Adenoma Perianal em Cachorro: Tumor Dependente de Testosterona
O adenoma perianal (hepatoide) é o tumor benigno mais comum da região perianal em cães machos não castrados — depende de testosterona para crescer. A castração é curativa para tumores benignos e preventiva para novos. O adenocarcinoma perianal (maligno) é raro mas de prognóstico reservado. Diagnóstico por histopatologia.
O Cocker Spaniel de 7 anos, inteiro, chegou com dois nódulos rosados ao redor do ânus — o maior com 2 cm, levemente ulcerado. O tutor notou há 4 meses e foi aumentando gradualmente.
Toque retal: sem linfonodo sublombar aumentado. Citologia: células hepatoides com baixo pleomorfismo. Bioquímica: cálcio normal.
Adenoma perianal. Castração + exérese dos nódulos na mesma anestesia.
As Glândulas Hepatoides — Uma Especialidade Anatômica Canina
Por que "Hepatoide"
As glândulas perianais (circum-anais) recebem o nome de "hepatoides" porque suas células grandes, poligonais, com citoplasma granuloso eosinofílico são morfologicamente idênticas a hepatócitos — mas não têm nada a ver com função hepática.
Essa semelhança microscópica é uma especialização das glândulas sebáceas modificadas que existem ao redor do ânus canino. Nos gatos, essas glândulas não existem na mesma forma — por isso adenomas hepatoides são exclusivamente caninos.
Distribuição ao Longo do Corpo
As glândulas hepatoides não se restringem ao ânus — existem em toda uma "faixa perianal" que inclui:
- Ânus e região perineal (concentração máxima)
- Base da cauda
- Prepúcio
- Scrotalmente
- Raramente: glândula caudal dorsal (na cauda)
Implicação prática: nódulos no prepúcio ou base da cauda de um macho inteiro também podem ser adenomas hepatoides — a castração tem o mesmo efeito terapêutico.
Por que a Castração Funciona
O Eixo Testosterona-Crescimento Tumoral
As células das glândulas hepatoides têm receptores de andrógenos — crescem sob estimulação testicular:
- Testosterona → convertida em DHT (diidrotestosterona) pela 5α-redutase local
- DHT → liga-se a receptores androgênicos nas células hepatoides
- Proliferação celular → crescimento do adenoma
Após a castração:
- Sem testosterona → sem DHT → sem estimulação
- Células hepatoides entram em apoptose (morte celular programada)
- O adenoma regride — em semanas a meses
Por que nem todos regridem completamente: os nódulos maiores têm estroma fibroso que não regride junto com as células. A massa pode encolher mas não desaparecer completamente — excisão do resíduo fibroso pode ser necessária 3-4 semanas após a castração.
Adenoma vs. Adenocarcinoma — A Distinção que Muda Tudo
| Característica | Adenoma | Adenocarcinoma | |---|---|---| | Hormônio-dependente | Sim | Não | | Resposta à castração | Regressão | Sem efeito | | Mobilidade à palpação | Móvel | Frequentemente fixo | | Crescimento | Lento | Rápido | | Linfonodo sublombar | Normal | Pode estar aumentado | | Metástase | Não | 30-50% ao diagnóstico | | Hipercalcemia | Não | Possível (PTHrP) | | Histopatologia | Glândulas regulares, baixa mitose | Invasão, mitoses atípicas |
O adenocarcinoma perianal é um dos tumores que causa hipercalcemia de malignidade — poliúria e polidipsia em um macho com massa perianal devem levar à mensuração do cálcio.
Prognóstico
| Situação | Prognóstico | |---|---| | Adenoma, castrado, exérese completa | Excelente — cura | | Adenoma, castrado, exérese parcial | Bom — regressão complementar | | Adenoma, não castrado | Recidiva inevitável | | Adenocarcinoma, N0 M0, margens livres | Moderado — sobrevida ~24 meses | | Adenocarcinoma, N1 ou M1 | Reservado — sobrevida ~6-12 meses |
A prevenção é simples: castrar machos em tempo hábil elimina praticamente o risco de adenoma perianal — além de prevenir hiperplasia prostática, prostatite e reduzir o risco de neoplasia testicular.
Perguntas frequentes
O que é adenoma perianal em cachorro?+
O adenoma perianal (glândula hepatoide ou circum-anal) é a neoplasia benigna mais frequente da região perianal em cães machos. As glândulas hepatoides são glândulas sebáceas modificadas distribuídas ao redor do ânus, base da cauda e prepúcio — chamadas 'hepatoides' porque suas células se assemelham histologicamente a hepatócitos. Característica fundamental: os adenomas perianais são hormônio-dependentes — crescem sob influência de testosterona e regridem com a castração. Incidência: machos inteiros representam > 95% dos casos; raramente: fêmeas não castradas (androgênios adrenais) ou após ovariohisterectomia (pico de estrógenos); raças predispostas: Cocker Spaniel, Bulldog Inglês, Beagle, Elkhound Norueguês. Tipos de tumores da glândula perianal: adenoma: benigno, hormônio-dependente (maioria dos casos); hepatoide epitelioma: potencial maligno intermediário (pode invadir localmente); adenocarcinoma perianal: maligno, raro (< 5-10% dos tumores perianais), NÃO hormônio-dependente, metastatiza para linfonodos sublombares. A distinção entre adenoma e adenocarcinoma é histopatológica — não clínica.
Quais são os sinais de adenoma perianal em cachorro?+
O adenoma perianal geralmente é detectado pelo tutor como massa visível na região perianal — ou incidentalmente no exame físico. Sinais clínicos: massa nodular ao redor do ânus: única ou múltipla; de milímetros a centímetros; coloração rosada a avermelhada, com vasos superficiais visíveis; consistência firme a mole; a pele sobre os nódulos pode se ulcerar — por lambeção, trauma local, ou crescimento rápido; lambedura e mordedura da região: dor ou desconforto; tenesmo (esforço para defecar): quando os nódulos são grandes e comprimem o ânus; sangramento: quando ulcerado; localização comum: periânus — ao redor direto do ânus; base da cauda; prepúcio; perineal (região entre ânus e escroto). Adenocarcinoma perianal — sinais de alerta para malignidade: crescimento rápido; aderência aos planos profundos (não móvel à palpação); ulceração espontânea extensa; linfonodo sublombar aumentado à palpação retal; sinais sistêmicos (emagrecimento, letargia). Hipercalcemia de malignidade: o adenocarcinoma perianal pode secretar PTHrP → hipercalcemia → poliúria, polidipsia, fraqueza. Diagnóstico diferencial: abscesso do saco anal: dor aguda, localização lateral ao ânus; fístula perianal: trajetos fistulosos múltiplos; hérnia perineal: abaulamento perineal, sem nódulos.
Como diagnosticar adenoma perianal em cachorro?+
O diagnóstico definitivo é histopatológico — a distinção adenoma vs. adenocarcinoma é essencial para o tratamento. Exame físico e toque retal: palpação de todos os nódulos — tamanho, consistência, mobilidade; toque retal: avalia linfonodo sublombar (aumentado = metástase?); citologia por agulha fina: células hepatoides: grandes, poligonais, com citoplasma granuloso que lembra hepatócitos; benignas: baixo pleomorfismo, poucas mitoses; malignas: alto pleomorfismo, mitoses atípicas; a citologia sugere mas não confirma malignidade — histopatologia necessária. Biópsia ou exérese diagnóstica: nódulos < 1 cm: exérese completa (diagnóstica e terapêutica); nódulos maiores: biópsia incisional antes de decidir extensão da ressecção; análise histopatológica: adenoma: glândulas bem formadas, hepatoides, baixa atividade mitótica, cápsula preservada; adenocarcinoma: invasão estromal, mitoses atípicas, perda de diferenciação. Estadiamento do adenocarcinoma: hemograma e bioquímica (hipercalcemia?); radiografia torácica (metástase pulmonar?); TC abdominal ou ultrassom: linfonodos sublombares; toque retal cuidadoso.
Como tratar adenoma perianal em cachorro?+
O tratamento combina castração (para lesões hormônio-dependentes) e excisão cirúrgica. Adenoma perianal em macho inteiro: castração: tratamento definitivo para lesões benignas; os adenomas regridem progressivamente após a retirada da testosterona — regressão completa em 30-50% dos casos; regressão parcial nos demais — cirurgia complementar para nódulos residuais; excisão cirúrgica: indicada quando os nódulos são grandes, ulcerados ou causam obstrução; pode ser feita simultaneamente à castração ou após a regressão parcial (3-4 semanas); eletrocirurgia (eletrocautério) é útil — boa hemostasia em região vascularizada. Adenoma em fêmea ou macho castrado: sem hormônio a suprimir — excisão cirúrgica como tratamento principal; se fêmea não castrada: OHE concomitante. Adenocarcinoma perianal: excisão cirúrgica ampla com margens: difícil por localização anatômica; margens comprometidas são frequentes; linfonodectomia sublombar: quando linfonodo aumentado; quimioterapia: doxorrubicina + ciclofosfamida para doença metastática ou margens comprometidas; hipercalcemia: tratar se presente (fluidoterapia, bifosfonatos, furosemida); prognóstico do adenocarcinoma: sobrevida mediana 12-24 meses com tratamento; metástase detectada ao diagnóstico em 30-50% dos casos. Cuidados pós-operatórios: colar elizabetano por 10-14 dias (região muito acessível ao lambedura); pomada com antimicrobiano e corticoide tópico nas primeiras semanas; revisão e reavaliação citológica em 3-4 semanas.
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