Saúde

Entrópio em Cachorro: Pálpebra Virada para Dentro e Úlcera Corneal

O entrópio é a inversão da margem palpebral para dentro — os cílios roçam continuamente na córnea, causando irritação, úlcera e dor. Chow Chow, Shar Pei e raças braquicefálicas são as mais afetadas. Cirurgia de Hotz-Celsus é o tratamento definitivo. Tratamento precoce previne dano corneal permanente.

27 de maio de 2026·2 min de leitura

O Shar Pei de 4 meses chegou com olhos quase fechados desde o nascimento — o tutor achava que "era normal da raça". Blefaroespasmo intenso, olhos fechados 80%.

Exame com proparacaína: entrópio grave bilateral (pálpebra inferior e superior). Fluoresceína: úlceras corneais múltiplas ambos os olhos.

Emergência: suturas temporárias de eversão para abrir os olhos + antibiótico tópico. Cirurgia de Hotz-Celsus definitiva agendada para os 6 meses.

O Shar Pei — O Caso Mais Dramático

Por Que o Excesso de Pele Causa o Problema

O Shar Pei foi selecionado para ter abundância extrema de pele frouxa — característica valorizada na exibição. O problema: o excesso de pele na região frontal e periocular pesa sobre as pálpebras:

  1. Pele excedente → pressão sobre a pálpebra superior
  2. Pálpebra superior se inverte → entrópio superior
  3. Pálpebra inferior também afetada pelo excesso de pele no focinho
  4. Em filhotes Shar Pei: os olhos podem estar completamente fechados — emergência nos primeiros dias de vida

Intervenção imediata: suturas de eversão temporárias no primeiro exame veterinário → abrir os olhos imediatamente. Sem isso, a córnea sem proteção lacrimal sofre dano irreversível em dias.

O Ciclo Vicioso do Entrópio Espástico

Em qualquer raça, a dor de uma úlcera corneal ativa causa blefaroespasmo (músculo orbicular contraído). A contração muscular pode:

  1. Piorar o entrópio pré-existente
  2. Criar entrópio espástico em cão sem entrópio congênito

Como diferenciar: colírio anestésico (proparacaína) → remove a dor → o espasmo cessa → se a pálpebra voltar à posição normal: era entrópio espástico por dor (tratar a úlcera resolve); se a inversão persiste sem o espasmo: entrópio congênito (cirurgia necessária).

Timing Cirúrgico — Não Esperar Demais, Não Operar Cedo Demais

O dilema no filhote: operar muito cedo (< 6 meses) → a face ainda está em desenvolvimento → a quantidade de tecido removida pode ser insuficiente (entrópio residual) ou excessiva (ectrópio iatrogênico).

Solução prática:

  • Filhotes < 6 meses: suturas temporárias de eversão a cada 3-4 semanas até atingir a maturidade facial
  • A partir de 6-12 meses: Hotz-Celsus definitivo com quantidade correta de tecido

Para raças de maturação facial tardia (São Bernardo, Mastiff): aguardar até 12-18 meses para a cirurgia definitiva.

Prognóstico

| Situação | Prognóstico | |---|---| | Entrópio leve, cirurgia precoce | Excelente — córnea normal | | Entrópio moderado, úlceras superficiais | Muito bom — cicatrização completa | | Entrópio crônico, vascularização corneal | Bom — vascularização pode regredir | | Entrópio crônico, pigmentação corneal | Moderado — pigmento pode persistir | | Shar Pei com olhos fechados (emergência) | Bom com intervenção imediata | | Descemetocele | Reservado — risco de perfuração |

Perguntas frequentes

O que é entrópio em cachorro?+

O entrópio é a inversão (rotação para dentro) da margem palpebral — a borda da pálpebra vira para o interior, fazendo com que os cílios e a pele da pálpebra rocem continuamente sobre a superfície corneal. O atrito constante dos cílios sobre a córnea causa: irritação crônica → úlcera corneal superficial → dor intensa → blefaroespasmo; em casos crônicos sem tratamento: vascularização corneal, fibroplasia, pigmentação → opacificação → redução visual. Pode afetar a pálpebra inferior (mais comum), superior, ou ambas. Tipos: entrópio congênito: predisposição genética — presente desde o nascimento ou desenvolvimento precoce; entrópio espástico: secundário a blefaroespasmo por dor (úlcera, conjuntivite) — o espasmo muscular causa a inversão; entrópio cicatricial: sequela de trauma, queimadura ou cirurgia palpebral; entrópio senil: perda de tônus muscular palpebral no idoso. Raças predispostas: entrópio palpebral inferior: Chow Chow: exuberância de pele facial; Shar Pei: excesso de pele no focinho; Labrador e Golden Retriever; Rottweiler; São Bernardo; Mastiff; Bloodhound; entrópio palpebral superior: Boxer; Bulldog; Chow Chow; entrópio medial (canto interno): Cocker Spaniel; King Charles Spaniel.

Quais são os sinais de entrópio em cachorro?+

Os sinais refletem a irritação corneal causada pelo atrito dos cílios. Sinais oculares: blefaroespasmo: piscar excessivo, dificuldade de abrir o olho — sinal mais precoce; epífora: lacrimejamento excessivo, mancha de lágrima abaixo do olho; secreção mucopurulenta: infecção bacteriana secundária sobre a úlcera corneal; olho vermelho: conjuntivite por irritação; fotofobia: sensibilidade à luz; no exame: olho menor que o normal (microftalmia aparente por blefaroespasmo); pálpebra visivelmente invertida — margem palpebral virada para dentro; cílios não visíveis (estão dentro, roçando na córnea). Sinais de úlcera corneal associada: opacidade corneal (nuvem branca na córnea): edema por lesão epitelial; fluorescência com fluoresceína: manchas verdes = úlceras; nas formas avançadas: vascularização (vasos vermelhos na córnea), fibroplasia, pigmentação — sinal de cronicidade. Quando filhote: o Shar Pei pode nascer com entrópio tão grave que os olhos ficam quase fechados (entrópio grave congênito) — emergência oftalmológica nos primeiros dias de vida.

Como diagnosticar entrópio em cachorro?+

O diagnóstico é essencialmente visual + exame oftalmológico. Exame físico: visualização da margem palpebral invertida; em casos leves, pode ser necessário tracionar suavemente a pálpebra para confirmar a inversão; blefaroespasmo pode dificultar o exame (espasmo fecha o olho) — colírio anestésico (proparacaína) relaxa o espasmo e permite visualização. Teste de fluoresceína: gota de colírio de fluoresceína → luz de Wood (azul): áreas verdes = úlceras corneais ativas; fundamental para avaliar extensão do dano corneal; toda a córnea deve ser avaliada (podem existir múltiplas úlceras). TLS (teste lacrimal de Schirmer): produção lacrimal — afetada pela irritação crônica; entrópio crônico pode causar CCS associada por dano às células caliciformes. Biomicroscopia (lâmpada de fenda): avalia a profundidade das úlceras: úlcera superficial (epitelial): rosada → melhor prognóstico; úlcera estromal: aprofundamento → risco de perfuração; descemetocele: membrana de Descemet exposta (ponto brilhante no fundo da úlcera) → emergência cirúrgica. Diagnóstico diferencial: distiquíase: cílios nascendo em posição anormal no interior da pálpebra (sem inversão da pálpebra); cílios ectópicos: emergindo pela conjuntiva tarsal; trichiasis: pelo periocular que roza na córnea por conformação facial (braquicéfalos).

Como tratar entrópio em cachorro?+

A cirurgia é o tratamento definitivo — o tratamento clínico é apenas temporário (enquanto aguarda cirurgia ou para entrópio espástico). Tratamento clínico temporário: colírio lubrificante (lágrima artificial): protege a córnea do atrito enquanto aguarda cirurgia; antibiótico tópico: se úlcera corneal presente — cloranfenicol ou tobramicina 4x/dia; sutura temporária de eversão palpebral (suturas de Halsted): em filhotes muito jovens para cirurgia definitiva (< 3-4 meses); pontos eversores na pálpebra virada → mantém a margem palpebral correta temporariamente; retirados em 3-4 semanas — substituídos por nova sutura até a idade de cirurgia definitiva. Cirurgia definitiva — Hotz-Celsus: técnica padrão para entrópio congênito; ressecção de faixa elíptica de pele e músculo orbicular na pálpebra afetada: quantidade de tecido removido = grau de entrópio; sutura: eversa a margem palpebral para fora (afasta os cílios da córnea); resultado: pálpebra corretamente posicionada; em filhotes: realizar após 6-12 meses (desenvolvimento facial completo); cirurgia prematura → entrópio residual ou ectrópio iatrogênico. Corriger o ectrópio iatrogênico: excesso de tecido removido → pálpebra evertida demais (ectrópio); nova cirurgia de correção necessária. Cuidados pós-operatórios: colar elizabetano: 10-14 dias; antibiótico tópico: se havia úlcera; revisão: 7-10 dias para avaliação da sutura e córnea.