Criptorquidismo em Cães: Testículo Não Desceu — O Que Fazer
Criptorquidismo é quando um ou ambos os testículos não descem até a bolsa escrotal. É hereditário, aumenta o risco de tumor e exige castração. Saiba quando agir.
Se você notou que o cachorro macho tem apenas um testículo visível — ou nenhum — na bolsa escrotal, provavelmente está diante de criptorquidismo. É uma condição comum, hereditária e que exige atenção, não por ser urgente imediatamente, mas pelo risco que se acumula com o tempo.
O que acontece normalmente
Em filhotes do sexo masculino, os testículos se formam dentro do abdômen e migram para a bolsa escrotal ainda durante o desenvolvimento fetal ou nas primeiras semanas de vida.
Linha do tempo normal:
- Ao nascer: testículos podem ainda estar no abdômen
- 2-4 semanas: geralmente já palpáveis no escroto
- 2-4 meses: definitivamente descidos
- 6 meses: prazo máximo geralmente aceito para esperar descida espontânea
O que é criptorquidismo
Quando um ou ambos os testículos falham em completar o trajeto até o escroto, ficam retidos em algum ponto do percurso.
Localização possível do testículo retido:
- Abdominal: o mais grave — ainda dentro da cavidade abdominal, próximo ao rim
- Inguinal: preso no canal inguinal (região da virilha)
- Pré-escrotal: perto do escroto mas sem entrar nele
Unilateral (um testículo): o mais comum. O cão tem um testículo em posição normal e um retido.
Bilateral (dois testículos retidos): menos comum. O cão é estéril (os testículos retidos não produzem esperma viável devido à temperatura).
Raças predispostas
O criptorquidismo tem componente hereditário claro. Raças com maior prevalência:
- Yorkshire Terrier
- Chihuahua
- Maltês
- Poodle (miniatura e toy)
- Boxer
- Siberian Husky
- Pomeranian (Spitz Anão)
- Dachshund
- Shih Tzu
Isso não significa que outras raças não sejam afetadas — apenas que nessas a prevalência é documentalmente maior.
Por que é importante tratar
Risco de tumor testicular
Este é o principal motivo para agir. O testículo retido — especialmente o abdominal — está em ambiente mais quente e com circulação diferente. Isso aumenta drasticamente o risco de neoplasia.
Risco comparativo: estimativas indicam que testículo criptorquídeo tem 10-14 vezes mais risco de desenvolver tumor que testículo em posição normal.
Tipos de tumor: seminoma, Sertoli cell tumor (células de Sertoli), interstitial cell tumor. O tumor de células de Sertoli pode produzir estrogênio — causando feminização do macho (ginecomastia, alopecia bilateral).
Torção testicular
Testículo abdominal pode torcer (torção de pedículo) — emergência cirúrgica que causa dor intensa e progressiva. O cão demonstra abdômen doloroso agudo.
Esterilidade bilateral
Cão bilateral criptorquídeo não tem esperma viável — é estéril. O ambiente mais quente do abdômen inviabiliza a produção de espermatozoides.
Diagnóstico
Exame físico: o veterinário palpa o escroto e o canal inguinal. Testículo não palpável em nenhum dos locais indica retenção abdominal.
Ultrassom: para localizar testículo retido abdominal — aparece como estrutura oval hipoecogênica na região abdominal.
Tratamento
Única opção indicada: cirurgia (castração completa).
Não existem tratamentos medicamentosos ou hormonais com evidência de eficácia que justifiquem substituição cirúrgica.
A cirurgia remove:
- O testículo retido (onde quer que esteja — inguinal ou abdominal)
- O testículo em posição normal
Por que remover também o testículo normal? Para:
- Castração completa e definitiva
- Evitar que o cão transmita o gene do criptorquidismo
- Prevenir problemas futuros no testículo normal
Complexidade cirúrgica:
- Testículo inguinal: cirurgia relativamente simples
- Testículo abdominal: cirurgia abdominal (laparotomia) — mais complexa, tempo de recuperação maior
Quando operar: entre 6 e 12 meses é o recomendado. Aguardar muito tempo aumenta o risco acumulado de tumor.
Reprodução e genética
Cão criptorquídeo não deve ser reproduzido — a condição é hereditária. Um cão unilateral que parece fértil (tem o testículo normal funcionante) vai transmitir a predisposição genética para a prole.
Criadores responsáveis: não utilizam machos criptorquídeos para reprodução e descartam linhagens com alta incidência.
O que fazer se suspeitar
- Leve o filhote ao veterinário entre 2-4 meses — o exame de rotina deve incluir palpação testicular
- Se confirmado, agende a castração para entre 6-12 meses
- Não aguarde anos — o risco de tumor aumenta com o tempo
- Informe futuros tutores de filhotes se souber que o pai ou mãe são portadores
Perguntas frequentes
O que é criptorquidismo em cachorro?+
Criptorquidismo é a condição em que um (unilateral) ou ambos (bilateral) os testículos não desceram ao saco escrotal até a idade esperada. O testículo fica retido no abdômen ou no canal inguinal. É a anomalia reprodutiva mais comum em machos caninos — prevalência de 1-10% dependendo da raça. É condição hereditária e cães afetados não devem ser reproduzidos.
O testículo do cachorro pode descer depois?+
Em geral não — se o testículo não desceu até os 2-4 meses de idade, a probabilidade de descida espontânea é muito baixa. Alguns veterinários aguardam até 6 meses antes de confirmar o diagnóstico definitivo. Medicamentos e hormônios não são tratamento recomendado — a única intervenção indicada é a castração (remoção cirúrgica do testículo retido).
Criptorquidismo é perigoso para o cachorro?+
Sim — testículo retido tem risco muito maior de desenvolver tumor que testículo em posição normal. Estima-se que o risco de neoplasia em testículo criptorquídeo seja 10-14 vezes maior que o normal. O tumor testicular em testículo retido abdominal pode ser especialmente grave. Além disso, testículo retido no abdômen está sujeito a temperatura maior, comprometendo a espermatogênese e podendo torcer (torção testicular).
Quando operar cachorro com criptorquidismo?+
A cirurgia é recomendada entre 6 e 12 meses — antes que o risco de tumor se torne significativo. Quanto mais tempo o testículo retido permanece sem ser removido, maior o risco acumulado de neoplasia. A cirurgia consiste na remoção do testículo retido (às vezes abdominal, o que exige cirurgia mais elaborada) e do testículo escrotal — castração completa.
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