Ectrópio em Cachorro: Eversão Palpebral e Olho de Elefante
O ectrópio é a eversão (virada para fora) da margem palpebral inferior — a pele e conjuntiva ficam expostas. Basset Hound, Bloodhound e São Bernardo são as raças mais afetadas. A conjuntiva exposta leva a conjuntivite crônica e úlcera de córnea. Blefaroplastia corretiva ('encurtamento palpebral') resolve permanentemente.
O Basset Hound de 3 anos chegou com "olho sempre vermelho e com secreção há 1 ano" — terceiro curso de colírio antibiótico. Pálpebra inferior bilateral evertida: conjuntiva palpebral inferior exposta, eritematosa, com muco acumulado no saco conjuntival.
Ectrópio congênito bilateral. Blefaroplastia por ressecção de cunha palpebral bilateral agendada.
A Diferença que Muda Tudo
O entrópio (sessão anterior) e o ectrópio são opostos:
- Entrópio: pálpebra vira para dentro → cílios roçam córnea → úlcera cornéica aguda
- Ectrópio: pálpebra vira para fora → conjuntiva exposta → conjuntivite crônica
O entrópio dói muito e surge em urgência. O ectrópio dói pouco e piora gradualmente — o tutor muitas vezes acha que é "normal da raça" e tarda em tratar.
O Aspecto de Olho Triste — Padrão Racial vs Bem-Estar
O ectrópio nos Basset Hounds, Bloodhounds e São Bernardos é parte do padrão racial e considerado "característico" pelos juízes de exposição. O debate ético crescente:
- Ectrópio leve: compromisso estético sem dano significativo
- Ectrópio moderado: conjuntivite crônica, necessidade de colírios para sempre
- Ectrópio grave: ceratite, úlcera, pigmentação cornéica → problema de bem-estar real
O Kennel Club britânico e outros registros têm discutido limites de aceitação.
O Diamante Ocular — Quando Entrópio e Ectrópio Coexistem
São Bernardo e Mastim Inglês frequentemente têm:
- Entrópio lateral (canto lateral da pálpebra superior virado para dentro)
- Ectrópio central (pálpebra inferior central evertida)
O "diamante ocular" resultante é a combinação mais desafiante cirurgicamente — requer correção simultânea de ambos.
Prognóstico
| Situação | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---| | Ectrópio leve, sem complicações | Lágrima artificial | Bom — controle sem cirurgia | | Ectrópio moderado-grave, sem complicações | Blefaroplastia | Excelente | | Ectrópio + úlcera de córnea | Cirurgia urgente + tratamento úlcera | Muito bom | | Ectrópio + pigmentação cornéica | Blefaroplastia + tempo | Bom (pigmentação pode clarear) | | Ectrópio paralítico reversível | Tratar causa + colírios | Muito bom | | Ectrópio paralítico permanente | Blefaroplastia | Bom |
Perguntas frequentes
O que é ectrópio em cachorro e quais raças são predispostas?+
O ectrópio é a eversão (virada para fora) da margem palpebral — geralmente a pálpebra inferior. Ao contrário do entrópio (que vira para dentro e fricciona os cílios na córnea), o ectrópio expõe a conjuntiva ao ambiente. Tipos: Ectrópio congênito: predisposição racial — pálpebra inferior frouxa por excesso de pele palpebral ou baixo tônus muscular do músculo orbicular; hereditário nas raças predispostas; Ectrópio cicatricial: pós-trauma ou pós-cirúrgico: cicatriz que retrai a pálpebra para fora; raro; Ectrópio paralítico: paralisia do nervo facial (VII par): musculatura orbicular paralisada → pálpebra cai; causas: otite média/interna, trauma, neoplasia; Ectrópio espasmódico: dor ocular (por úlcera de córnea ou glaucoma) → blefarospasmo → força a pálpebra para fora. Raças com ectrópio congênito (predisposição máxima): Basset Hound: ectrópio bilateral marcante — o aspecto de 'olho triste' é parte do padrão racial; Bloodhound: ectrópio extremo aceito no padrão (excessivo = problema de bem-estar); São Bernardo: ectrópio inferior + frequentemente entrópio superior (diamante ocular = síndrome palpebral); Cocker Spaniel: ectrópio leve a moderado; Bullmastiff, Mastim Inglês, Rottweiler; Shar-Pei: pode ter ectrópio + entrópio simultaneamente.
Quais são os sinais e complicações do ectrópio canino?+
O ectrópio tem uma aparência característica, mas as complicações são o que motiva o tratamento. Sinais oculares: Conjuntiva exposta: conjuntiva palpebral inferior visível — avermelhada, úmida; aspecto de 'olho de elefante' ou 'olho triste'; Acúmulo de secreção: o saco conjuntival ectropionado acumula poeira, pelos e secreção; epífora (lacrimejamento): lágrima não drena adequadamente para o ponto lacrimal inferior deslocado; crostas na região medial do olho. Complicações do ectrópio não tratado: Conjuntivite crônica: conjuntiva exposta → irritação crônica → conjuntivite bacteriana recorrente; ceratite de exposição: córnea exposta em posição inferior → ressecamento → queratite; úlcera de córnea: córnea ressequida → úlcera → dor; em casos graves: úlcera estromal profunda; Pigmentação cornéica progressiva: inflamação crônica → vascularização e pigmentação da córnea → redução da visão; Cicatriz cornéica: úlceras repetidas → leucoma (mancha branca opaca). Como diferenciar do entrópio: entrópio: pálpebra VIRADA PARA DENTRO → cílios friccionam a córnea; ectrópio: pálpebra VIRADA PARA FORA → conjuntiva exposta; podem coexistir: diamante ocular (entrópio lateral + ectrópio central) → São Bernardo, Mastim.
Como tratar ectrópio em cachorro?+
O tratamento do ectrópio congênito é cirúrgico. O tratamento clínico é paliativo. Tratamento clínico (paliativo): colírios umidificantes: lágrima artificial 3-4×/dia: hidrata a conjuntiva e córnea expostas; colírios com antibiótico: em conjuntivites bacterianas secundárias; limpeza das crostas oculares: soro fisiológico 2×/dia; Atenção: o tratamento clínico NÃO corrige o ectrópio — apenas mitiga as complicações. Tratamento cirúrgico (definitivo): objetivo: encurtar e reposicionar a pálpebra inferior para cobrir adequadamente o globo; Técnica V-Y (wedge resection): ressecção de cunha pentagonal da pálpebra inferior: reduz o comprimento horizontal; tensiona a pálpebra para dentro e para cima; técnica mais usada em ectrópio moderado a grave; Técnica de Kuhnt-Szymanowski: indicada em ectrópio com excesso de pele palpebral; combina ressecção palpebral + tensionamento; Tempo cirúrgico: raças jovens com ectrópio congênito: aguardar maturidade esquelética para operar; em filhotes de raças predispostas, a pálpebra frequentemente se torna menos frouxa com o crescimento; operar antes dos 18 meses apenas se há complicações cornéicas. Ectrópio paralítico: tratar a causa de fundo (otite, trauma); suporte com colírios umidificantes; cirurgia se paresia for permanente. Ectrópio espasmódico: tratar a causa de dor ocular → o ectrópio resolve.
Qual o prognóstico do ectrópio canino e quando é urgência?+
O prognóstico do ectrópio é excelente com correção cirúrgica adequada, mas o atraso no tratamento pode gerar sequelas permanentes. Urgência vs eletivo: Urgência (tratar imediatamente): ectrópio com úlcera de córnea: a córnea exposta ulcerada = dor + risco à visão; ectrópio com ceratite de exposição grave: córnea ressequida e eritematosa; ectrópio paralítico agudo: córnea sem proteção, colírios horários. Eletivo (pode aguardar): ectrópio leve sem complicações cornéicas: aguardar maturidade (12-18 meses); ectrópio com conjuntivite leve controlada por colírios. Prognóstico geral: Ectrópio congênito corrigido cirurgicamente (sem complicações cornéicas prévias): excelente — correção anatômica permanente; Ectrópio com pigmentação cornéica: bom — a pigmentação pode clarear parcialmente após correção; Ectrópio com cicatriz cornéica (leucoma): moderado — a cicatriz pode ser permanente; Ectrópio paralítico: depende da causa — se reversível (otite tratada), bom; se irreversível (lesão nervosa permanente), cirurgia. Raças braquicefálicas: entrópio + ectrópio + exoftalmia: 'diamante ocular' = correção mais complexa; múltiplas técnicas em uma cirurgia; prognóstico muito bom com planejamento cirúrgico adequado.
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