Conjuntivite em Cachorro: Causas, Sintomas e Tratamento
A conjuntivite canina é inflamação da conjuntiva — pode ser bacteriana, viral, alérgica, por corpo estranho ou secundária a doença sistêmica (cinomose). Secreção mucopurulenta bilateral, olhos vermelhos, blefarospasmo. Diagnóstico inclui Schirmer (excluir olho seco), fluorescência (excluir úlcera). Colírio antibiótico é eficaz na forma bacteriana.
O Cocker Spaniel de 5 anos chegou com os dois olhos vermelhos e secreção amarelada espessa. O tutor havia comprado colírio com corticoide na farmácia — "igual ao que o veterinário passou ano passado".
Fluorescência: positiva. Havia uma úlcera estromal bilateral.
Corticoide sobre úlcera de córnea é uma das combinações mais perigosas em oftalmologia veterinária — inibe a cicatrização e ativa colagenases que fundem a córnea.
A causa da conjuntivite crônica do Cocker? Queratoconjuntivite seca. Schirmer bilateral: 6 mm/min.
As Causas — Ordem de Prevalência
| Causa | Característica | |---|---| | Bacteriana secundária | Secreção mucopurulenta; frequentemente secundária | | Alérgica (atopia) | Bilateral, crônica ou sazonal; prurido facial | | Olho seco (QCS) | Secreção viscosa; Schirmer < 10mm/min | | Corpo estranho | Unilateral; blefarospasmo intenso | | Viral (cinomose) | Bilateral; outros sinais sistêmicos | | Entrópio/ectrópio | Crônica; raças predispostas |
O Protocolo Diagnóstico — Ordem Importa
1. Schirmer → excluir QCS
2. Fluorescência → excluir úlcera
3. Biomicroscopia → entrópio, pelos aberrantes
4. Citologia → direcionar tratamento
Atalhar esse protocolo causa erros graves — o caso do Cocker acima é exemplo.
A Regra Absoluta do Corticoide
| Condição | Corticoide tópico | |---|---| | Conjuntivite alérgica + córnea íntegra | Pode (com cautela) | | QCS | NUNCA | | Úlcera de córnea (fluorescência +) | NUNCA | | Ceratite herpética | NUNCA |
Secreção — O Que o Aspecto Informa
| Aspecto | Causa provável | |---|---| | Serosa, aquosa, clara | Viral, alérgica inicial | | Mucoide, branca | Alérgica, QCS | | Mucopurulenta, amarela/verde | Bacteriana | | Bilateral + sinais sistêmicos | Cinomose — urgência |
Prognóstico
| Tipo | Prognóstico | |---|---| | Bacteriana primária + antibiótico | Excelente — 7-14 dias | | Alérgica + controle atopia | Bom — controle crônico | | QCS + ciclosporina | Bom a moderado — tratamento vitalício | | Neonatal tratado cedo | Excelente | | Cinomose | Variável — depende da fase |
Perguntas frequentes
Quais são as causas da conjuntivite em cachorros?+
A conjuntivite canina raramente é uma doença primária isolada — frequentemente é sinal de outra condição. Causas principais: 1. Bacteriana primária: Staphylococcus pseudintermedius, Streptococcus spp., Pasteurella; frequentemente secundária a outro problema (entrópio, corpo estranho, olho seco); 2. Viral: cinomose (Morbillivirus canino): secreção conjuntival bilateral é um dos primeiros sinais — precede a fase neurológica; Herpesvírus canino (CHV-1): filhotes neonatos — 'puppy ocular herpes'; 3. Alérgica: atopia canina — frequentemente bilateral, sazonal ou crônica; associada a prurido facial, otite recorrente; 4. Corpo estranho: semente de capim, folha, areia; frequentemente unilateral; blefarospasmo intenso; 5. Entrópio/ectrópio: dobramento das pálpebras (para dentro/fora) que irrita cronicamente a conjuntiva; raças predispostas: Chow-Chow, Shar-Pei, Basset, Bulldog; 6. Olho seco (Queratoconjuntivite Seca/QCS): ausência de lágrima → irritação crônica → conjuntivite secundária; Schirmer < 10 mm/min; 7. Uveíte anterior: inflamação intraocular — conjuntiva hiperêmica, dor; urgência veterinária; 8. Neonatal: filhotes com pálpebras ainda fechadas (abertas aos 10-14 dias) — infecção purulenta atrás das pálpebras.
Quais são os sinais de conjuntivite e como o veterinário diagnostica?+
Sinais clínicos: variam conforme a causa. Secreção: serosa (aquosa, clara): viral, alérgica inicial; mucoide (branca, viscosa): alérgica, QCS inicial; mucopurulenta (amarelada/esverdeada, espessa): bacteriana; hemorrágica: trauma, coagulopatia; Olho vermelho (hiperemia conjuntival): presente em todas as formas; Blefarospasmo (piscar excessivo, olho fechado): dor ocular — corpo estranho, úlcera, uveíte; Quemose (edema da conjuntiva): inchaço visível da conjuntiva; alérgica ou inflamatória grave; Diagnóstico (passos em ordem): 1. Teste de Schirmer: SEMPRE — excluir QCS antes de qualquer tratamento; < 10 mm/min = QCS → não usar corticoide, usar ciclosporina; 2. Fluoresceína: corar para excluir úlcera de córnea; NÃO usar corticoide tópico se fluorescência positiva (úlcera + corticoide = úlcera que funde); 3. Biomicroscopia: verificar entrópio/ectrópio, pelos aberrantes; 4. Citologia conjuntival: neutrófilos = bacteriana; eosinófilos = alérgica; células inclui = viral (cinomose); 5. Cultura e antibiograma: em casos refratários.
Como tratar a conjuntivite canina?+
Tratamento: depende da causa — tratar sintomaticamente sem diagnóstico é erro comum. Conjuntivite bacteriana primária/secundária: colírio antibiótico: tobramicina, gentamicina, ou cloranfenicol; 4-6× ao dia por 7-14 dias; se não houver melhora em 5 dias: cultura e antibiograma; Conjuntivite alérgica: colírio de ciclosporina 0,2%: anti-inflamatório imunossupressor; sem risco de fusão de úlcera (ao contrário do corticoide); 2× ao dia, tratamento crônico em casos de atopia; colírio de corticoide (acetato de prednisolona 1%): eficaz, mas NUNCA se houver úlcera (fluorescência positiva); NUNCA na QCS; Conjuntivite neonatal: abrir as pálpebras gentilmente; limpar secreção com soro fisiológico; tobramicina tópica; Corpo estranho: remoção sob anestesia local; colírio antibiótico após remoção; Cuidados gerais: limpeza da secreção: soro fisiológico; NÃO limpar com algodão seco (irrita mais); evitar exposição a poeira/fumaça em conjuntivite alérgica; tratar a causa subjacente (entrópio, QCS, atopia) é fundamental para evitar recorrência.
Quando é urgência e como prevenir conjuntivite recorrente?+
Urgências oftálmicas: algumas condições associadas a 'olho vermelho' são urgências que não podem esperar. Sinais de urgência: Perda de visão súbita ou progressiva; Dor ocular intensa (blefarospasmo severo, o cão não deixa tocar o olho); Olho muito vermelho com pupila dilatada (glaucoma); Opacidade corneal súbita (úlcera profunda, edema grave); Olho aumentado de tamanho (glaucoma crônico); Lesão física direta no olho. Prevenção de conjuntivite recorrente: Vacinação em dia: cinomose é causa grave de conjuntivite bilateral — vacina multivalente protege; Controle de atopia: dermatite atópica → conjuntivite alérgica recorrente; tratar a atopia, não só o olho; Controle de pulgas: picada na face pode causar reação alérgica ocular; Raças braquicefálicas: exoftalmia (olhos proeminentes) — mais exposição a corpo estranho e ressecamento; umedecimento artificial e proteção; Triagem oftálmica em raças predispostas a entrópio: Chow-Chow, Shar-Pei, Bulldog — cirurgia corretiva preventiva evita conjuntivite crônica; Nunca usar colírios humanos sem orientação veterinária: alguns colírios humanos contêm conservantes tóxicos à córnea canina; corticoides + úlcera = fusão corneal.
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