, Basset Hound, Labrador, English Springer Spaniel); progressiva — piora com a idade; Seborreia Secundária: a GRANDE MAIORIA dos casos clínicos; causada por outra doença de base; tratando a causa → melhora ou resolução da seborreia; qualquer raça pode ser afetada.
Quais são as causas de seborreia secundária e como identificá-las?+
A seborreia secundária é um sintoma, não uma doença — encontrar a causa primária é o passo mais importante. Causas de seborreia secundária — as mais importantes: Alergias: Atopia (hipersensibilidade ambiental): a causa mais comum de seborreia secundária; alérgenos como ácaros de poeira, fungos, pólens → prurido + inflamação cutânea → perturbação da barreira cutânea → seborreia; Dermatite Alérgica à Picada de Pulga (DAPP): uma das alergias mais prevalentes no Brasil; as picadas nas costas e períneo → prurido intenso + seborreia; Alergia alimentar: proteínas do alimento → reação cutânea → prurido + seborreia; Endocrinopatias: Hipotireoidismo: deficiência de T4 → metabolismo celular lento → descamação, pelo opaco, oleosidade; uma das causas mais comuns de seborreia em cães de meia-idade/adultos; raças predispostas: Golden Retriever, Labrador, Dobermann, Cocker; Hiperadrenocorticismo (síndrome de Cushing): excesso de cortisol → distrofia da pele + seborreia + comedões; pele fina, calcinose cútis + seborreia; Hipossexualismo (desequilíbrio de hormônios sexuais): distúrbios ovarianos ou testiculares → alterações cutâneas; Parasitas: Demodex canis (Demodicose): ácaros Demodex nas glândulas sebáceas e folículos → seborreia, alopecia, foliculite; Sarna sarcóptica (Sarcoptes scabiei): prurido intenso + seborreia; Fungos: Malassezia pachydermatis: levedura lipofílica que habita normalmente a pele — colonização excessiva em pele seborreica → amplifica seborreia, odor intenso, prurido; a relação com a seborreia é bidirecional: seborreia → Malassezia → mais seborreia; Nutrição: dieta deficiente em ácidos graxos essenciais (ômega-3, ômega-6): pelo seco + descamação + seborreia; a dieta sem suplementação adequada de AGs pode causar quadro seborreico reversível.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento da seborreia?+
O protocolo de diagnóstico e tratamento da seborreia começa pela busca da causa primária — não pelo tratamento sintomático. Diagnóstico — protocolo: Histórico completo: idade de início, progressão, distribuição, prurido, sazonalidade; Exame parasitológico: raspado de pele: Demodex; fita acetato (tape test): Malassezia; Exame micológico: cultura fúngica em MDC; Hemograma + bioquímica + TSH + T4 livre: hipotireoidismo; cortisol urinário/estimulação com ACTH: Cushing; Teste de exclusão alimentar (dieta hidrolisada ou proteína nova): 8 semanas → alergia alimentar; Teste intradérmico/sorologia de alergia: atopia; Biópsia: última etapa quando outras causas foram excluídas → seborreia primária idiopática; Tratamento sintomático (control, não cura): Xampus terapêuticos: benzoil peróxido (2-3%): antibacteriano + queratolítico + desengordurante — para seborreia oleosa; enxofre + ácido salicílico: queratolítico suave — para seborreia seca ou mista; Phytosphingosine (ceramidas): reposição da barreira cutânea; clorexidina + miconazol: quando Malassezia está envolvida; frequência: semanal ou quinzenal dependendo da gravidade; Suplementação de ácidos graxos: ômega-3 (EPA+DHA): reduz inflamação cutânea; melhora a qualidade do pelo e da pele; Tratamento específico: Hipotireoidismo → levotiroxina → seborreia resolve em semanas a meses; Alergia → imunoterapia + ISIT + Cytopoint/Apoquel → controle do prurido → redução da seborreia; Demodicose → Bravecto, NexGard, Simparica → resolve a infestação → seborreia melhora; Malassezia → cetoconazol ou fluconazol sistêmico + xampus antifúngicos → controle.
Quais raças são predispostas à seborreia primária e como diferenciá-la da secundária?+
A seborreia primária é um diagnóstico de exclusão — confirmar a causa idiopática requer descartar todas as causas secundárias. Raças com seborreia primária descrita: Cocker Spaniel Americano: a raça com maior prevalência e mais intensa seborreia primária descrita; inicia cedo (1-3 anos); progressiva; frequentemente oleosa e com odor intenso; West Highland White Terrier (WHWT): epidermal dysplasia ('Westie disease') — hiperplasia epidérmica + seborreia + Malassezia; quadro grave e progressivo; Basset Hound: predisposto a seborreia oleosa primária; Labrador Retriever: seborreia seca idiopática descrita; English Springer Spaniel: descrito; Shar-Pei: pelos dobras de pele → seborreia localizada entre as pregas; Irish Setter: seborreia idiopática relatada; A diferença clínica: Seborreia primária: início jovem (1-3 anos), progressiva, resistente ao tratamento da causa, sem causa sistêmica identificável na investigação completa, biópsia compatível; Seborreia secundária: pode iniciar em qualquer idade, história de outra doença ou piora sazonal, responde ao tratamento da causa primária; Erros comuns no manejo: tratar apenas com xampus sem investigar a causa → alívio temporário com recidiva; diagnosticar seborreia primária sem exame parasitológico de pele (Demodex) → subestimar parasitose; ignorar o hipotireoidismo em raça predisposta → a causa mais tratável é perdida.
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Torção Esplênica em Cães: Emergência Cirúrgica Abdominal
A torção esplênica (TE) é a rotação do baço em torno do hilo esplênico, interrompendo o fluxo vascular e causando congestão progressiva e necrose. Pode ocorrer isoladamente (Torção Esplênica Primária) ou associada à Dilatação-Vólvulo Gástrico (DVG). Pastor Alemão de meia-idade: predisposição específica para torção esplênica primária. Sinais: distensão abdominal, dor, anemia hemolítica progressiva, Heinz bodies. Tratamento: esplenectomia de emergência.
Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica
A Tetralogia de Fallot (ToF) é uma malformação cardíaca congênita composta de quatro defeitos simultâneos: (1) Comunicação Interventricular (CIV), (2) Estenose Pulmonar (EP), (3) Aorta cavalgante sobre o septo e (4) Hipertrofia Ventricular Direita (HVD). A EP severa força shunt direito-esquerdo → cianose (mucosas azuladas) e policitemia. Keeshond tem predisposição genética documentada. Diagnóstico: ecocardiografia. Tratamento: cirurgia paliativa (Blalock-Taussig) ou correção completa. Prognóstico: reservado sem intervenção.
Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães
A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET — também TEN) são reações cutâneas graves e potencialmente fatais — resultam na morte massiva de queratinócitos e desprendimento extenso da epiderme. No cão, o quadro canino equivalente envolve erosões/ulcerações mucosas, vesículas e descamação de pele em extensão variável. Causa mais comum: reação medicamentosa (antibióticos, anticonvulsivantes, AINEs, sulfonamidas). Diagnóstico: biópsia (necrose de queratinócitos em toda a espessura da epiderme). Tratamento: suspensão imediata do fármaco + suporte intensivo. Prognóstico: grave — mortalidade elevada na forma NET.