Catarata em Cachorro: Sintomas, Causas e Tratamento
A catarata é opacidade do cristalino que compromete a visão. Em cães, pode ser hereditária, diabética ou senil. Tem tratamento cirúrgico com alta taxa de sucesso — mas exige diagnóstico precoce.
O cristalino é a lente do olho — estrutura transparente que foca a luz na retina. Quando perde a transparência (opacifica), temos a catarata. Para o cão, é progressão gradual de visão turva a cegueira — mas com diagnóstico e cirurgia no momento certo, a maioria recupera a visão.
O que é catarata (e o que não é)
Catarata: opacidade do cristalino que bloqueia a passagem de luz. Pode ser focal (pequena área), difusa (todo o cristalino) ou madura (cristalino completamente branco, visão comprometida). A luz não passa → imagem não se forma na retina → perda de visão.
Esclerose nuclear: não é catarata. É o endurecimento normal do cristalino com o envelhecimento — visualmente parece azulado ou acinzentado, mas a luz ainda passa. A visão é pouco afetada. Muito comum em cães acima de 7-8 anos. Sem tratamento necessário.
Como diferenciar: o oftalmologista usa oftalmoscópio com luz intensa. Na esclerose, o reflexo tapetal (brilho do fundo do olho) é visível através da opacidade. Na catarata, não.
Tipos de catarata em cães
Hereditária
A mais comum em raças jovens. Afeta principalmente:
- Labrador Retriever
- Golden Retriever
- Boston Terrier
- Cocker Spaniel
- Schnauzer
- Poodle
- Welsh Corgi
Pode se manifestar em filhotes (catarata congênita) ou em cães jovens (1-5 anos). Criadores responsáveis realizam exame ocular nos reprodutores.
Diabética
Cães com diabetes mellitus desenvolvem catarata rapidamente — em meses. O excesso de glicose altera o metabolismo do cristalino, causando absorção de água e opacificação.
Dado importante: aproximadamente 80% dos cães diabéticos desenvolvem catarata bilateral dentro de 16 meses do diagnóstico de diabetes. Controle glicêmico adequado não previne — apenas retarda.
Senil (relacionada à idade)
Desenvolve-se em cães idosos — distinta da esclerose nuclear. Progride mais lentamente que a diabética.
Traumática
Trauma ocular pode causar opacidade localizada do cristalino. Ferimento por objeto, arranhão ou contusão.
Secundária a uveíte
Inflamação intraocular pode causar ou acelerar a catarata.
Progressão e estágios
- Incipiente: opacidade leve, visão pouco afetada
- Imatura: opacidade crescente, visão comprometida mas ainda presente
- Madura: cristalino completamente opaco, visão muito reduzida a ausente
- Hipermadura: cristalino enrugado, proteínas vazam → uveíte induzida pela lens
O momento cirúrgico ideal: catarata imatura a madura, antes de hipermaturidade e das complicações.
Complicações da catarata não tratada
Uveíte induzida pela lens (LIU): proteínas do cristalino opaco "vazam" para o humor aquoso → reação inflamatória. Causa dor, vermelhidão, fotofobia. A inflamação crônica danifica estruturas oculares.
Glaucoma secundário: uveíte crônica pode comprometer a drenagem do humor aquoso → pressão intraocular aumenta → dor intensa, olho aumentado, dano permanente ao nervo óptico.
Luxação do cristalino: complicação rara mas possível.
Diagnóstico
Exame oftalmológico completo por especialista:
- Tonometria: medir pressão intraocular (descartar glaucoma)
- Eletrorretinograma (ERG): avaliar função da retina — a retina precisa estar funcionando para a cirurgia ter sentido
- Ultrassom ocular (modo B): avaliar estruturas internas se a catarata impede visualização direta
- Biomicroscopia: exame detalhado do cristalino
Tratamento: facoemulsificação
A cirurgia padrão é a facoemulsificação — o mesmo procedimento usado em humanos:
- Incisão microscópica na córnea
- Phaco probe: sonda de ultrassom que emulsifica (fragmenta e aspira) o cristalino opaco
- Implante de lente intraocular artificial (IOL) — restaura o foco
- Fechamento da incisão
Taxa de sucesso: 90-95% de visão funcional restaurada quando a retina está íntegra e a cirurgia é feita antes das complicações.
Recuperação: 4-6 semanas com colírios anti-inflamatórios e antibióticos. Colar elisabetano obrigatório. Restrição de exercício.
Sem cirurgia: colírios antioxidantes podem retardar levemente a progressão em estágios iniciais, mas não revertem a catarata existente. Não há medicamento que dissolva a catarata.
Acompanhamento pós-operatório
A maioria dos pacientes precisa de:
- Colírios múltiplos diários por 1-6 meses
- Consultas de retorno semanais no primeiro mês, depois mensais
- Monitoramento da pressão intraocular a longo prazo
Adaptação do cão com visão comprometida
Cão que perdeu visão progressivamente (como na catarata) geralmente adapta muito bem — usa olfato, tato e memória espacial.
Como ajudar:
- Não mova os móveis — o cão tem o mapa do ambiente memorizado
- Use tapetes com texturas diferentes para demarcar transições
- Sinalize com aromas (sprays específicos em portas, escadas)
- Anuncie-se antes de tocar o cão que não viu você chegar
- Sinos no coleira de outros animais da casa — o cão cego ouve onde estão
Cão cego pode ter vida plena — especialmente se a perda foi gradual.
Quando buscar oftalmologista veterinário
- Opacidade ocular visível (olho branco ou azulado)
- Cão tropeçando, hesitando em locais escuros
- Olho vermelho, com secreção ou aparência de dor
- Diagnóstico de diabetes — avaliação ocular imediata
- Raça predisposta com mais de 3-4 anos — exame preventivo anual
Perguntas frequentes
Como saber se meu cachorro tem catarata?+
O sinal mais visível é a opacidade do olho — o cristalino fica turvo, branco ou acinzentado, visível ao olhar diretamente para os olhos do cão. Comportamentalmente: o cão tropeça em objetos, hesita em locais escuros, tem dificuldade para encontrar brinquedos ou petiscos no chão, se torna mais ansioso em ambientes desconhecidos. Confirme com oftalmologista veterinário — nem toda opacidade ocular é catarata.
Catarata em cachorro tem cura?+
Cirurgia de facoemulsificação (ultrassom para aspirar o cristalino opaco e implantar lente artificial) tem alta taxa de sucesso — 90-95% de restauração visual quando feita no momento adequado. A cirurgia deve ser feita antes que a catarata cause inflamação intraocular (uveíte) ou glaucoma secundário, que podem inviabilizar o procedimento. Colírio não dissolve a catarata — a cirurgia é o único tratamento eficaz.
Cachorro com catarata sofre?+
A catarata em si causa perda de visão, não dor. O que pode causar dor é a complicação: uveíte induzida pela lens (inflamação causada pela proteína do cristalino opaco vazando) e glaucoma secundário (aumento da pressão intraocular). Por isso, catarata não operada em tempo exige monitoramento da pressão ocular. Cão que evita iluminação, pisca excessivamente ou demonstra dor ocular deve ser avaliado imediatamente.
Qual a diferença entre catarata e esclerose nuclear?+
Esclerose nuclear (também chamada nuclear sclerosis) é o endurecimento normal do cristalino com o envelhecimento — o olho fica com aparência azul-acinzentada difusa, mas a visão é pouco afetada. É muito comum em cães a partir de 6-7 anos e não exige tratamento. Catarata é opacidade real que compromete a passagem de luz. A distinção é feita pelo oftalmologista — ao exame com luz, esclerose mantém reflexo do fundo e catarata não.
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