Prolapso Vaginal em Cachorro: Hiperplasia e Prolapso Verdadeiro
O prolapso vaginal na cadela ocorre durante o estro (estrógeno estimula a hiperplasia da mucosa vaginal) — massa rosada protrusa pela vulva. A maioria dos casos é hiperplasia vaginal (tecido edemaciado que retorna com o diestro), não prolapso verdadeiro. OVH resolve definitivamente. Reposição manual + umidificação na urgência.
A Buldogue Inglesa de 2 anos e seu primeiro cio chegou com a tutora em pânico — "surgiu uma massa rosada na vagina dela de uma hora para outra". Massa globosa de 4 cm, rosada, úmida, protrusa.
Hiperplasia vaginal tipo II no estro. Soro fisiológico gelado para umidificação, gel lubrificante, sutura de Buhner temporária.
Orientação: a massa regride com o fim do cio (7-10 dias). OVH agendada para o diestro — evita recorrência garantida a cada cio futuro.
A Confusão com "Prolapso" — Por que a Distinção Importa
A maioria dos casos chamados de "prolapso vaginal" é, na verdade, hiperplasia vaginal — uma condição diferente:
| Característica | Hiperplasia Vaginal | Prolapso Verdadeiro | |---|---|---| | Frequência | Muito comum | Raro | | Causa | Estrógeno do cio | Parto, esforço | | Tecido envolvido | Mucosa cranial | Toda parede vaginal | | Involução espontânea | Sim (com diestro) | Não | | Necrose | Rara | Mais frequente |
A hiperplasia regride por conta própria com o fim do cio — o tecido não está morto, está edemaciado por estrógeno. A urgência real é a umidificação para prevenir necrose por ressecamento.
O Problema dos Braquicefálicos
Buldogues têm predisposição exagerada:
- Conformação pélvica estreita → parto difícil → mais esforço → mais risco
- Mucosa vaginal hiperresponsiva ao estrógeno → HV mais frequente e intensa
- Já indicados para cesárea pela conformação → qualquer parto vaginal é maior risco
A conversa com o tutor antes do primeiro cio: se o objetivo é companhia, não reprodução, a OVH eletiva antes do primeiro cio evita toda essa situação.
Prognóstico
| Situação | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---| | Tipo II, mucosa íntegra, cio ativo | Umidificação + OVH após diestro | Excelente — resolução completa | | Tipo III, massa grande | Buhner + OVH | Muito bom | | Mucosa ulcerada/necrótica | Ressecção + OVH | Bom se sem sepse | | Obstrução uretral | Cateterismo + urgência cirúrgica | Bom | | Sem OVH | Qualquer tratamento local | Recorrência em 100% dos cios |
Perguntas frequentes
O que é prolapso vaginal em cadela e como ocorre?+
O prolapso vaginal canino é a protrusão de tecido vaginal pela rima vulvar — visível como uma massa rosada à vulva. Existe uma distinção importante entre os dois tipos: Hiperplasia vaginal (tipo I-III — a mais comum): não é prolapso verdadeiro; estrógeno do estro estimula proliferação excessiva da mucosa vaginal cranial; a mucosa edemaciada cresce e protunde pela rima vulvar; regride espontaneamente com o início do diestro (7-14 dias); recorre a cada cio enquanto a cadela não for castrada. Prolapso vaginal verdadeiro (raro): eversão de toda a parede vaginal com mucosa e submucosa; associado a distocia, parto prolongado ou esforço excessivo; a involução espontânea é menos provável; risco de necrose tecidual. Classificação da hiperplasia: Tipo I: dobra de mucosa hiperplásica, não visível externamente; Tipo II: protrusão pela rima vulvar — rosada, úmida, lisa; Tipo III: prolapso completo com mucosa completamente exposta (o tipo mais grave de HV). Quando ocorre: fase folicular do estro (estrógeno em pico): mais comum; ocasionalmente no final da gestação; raramente em qualquer fase em cadelas com alta sensibilidade ao estrógeno. Raças predispostas: raças braquicefálicas: Buldogue Inglês (maior predisposição), Buldogue Francês, Boxer, Mastim; raças grandes: Labrador, Saint Bernard, Weimaraner.
Quais são os sinais de prolapso vaginal em cachorro?+
O sinal principal é a massa rosada protrusa pela vulva — impossível de ignorar. Aparência da massa: Hiperplasia tipo II-III: massa rosada, lisa, úmida, globosa ou em forma de donut; surge durante o proestro/estro; tamanho: de 1-2 cm a uma massa do tamanho de uma laranja; superfície: mucosa íntegra e brilhante no início. Sinais acompanhantes: lambida excessiva da região vulvar; desconforto, tentativas de lamber ou morder a massa; posição anormal (agachamento frequente); vulva edemaciada; pode ou não apresentar sangramento vaginal do cio; em Tipo III: a massa impede a micção → estrangúria, anúria. Complicações: ressecamento da mucosa exposta: torna-se dessecada, hiperêmica, com fissuras; ulceração e necrose: mucosa traumatizada ou seca → risco de necrose; infecção secundária: piometra concomitante em cadelas inteiras de meia-idade; obstrução uretral: massa grande que comprime a uretra → retenção urinária → urgência. O que NÃO esperar sem tratamento: a hiperplasia tipo I-II frequentemente regride com o fim do cio sem intervenção; tipos III e prolapso verdadeiro requerem intervenção imediata.
Como tratar prolapso vaginal em cachorro?+
O tratamento depende da gravidade, da urgência e se a reprodução futura é desejada. Manejo imediato (antes de definir tratamento definitivo): umidificação da massa: soro fisiológico gelado, gel lubrificante (K-Y) — previne dessecação e necrose; reposição manual: com lubrificante abundante, reduzir gentilmente o tecido para dentro da vulva; sutura de retenção: ponto de Buhner modificado: coloca uma sutura em bolsa ao redor da vulva para prevenir reprotrusão enquanto aguarda cirurgia; analgesia: tramadol + dipirona; sedação leve se necessário para a manipulação. Tratamento definitivo: Ovário-histerectomia (OVH): tratamento de escolha — elimina a fonte de estrógeno → involuíção da hiperplasia em 1-2 semanas; previne recorrência (recorre em 100% dos cios subsequentes sem OVH); realizada após resolução da massa (se possível), ou com a massa presente; a massa regride após a cirurgia sem necessidade de ressecção na maioria dos casos. Ressecção vaginal: indicada quando: tecido necrótico (não pode ser salvo); não há involução após castração; cadelas reprodutoras de alto valor (castração não desejada): episiotomia + ressecção da mucosa hiperplásica; alto risco de recorrência em cada cio subsequente. Indução do diestro sem castração: progestágenos (megestrol): pode acelerar a regressão sem cirurgia; risco: piometra; não recomendado como tratamento de rotina.
Como prevenir prolapso vaginal em cadelas predispostas?+
A prevenção definitiva é a OVH, mas há considerações para cadelas reprodutoras. Prevenção definitiva: OVH antes do primeiro cio ou após resolução do primeiro episódio: elimina a exposição ao estrógeno endógeno; cadelas com hiperplasia vaginal tipo I-III devem ser castradas após o cio atual; Buldogues e braquicefálicos: castrar antes do primeiro cio em cadelas de companhia. Manejo em cadelas reprodutoras (sem OVH): aceitar a recorrência a cada cio como esperada; monitorar atentamente durante o proestro/estro; manter a vagina úmida na primeira aparição da massa; evitar que a cadela cruze durante o episódio de prolapso: a monta pode piorar o trauma da mucosa; após o parto: risco aumentado de prolapso pós-parto em predispostas; priorizar cesárea em braquicefálicos (já indicada pela conformação). Seleção reprodutiva: a hiperplasia vaginal tem componente hereditário em algumas raças; Buldogues com HV recorrente intensa: considerar exclusão da reprodução; prole pode herdar a predisposição. Informação ao tutor: a hiperplasia vaginal assusta pela aparência dramática, mas é benigna na maioria dos casos; o prognóstico é excelente com OVH; sem OVH: esperar recorrência em cada cio.
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