Saúde

Sarna Sarcóptica em Cachorro: Escabiose e Prurido Intenso

A sarna sarcóptica (escabiose) é causada por Sarcoptes scabiei var. canis — ácaro que escava a epiderme causando prurido insuportável. Zoonose: transmite ao humano (prurido transitório). O prurido é tão intenso que o cão se mutila. Ivermectina ou selamectina são os tratamentos de escolha. Diagnóstico clínico — raspado de pele tem baixa sensibilidade.

27 de maio de 2026·2 min de leitura

O Pit Bull de 2 anos chegou com prurido tão intenso que "se coça na parede e no chão". Lesões crostosas nas bordas das orelhas, cotovelos escoriados. A tutora relatou "manchas avermelhadas no meu braço após abraçar ele".

Reflexo ótico-pedal: positivo bilateral. Raspado de 8 locais: negativo (ácaro não encontrado).

Diagnóstico clínico de sarna sarcóptica (distribuição típica + reflexo positivo + zoonose). Tratamento ex juvantibus com ivermectina 0,3 mg/kg SC, repetir em 2 semanas.

Retorno em 14 dias: prurido > 80% reduzido.

Por que "Negativo no Raspado" Não Exclui a Sarna

A Armadilha do Falso Negativo

O S. scabiei escava em lugares muito específicos — e em pequeno número:

  • Concentração nos bordos da orelha, cotovelos e jarrete
  • A fêmea deposita poucos ovos por dia (3-4)
  • Um único raspado tem 20-50% de chance de encontrar o ácaro
  • 8-10 raspados em locais corretos → sensibilidade sobe para 70-80%

A regra diagnóstica: apresentação clínica típica (prurido devastador + distribuição específica + reflexo ótico-pedal) → tratar empiricamente. A melhora com tratamento confirma o diagnóstico.

O Reflexo Ótico-Pedal de Müller

Teste simples e altamente sensível:

  1. O veterinário fricciona a borda do pavilhão auricular entre os dedos por 5-10 segundos
  2. Resposta positiva: o membro posterior ipsilateral inicia movimento de coçar no ar
  3. Sensibilidade: 75-80%

Por que funciona: o prurido intenso da sarna nas orelhas hipersensibiliza o reflexo espinhal otopedal — qualquer estímulo na orelha dispara o reflexo de coça.

Zoonose — O Sinal que Confirma o Diagnóstico

Quando o tutor relata que "começou a coçar os braços depois que o cachorro chegou", o diagnóstico do cão está praticamente fechado:

  • S. scabiei var. canis pode picar humanos e causar prurido nas áreas de contato
  • As larvas não completam o ciclo no humano → sarna autolimitada em humanos (sem tratamento específico necessário na maioria dos casos)
  • Tratamento do cão resolve o problema humano em 1-2 semanas

Prognóstico

| Situação | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---| | Sarna sarcóptica, diagnóstico precoce | Ivermectina ou isoxazolina × 2 doses | Excelente — cura completa | | Sarna com pioderma secundário | Anti-ácaro + antibiótico sistêmico | Muito bom | | Sarna em Collie/MDR1 | Selamectina ou isoxazolina (seguras) | Excelente | | Sarna norueguesa (hiperqueratótica, imunossuprimido) | Anti-ácaro + múltiplas doses | Moderado | | Ambiente descontaminado | Tratamento de todos os contatos | Sem recorrência |

Perguntas frequentes

O que é Sarcoptes scabiei e como causa a sarna sarcóptica no cão?+

Sarcoptes scabiei var. canis é um ácaro obrigatório da superfície cutânea que escava túneis na camada córnea e granulosa da epiderme do cão. É altamente contagioso e zoonótico. Biologia do ácaro: tamanho: microscópico (200-400 µm) — invisível a olho nu; localização: escava a epiderme (camada córnea e espinhosa); reprodução: a fêmea deposita ovos no interior dos túneis; ciclo: ovo → larva → ninfa → adulto: 10-17 dias; sobrevivência fora do hospedeiro: 1-5 dias em temperatura ambiente — contágio por contato indireto possível. Mecanismo do prurido intenso: o ácaro ao escavar a epiderme → secreções e excrementos no tecido; reação de hipersensibilidade tipo I (IgE) e tipo IV: o sistema imune responde às proteínas do ácaro; prurido resultante: muito mais intenso que a própria lesão mecânica; cães hipersensibilizados: prurido insuportável com poucos ácaros; cães com imunossupressão: pouco prurido com carga acarológica enorme (sarna norueguesa — crosta exuberante). Transmissão: contato direto: cão para cão (via mais comum); contato indireto: cama, escova, roupas; parques e canis: ambiente contaminado; zoonose: transmissão ao humano — prurido nas regiões de contato (braços, abdômen, pescoço): autolimitado pois S. scabiei var. canis NÃO completa o ciclo em humanos.

Quais são os sinais de sarna sarcóptica em cachorro?+

A sarna sarcóptica tem um padrão de distribuição e prurido muito característicos. Distribuição das lesões (localizações preferenciais): orelhas (borda do pavilhão auricular): crosta na borda da orelha — sinal muito característico; cotovelos: lesões escamocrostosas; jarrete (tornozelo posterior); abdômen ventral e inguinal; focinho e bordas dos lábios. Sinais clínicos: Prurido intenso, incessante: o sinal mais marcante; o cão não para de se coçar, literalmente — coça na pele do proprietário, nas paredes, no chão; autoflagelação: excoriações profundas, sangramento, alopecia por trauma; diferente da demodicose (que tem prurido leve) e da dermatite atópica (que tem prurido moderado-intenso mas não desesperado); Lesões primárias (nas áreas de predileção): eritema, pápulas, crostas; vesículas (raras, logo destruídas pelo prurido); Lesões secundárias (por automutilação): excoriações, alopecia traumática, hiperpigmentação; infecção bacteriana secundária (pioderma): frequente; Reflexo ótico-pedal (teste de Müller): coçar a borda da orelha com a mão → cão inicia movimento de coça com o membro posterior ipsilateral; positivo em 75-80% dos casos: alta sensibilidade; Cão com sarna sarcóptica + outro cão na casa: o outro cão frequentemente tem prurido também; Tutor com prurido: zoonose — relato de prurido nos braços ou abdômen do proprietário após contato com o cão.

Como diagnosticar e tratar sarna sarcóptica em cachorro?+

O diagnóstico é principalmente clínico — o raspado de pele tem sensibilidade de apenas 20-50%. Diagnóstico: Raspado de pele (múltiplos locais): técnica: raspagem intensa da borda das lesões (sangrar levemente) até as bordas da orelha; material em óleo mineral na lâmina: microscopia; sensibilidade: 20-50% — NEGATIVO não exclui o diagnóstico; 5-10 raspados aumentam a sensibilidade; Diagnóstico clínico (na maioria dos casos): distribuição típica + prurido intenso + reflexo ótico-pedal positivo; zoonose confirmada (tutor coçando): alta probabilidade; resposta ao tratamento é o diagnóstico final (ex juvantibus); Sorologia (IgG anti-Sarcoptes): disponível em laboratórios especializados; sensível mas pode cruzar com Demodex — especificidade moderada; ELISA ou IFAT; Diferenciação de dermatite atópica: distribuição diferente: atopia → face, patas, axilas, dobras inguinais; sarna → orelhas, cotovelos, jarrete, abdômen ventral; prurido atópica: sazonal ou perene, responde a corticoide; sarna: não sazonal, responde MUITO POUCO a corticoide sem tratar o ácaro. Tratamento: Ivermectina: 0,2-0,4 mg/kg SC ou VO, 2 aplicações com 2 semanas de intervalo: altamente eficaz; CUIDADO: raças MDR1 (Collie, Shetland, Pastor Alemão, Border Collie): usar dose mínima ou evitar; Selamectina (spot-on): 6-12 mg/kg spot-on mensal: segura para MDR1; Fluralaner ou afoxolaner (isoxazolinas): dose única via oral: alta eficácia, segura para MDR1; Milbemicina oxima: 2 mg/kg/semana: alternativa; Amitraz (banho): protocolo alternativo — mais trabalhoso. Todos os contatos devem ser tratados + ambiente descontaminado.

Como diferenciar sarna sarcóptica de demodicose e dermatite atópica no cão?+

As três doenças causam prurido e alopecia no cão — a distinção é clínica e laboratorial. Sarna sarcóptica: prurido: INTENSO, incessante, autoflagelação; distribuição: orelhas (borda), cotovelos, jarrete, abdômen ventral — locais de pregas; transmissão: ALTAMENTE CONTAGIOSO — outros cães e humanos coçam; diagnóstico: raspado (baixa sensibilidade) + clínica + reflexo ótico-pedal; tratamento: ivermectina/selamectina — prurido melhora em 1-2 semanas. Demodicose: prurido: AUSENTE ou leve na forma localizada; MODERADO na forma generalizada com pioderma; distribuição: face (perioculares), tronco, patas; contagiosidade: NÃO contagiosa — ácaro é comensal normal, a doença é por imunossupressão; diagnóstico: raspado profundo — muito sensível (abundância de Demodex); tratamento: afoxolaner ou fluralaner (isoxazolinas) — excelente eficácia. Dermatite atópica: prurido: MODERADO a INTENSO, mas não autoflagelação; distribuição: axilas, virilha, espaços interdigitais, face, orelhas internas; contagiosidade: NÃO contagiosa — doença imunomediada; diagnóstico: clínico + exclusão de outras causas + teste intradérmico; tratamento: oclacitinibe (Apoquel), dupilumabe análogo (Cytopoint), corticoide; Resumo prático: prurido insuportável + orelhas + cotovelos + outros animais coçando = sarna; alopecia + pústulas sem prurido + raça predisposta = demodicose; prurido intermitente + patas + face + sem contagiosidade = atopia.