Guias e conteúdos para tutores
Reunimos guias práticos sobre comportamento, escolha de raça, treinamento e saúde para você ser o melhor tutor possível.
Artigos — página 5 de 64
Intussuscepção em Cães: Telescopamento Intestinal e Emergência Cirúrgica
A intussuscepção (telescopamento intestinal) ocorre quando um segmento do intestino invagina dentro do segmento adjacente — como uma luneta que fecha. É emergência cirúrgica: o segmento intussusceptado sofre isquemia progressiva. Mais comum em filhotes e jovens (2-12 meses), frequentemente após enterite aguda (parvovirose, parasitas, corpo estranho). Diagnóstico: palpação abdominal (massa cilíndrica) + ultrassom (sinal do 'alvo'). Tratamento: ressecção e anastomose intestinal. Recidiva em 20-27% se não corrigir a causa base.
Intoxicação por Fipronil em Cães: Canal de Cloro GABA, Dose Terapêutica vs Tóxica e Decontaminação
O Fipronil é um inseticida fenil-pirazol usado amplamente em produtos antiparasitários para cães (Frontline, Nexgard Combo e equivalentes). MECANISMO: bloqueio dos canais de cloro GABA-dependentes. EM DOSES TERAPÊUTICAS TÓPICAS: seguro para cão. INTOXICAÇÃO: ocorre por ingestão de produto concentrado, uso excessivo ou produto mal dimensionado (posologia errada). SINAIS: tremores, hiperestimulação nervosa, convulsões. TRATAMENTO: decontaminação + controle de convulsões (diazepam/fenobarbital) + suporte. PERIGO EM GATOS: produtos para cão usados em gato = risco grave.
Instabilidade Atlantoaxial Canina: Subluxação C1-C2, Aplasia do Dens e Raças Toy
A Instabilidade Atlantoaxial (IAA) ocorre quando a articulação entre o atlas (C1) e o áxis (C2) é instável, permitindo a compressão da medula espinhal cervical alta. CAUSA CONGÊNITA: aplasia ou hipoplasia do dens (processo odontóide) + ausência do ligamento transverso em raças toy (Chihuahua, Yorkshire, Pomeranian, Shih Tzu). APRESENTAÇÃO: dor cervical intensa, ataxia, tetraparesia, crise de dor ao movimentar a cabeça. DIAGNÓSTICO: radiografia lateral com extensão/flexão do pescoço + TC/RM. TRATAMENTO: conservador (colar cervical) em casos leves; cirurgia de estabilização C1-C2 em casos graves.
Histiocitose Sistêmica Canina: Doença de Células Dendríticas do Bernese Mountain Dog
A Histiocitose Sistêmica Canina (SH — Systemic Histiocytosis) é uma doença proliferativa de células dendríticas interdigitantes (CDI) — macrófagos ativados CD11b+/CD11c+. Exclusiva do Bernese Mountain Dog e, em menor frequência, do Rottweiler e Retriever. Multi-órgão: pele, pulmão, baço, fígado, medula óssea, olhos, linfonodos. Herança autossômica? — familiar em Bernese. Sem cura. Imunossupressão (leflunomida, prednisona) controla temporariamente. Prognóstico reservado. Diferencial fundamental do Histiocitoma (benigno) e do Sarcoma Histiocítico (maligno).
Hiperostose Craniomandibular Canina (CMO): Proliferação Óssea Periosteal do Maxilar em Terriers
A Hiperostose Craniomandibular (CMO — Craniomandibular Osteopathy) é uma proliferação óssea periosteal não-inflamatória que afeta a mandíbula, o osso temporal e o bula timpânica em filhotes de 3-8 meses. West Highland White Terrier, Cairn Terrier e Scottish Terrier são as raças mais afetadas. CAUSA: mutação no gene SLC37A2 (autossômica recessiva). SINAIS: dor ao abrir a boca, disfagia, febre periódica, massa óssea palpável no ângulo da mandíbula. PROGNÓSTICO: auto-limitante em 90% dos casos — a proliferação regride após fechamento das epífises (12-18 meses). DNA test disponível.
Hidatidose Canina: Echinococcus granulosus e Saúde Pública
A Hidatidose (Equinococose Cística) canina envolve o cão como HOSPEDEIRO DEFINITIVO de Echinococcus granulosus — a tênia adulta vive no intestino delgado do cão e libera ovos nas fezes. Humanos e ovinos são hospedeiros intermediários acidentais — ingerem os ovos e desenvolvem CISTOS HIDÁTICOS em fígado, pulmão e outros órgãos. O cão NÃO desenvolve cistos (é hospedeiro definitivo), mas contamina o ambiente com ovos infectantes. Tratamento no cão: praziquantel. Prevenção: não alimentar cão com vísceras cruas de ovinos/bovinos. Problema de saúde pública endêmico no sul do Brasil.
Hepatite Tóxica em Cães: Causas, Diagnóstico e Tratamento da Lesão Hepática por Tóxicos
A hepatite tóxica canina é a lesão hepática causada por substâncias exógenas — medicamentos, plantas, fungos, pesticidas. As causas mais comuns: xilitol (gomas sem açúcar), cogumelos silvestres (Amanita spp.), paracetamol/acetaminofeno, AINE em superdosagem, aflatoxinas (ração contaminada), carrapaticidas organofosforados. ALT muito elevada + início abrupto. Tratamento: N-acetilcisteína, SAMe, silimarina, suporte hídrico. Prognóstico depende da dose e do tempo até o tratamento.
Hemangioperiocitoma Canino: Tumor Perivascular de Grau Variável
O Hemangioperiocitoma Canino (agora reclassificado como Tumor de Bainha Nervosa Periférica / Sarcoma Perivascular) é um sarcoma de tecidos moles que cresce ao redor de vasos sanguíneos em pele e tecido subcutâneo. Grau I-II: excisão com margens = cura; Grau III: alta recorrência local e metástase. Labrador, Setter Irlandês e raças de grande porte predispostos. Margens cirúrgicas amplas são determinantes. Radioterapia adjuvante reduz recorrência local. Metástase pulmonar em alto grau.
Glioma em Cães: Astrocitoma e Oligodendroglioma nos Braquicéfalos
O glioma é o segundo tumor cerebral primário mais comum em cães (após o meningioma). Inclui astrocitoma e oligodendroglioma. Raças braquicefálicas (Boxer, Buldogue Inglês, Boston Terrier, Buldogue Francês) têm predisposição muito aumentada para oligodendroglioma. Comportamento INTRAXIAL e invasivo — prognóstico pior que o meningioma. RM com contraste (gadolínio) = padrão-ouro. Sobrevida: 3-9 meses com tratamento (cirurgia e/ou radioterapia). Diferencial fundamental com meningioma (extra-axial, melhor prognóstico).
Giardíase Canina: Giardia duodenalis e Diarreia Crônica
A Giardíase é causada por Giardia duodenalis (=G. intestinalis, G. lamblia) — protozoário flagelado que coloniza o duodeno e jejuno. Muito prevalente: 10-30% dos cães em ambiente doméstico podem ser portadores assintomáticos. Transmissão fecal-oral — principalmente água contaminada ou solo. Manifestação: diarreia gordurosa, pastosa, crônica — raramente hemorrágica. Diagnóstico: ELISA de antígeno fecal (mais sensível) ou coproparasitológico com cistos. Tratamento: metronidazol ou fenbendazol. Zoonose real: G. duodenalis Assemblage A e B infectam humanos.
Estrongiloidose Canina: Strongyloides stercoralis em Cães
A Estrongiloidose é causada por Strongyloides stercoralis — nematódeo com ciclo de vida único: as fêmeas partenogenéticas vivem na mucosa intestinal e produzem larvas L1 que podem ser eliminadas nas fezes OU autoinfectar o próprio hospedeiro. Importante zoonose: S. stercoralis infecta humanos e pode causar hiperinfecção fatal em imunossuprimidos. Cães jovens e imunossuprimidos são os mais afetados. Diagnóstico: exame de fezes por método de Baermann (larvas, não ovos). Tratamento: ivermectina ou fenbendazol.
Distrofia Muscular em Cães: GRMD no Golden Retriever e Deficiência de Distrofina
A Distrofia Muscular Canina (DMC) é uma doença genética ligada ao X causada pela deficiência de distrofina — proteína estrutural do músculo. A forma mais estudada é a GRMD (Golden Retriever Muscular Dystrophy), análoga à Distrofia de Duchenne humana. Afeta principalmente machos jovens. Sinais: dificuldade de deglutição (disfagia), megaesôfago, fraqueza progressiva, CK muito elevada (10.000-100.000 U/L). Sem tratamento curativo. Modelo animal usado em pesquisa de terapia gênica para Duchenne humana. Diagnóstico genético disponível para GRMD.
Disautonomia Canina: Síndrome de Key-Gaskell, Degeneração Autonômica e Diagnóstico por Pupila
A Disautonomia Canina (Síndrome de Key-Gaskell) é uma neuropatia autonômica idiopática que destrói os neurônios do sistema nervoso autônomo. APRESENTAÇÃO: pupilas dilatadas e não responsivas à luz (midríase paralítica), olhos secos (teste de Schirmer < 5 mm), megaesôfago (regurgitação), retenção urinária, bradicardia, constipação. Prevalência: principalmente UK/Europa; rara no Brasil. DIAGNÓSTICO: conjunto de sinais autonômicos + teste de Schirmer + Rx de esôfago. PROGNÓSTICO: reservado a grave — recuperação possível (meses); muitos são eutanasiados por complicações (pneumonia aspirativa).
Dipilidiose Canina: Dipylidium caninum e a Pulga como Vetor
A Dipilidiose é causada por Dipylidium caninum — a tênia do cão transmitida pela pulga. O ciclo exige DOIS hospedeiros: a pulga (hospedeiro intermediário — larva da pulga ingere ovos de Dipylidium) e o cão (hospedeiro definitivo — ingere a pulga infectada ao se lamber). Os proglotes (segmentos da tênia) aparecem nas fezes e ao redor do ânus como 'grãos de arroz' em movimento. Zoonose: crianças que ingerem pulgas acidentalmente podem desenvolver dipilidiose. Tratamento: praziquantel dose única. Prevenção: controle de pulgas é a medida mais importante.
Dermatofibrose Nodular Canina: Síndrome Paraneoplásica do Pastor Alemão
A Dermatofibrose Nodular Canina (NDF — Nodular Dermatofibrosis) é uma síndrome paraneoplásica genética exclusiva do Pastor Alemão (e cruzamentos). Nódulos cutâneos firmes no dorso, membros e cabeça sinalizam Cistadenocarcinoma Renal Bilateral e, em cadelas, Leiomioma/Leiomiossarcoma Uterino. Herança autossômica dominante (mutação FLCN — foliculina). Diagnóstico: biópsia cutânea + ultrassom renal + CT abdominal. Sem tratamento curativo. Os nódulos são marcadores de neoplasia interna grave.
Complexo Granuloma Eosinofílico Canino: Placas Eosinofílicas, Nódulos e Hipersensibilidade
O Complexo Granuloma Eosinofílico (CGE) canino é um espectro de reações inflamatórias eosinofílicas cutâneas e orais desencadeadas por hipersensibilidade (atopia, DAPAC, hipersensibilidade alimentar). FORMAS: Placa Eosinofílica (mais comum — úlceras eritematosas pruriginosas), Granuloma Eosinofílico (nódulos firmes — boca, língua, palato, pele), Úlcera Indolente (raro — boca). DIAGNÓSTICO: citologia (eosinófilos + mastócitos degranulados) + biopsia. TRATAMENTO: corticosteróide + identificação e controle do gatilho alérgico subjacente. Diferente do CGE felino.
Colite Crônica em Cães: Hematoquesia, Muco e Inflamação do Intestino Grosso
A colite crônica é a inflamação persistente do intestino grosso (cólon) — a causa mais comum de hematoquesia (sangue vivo nas fezes) em cão. Sinais característicos: fezes moles com muco e sangue vivo, urgência defecatória, tenesmo (esforço no final da defecação), aumento da frequência com volume reduzido. Diferença crítica: intestino delgado vs grosso. Causas: linfoplasmocítica (imunomediada), alérgica, Trichuris (verme), Clostridium. Diagnóstico: colonoscopia + biópsia. Tratamento: dieta hidrolisada + metronidazol + prednisolona em casos graves.
Colangiohepatite em Cães: Inflamação do Fígado e Dutos Biliares
A colangiohepatite canina é a inflamação simultânea do fígado (hepatite) e dos dutos biliares (colangite) — frequentemente causada por migração bacteriana ascendente a partir do intestino ou secundária à pancreatite. Sinais: icterícia, vômito, dor abdominal cranial, anorexia. Diagnóstico: bioquímica hepática (ALT, FA, GGT, bilirrubina), ultrassonografia, PAAF hepática ou biópsia. Tratamento: antibiótico (amoxicilina-clavulanato), ácido ursodesoxicólico (UDCA), suporte nutricional. Colangite crônica pode evoluir para cirrose.
Cisto Interdigital em Cães: Furunculose, Causa Primária e Tratamento
O cisto interdigital (furunculose interdigital) é um nódulo doloroso entre os dedos do cão — tecnicamente é uma foliculite profunda/furunculose, não um cisto verdadeiro. Causa PRIMÁRIA mais frequente: atopia, demodicose, hipotireoidismo, trauma por superfície abrasiva. Causa SECUNDÁRIA: Staphylococcus pseudintermedius. Raças predispostas: Bulldog Inglês, Labrador, Weimaraner. NUNCA espremer — ruptura piora o processo. Tratamento: antibiótico sistêmico 4-6 semanas + banho antisséptico + TRATAR A CAUSA PRIMÁRIA. Alta taxa de recidiva sem tratamento etiológico.
Catarata em Cães: Opacidade do Cristalino, Cirurgia e Esclerose Nuclear
A catarata canina é a opacidade do cristalino — progressiva e potencialmente cegante. Causas principais: hereditária (mais comum, início jovem), diabética (secundária ao diabetes mellitus — 75% dos cães diabéticos desenvolvem catarata em 18 meses), senil (idosos). Diagnóstico diferencial crítico: esclerose nuclear — aspecto cinza-prateado normal do cristalino envelhecido, NÃO é catarata, NÃO precisa de cirurgia. Tratamento da catarata: cirurgia de facoemulsificação. Sem tratamento: uveíte induzida pelo cristalino → glaucoma → dor crônica.
Cardiomiopatia Hipertrófica em Cães: Rara mas Documentada
A Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH) canina é uma doença miocárdica rara em cães — ao contrário dos gatos, onde é a cardiomiopatia mais comum. Caracterizada por espessamento (hipertrofia) do miocárdio — especialmente do septo interventricular e da parede livre do ventrículo esquerdo (VE) — sem causa secundária identificável. Relatada em Pastor Alemão, Border Collie e raças de porte médio-grande. Diagnóstico: ecocardiografia (espessura do septo > 11-13 mm em diastole). Tratamento: betabloqueadores, bloqueadores de canais de cálcio, anti-arrítmicos.
Capilariose Canina: Capillaria nos Pulmões, Bexiga e Fígado
A Capilariose é causada por nematódeos do gênero Capillaria (atualmente reclassificado: Eucoleus aerophilus para pulmão; Pearsonema plica para bexiga) — parasitas com localizações distintas e manifestações clínicas diferentes. Capillaria aerophila/Eucoleus: parasita respiratório — tosse crônica. Capillaria plica/Pearsonema: parasita urinário — cistite. Capillaria hepatica: parasita hepático — raro em cão, zoonose grave. Diagnóstico: ovos operculados característicos nas fezes ou urina. Tratamento: fenbendazol ou ivermectina.
Cachorro Pode Comer Yacon? Smallanthus sonchifolius, FOS e Prebiótico de Baixo Índice Glicêmico
O Yacon (Smallanthus sonchifolius) é SEGURO para cães — tubérculo andino com sabor doce e baixíssimo índice glicêmico (frutooligossacarídeos / FOS em vez de amido). BENEFÍCIOS: prebiótico para microbiota colônica (Bifidobacterium, Lactobacillus); 2-3 kcal/g (muito menos que batata-doce); adequado para cão diabético ou obeso. CUIDADO: FOS em excesso → fermentação colônica excessiva → gases e diarreia; introdução gradual. Dose: 5-15g por 10 kg de cru ralado, 3-4x/semana. Amplamente cultivado no Brasil (Minas Gerais, São Paulo).
Cachorro Pode Comer Wakame? Alga Marrom com Fucoidana e Iodo
O wakame (Undaria pinnatifida) é SEGURO para cães em pequenas quantidades — alga marinha marrom com fucoidana (polissacarídeo sulfatado com atividade anti-inflamatória e anticoagulante), fucosteol e iodo. CUIDADOS: iodo presente — evitar excesso em cão com hipotireoidismo ou em tratamento para tireoide; arsênico orgânico natural (não tóxico) diferente do arsênico inorgânico; wakame SALGADO (produto japonês comercial) = EVITAR — verificar produto sem sódio. Dose: 1-2g por 10 kg seco (ou 5-10g hidratado), 2-3x/semana.