Saúde

Malassezia Dermatite em Cachorro: Levedura, Cheiro e Coceira

A Malassezia pachydermatis é uma levedura lipofílica comensal que em condições ideais prolifera na pele e ouvidos — causando dermatite pruriginosa com odor característico. Basset Hound, Cocker Spaniel e West Highland White Terrier são predispostos. Diagnóstico por citologia. Cetoconazol ou itraconazol oral + shampoo antifúngico são o tratamento.

28 de maio de 2026·2 min de leitura

O Cocker Spaniel de 3 anos chegou com histórico de coceira crônica e odor "estranho" nas orelhas e virilha — o tutor descrevia como "cheiro de fermento". O cão se coçava sem parar.

Citologia da virilha: campo repleto de organismos em "amendoim" — Malassezia. Citologia auricular: mesma imagem. Pele: eritematosa, hiperpigmentada, espessada. Hipotireoidismo ou atopia?

TSH e T4 livres normais. Testes de alergia: positivo para múltiplos ácaros. Atopia como causa. Tratamento: itraconazol + shampoo com cetoconazol + oclacitinib para a atopia.

O Organismo em "Amendoim"

A Malassezia tem morfologia microscópica característica:

  • Célula oval com broto unipolar
  • Aspecto de "amendoim", "pegada de sapato" ou "boneco de neve"
  • Gram-positivo, azul com Diff-Quik
  • Diferente das bactérias (pontos ou hastes) — reconhecível imediatamente

Na citologia cutânea: 2-5 organismos por campo de imersão = colonização significativa.

A Malassezia É Comensal — Por Que Prolifera?

| Condição predisponente | Mecanismo | |---|---| | Dermatite atópica | Barreira cutânea alterada + inflamação favorece proliferação | | Hipotireoidismo | Reduz imunidade cutânea + altera qualidade do sebo | | Antibioticoterapia | Elimina bactérias competidoras — Malassezia ocupa o nicho | | Dobras de pele | Microclima quente e úmido ideal | | Canal auditivo estreito | Acúmulo de secreção + calor |

A pergunta clínica chave não é "tem Malassezia?" mas "por que proliferou?"

Locais Mais Afetados

| Local | Apresentação típica | |---|---| | Ouvidos | Otite com exsudato escuro, odor forte, prurido auricular | | Virilha | Eritema, hiperpigmentação, odor | | Axilas | Pele úmida, eritematosa | | Pescoço (dobras) | Seborreia local, coceira | | Entre os dedos | Eritema interdigital, lambida compulsiva | | Região perioral | Manchas avermelhadas no focinho |

Citologia — O Exame de 2 Minutos

  1. Fita adesiva pressionada na lesão
  2. Corar com Diff-Quik (2 minutos)
  3. Visualizar em imersão (100×)
  4. Contar Malassezia por campo

> 2-5 leveduras/campo = tratamento justificado

Prognóstico

| Situação | Prognóstico | |---|---| | Malassezia com causa identificada e controlada | Excelente — não recidiva | | Malassezia + atopia controlada | Bom — pode precisar de manutenção | | Malassezia + atopia não controlada | Recidiva garantida | | Otite crônica com estenose do canal | Reservado — considerar cirurgia (TECA) |

Perguntas frequentes

O que é dermatite por Malassezia e por que acontece?+

A Malassezia pachydermatis é uma levedura (fungo unicelular) normalmente presente em pequenas quantidades na pele e ouvidos dos cães — é um comensal. O problema surge quando ela prolifera além do equilíbrio normal, causando inflamação e prurido. Por que prolifera? A Malassezia prefere ambientes: quentes, úmidos, ricos em sebo; dobramentos cutâneos: pescoço, virilha, axilas, entre os dedos; ouvidos: canal auditivo externo; condições predisponentes: atopia (dermatite atópica): o mais importante; hipotireoidismo: reduz a imunidade cutânea; doenças alérgicas: alimentar, ambiental; uso de antibióticos: elimina bactérias competidoras; dobras de pele excessivas: chow-chow, shar-pei; clima quente e úmido. A Malassezia não é 'pegada' de outros cães — já está presente na pele. A pergunta é por que ela proliferou. Raças predispostas: Basset Hound: dobras de pele, orelhas pendulosas; Cocker Spaniel: canal auditivo estreito + atopia; West Highland White Terrier: atopia racial; Shih Tzu, Boxer, Poodle: predisposição relatada; Dachshund: orelhas pendulosas; qualquer cão atópico tem risco aumentado.

Quais são os sinais da dermatite por Malassezia e como diagnosticar?+

Sinais clínicos: a apresentação clínica tem características quase diagnósticas — o veterinário experiente reconhece pelo odor e aspecto. Achados dermatológicos: Prurido: intenso e persistente — o cão se coça, se lambe, se esfrega; Eritema: vermelhidão nas áreas afetadas; Aspecto da pele: pele espessada ('elefantina'), hiperpigmentação, liquenificação nas lesões crônicas; seborreia úmida: pele gordurosa com escamas aderentes; Odor: característico — 'ranço', 'lêvedo', difícil de descrever mas inconfundível; Localização mais comum: ouvidos: otite externa por Malassezia (odor típico, exsudato escuro marrom); dobras cutâneas: pescoço, axilas, virilha, entre os dedos; focinho (região perioral); períneo; Otite: prurido auricular intenso, coceira de orelha, exsudato escuro. Diagnóstico: Citologia (método de eleição): fita adesiva pressionada na pele → corar com Diff-Quik → ver ao microscópio; Malassezia: morfologia característica em 'amendoim' ou 'pegada de sapato' (célula oval com broto unipolar); suab do ouvido: esfregaço do exsudato auricular — Malassezia visível; > 2-5 leveduras por campo = significativo; Resposta ao tratamento: melhora após antifúngico confirma o diagnóstico. Investigar a causa subjacente sempre — a Malassezia é quase sempre secundária.

Como tratar a dermatite por Malassezia?+

O tratamento tem dois componentes: eliminar o excesso de Malassezia E tratar a causa subjacente. Tratamento antifúngico tópico: Shampoo antifúngico: cetoconazol 2%, miconazol 2%, ou clorexidina 3-4%; banho 2-3×/semana por 4-6 semanas; deixar agir por 10 minutos antes de enxaguar — fundamental; sprays e cremes: cetoconazol ou miconazol para lesões localizadas; loção auricular antifúngica: para otite por Malassezia. Tratamento antifúngico sistêmico (casos moderados a graves): Cetoconazol: 5-10 mg/kg 1×/dia VO com alimento — hepatotóxico (monitorar enzimas hepáticas); Itraconazol: 5 mg/kg 1×/dia VO — preferido por ser menos hepatotóxico; Fluconazol: alternativa oral; Duração: mínimo 4-6 semanas — guiar pela citologia de controle; Otite por Malassezia: limpeza do canal com produto ceruminolítico; loção otológica com antifúngico + anti-inflamatório (hidrocortisona); em casos crônicos: ver se há estenose do canal (otite crônica → hiperplasia → estenose). Tratar a causa subjacente: atopia: apocinol (oclacitinib), ciclosporina, dupilumab canino, imunoterapia; hipotireoidismo: levotiroxina; alergia alimentar: dieta de exclusão.

A dermatite por Malassezia pode ser confundida com outras doenças e pode recidivar?+

Diagnóstico diferencial: a Malassezia raramente é o diagnóstico primário — quase sempre há uma causa. DDx comuns: Dermatite atópica pura (sem Malassezia): menos odorosa, citologia negativa para leveduras; Piodermite (infecção bacteriana): pode coexistir com Malassezia (infecção mista muito comum); citologia: cocos/bastonetes versus leveduras (ou ambos); Dermatofitose (ringworm): lesões circulares, menos gordurosas; cultura fúngica diferencia; Demodiciose: alopecia com foliculite; raspado + citologia identifica ácaros. Coinfecção Malassezia + bactéria: muito comum (50-70% dos casos) — tratar ambas; piodermite + Malassezia: shampoo antifúngico + antibacteriano (clorexidina faz as duas funções); antibiótico sistêmico + antifúngico sistêmico. Recidiva: Malassezia recidiva quando a causa subjacente não é controlada; cão atópico: Malassezia vai recidivar se a atopia não for controlada; protocolo de manutenção: shampoo antifúngico 1×/semana + controle da atopia; monitoramento: citologia de controle 4 semanas após tratamento — confirmar erradicação. Sinal de melhora: redução do odor é o primeiro sinal de resposta — o tutor nota antes do veterinário. Recidiva frequente (> 2-3 vezes/ano): investigação completa de alergia (atopia, alimentar) obrigatória.