Saúde

Tosse dos Canis (Traqueobronquite): Sintomas, Contágio e Tratamento

A tosse dos canis é a gripe dos cães — altamente contagiosa, mas geralmente leve em cães vacinados. Saiba reconhecer, quando isolar e quando o veterinário é necessário.

26 de maio de 2026·4 min de leitura

Se você já viu um cão tossindo como se tivesse engolido algo, com aquela tosse seca e repetitiva que parece pigarrear — provavelmente foi tosse dos canis. É uma das doenças respiratórias mais comuns em cães, especialmente em animais que frequentam ambientes com outros cães (pet shops, canis, creches, parques).

O que é a tosse dos canis

O nome técnico é traqueobronquite infecciosa canina — uma inflamação da traqueia e brônquios causada por uma combinação de agentes infecciosos, frequentemente:

Agentes bacterianos:

  • Bordetella bronchiseptica — o principal agente bacteriano
  • Mycoplasma spp.

Agentes virais:

  • Vírus parainfluenza canino (CPiV)
  • Adenovírus canino tipo 2 (CAV-2)
  • Herpesvírus canino

Na maioria dos casos, a doença é causada por múltiplos agentes simultaneamente — daí a variação na severidade.

Como se transmite

A tosse dos canis é extremamente contagiosa entre cães.

Formas de transmissão:

  • Aerossol (tosse, espirro de cão infectado)
  • Contato direto com secreções
  • Superfícies contaminadas (tigelas, brinquedos, guias)
  • O vírus pode sobreviver horas a dias no ambiente

Locais de alto risco:

  • Canis e creches para cães
  • Pet shops com área de banho e tosa compartilhada
  • Parques com alta densidade de cães
  • Exposições e eventos

Período de incubação: 3-10 dias. Um cão pode estar transmitindo antes de mostrar sintomas.

Sintomas

Forma leve (mais comum)

  • Tosse seca e áspera — característica: parece que o cão está tentando tirar algo da garganta
  • Pigarro após a tosse — pode expectorar pequena quantidade de muco
  • Tosse se intensifica após exercício ou excitação
  • Espirros ocasionais
  • Leve coriza
  • Cão mantém apetite, disposição e energia — esse é o dado chave da forma leve

Forma moderada

  • Tosse mais frequente e intensa
  • Secreção nasal mucopurulenta
  • Leve febre
  • Alguma redução de apetite e letargia
  • Ainda não há comprometimento respiratório

Forma grave (complicada)

  • Febre alta (acima de 40°C)
  • Letargia intensa
  • Perda de apetite significativa
  • Pneumonia: respiração rápida e superficial, dispneia
  • Secreções purulentas em abundância

Quem tem maior risco de forma grave: filhotes, idosos, cães imunossuprimidos ou com doença de base.

Diagnóstico

Geralmente clínico — combinação de:

  • Histórico de exposição (canil, creche, parque)
  • Tosse característica
  • Ausência de outros sinais graves

Confirmação laboratorial (PCR para agentes específicos) não é necessária em casos leves, mas útil em casos graves ou surtos em canis.

Radiografia: recomendada se suspeita de pneumonia (tosse com comprometimento respiratório).

Tratamento

Casos leves

  • Repouso: evitar exercício e excitação — a tosse se intensifica com atividade
  • Isolamento de outros cães: obrigatório por 2-3 semanas
  • Umidificador ou vapor: pode aliviar a irritação da traqueia
  • Coleira → peitoral: coleira pode pressionar a traqueia e piorar a tosse — substitua por peitoral temporariamente
  • Observação: monitorar piora dos sintomas

Antibióticos podem ser prescritos pelo veterinário para cobrir Bordetella mesmo em casos aparentemente leves — a decisão depende do quadro clínico.

Casos moderados a graves

  • Antibioticoterapia sistêmica (doxiciclina, amoxicilina-clavulanato ou outros conforme quadro)
  • Anti-inflamatórios para reduzir inflamação das vias aéreas
  • Broncodilatadores se necessário
  • Fluidoterapia em casos de desidratação
  • Internação se pneumonia confirmada

Nunca use antibióticos humanos em cães sem prescrição veterinária — amoxicilina humana tem dosagem e formulação diferentes; outros antibióticos como metronidazol e quinolonas têm toxicidade variável em cães.

Isolamento: quanto tempo?

  • Mínimo: 2 semanas após início dos sintomas
  • Ideal: até 3 semanas ou até confirmação veterinária de que o cão não é mais contagioso
  • Isso vale mesmo que o cão pareça muito melhor — pode continuar excretando os agentes

Não leve o cão ao parque, à creche ou ao pet shop durante o período de isolamento. É questão de responsabilidade com outros tutores.

Prevenção: vacina e higiene

Vacina

V8/V10 (polivalente): inclui proteção contra adenovírus canino tipo 2 e parainfluenza — reduz a severidade, mas não previne todas as formas.

Vacina intranasal ou injetável de Bordetella: proteção específica contra o principal agente bacteriano. Recomendada especialmente para:

  • Cães que frequentam canil, creche ou pet shop regularmente
  • Cães que vão para exposições
  • Cães em áreas urbanas com alta densidade de outros cães

A vacina de Bordetella pode ser aplicada a partir de 8 semanas e recomendada a cada 6-12 meses para cães de alto risco.

Higiene em canis e creches

  • Exigir comprovação de vacinação para entrada
  • Desinfecção de superfícies (solução de hipoclorito de sódio a 1:32)
  • Ventilação adequada
  • Separação de animais doentes imediatamente

Quando ir ao veterinário urgente

  • Febre acima de 39,5°C
  • Letargia intensa — cão não quer se mover, não responde normalmente
  • Tosse que progride para respiração difícil (dispneia)
  • Filhote com qualquer grau de sintoma — maior risco de complicação
  • Cão idoso ou com doença de base
  • Não melhora após 5-7 dias de forma leve

Perguntas frequentes

Quais são os sintomas da tosse dos canis?+

O sinal mais característico é uma tosse seca, áspera e intensa — às vezes seguida de pigarro ou expectoração de muco. O cão parece estar tentando vomitar ou tirar algo da garganta. Pode haver coriza (secreção nasal), espirros e leve letargia. Em casos leves, o cão mantém apetite e energia normal. Febre alta, letargia intensa, falta de apetite e respiração difícil indicam complicação e exigem veterinário urgente.

Tosse dos canis passa sozinha?+

Em casos leves, sim — em 1-3 semanas com repouso e sem complicações. Mas 'passar sozinha' não significa ignorar: isolamento é obrigatório para evitar contágio; monitoramento de complicações (pneumonia) é necessário; e alguns casos requerem antibióticos para infecção bacteriana secundária. Nunca medicalize com antibióticos humanos sem orientação veterinária.

Cachorro vacinado pode pegar tosse dos canis?+

Pode, mas com menor severidade. A vacina da tosse dos canis (Bordetella bronchiseptica, incluída em algumas polivalentes ou disponível separadamente) não previne 100% a infecção — mas reduz muito a gravidade. Cão vacinado que pega tosse dos canis geralmente tem curso mais breve e leve, com menor risco de pneumonia.

Quanto tempo dura a tosse dos canis?+

Em casos não complicados: 1-3 semanas. A tosse tende a ser mais intensa na primeira semana e diminui progressivamente. Cões podem permanecer contagiosos por 2-3 semanas após o início dos sintomas, mesmo parecendo melhores. O isolamento de outros cães deve ser mantido durante esse período.