Saúde

Criptorquidismo em Cães: Testículo Não Desceu — O Que Fazer

Criptorquidismo é quando um ou ambos os testículos não descem até a bolsa escrotal. É hereditário, aumenta o risco de tumor e exige castração. Saiba quando agir.

26 de maio de 2026·3 min de leitura

Se você notou que o cachorro macho tem apenas um testículo visível — ou nenhum — na bolsa escrotal, provavelmente está diante de criptorquidismo. É uma condição comum, hereditária e que exige atenção, não por ser urgente imediatamente, mas pelo risco que se acumula com o tempo.

O que acontece normalmente

Em filhotes do sexo masculino, os testículos se formam dentro do abdômen e migram para a bolsa escrotal ainda durante o desenvolvimento fetal ou nas primeiras semanas de vida.

Linha do tempo normal:

  • Ao nascer: testículos podem ainda estar no abdômen
  • 2-4 semanas: geralmente já palpáveis no escroto
  • 2-4 meses: definitivamente descidos
  • 6 meses: prazo máximo geralmente aceito para esperar descida espontânea

O que é criptorquidismo

Quando um ou ambos os testículos falham em completar o trajeto até o escroto, ficam retidos em algum ponto do percurso.

Localização possível do testículo retido:

  • Abdominal: o mais grave — ainda dentro da cavidade abdominal, próximo ao rim
  • Inguinal: preso no canal inguinal (região da virilha)
  • Pré-escrotal: perto do escroto mas sem entrar nele

Unilateral (um testículo): o mais comum. O cão tem um testículo em posição normal e um retido.

Bilateral (dois testículos retidos): menos comum. O cão é estéril (os testículos retidos não produzem esperma viável devido à temperatura).

Raças predispostas

O criptorquidismo tem componente hereditário claro. Raças com maior prevalência:

  • Yorkshire Terrier
  • Chihuahua
  • Maltês
  • Poodle (miniatura e toy)
  • Boxer
  • Siberian Husky
  • Pomeranian (Spitz Anão)
  • Dachshund
  • Shih Tzu

Isso não significa que outras raças não sejam afetadas — apenas que nessas a prevalência é documentalmente maior.

Por que é importante tratar

Risco de tumor testicular

Este é o principal motivo para agir. O testículo retido — especialmente o abdominal — está em ambiente mais quente e com circulação diferente. Isso aumenta drasticamente o risco de neoplasia.

Risco comparativo: estimativas indicam que testículo criptorquídeo tem 10-14 vezes mais risco de desenvolver tumor que testículo em posição normal.

Tipos de tumor: seminoma, Sertoli cell tumor (células de Sertoli), interstitial cell tumor. O tumor de células de Sertoli pode produzir estrogênio — causando feminização do macho (ginecomastia, alopecia bilateral).

Torção testicular

Testículo abdominal pode torcer (torção de pedículo) — emergência cirúrgica que causa dor intensa e progressiva. O cão demonstra abdômen doloroso agudo.

Esterilidade bilateral

Cão bilateral criptorquídeo não tem esperma viável — é estéril. O ambiente mais quente do abdômen inviabiliza a produção de espermatozoides.

Diagnóstico

Exame físico: o veterinário palpa o escroto e o canal inguinal. Testículo não palpável em nenhum dos locais indica retenção abdominal.

Ultrassom: para localizar testículo retido abdominal — aparece como estrutura oval hipoecogênica na região abdominal.

Tratamento

Única opção indicada: cirurgia (castração completa).

Não existem tratamentos medicamentosos ou hormonais com evidência de eficácia que justifiquem substituição cirúrgica.

A cirurgia remove:

  • O testículo retido (onde quer que esteja — inguinal ou abdominal)
  • O testículo em posição normal

Por que remover também o testículo normal? Para:

  1. Castração completa e definitiva
  2. Evitar que o cão transmita o gene do criptorquidismo
  3. Prevenir problemas futuros no testículo normal

Complexidade cirúrgica:

  • Testículo inguinal: cirurgia relativamente simples
  • Testículo abdominal: cirurgia abdominal (laparotomia) — mais complexa, tempo de recuperação maior

Quando operar: entre 6 e 12 meses é o recomendado. Aguardar muito tempo aumenta o risco acumulado de tumor.

Reprodução e genética

Cão criptorquídeo não deve ser reproduzido — a condição é hereditária. Um cão unilateral que parece fértil (tem o testículo normal funcionante) vai transmitir a predisposição genética para a prole.

Criadores responsáveis: não utilizam machos criptorquídeos para reprodução e descartam linhagens com alta incidência.

O que fazer se suspeitar

  1. Leve o filhote ao veterinário entre 2-4 meses — o exame de rotina deve incluir palpação testicular
  2. Se confirmado, agende a castração para entre 6-12 meses
  3. Não aguarde anos — o risco de tumor aumenta com o tempo
  4. Informe futuros tutores de filhotes se souber que o pai ou mãe são portadores

Perguntas frequentes

O que é criptorquidismo em cachorro?+

Criptorquidismo é a condição em que um (unilateral) ou ambos (bilateral) os testículos não desceram ao saco escrotal até a idade esperada. O testículo fica retido no abdômen ou no canal inguinal. É a anomalia reprodutiva mais comum em machos caninos — prevalência de 1-10% dependendo da raça. É condição hereditária e cães afetados não devem ser reproduzidos.

O testículo do cachorro pode descer depois?+

Em geral não — se o testículo não desceu até os 2-4 meses de idade, a probabilidade de descida espontânea é muito baixa. Alguns veterinários aguardam até 6 meses antes de confirmar o diagnóstico definitivo. Medicamentos e hormônios não são tratamento recomendado — a única intervenção indicada é a castração (remoção cirúrgica do testículo retido).

Criptorquidismo é perigoso para o cachorro?+

Sim — testículo retido tem risco muito maior de desenvolver tumor que testículo em posição normal. Estima-se que o risco de neoplasia em testículo criptorquídeo seja 10-14 vezes maior que o normal. O tumor testicular em testículo retido abdominal pode ser especialmente grave. Além disso, testículo retido no abdômen está sujeito a temperatura maior, comprometendo a espermatogênese e podendo torcer (torção testicular).

Quando operar cachorro com criptorquidismo?+

A cirurgia é recomendada entre 6 e 12 meses — antes que o risco de tumor se torne significativo. Quanto mais tempo o testículo retido permanece sem ser removido, maior o risco acumulado de neoplasia. A cirurgia consiste na remoção do testículo retido (às vezes abdominal, o que exige cirurgia mais elaborada) e do testículo escrotal — castração completa.