Saúde

Bartoneloses Caninas: Bartonella vinsonii e Endocardite em Cães

As bartoneloses caninas são causadas por bactérias intracelulares facultativas do gênero Bartonella — transmitidas por pulgas (Ctenocephalides felis), carrapatos (Rhipicephalus, Ixodes) e piolhos. Bartonella vinsonii subsp. berkhoffii é a espécie mais documentada em cão — associada a endocardite bacteriana, arritmias, epistaxe e uveíte. Zoonose real: B. henselae causa a 'Doença da Arranhadura do Gato' em humanos e pode infectar cães. Diagnóstico: PCR em sangue (cultura pouco sensível). Tratamento: doxiciclina ou azitromicina por 4-8 semanas.

01 de junho de 2026·1 min de leitura

O cardiologista veterinário descobriu a vegetação na valva aórtica no ecocardiograma — e o sopro que havia aparecido dois meses antes sem bacteremia detectável na hemocultura convencional teve diagnóstico quando o PCR para Bartonella voltou positivo para B. vinsonii berkhoffii do carrapato que o cão caçador do interior do Mato Grosso não havia parado de encontrar.

Bartonella. A bactéria intracelular que o laboratório convencional não cresce porque precisa de meios especiais e semanas de incubação — e que o PCR detecta no DNA que flutua intermitentemente no sangue entre os momentos de bacteremia.

A endocardite que não tem o aspecto de infecção bacteriana clássica — sem febre alta, sem leucocitose óbvia, com o cão que perdeu resistência ao exercício progressivamente até o sopro aparecer e o ecocardiograma revelar o que a hemocultura havia perdido.

A epistaxe recorrente em cão de campo que o veterinário investigou como trombocitopenia imunomediada antes de pedir o PCR da bartonelose que havia gerado a vasculite que sangrava pelo nariz.

O spot-on mensal de antipulgas que é a prevenção mais barata da endocardite causada por Bartonella e que o tutor interrompeu no inverno porque 'não tem pulga no frio' — no interior do Centro-Oeste onde o carrapato não para em nenhum mês do ano.

Bartonella — Espécies, Vetores e Manifestações em Cão

| Espécie | Vetor Principal | Manifestação Canina | Zoonose Humana | |---|---|---|---| | B. vinsonii berkhoffii | Carrapato | Endocardite, arritmia | Rara | | B. henselae | Pulga do gato | Assintomático/leve | Doença da Arranhadura do Gato | | B. clarridgeiae | Pulga | Assintomático | Possível |

Perguntas frequentes

O que é a Bartonella e quais espécies afetam cães?+

A Bartonella (família Bartonellaceae; gram-negativa; intracelular facultativa; inglês: bartonellosis; não confundir com: Brucella — gram-negativa diferente, causa brucelose; Borrelia — espiroqueta, causa doença de Lyme; Ehrlichia — rickettsia, causa erliquiose, transmitida por carrapato; Rickettsia — causa febre maculosa, carrapato) é um gênero de bactérias que infecta eritrócitos e células endoteliais. Espécies relevantes em cães: 1) BARTONELLA VINSONII subsp. BERKHOFFII: espécie mais importante em cão; transmitida principalmente por carrapatos (Rhipicephalus sanguineus, Ixodes spp.) e possivelmente pulgas; hospedeiros reservatórios: coiotes, raposas, coyotes; cão é hospedeiro acidental; associada às manifestações clínicas mais graves em cão; 2) BARTONELLA HENSELAE: a bactéria da 'Doença da Arranhadura do Gato'; o cão pode ser infectado — geralmente assintomático ou com sinais leves; o gato é o reservatório principal; a pulga do gato (Ctenocephalides felis) transmite para cão; 3) BARTONELLA CLARRIDGEIAE, B. KOEHLERAE, B. ELIZABETHAE: isoladas em cão; menos documentadas clinicamente; 4) BARTONELLA QUINTANA: causa 'febre das trincheiras' em humanos; piolho como vetor; raro em cão; SOROPREVALÊNCIA EM CÕES NO BRASIL: estudos no Brasil detectaram anticorpos contra Bartonella em cães urbanos e rurais — vetores (pulgas, carrapatos) são abundantes no país.

Quais são os sinais clínicos das bartoneloses caninas?+

As bartoneloses caninas têm manifestações clínicas variáveis e frequentemente inespecíficas — o que torna o diagnóstico desafiador. ENDOCARDITE BACTERIANA — A MANIFESTAÇÃO MAIS GRAVE: B. vinsonii berkhoffii é uma das principais causas de endocardite em cães sem bacteremia aparente; acometimento principalmente da valva aórtica ou mitral; SINAIS: sopro cardíaco de início recente; intolerância progressiva ao exercício; insuficiência cardíaca congestiva; artrite das articulações próximas; ARRITMIAS CARDÍACAS: extrassístoles ventriculares; bloqueios; associadas à miocardite por Bartonella; EPISTAXE (sangramento nasal): vasculite por Bartonella; pode ser o sinal de apresentação único; TROMBOCITOPENIA: plaquetas baixas — mecanismo imunomediado; UVEÍTE: inflamação ocular; uni ou bilateral; LINFADENOMEGALIA: linfonodos aumentados; SINAIS NEUROLÓGICOS: meningite, convulsões, paresia — em casos graves com disseminação; ANEMIA: em infecções graves e crônicas; PERFIL DO CÃO EM RISCO: cão de médio a grande porte que fica em ambiente com carrapatos e/ou pulgas; profissão/atividade que envolva contato com coiotes ou raposas (caça, fazendas); cão do Nordeste e Centro-Oeste (alta densidade de carrapatos); DIFERENCIAL: endocardite bacteriana convencional (Staphylococcus, Streptococcus); erliquiose (trombocitopenia + leucopenia); febre maculosa (vasculite).

Como é feito o diagnóstico e o tratamento das bartoneloses?+

O diagnóstico da bartonelose exige testes específicos — os métodos convencionais são frequentemente negativos. Diagnóstico: PCR EM SANGUE TOTAL: método de escolha; detecta DNA de Bartonella no sangue; especificidade alta mas sensibilidade variável (a bacteremia é intermitente); CULTURA: muito difícil — Bartonella é fastidiosa, cresce lentamente em meios especiais; cultura positiva confirma mas negativa não exclui; PCR É SUPERIOR À CULTURA; SOROLOGIA (IMUNOFLUORESCÊNCIA INDIRETA): anticorpos anti-Bartonella; útil para triagem; reações cruzadas entre espécies; cão pode estar infectado sem soroconversão detectável; ECOCARDIOGRAMA: em caso de suspeita de endocardite; vegetações valvares são patognomônicas de endocardite bacteriana; biópsia de vegetação pode revelar Bartonella; HEMOGRAMA: trombocitopenia pode estar presente; anemia; leucocitose ou leucopenia variável; EXAME OFTALMOLÓGICO: uveíte associada; Tratamento: DOXICICLINA: antibiótico de escolha; 5-10 mg/kg/dia a cada 12-24 horas por 4-8 semanas; a bartonelose requer tratamento prolongado — cursos curtos resultam em recidiva; AZITROMICINA: alternativa; 5-10 mg/kg/dia a cada 24 horas; RIFAMPICINA: associada à doxiciclina em casos graves ou com endocardite; FLUOROQUINOLONAS (enrofloxacino): alternativa em casos refratários; ENDOCARDITE: além do antibiótico, manejo da insuficiência cardíaca; mortalidade alta mesmo com tratamento; PROGNÓSTICO: bartonelose sem endocardite — bom com tratamento completo; com endocardite — reservado.

A bartonelose é uma zoonose e como proteger a família?+

A bartonelose tem relevância zoonótica real — e o controle do vetor é a chave da prevenção. ZOONOSE POR BARTONELLA HENSELAE: a principal zoonose do gênero em humanos é B. henselae — a Doença da Arranhadura do Gato (DAG); o gato é o reservatório; a pulga (Ctenocephalides felis) é o vetor entre gatos; humanos se infectam por arranhadura ou mordida de gato infectado; O PAPEL DO CÃO NA ZOONOSE: o cão pode ser infectado por B. henselae (principalmente pela pulga do gato); cão infectado não transmite diretamente ao humano pela mordida na maioria dos casos; MAS o cão pode ser PORTADOR ASSINTOMÁTICO que serve de reservatório e mantenedor de pulgas infectadas; controlar a infestação por pulgas no cão reduz o risco de DAG na família; POPULAÇÕES DE RISCO: imunossuprimidos (HIV/AIDS, transplantados, quimioterapia) — angiomatose bacilar e peliose hepática por B. henselae são doenças graves nessa população; crianças e idosos; PREVENÇÃO: CONTROLE DE PULGAS E CARRAPATOS NO CÃO: inseticidas e acaricidas (spot-on, coleira, comprimido oral — consultarveterinário) são a prevenção mais efetiva; controle no ambiente (casa, quintal); O CÃO SEM ECTOPARASITAS = BARREIRA PARA A ZOONOSE; EVITAR CARRAPATOS: cão em área rural deve ser vistoriado após cada saída; DIAGNÓSTICO ATIVO: cão com endocardite ou sinais sugestivos deve ter PCR para Bartonella solicitado pelo veterinário — a causa é subdiagnosticada no Brasil.

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Saúde

Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão

A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.

Saúde

Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans

A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.

Saúde

Intussuscepção em Cães: Telescopamento Intestinal e Emergência Cirúrgica

A intussuscepção (telescopamento intestinal) ocorre quando um segmento do intestino invagina dentro do segmento adjacente — como uma luneta que fecha. É emergência cirúrgica: o segmento intussusceptado sofre isquemia progressiva. Mais comum em filhotes e jovens (2-12 meses), frequentemente após enterite aguda (parvovirose, parasitas, corpo estranho). Diagnóstico: palpação abdominal (massa cilíndrica) + ultrassom (sinal do 'alvo'). Tratamento: ressecção e anastomose intestinal. Recidiva em 20-27% se não corrigir a causa base.