Saúde

Luxação de Patela em Cachorro: Graus, Sintomas e Tratamento

Luxação de patela é a articulação do joelho que desloca. Muito comum em raças pequenas — Yorkshire, Poodle, Pomerânia. Grau I não precisa de cirurgia; graus III-IV sim.

26 de maio de 2026·4 min de leitura

Luxação de patela (patellar luxation) é uma das condições ortopédicas mais comuns da medicina veterinária de pequenos animais — e a mais frequente em raças de pequeno porte.

A patela (também chamada de "rótula") normalmente desliza dentro de um sulco no fêmur (tróclea femoral) durante o movimento do joelho. Na luxação, a patela sai desse sulco — deslocando medialmente (para dentro) na maioria dos casos em raças pequenas.

Por que acontece

Componente hereditário: a conformação do joelho (profundidade do sulco femoral, alinhamento do quadríceps) é determinada geneticamente. Em raças com alta prevalência, é condição hereditária — daí a importância de não cruzar animais afetados.

Componente biomecânico: o joelho canino tem tendência natural ao varo (patas voltadas para dentro) em raças condrodistróficas e de pequeno porte. Isso aumenta a tensão sobre a patela, puxando-a medialmente.

Trauma: luxação de patela pode ocorrer por trauma em qualquer raça — queda, acidente. Nesses casos, o componente anatômico predisponente pode não estar presente.

Classificação: Graus I ao IV

| Grau | Descrição | Frequência do desvio | Sintoma clínico | |---|---|---|---| | I | Patela luxada manualmente, retorna sozinha | Raro | Claudicação episódica leve | | II | Patela luxa espontaneamente, retorna sozinha ou com manipulação | Occasional | Sinal do "salto" ocasional | | III | Patela geralmente deslocada, pode ser reposicionada manualmente mas volta | Frequente | Claudicação frequente, postura anormal | | IV | Patela permanentemente deslocada — não pode ser reposicionada | Permanente | Não apoia a pata corretamente |

Tipos por direção

Medial (mais comum): a patela desloca para o lado de dentro (medial) — muito prevalente em raças pequenas.

Lateral: a patela desloca para fora — mais comum em raças grandes. Pode acompanhar outros problemas (displasia de quadril, deformidade angular).

Raças mais afetadas

Pequeno porte (luxação medial):

  • Yorkshire Terrier
  • Poodle Toy e Miniatura
  • Pomerânia (Spitz Anão)
  • Chihuahua
  • Maltês
  • Shih Tzu
  • Lhasa Apso
  • Bichon Frisé
  • Boston Terrier
  • Pinscher Miniatura

Grande porte (luxação lateral):

  • Labrador Retriever
  • Husky Siberiano
  • Rottweiler
  • Akita

Diagnóstico

Palpação ortopédica: o veterinário flexiona e estende o joelho enquanto palpa a patela — sente o deslocamento e a resistência à reposição. Grau I-IV é determinado clinicamente.

Radiografia: avalia a conformação óssea, grau de artrose existente, e planeja a cirurgia (ângulo femoral, alinhamento tibial).

Tratamento

Conservador (Graus I e selecionados do II)

Indicado quando: claudicação leve e infrequente, qualidade de vida mantida, sem progressão.

  • Controle de peso: obesidade aumenta a carga sobre o joelho — cão magro é a intervenção de maior impacto
  • Fisioterapia: fortalecimento da musculatura periarticular (quadríceps, isquiotibiais) — sustenta o joelho e retarda a progressão
  • Suplementação de cartilagem: omega-3, condroitina, glucosamina, UC-II — evidência limitada mas sem contraindicação
  • Anti-inflamatório: apenas quando há episódios de dor — não em uso contínuo sem indicação
  • Restrição de atividade de impacto alto: saltos, escadas, superfícies escorregadias

Monitoramento: avaliação ortopédica a cada 6-12 meses para avaliar progressão.

Cirúrgico (Graus II com claudicação significativa, III e IV)

Objetivo: reposicionar anatomicamente a patela para que fique dentro do sulco.

Técnicas combinadas (a maioria dos casos requer mais de uma):

Trocleoplastia (aprofundamento do sulco femoral):

  • Sulco raso: a patela não tem onde deslizar
  • A cirurgia aprofunda o sulco, criando um "trilho" adequado para a patela
  • Técnica de trocleoplastia em cunha: bloco ósseo removido, aprofundado, reposicionado
  • Recorrência baixa quando bem executada

Transposição da Tuberosidade Tibial (TTO):

  • A patela é mantida em posição pelo tendão patelar — se o tendão não está alinhado, a patela desvia
  • A cirurgia repositiona o ponto de inserção do tendão (tuberosidade tibial) para alinhar adequadamente
  • Fixada com pino ou placa

Implicação da cápsula articular:

  • Afrouxamento do lado tensionado e apertamento do lado lasso para centralizar a patela

Prognóstico cirúrgico: excelente quando realizado antes de artrose severa — 90-95% de retorno à função normal.

Pós-operatório

  • Restrição de atividade por 6-8 semanas (guia curta, sem saltos)
  • Fisioterapia pós-operatória: hidroginástica, fortalecimento progressivo
  • Radiografia de controle para avaliar cicatrização óssea (6-8 semanas)

Artrose associada

Luxação de patela não tratada (especialmente graus III-IV) resulta em artrose progressiva do joelho — cartilagem desgasta pela posição anormal da patela.

Em casos com artrose estabelecida, a cirurgia trata a causa mecânica mas não reverte a artrose já instalada — daí a importância de intervir antes que a artrose avance.

Prevenção

  • Criadores responsáveis não cruzam animais com grau III ou IV
  • Controle de peso desde filhote — obesidade é fator modificável importante
  • Superfícies antiderrapantes em casa (carpetes, tapetes) — superfícies lisas aumentam a instabilidade do joelho
  • Rampas em vez de escadas para acesso a sofás e camas em raças predispostas

Perguntas frequentes

Como saber se meu cachorro tem luxação de patela?+

O sinal mais característico: o cão levanta a pata traseira por alguns passos ao caminhar — como se 'saltasse' com 3 patas — e depois volta ao normal. Isso acontece porque a patela saiu do sulco femoral (deslocou) e o cão flexiona a perna para recolocá-la. Em casos mais graves: claudicação constante, pata apoiando de forma anormal, o cão não coloca o peso na perna. Em casos leves, o tutor pode nem perceber. A confirmação é feita pelo veterinário com palpação específica do joelho.

Luxação de patela tem cura sem cirurgia?+

Grau I e alguns graus II: sim — tratamento conservador (fisioterapia, controle de peso, suplementação de cartilagem) pode manter o cão sem claudicação e sem progressão. Graus III e IV: geralmente requerem cirurgia. A cirurgia de aprofundamento do sulco femoral (trocleoplastia) e transposição da tuberosidade tibial repositiona a patela e a mantém no lugar. Sem cirurgia, os graus graves resultam em claudicação progressiva, artrose severa e dor crônica.

Quais raças têm mais luxação de patela?+

Luxação de patela medial (a patela desloca para dentro) é muito mais comum em raças pequenas: Yorkshire Terrier, Poodle Toy/Miniatura, Pomerânia, Chihuahua, Maltês, Shih Tzu, Lhasa Apso, Bichon Frisé, Papillon, Boston Terrier. Raças grandes podem ter luxação lateral (a patela desloca para fora) — menos comum. Condição hereditária em muitas dessas raças — reprodutores responsáveis não cruzam animais com grau III ou IV.

Quando operar luxação de patela em cachorro?+

A decisão depende do grau e da qualidade de vida do cão: Grau I: não opera — monitoramento e controle de peso. Grau II: operar se claudicação frequente, progressão para grau III, ou o cão está em dor. Grau III: cirurgia indicada — claudicação constante, artrose progressiva sem tratamento. Grau IV: cirurgia urgente — patela sempre deslocada, o cão não usa a perna normalmente. A idade e as condições gerais de saúde também influenciam a decisão cirúrgica.