Saúde

Luxação Patelar em Cachorro: Joelho Saltando e Claudicação Intermitente

A luxação patelar é o deslocamento da patela para fora da tróclea femoral — causa claudicação intermitente com o cão saltando em 3 patas. Raças pequenas (Poodle, Chihuahua, Yorkshire) têm predisposição para luxação medial. Grau I-II pode ser acompanhado clinicamente. Grau III-IV exige correção cirúrgica.

27 de maio de 2026·2 min de leitura

O Poodle Toy de 3 anos chegou porque "às vezes levanta a patinha traseira esquerda por 2-3 passos e depois volta ao normal" — o tutor viu isso pela primeira vez há 4 meses.

Exame ortopédico: luxação patelar medial esquerda — grau II. A patela luxa durante a flexão e reduz espontaneamente na extensão, com clique audível.

Radiografia: tróclea femoral com sulco de profundidade C (intermediário).

Recomendação de cirurgia eletiva dado o skip frequente e risco de progressão.

O Skip — Por que o Cão "Pula" por Alguns Passos

A Mecânica da Luxação Transitória

Quando a patela está em posição normal na tróclea, o músculo quadríceps transmite força eficientemente para o tendão patelar → tíbia → extensão do joelho.

Quando a patela desloca:

  1. Quadríceps e patela saem do eixo → força transmitida de forma ineficiente
  2. O joelho "trava" em semiflexão
  3. O cão não consegue estender o joelho → levanta a pata

Como a patela volta:

  1. O cão estende a pata para trás (kick) ou espera o ciclo de passada
  2. O tendão patelar fica tenso → força direcional realinha a patela de volta à tróclea
  3. Clique característico → patela volta ao sulco → apoio normal restaurado

O clique: o som audível/palpável durante a luxação e redução é a patela saindo e voltando ao sulco troclear.

Luxação Patelar Leva à Ruptura do Ligamento Cruzado

Há associação documentada entre luxação patelar crônica e ruptura do ligamento cruzado cranial (LCC) em raças pequenas. Quando a patela luxa repetidamente, altera o alinhamento do mecanismo extensor:

  1. Força anormal sobre o LCC durante cada ciclo de luxação
  2. Desgaste crônico do ligamento por esforço inadequado
  3. Ruptura precoce do LCC — muitas vezes antes dos 5 anos

Implicação: tratar a luxação patelar grau II cirurgicamente, mesmo em cães relativamente assintomáticos, pode prevenir a ruptura futura do LCC — que é cirurgia mais complexa e cara.

As Três Técnicas Cirúrgicas em Combinação

A maioria dos casos de LP grau III-IV exige combinação de técnicas:

| Problema anatômico | Técnica corretiva | |---|---| | Sulco troclear raso | Trocleoplastia de cunha ou bloco | | Inserção tendão patelar desviada | Transposição da crista tibial | | Cápsula articular frouxa | Plicatura retinacular |

A combinação das três técnicas em um único procedimento — personalizada ao grau de deformidade de cada cão — resulta em taxas de sucesso > 90%.

Prognóstico

| Grau | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---| | I, sem sinais | Clínico (condroprotetor + peso) | Muito bom — muitos nunca progridem | | II, com skip | Cirurgia eletiva | Excelente — 90-95% resolução | | III | Cirurgia | Muito bom — retorna à função normal | | IV | Cirurgia complexa | Bom — função pode ser limitada por artrose | | Artrose pré-existente | Cirurgia + crônico | Moderado — dor gerenciável |

Perguntas frequentes

O que é luxação patelar em cachorro e quais são os tipos?+

A luxação patelar (LP) é o deslocamento da patela (rótula) para fora de sua posição normal na tróclea femoral — o canal onde a patela desliza durante a extensão e flexão do joelho. Quando a patela sai da tróclea, o tendão do quadríceps não transmite força eficientemente para a tíbia → o cão não consegue estender o joelho → claudicação. Tipos por direção do deslocamento: luxação patelar medial (LPM): a patela desloca para dentro (medialmente); causa mais comum em raças pequenas; associada a conformação óssea (varo de fêmur, rotação tibial); luxação patelar lateral (LPL): a patela desloca para fora (lateralmente); mais comum em raças grandes e gigantes (Labrador, São Bernardo, Mastiff); pode causar angulação anormal do membro. Classificação por grau (1 a 4): Grau I: patela reduzida espontaneamente; luxável manualmente mas volta; sem sinais clínicos permanentes; Grau II: patela luxa espontaneamente durante a flexão; reduz espontaneamente com a extensão ou manipulação; claudicação intermitente (o 'skip' — cão pula em 3 patas); Grau III: patela permanentemente luxada mas pode ser reduzida manualmente; não volta espontaneamente; claudicação constante mas o cão ainda usa o membro; Grau IV: patela permanentemente luxada, não redutível manualmente; deformidade grave do membro; o cão não apoia o membro. Raças predispostas para LPM: Poodle Toy e Miniatura; Chihuahua; Yorkshire Terrier; Maltês; Pinscher Miniatura; Pomerânia.

Quais são os sinais de luxação patelar em cachorro?+

O 'skip' é o sinal mais característico de luxação patelar grau II. Luxação grau II — sinais clínicos: 'skip' (caminhar em 3 patas): o cão está andando normalmente → subitamente levanta a pata traseira → caminha 2-3 passos em 3 patas → estende a pata e volta ao normal; não demonstra dor durante o skip na maioria dos casos; o skip ocorre quando a patela luxa durante a caminhada; o cão estende o joelho (chuta a pata para trás) → patela volta ao lugar → retorna ao apoio normal; frequência do skip: de algumas vezes ao dia a várias vezes por caminhada; tutor frequentemente relata 'pata travando' ou 'pata pulando'. Luxação grau III-IV — sinais: claudicação persistente; o cão usa o membro mas com apoio reduzido; nas raças pequenas: postura 'acachapada' (agachada) com os quartos traseiros próximos ao chão; deformidade visível em grau IV: joelho varo (interno), coxa encurvada; ao exame ortopédico: palpação do joelho durante flexão: a patela sai da tróclea com clique audível ou palpável; redução com clique ao estender.

Como diagnosticar luxação patelar em cachorro?+

O diagnóstico é clínico — confirmado pela palpação da patela durante o exame ortopédico. Exame ortopédico — palpação do joelho: com o cão em decúbito lateral ou em pé: flexão do joelho → palpar a patela medialmente (para LPM) ou lateralmente (para LPL) → verificar se a patela sai da tróclea; classificar o grau: reduz espontaneamente? Reduz com pressão digital? Irredutível? Avaliação da tróclea femoral: palpação da profundidade do sulco troclear — sulco raso predispõe à luxação; classificação A, B, C: sulco adequado, bordas baixas, muito raso; orientação cirúrgica. Radiografia do joelho: visualiza a posição da patela; avalia: grau de conformação óssea anormal (varo femoral, rotação tibial); grau de osteoartrite secundária (cartilagem desgastada por luxação crônica); em filhotes: centros de ossificação; pré-operatório: medição do ângulo femoral e tibial para planejamento cirúrgico. Diagnóstico diferencial: ruptura do ligamento cruzado cranial: também causa claudicação traseira; gaveta positiva ao exame; não causa 'skip'; doença do disco cervical baixo: claudicação de membros posteriores sem causa articular; neuropatia; displasia do quadril.

Como tratar luxação patelar em cachorro?+

O tratamento depende do grau e dos sinais clínicos. Grau I sem sinais: acompanhamento clínico; radiografia anual; condroprotetores: glicosaminoglicanos (Adequan/Synovan), ômega-3; controle de peso. Grau II com sinais: sem sinais: acompanhar; com sinais recorrentes (skip frequente, claudicação): cirurgia eletiva indicada para evitar progressão para grau III e artrose; cirurgia em grau II reduz o risco de ruptura do LCC secundária (luxação patelar crônica aumenta risco de ruptura do ligamento cruzado). Grau III-IV: cirurgia indicada independentemente dos sinais. Técnicas cirúrgicas — combinação individualizada: trocleoplastia (aprofundamento da tróclea): sulco raso → criar sulco mais profundo para a patela encaixar; técnicas: recessão em cunha (bloco osteocondral levantado, sulco aprofundado, bloco reposicionado); imbalance técnico; transposição da crista tibial: mover o ponto de inserção do tendão patelar para a posição anatômica correta; indica-se nas patelas mediais: mover a crista para lateralmente; estabilização com fáscia: plicatura do retináculo lateral (LPM) ou medial (LPL); resultados cirúrgicos: 90-95% de resolução do skip e claudicação; artrose pré-existente: pode persistir e requerer condroprotetores crônicos; recidiva: < 5-8% com técnica adequada. Reabilitação pós-operatória: restrição de atividade por 6-8 semanas; fisioterapia: exercício passivo de amplitude de movimento, propriocepção; retorno progressivo às atividades normais.