Saúde

Cardiomiopatia Hipertrófica em Cães: Rara mas Documentada

A Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH) canina é uma doença miocárdica rara em cães — ao contrário dos gatos, onde é a cardiomiopatia mais comum. Caracterizada por espessamento (hipertrofia) do miocárdio — especialmente do septo interventricular e da parede livre do ventrículo esquerdo (VE) — sem causa secundária identificável. Relatada em Pastor Alemão, Border Collie e raças de porte médio-grande. Diagnóstico: ecocardiografia (espessura do septo > 11-13 mm em diastole). Tratamento: betabloqueadores, bloqueadores de canais de cálcio, anti-arrítmicos.

01 de junho de 2026·1 min de leitura

O Pastor Alemão de quatro anos chegou com síncope durante um treino de obediência — e o ecocardiograma mostrou o septo interventricular com treze milímetros de espessura onde deveria ter sete.

Cardiomiopatia Hipertrófica. O diagnóstico que os veterinários esperam encontrar nos gatos — e que aparece raramente, inesperadamente, nos cães.

O ventrículo esquerdo pequeno, rígido, que contrai bem mas não relaxa. A câmara que enche pouco porque as paredes espessas deixam pouco espaço.

A obstrução dinâmica de saída que o Doppler identifica pela velocidade alta no fluxo aórtico. O betabloqueador que reduz a frequência, dá tempo de enchimento, desobstrui o fluxo.

A diferença entre a CMH do Dobermann que não existe — e a CMD do Dobermann que mata.

CMH vs CMD Canina — Diagnóstico Diferencial

| Característica | CMH (Hipertrófica) | CMD (Dilatada) | |---|---|---| | Câmara VE | Pequena | Dilatada | | Espessura do septo | Aumentada | Normal ou reduzida | | Fração de ejeção | Normal ou alta | Reduzida | | Prevalência em cão | RARA | Comum (Dobermann, Boxer) | | Tratamento | Atenolol, diltiazem | Pimobendan, furosemida |

Causas de Hipertrofia VE a Excluir Antes de Diagnosticar CMH Primária

| Causa | Exame | Achado | |---|---|---| | Hipertensão sistêmica | Pressão arterial | PA > 160 mmHg | | Estenose subaórtica | Doppler VE | Gradiente > 30 mmHg | | Hipotiroidismo | T4 livre | T4L reduzido | | Hiperadrenocorticismo | Cortisol pós-ACTH | Elevado |

Perguntas frequentes

O que é a Cardiomiopatia Hipertrófica em cães e como ela difere da CMH em gatos?+

A Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH; inglês: Hypertrophic Cardiomyopathy — HCM; não confundir com: Cardiomiopatia Dilatada (CMD) — a cardiomiopatia mais comum em cães, especialmente Dobermann e Boxer; a CMD é dilatação e disfunção sistólica (bomba fraca); a CMH é hipertrofia com disfunção diastólica (câmara rígida); Doença valvar degenerativa mitral (DDVM) — a causa mais comum de doença cardíaca adquirida em cães; Hipertensão sistêmica — causa de hipertrofia ventricular esquerda SECUNDÁRIA, não CMH primária; Estenose aórtica subaórtica (SAS) — obstrução de saída do VE que causa hipertrofia SECUNDÁRIA — não é CMH primária; Cardiomiopatia de Boxers — Boxer tem cardiomiopatia arritmogênica do VD (ARVC), não CMH) é uma doença do músculo cardíaco caracterizada por espessamento patológico do miocárdio ventricular esquerdo sem causa subjacente que explique a hipertrofia. CMH em gatos vs CMH em cães: EM GATOS: CMH é a MAIS COMUM cardiomiopatia felina — afeta 10-15% de todos os gatos; raças predispostas com mutação conhecida: Maine Coon (mutação MYBPC3 R820W), Ragdoll (MYBPC3 R820W diferente), Persas; mutação de sarcomero documentada; diagnóstico e tratamento felino amplamente estudados; EM CÃES: CMH é RARA — incomparavelmente menos frequente que em gatos; ausência de mutações de sarcomero caninas amplamente documentadas como nos gatos; os relatos em cães são frequentemente CASOS INDIVIDUAIS ou séries pequenas; pode ser difícil distinguir CMH primária de hipertrofia compensatória secundária (hipertensão sistêmica, hipotiroidismo — causas de hipertrofia VE secundária que devem ser excluídas).

Quais são os sinais clínicos e as raças relatadas com CMH canina?+

A CMH canina tem apresentação clínica variável — de assintomática a insuficiência cardíaca congestiva e morte súbita. Raças com relatos de CMH canina: PASTOR ALEMÃO (German Shepherd Dog): a raça mais frequentemente mencionada em relatos de CMH canina; casos de hipertrofia septal assimétrica documentados; BORDER COLLIE: relatos isolados; ROTTWEILER: mencionado em algumas publicações; RETRIEVER (Golden, Labrador): casos esporádicos; CÃES MESTIÇOS DE PORTE MÉDIO-GRANDE: frequentemente a CMH é descoberta incidentalmente em ecocardiografia de rotina; Sinais clínicos da CMH canina: ASSINTOMÁTICO (mais comum no início): cão com sopro cardíaco ou batimento irregular descoberto em consulta de rotina; INTOLERÂNCIA AO EXERCÍCIO: o ventrículo rígido (baixa complacência diastólica) não enche adequadamente em frequências cardíacas altas → débito cardíaco limitado com exercício; SÍNCOPE: especialmente por obstrução dinâmica de saída do VE (LVOTO — Left Ventricular Outflow Tract Obstruction) durante exercício ou excitação; DISPNEIA e EDEMA PULMONAR: insuficiência cardíaca congestiva esquerda em fases avançadas — pressão de enchimento elevada → congestão pulmonar; MORTE SÚBITA: por arritmia ventricular grave — fibrilação ventricular; frequente em CMH humana, relatada em cães; A LVOTO (obstrução de via de saída do VE): em CMH com septo espessado: o músculo septal pode obstruir dinamicamente a via de saída → velocidade de fluxo alta na aorta (Doppler) + sopro de ejeção mesossistólico.

Como é feito o diagnóstico de CMH em cães?+

O diagnóstico de CMH canina exige ecocardiografia especializada e a exclusão rigorosa de causas secundárias de hipertrofia. EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA DE CAUSAS SECUNDÁRIAS: HIPERTENSÃO SISTÊMICA: medir a pressão arterial (Doppler ou oscilométrico); hipertensão causa hipertrofia VE — não é CMH se a causa é hipertensão; HIPOTIROIDISMO: dosar T4 livre; o hipotiroidismo pode causar cardiomiopatia com hipertrofia; HIPERADRENOCORTICISMO (Cushing): cortisol elevado cronico → hipertrofia miocárdica; ESTENOSE SUBAÓRTICA (SAS): obstrução de saída → hipertrofia VE secundária; Doppler mostra gradiente de pressão na via de saída; Ecocardiografia (padrão diagnóstico): Modo M e 2D: ESPESSURA DO SEPTO INTERVENTRICULAR EM DIÁSTOLE (SIVd): valor diagnóstico aproximado em cão médio-grande: > 11-13 mm (normalizado por peso corporal); ESPESSURA DA PAREDE POSTERIOR DO VE (PWd): aumento proporcional; CÂMARA DO VE: PEQUENA (ao contrário da CMD, onde está dilatada) — o músculo espesso deixa menos espaço para o sangue; FRAÇÃO DE EJEÇÃO: frequentemente NORMAL ou ALTA no início (contração normal, enchimento reduzido); DISFUNÇÃO DIASTÓLICA: E/e' elevado no Doppler tecidual — padrão de enchimento restritivo; LVOTO: velocidade de fluxo > 2 m/s na via de saída = obstrução dinâmica presente; Eletrocardiograma: arritmias ventriculares — extrassístoles, taquicardia ventricular; fibrilação atrial possível em fases avançadas.

Como é o tratamento da CMH canina e qual é o prognóstico?+

O tratamento da CMH canina é baseado principalmente na experiência com CMH humana e felina — com adaptações para a raridade canina. BETABLOQUEADORES (primeira linha em CMH com LVOTO ou arritmia): ATENOLOL: o mais usado em medicina veterinária; dose: 0,25-1 mg/kg BID; mecanismo: reduz frequência cardíaca → maior tempo de enchimento diastólico → melhora o preenchimento do VE rígido; reduz a obstrução dinâmica de saída (LVOTO) por reduzir a força de contração; reduz arritmias ventriculares; CARVEDILOL: betabloqueador não-seletivo com propriedades alfa-bloqueadoras; menos estudado em CMH canina; SOTALOL: betabloqueador com propriedades anti-arrítmicas (classe III) — para CMH com arritmias ventriculares complexas; BLOQUEADORES DE CANAIS DE CÁLCIO: DILTIAZEM: alternativa ao atenolol; reduz frequência e melhora relaxamento miocárdico; dose: 1-2 mg/kg TID (formulação regular) ou formulação LP BID; DIURÉTICOS: apenas se congestão pulmonar presente (fase avançada com IC esquerda); furosemida para edema pulmonar; ANTI-COAGULANTES: se fibrilação atrial: rivaroxaban ou clopidogrel — risco de tromboembolismo; CONTRAINDICADO na CMH: digoxina, agentes inotrópicos positivos — aumentam a contratilidade e pioram a LVOTO; Prognóstico: imprevisível — vai de anos assintomático a morte súbita; monitoramento ecocardiográfico semestral; Holter 24h para avaliação de arritmias em cães de raças relatadas.

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Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão

A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.

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Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans

A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.

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Intussuscepção em Cães: Telescopamento Intestinal e Emergência Cirúrgica

A intussuscepção (telescopamento intestinal) ocorre quando um segmento do intestino invagina dentro do segmento adjacente — como uma luneta que fecha. É emergência cirúrgica: o segmento intussusceptado sofre isquemia progressiva. Mais comum em filhotes e jovens (2-12 meses), frequentemente após enterite aguda (parvovirose, parasitas, corpo estranho). Diagnóstico: palpação abdominal (massa cilíndrica) + ultrassom (sinal do 'alvo'). Tratamento: ressecção e anastomose intestinal. Recidiva em 20-27% se não corrigir a causa base.