Saúde

Distiquíase e Triquíase em Cachorro: Cílios na Córnea

Distiquíase é o crescimento de cílios ectópicos nas glândulas de Meibomius (segunda fileira de cílios). Triquíase é o desvio de cílios normais para a córnea. Ambas causam irritação cornéica crônica e úlcera. Poodle, Cocker Spaniel e Golden Retriever são os mais afetados. Crioterapia ou eletrólise dos folículos ectópicos resolve permanentemente.

28 de maio de 2026·2 min de leitura

O Poodle Miniatura de 2 anos chegou com "epífora desde filhote" — mancha marrom abaixo dos olhos e conjuntiva levemente avermelhada. Ao exame com magnificação: três cílios finos emergindo da linha cinzenta da pálpebra inferior direita, dois à esquerda.

Distiquíase bilateral. Crioterapia com nitrogênio líquido dos folículos ectópicos sob anestesia geral. A pálpebra ficou com área despigmentada por 6 semanas — repigmentou completamente.

A Primeira Fileira e a Segunda Fileira

A anatomia palpebral normal tem:

  • Cílios normais: margem anterior da pálpebra, voltados para fora
  • Glândulas de Meibomius: abrem na linha cinzenta (margem posterior), produzem lipídios da lágrima

Na distiquíase, um folículo piloso ectópico desenvolve-se dentro da glândula de Meibomius — o cílio resultante emerge pelo orifício da glândula, apontando para a córnea.

A visualização requer lâmpada de fenda com boa magnificação — cílios de distiquíase são frequentemente muito finos e claros.

O Problema de Ser "Suave"

Distiquíase com cílios macios e longos: pode não causar sintomas — o cílio dobra ao contato com a córnea sem traumatizá-la.

Distiquíase com cílios curtos e rígidos: cada piscada = microtrauma na córnea = inflamação crônica = vascularização = pigmentação.

A regra: tratar a distiquíase quando sintomática (epífora, blefarospasmo, úlcera). Monitorar sem tratar quando assintomática.

Por que a Despigmentação da Crioterapia Não é Sinal de Problema

A crioterapia com nitrogênio destrui melanócitos da margem palpebral junto com o folículo ectópico — a área fica branca (despigmentada).

Em raças com pigmentação palpebral escura: a área clara é visível e preocupa os tutores. Mas:

  • É temporária: melanócitos periféricos repigmentam a área em 4-12 semanas
  • Não afeta a função palpebral

Prognóstico

| Situação | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---| | Distiquíase assintomática | Monitoramento | Excelente | | Distiquíase com epífora | Crioterapia | Excelente (> 85% permanente) | | Distiquíase com úlcera superficial | Crioterapia + colírio | Muito bom | | Distiquíase crônica não tratada + pigmentação | Crioterapia (tarde) | Moderado — pigmentação pode persistir | | Triquíase por pelo facial | Tosa regular | Excelente | | Triquíase por entrópio | Correção entrópio | Excelente |

Perguntas frequentes

O que é distiquíase e triquíase em cachorro e como diferenciar?+

Distiquíase e triquíase são condições distintas que causam o mesmo problema: cílios em contato com a córnea. Distiquíase (dístico = dupla fileira): definição: crescimento de cílios ectópicos saindo das glândulas de Meibomius (na margem palpebral interna, na linha cinzenta); normalmente as glândulas de Meibomius produzem apenas gordura (lipídios da lágrima) — sem cílios; na distiquíase: folículo ectópico desenvolve cílio que emerge pelo orifício da glândula; podem ser: macios e pouco problemáticos (não tocam a córnea) ou rígidos e direcionados diretamente à córnea (problemáticos); difícil de ver a olho nu — exige lâmpada de fenda magnificada; em múltiplos ou em grupos. Triquíase: definição: cílios normais (na posição anatômica correta) que crescem com direção anormal em direção à córnea ou conjuntiva; causas: entrópio leve (a pálpebra vira levemente, direcionando os cílios); pelo facial longo que roza a córnea (Yorkshire Terrier, Shih Tzu, Maltês); pseudodistiquíase: pelo da face (nasal) que entra em contato com o olho. Raças mais afetadas: Distiquíase: Poodle (miniatura e toy), Golden Retriever, Cocker Spaniel Americano, Boxer, Bulldog Inglês; Triquíase: Yorkshire Terrier, Shih Tzu, Maltês, Lhasa Apso, Pekingese, Bulldog Inglês; ambas: Golden Retriever, Cocker.

Quais são os sinais de distiquíase e triquíase em cachorro?+

A gravidade dos sinais depende da rigidez dos cílios, do número e do grau de contato com a córnea. Sinais clínicos: Epífora: lacrimejamento excessivo — sinal mais comum e frequentemente o primeiro notado; mancha de lágrima marrom-avermelhada abaixo do olho (ferrugem lacrimal); Blefarospasmo: piscar frequente, olho semicerrado — sinal de desconforto; Conjuntivite: olho avermelhado, conjuntiva hiperemiada; Queratite: superfície da córnea irritada — perde o brilho; vascularização cornéica: vasos superficiais invadem a córnea nos casos crônicos; Úlcera de córnea: cílio rígido trauma repetitivo → úlcera superficial; fluoresceína: retém o corante nas áreas ulceradas; dor: o cão esfrega o olho, sensível ao toque na região periocular. Distiquíase silenciosa: cílios macios que não tocam a córnea = assintomáticos; descobertos ao exame de rotina com lâmpada de fenda; não precisam de tratamento se assintomáticos. Diagnóstico: Exame com lâmpada de fenda (biomicroscópio): identificação dos cílios ectópicos saindo da linha cinzenta; magnificação: fundamental — cílios muito finos; Fluorescência: pesquisa de úlcera associada.

Como tratar distiquíase e triquíase em cachorro?+

O objetivo do tratamento é eliminar ou desviar os cílios que contactam a córnea. Tratamentos temporários (recorrência garantida): Epilação manual: remoção mecânica dos cílios com pinça; simples e sem riscos; recorrência em 4-6 semanas (cílios recrescem); indicado para casos leves assintomáticos ou para controle temporário; Colírios lubrificantes: lágrima artificial 3-4×/dia: protege a córnea dos cílios; paliativo — não elimina o cílio. Tratamentos permanentes (destroem o folículo): Crioterapia com nitrogênio líquido: spray de nitrogênio no folículo ectópico (via conjuntival): cria zona de congelamento que destrói o folículo sem remover tecido; eficácia: 80-90% de resolução permanente; risco: despigmentação temporária da margem palpebral (área tratada fica branca → repigmenta em 1-3 meses); necessita de ampliação (lupa ou microscópio cirúrgico) e anestesia geral; Eletrólise/eletroepilação: corrente galvânica aplicada ao folículo via eletrodo fino; destrói o folículo individualmente; eficácia similar à crioterapia; mais preciso para cílios isolados; Ressecção palpebral (wedge): para distiquíase com múltiplos focos na margem palpebral; ressecção de cunha da pálpebra afetada; mais invasivo; Triquíase por entrópio: corrigir o entrópio → os cílios voltam à posição normal; Triquíase por pelo facial: tosa regular do pelo nasal e facial que roza a córnea.

Qual o prognóstico da distiquíase e triquíase canina?+

O prognóstico é excelente quando o tratamento adequado é realizado antes de danos cornéicos permanentes. Prognóstico por situação: Distiquíase assintomática (cílios macios): monitoramento periódico; sem tratamento necessário; excelente; Distiquíase com epífora (sem úlcera): crioterapia ou eletrólise: > 85% de resolução permanente; excelente; Distiquíase com úlcera superficial: crioterapia + tratamento da úlcera; muito bom; Distiquíase com úlcera estromal: crioterapia + tratamento intensivo da úlcera; bom se sem perfuração; Triquíase por pelo facial: tosa regular: excelente controle; Triquíase por entrópio leve: correção do entrópio: excelente. Complicações sem tratamento: Queratite pigmentosa: inflamação crônica → pigmentação opaca da córnea → redução da visão; pode ser irreversível após anos de cílios sem tratamento; Ulceração recorrente: cílios rígidos criam microtraumas repetidos; Cicatriz cornéica (leucoma): úlceras repetidas → fibrose → mancha branca na córnea. Monitoramento pós-crioterapia: reavaliação em 6-8 semanas: verificar se folículo foi efetivamente destruído; recorrência: ~ 10-20%: novo ciclo de crioterapia; despigmentação palpebral: normal e temporária (reassegurar o tutor).