Saúde

Entrópio Canino: Inversão Palpebral e Irritação Corneal

O entrópio é a inversão das pálpebras para dentro — os cílios e a pele palpebral roçam constantemente na córnea causando irritação, epífora, úlcera de córnea e opacidade. Shar-Pei, Chow Chow e raças braquicefálicas têm altíssima predisposição. A correção cirúrgica (blefaroplastia) é o único tratamento definitivo. Entrópio em filhote < 3 meses pode ser corrigido temporariamente com pontos de eversão.

28 de maio de 2026·2 min de leitura

O Shar-Pei de 6 meses chegou com epífora bilateral intensa e blefarospasmo grave — quase não conseguia abrir os olhos. A tutora não tinha percebido que a condição estava presente desde filhote.

Teste de fluoresceína: úlcera de córnea bilateral. Margem palpebral inferior invertida em ambos os lados — entrópio bilateral grave.

Pontos de eversão temporária sob sedação para desinverter as pálpebras e tratar a úlcera. Blefaroplastia definitiva agendada para os 5 meses, após maior maturidade facial.

A Pele que Cega — Entrópio no Shar-Pei

Por que Alguns Shar-Peis Nascem Quase Cegos

A pele redundante do Shar-Pei filhote pode ser tão excessiva que o peso da pele palpebral inverte completamente a margem palpebral — o cão literalmente não consegue abrir os olhos.

Esse não é entrópio "leve" — é uma emergência funcional que, sem intervenção, cega o filhote permanentemente por:

  1. Úlceras cornéicas repetidas → cicatrizes → opacidade
  2. Pigmentação cornéica progressiva → redução da transmissão de luz
  3. Infecção → perfuração da córnea

Pontos de eversão temporária são urgentes — não "eletivos" nesses casos.

A Cirurgia — A Matemática da Blefaroplastia

A técnica de Hotz-Celsus é elegante em sua lógica:

  1. Medir quanto a pálpebra está invertida (1-3 mm)
  2. Remover elipse de pele de largura proporcional
  3. Ao suturar: a tensão puxa a margem palpebral para fora e para baixo

A quantidade exata importa:

  • Pouca pele removida → entrópio persiste
  • Muita pele removida → ectrópio iatrogênico (pálpebra invertida para fora — também problemático)

É uma cirurgia com margem de erro pequena — melhor feita por especialista em oftalmologia veterinária ou cirurgião experiente.

Prognóstico

| Situação | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---| | Entrópio precoce, sem úlcera | Blefaroplastia eletiva | Excelente | | Entrópio com úlcera superficial | Tratar úlcera + blefaroplastia | Muito bom | | Entrópio crônico + pigmentação leve | Blefaroplastia + lubrificação | Bom — pigmentação pode clarear | | Entrópio crônico + pannus extenso | Blefaroplastia + queratectomia | Moderado — sequela visual possível | | Filhote Shar-Pei, olhos fechados | Pontos temporários urgentes | Bom se intervenção precoce |

Perguntas frequentes

O que é entrópio e por que certas raças são predispostas?+

O entrópio (entropion) é a inversão da margem palpebral para dentro, fazendo com que os cílios (e às vezes a pele palpebral) entrem em contato permanente com a superfície corneal e conjuntival. Mecanismo de lesão: cílios e pelo palpebral sobre a córnea → microabrasões repetitivas → irritação crônica → inflamação → úlcera de córnea → se não tratado: pigmentação corneal + perda de visão. Tipos: Entrópio Primário (hereditário): defeito anatômico das pálpebras — mais comum; Inferior, superior ou lateral: a pálpebra inferior é a mais frequentemente afetada; Espástico: secundário a dor ocular (blefarospasmo) — a dor faz o cão apertar os olhos → pálpebra vira para dentro; Cicatricial: fibrose palpebral pós-trauma ou pós-cirurgia deforma a pálpebra; Senil: flacidez palpebral em cão idoso. Predisposição racial: Shar-Pei: predisposição altíssima — pele redundante palpebral + conformação facial; frequentemente bilateral; Chow Chow: conformação similar ao Shar-Pei; Rottweiler, São Bernardo, Grande Pireneu: excesso de pele facial; Bulldogues e braquicefálicos: envolve também triquíase de canto medial; Golden Retriever, Labrador: entrópio inferior (menos grave); Basset Hound, São Bernardo: ectrópio + entrópio lateral (diamante); Herança: altamente hereditária — cães com entrópio não devem ser reproduzidos (seleciona para defeito).

Quais são os sinais clínicos de entrópio e como diagnosticar?+

O entrópio causa irritação ocular crônica que, se não tratada, progride para lesões permanentes da córnea. Sinais clínicos: Epífora (lacrimejamento excessivo): lágrimas escorrendo pela face; mancha de lacrimejamento marrom-avermelhada (por oxidação e bactérias); Blefarospasmo: cão pisca excessivamente, semicerra o olho afetado; piora com luz solar (fotofobia); Hiperemia conjuntival: olho vermelho; Úlcera de córnea: em casos avançados: opacidade local, aspecto fosco; diagnóstico com fluoresceína: fluorescência verde no defeito corneal; Opacidade corneal progressiva: pigmentação corneal marrom ou cinza (pannus) por irritação crônica: comum no Shar-Pei; redução da visão em casos graves. Diagnóstico: Inspeção visual: observar a margem palpebral — ela deve ser reta ou levemente evertida (Ectrópio leve é normal em algumas raças); entrópio: margem vira para dentro, cílios tocam a córnea; Teste de fluoresceína: gota de fluoresceína no olho → úlcera capta o corante (fluorescência verde); Importante em filhotes de Shar-Pei: entrópio tão grave que o filhote não consegue abrir os olhos → necessita intervenção imediata para não cegar; Diagnóstico diferencial: ectrópio, triquíase (cílios aberrantes), distiquíase (cílios extras na margem palpebral).

Como tratar o entrópio canino e quando indicar cirurgia?+

O tratamento definitivo do entrópio primário é cirúrgico — manejo apenas conservador é paliativo e não resolve a causa. Tratamento temporário (enquanto aguarda cirurgia ou em filhotes jovens): Lubrificante ocular: lágrimas artificiais ou gel lubificante: reduz o atrito entre o cílio e a córnea; cada 4-8h — não é tratamento definitivo; Pontos de eversão palpebral (eversão temporária): em filhotes de Shar-Pei e outras raças com entrópio grave: pontos de sutura simples que evertam temporariamente a pálpebra; permitem que o filhote mantenha os olhos abertos enquanto cresce; repetir se necessário; a cirurgia definitiva só em cão com desenvolvimento facial completo (4-6 meses); Tratar úlcera de córnea: antibiótico oftálmico tópico: tobramicina, ofloxacina 4-6×/dia; colar Elizabetano: previne o cão de esfregar os olhos. Cirurgia definitiva: Blefaroplastia (técnica de Hotz-Celsus): remove uma elipse de pele abaixo (ou acima) da margem palpebral; ao suturar: a tensão everte a margem palpebral para a posição correta; a quantidade de pele removida é calculada para corrigir exatamente — pouco: entrópio persiste; muito: ectrópio iatrogênico; Moment certo: após desenvolvimento facial completo; em casos de entrópio espástico: resolver a causa da dor primeiro — o entrópio pode resolver sem cirurgia após a melhora da dor; Blefaroplastia em Shar-Pei: às vezes necessita técnica modificada por causa do excesso de pele.

Qual é o prognóstico do entrópio canino e como prevenir a progressão?+

O prognóstico do entrópio é excelente quando tratado antes de danos cornéicos permanentes. Prognóstico: Entrópio corrigido precocemente (antes da opacidade corneal): excelente — visão preservada, conforto restaurado; sem recorrência na maioria dos casos após blefaroplastia bem executada; Entrópio crônico com pigmentação corneal: pigmentação parcialmente reversível: córnea pode clareou parcialmente com meses de lubrificação + sem irritação; pigmentação profunda: pode ser permanente — redução da visão proporcional à extensão; Pannus corneal extenso: cirurgia corneal (queratectomia superficial): remove a camada pigmentada; Entrópio espástico: prognóstico baseado na resolução da causa primária (úlcera, dor); Entrópio em Shar-Pei filhote sem intervenção: pode cegar o filhote — a gravidade é tal que o filhote não consegue abrir os olhos; intervenção imediata com pontos temporários é urgência. Prevenção de complicações: Cirurgia eletiva antes de úlcera grave: não esperar o cão ficar com úlcera profunda para operar; lubrificação e controle de infecção enquanto aguarda a cirurgia; colar Elizabetano: protege a córnea do trauma por esfregação. Reprodução: cão com entrópio não deve ser reproduzido: condição hereditária; selecionar reprodutores livres de entrópio é fundamental para raças predispostas.