Glaucoma em Cachorro: Sintomas, Causas e Tratamento
Glaucoma é o aumento da pressão intraocular que destrói o nervo óptico e causa cegueira. É emergência oftalmológica — cada hora sem tratamento causa dano irreversível. Dor intensa, olho avermelhado e midríase são os sinais principais.
O glaucoma é o aumento da pressão intraocular acima do nível que o nervo óptico e a retina conseguem suportar. Quando a pressão excede esse limiar, ocorre dano irreversível às células ganglionares da retina e às fibras do nervo óptico — o resultado é cegueira permanente. Em cães, o glaucoma é uma das emergências oftalmológicas mais comuns e, sem tratamento imediato, causa cegueira em horas a dias.
Como o glaucoma ocorre
O humor aquoso — líquido que nutre o cristalino e a córnea — é produzido pelo corpo ciliar e drena pelo ângulo de filtração (ângulo iridocorneal). Quando essa drenagem é bloqueada ou insuficiente, o líquido acumula e a pressão aumenta.
Pressão intraocular normal em cães: 10-25 mmHg (medida com tonômetro).
Pressão em glaucoma agudo: frequentemente 40-60 mmHg ou mais — causa dor intensa e dano rápido ao nervo óptico.
Tipos de glaucoma
Glaucoma Primário
Causa genética/estrutural — o ângulo de drenagem é anômalo por predisposição da raça.
Glaucoma de ângulo fechado (primário de ângulo fechado — GPAC): o ângulo iridocorneal é estreito ou fecha por deslocamento da íris ou cristalino — o mais comum em raças predispostas. Início frequentemente agudo e dramático.
Glaucoma de ângulo aberto (GPAA): o ângulo parece aberto mas drena inadequadamente — progressão mais lenta e insidiosa. Menos comum em cães que em humanos.
Glaucoma Secundário
Ocorre como consequência de outra condição oftalmológica:
- Uveíte crônica — inflamação intraocular gera resíduos que obstruem a drenagem
- Luxação de cristalino — deslocamento do cristalino obstrui o ângulo
- Catarata hipermadura — proteínas do cristalino vazam e obstruem o trabéculo
- Tumor intraocular — ocupa espaço e comprime as estruturas de drenagem
- Hifema — sangue na câmara anterior
- Sinéquias — aderências entre íris e córnea ou cristalino
Raças predispostas (glaucoma primário)
Risco muito alto:
- American Cocker Spaniel (prevalência de 5-15%)
- Basset Hound
- Welsh Springer Spaniel
Risco moderado a alto:
- Beagle
- Chow Chow
- Shar-Pei
- Husky Siberiano
- Samoyeda
- Dálmata
- Labrador Retriever (linhas específicas)
- Jack Russell Terrier (luxação de cristalino hereditária — glaucoma secundário)
Sinais clínicos
Glaucoma Agudo — Emergência
- Olho intensamente avermelhado — injeção escleral e epiescleral
- Midríase — pupila dilatada, sem resposta à luz
- Córnea opaca ou azulada — edema de córnea por pressão elevada
- Dor evidente — o cão esfrega o olho, fica relutante a ser tocado na cabeça, diminui atividade
- Lacrimejamento excessivo
- Blefarospasmo — piscar forçado
Glaucoma Crônico
- Buftalmia — olho visivelmente maior que o contralateral, pois a esclera cede gradualmente com a pressão crônica
- Escavação óptica — visível na fundoscopia
- Perda de visão progressiva — o cão começa a bater em objetos, hesita em ambientes escuros, perde interesse em brincar
- Menor expressão de dor — pode enganar o tutor de que a situação "melhorou"
Diagnóstico
Tonometria: medição da pressão intraocular — ferramenta diagnóstica fundamental.
- Tonômetro de aplanação (Tonopen) ou rebote (Tonovet) — ambos usados em cães
- PIO > 25 mmHg: suspeita de glaucoma
- PIO > 30 mmHg em olho com sinais: glaucoma até prova em contrário
Gonioscopia: visualização direta do ângulo de filtração — determina se é ângulo aberto ou fechado. Fundamental para o olho contralateral ainda sadio em cães com glaucoma primário unilateral.
Fundoscopia: avaliar nervo óptico — escavação óptica (cupping) sugere glaucoma crônico.
Ultrassonografia ocular: avaliar corpo ciliar, cristalino e câmara posterior — especialmente em córneas opacas onde o exame direto é impossível.
Tratamento
Crise Aguda — Reduzir a Pressão Imediatamente
Manitol IV: agente osmótico — reduz a produção de humor aquoso e drena líquido do compartimento intraocular. Efeito rápido (30-60 minutos). Dose: 1-2 g/kg IV lento.
Dorzolamida colírio: inibidor da anidrase carbônica — reduz produção de humor aquoso. Aplicado a cada 8h.
Timolol colírio: betabloqueador — reduz produção de humor aquoso. Associado à dorzolamida com efeito sinérgico.
Latanoprosta colírio: análogo de prostaglandina — aumenta a drenagem uveoescleral. Altamente eficaz em reduzir a pressão — mas contraindicada em glaucoma secundário a uveíte ou luxação de cristalino.
Tratamento Crônico
Combinação de colírios antiglaucomatosos em esquema regular:
- Dorzolamida 2% + timolol 0,5% (combinação fixa — mais prática)
- ± latanoprosta (se indicada)
- Monitoramento periódico da pressão intraocular
Cirurgia
Gonioimplantes (válvulas de Ahmed, tubos de Baerveldt): dispositivos que criam canal de drenagem artificial — eficazes em casos refratários aos colírios.
Ciclofotocoagulação a laser: destruição de parte do corpo ciliar para reduzir produção de humor aquoso.
Cirurgia de luxação de cristalino: extração do cristalino luxado remove a causa do glaucoma secundário.
Olho Cego e Doloroso
Quando o olho perdeu a visão permanentemente (avaliado por resposta à ameaça, reflexo pupilar, ERG), mas continua causando dor com pressão elevada — enucleação (remoção do bulbo ocular) é frequentemente a melhor escolha humanitária:
- Elimina a dor crônica definitivamente
- O cão adapta-se bem à vida com um olho
- Implante ocular de silicone (prótese intrascleral) mantém aparência estética razoável
Olho contralateral — prevenção profilática
Em cães com glaucoma primário unilateral, o olho contralateral tem 50% de risco de desenvolver glaucoma dentro de 8 meses. Recomendação:
- Gonioscopia do olho sadio — avaliar morfologia do ângulo
- Colírios profiláticos (latanoprosta) no olho sadio — reduz e retarda o desenvolvimento de glaucoma
- Monitoramento frequente da PIO
Prognóstico
Glaucoma secundário: depende da causa — se tratável (uveíte controlada, cristalino extraído), o glaucoma pode ser controlado com sucesso.
Glaucoma primário: progressivo. Com tratamento agressivo, visão pode ser preservada por meses a anos. Sem tratamento: cegueira em dias a semanas. A maioria dos cães com glaucoma primário eventualmente perde a visão — o objetivo é maximizar o tempo de visão com boa qualidade de vida.
O diagnóstico precoce é o fator mais importante — cão com crise de glaucoma tratado dentro de 24-48h tem chance real de preservar visão; tratado depois de 72h: raramente.
Perguntas frequentes
Como saber se meu cachorro está com glaucoma?+
Os sinais de glaucoma em cães: olho avermelhado intenso (injeção escleral); pupila dilatada (midríase) que não responde à luz; olho aparentemente maior que o outro (buftalmia — em casos crônicos); córnea azulada ou opaca (edema de córnea por aumento de pressão); comportamento de dor — esfregar o olho, piscar excessivamente, relutância em ser tocado na cabeça; lacrimejamento excessivo; perda de visão (o cão começa a bater em objetos). O glaucoma agudo é emergência — olho muito vermelho + pupila dilatada + dor = ir ao veterinário de emergência imediatamente.
O glaucoma em cachorro tem cura?+
Depende do tipo e da rapidez do diagnóstico. Glaucoma secundário (causado por outra doença) pode ser controlado se a causa for tratada. Glaucoma primário (genético) é progressivo e irreversível — o objetivo é desacelerar a perda de visão e controlar a dor. Se o olho já perdeu a visão de forma permanente, a enucleação (remoção cirúrgica do olho) é frequentemente recomendada para eliminar a dor crônica, pois o olho sem visão continua causando dor. Diagnóstico precoce é crucial — pressão controlada no primeiro episódio pode preservar visão por meses a anos.
Quais raças têm mais risco de glaucoma?+
Raças com maior predisposição a glaucoma primário: American Cocker Spaniel (muito alta — ângulo de drenagem anormal), Basset Hound, Beagle, Chow Chow, Shar-Pei, Husky Siberiano, Samoyeda, Dálmata, Welsh Springer Spaniel. Glaucoma de ângulo fechado é o tipo mais comum em raças predispostas. No Chow Chow e Shar-Pei, a predisposição é ligada à estrutura facial com excesso de pele ao redor dos olhos. Criadores responsáveis fazem exames CAER (certificação oftalmológica) nos reprodutores.
Como é o tratamento do glaucoma em cachorro?+
Tratamento emergencial (crise aguda): reduzir a pressão intraocular rapidamente — manitol intravenoso (agente osmótico), dorzolamida colírio (inibidor de anidrase carbônica), timolol colírio (betabloqueador). Tratamento crônico: colírios antiglaucomatosos (dorzolamida, timolol, latanoprosta — análogo de prostaglandina) em esquema diário; monitoramento regular da pressão com tonômetro. Cirurgia: gonioimplantes (dispositivos para drenagem de humor aquoso) em casos refratários. Olho cego e doloroso: enucleação ou evisceração com implante — elimina dor, resultado estético aceitável.
Continue lendo
Vacina de Gripe para Cachorro (Bordetella): O Que É e Quando Usar
A vacina contra tosse dos canis (Bordetella bronchiseptica) protege cães que frequentam ambientes coletivos. Entenda quando é indicada, com que frequência aplicar e como funciona.
Urolitíase em Cachorro: Cálculos Urinários — Tipos, Sintomas e Tratamento
Urolitíase é a formação de cálculos (pedras) no sistema urinário de cães. Estruvita e oxalato de cálcio são os mais comuns. Causa obstrução urinária — emergência em machos. Tratamento depende do tipo de cálculo.
Tumor de Mama em Cachorra: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
Tumor de mama é o câncer mais comum em cadelas não castradas — 50% são malignos. Castração antes do primeiro cio reduz o risco para menos de 1%. Saiba identificar e tratar.