Saúde

Borreliose de Lyme em Cachorro: Doença do Carrapato

A Borreliose de Lyme é uma doença bacteriana transmitida pelo carrapato Ixodes — causada pela bactéria Borrelia burgdorferi. Em cães: claudicação migratória, febre, letargia, e nos casos graves, a síndrome Lyme nefrítica — glomerulonefrite fatal. Endêmica no Hemisfério Norte. Diagnóstico por sorologia. Doxiciclina. Vacina disponível nos EUA.

29 de maio de 2026·2 min de leitura

O Border Collie de 2 anos veio de um canil nos EUA três meses atrás. Claudicação aguda do membro dianteiro direito — mas no dia seguinte era o traseiro esquerdo. Febre 39,8°C. Letargia.

C6 SNAP test: positivo. Doxiciclina 10 mg/kg/dia por 30 dias. Em 5 dias: sem febre, sem claudicação.

Borreliose de Lyme clássica — claudicação migratória em cão recém-importado de área endêmica.

O Carrapato que Transmite — e o Tempo que Importa

A Borrelia burgdorferi não é transmitida imediatamente após a picada:

| Tempo de fixação | Risco de transmissão | |---|---| | < 24 horas | Muito baixo | | 24-48 horas | Crescente — risco real | | > 48 horas | Alto risco |

Este detalhe é crucial para a prevenção: isoxazolinas (NexGard, Bravecto, Simparica) matam o carrapato em horas — antes das 24-48h necessárias para transmissão.

Por Que a Claudicação Muda de Membro

A artrite de Lyme é migratória — característica que confunde diagnóstico clínico:

  • A Borrelia tem tropismo articular: invade a membrana sinovial
  • A resposta inflamatória se desloca entre articulações
  • Segunda-feira: claudica no direito dianteiro
  • Quarta-feira: o direito melhorou, o esquerdo traseiro dói

Em cão com histórico de exposição a Ixodes e claudicação migratória + febre: Lyme é hipótese prioritária.

A Síndrome Lyme Nefrítica — O Perigo Silencioso

| Parâmetro | Lyme articular | Lyme nefrítica | |---|---|---| | Frequência | 5-10% infectados | Rara | | Sinais | Claudicação, febre | Edema, ascite, oligúria | | Mecanismo | Artrite inflamatória | Glomerulonefrite imunomediada | | Prognóstico com tratamento | Excelente | Reservado | | Raças de risco | Qualquer | Labrador, Golden |

A Lyme nefrítica pode se manifestar sem sinais articulares prévios.

Distribuição Geográfica — Brasil vs. Hemisfério Norte

| Região | Ixodes vetor | Risco | |---|---|---| | Nordeste dos EUA | I. scapularis | Muito alto | | Europa Central/Norte | I. ricinus | Alto | | Brasil | I. loricatus (menos eficiente) | Baixo-moderado |

Para tutores brasileiros: risco relevante ao importar cões dos EUA ou Europa, ou ao viajar com o cão para essas regiões.

Perguntas frequentes

O que é a Borreliose de Lyme e como é transmitida para cães?+

A Borreliose de Lyme é uma doença infecciosa causada pela bactéria Borrelia burgdorferi (um espiroqueta), transmitida por carrapatos do gênero Ixodes (carrapatos de veado). Vetor: Ixodes scapularis (América do Norte, Leste); Ixodes pacificus (Oeste dos EUA); Ixodes ricinus (Europa); o carrapato precisa estar fixado por 24-48 horas para transmitir a Borrelia — tempo mínimo para a bactéria migrar das glândulas salivares do carrapato ao hospedeiro; Distribuição geográfica: endêmica no Hemisfério Norte: Nordeste e Meio-Oeste dos EUA (região mais afetada), Canadá, Europa (especialmente Reino Unido, Alemanha, Suíça, Escandinávia), Ásia (China, Japão); no Brasil: raramente diagnosticada — Ixodes mais comum no Brasil (I. ricinus, I. loricatus) são menos eficientes vetores de Borrelia; casos descritos mas controversos; para tutores brasileiros: risco real ao viajar para EUA, Europa ou ter cão que veio de regiões endêmicas; Hospedeiros amplificadores: roedores (camundongos de patas brancas nos EUA) são os reservatórios naturais; veados são hospedeiros do carrapato adulto; cães e humanos são hospedeiros acidentais.

Como se manifesta a Borreliose de Lyme em cães?+

A Borreliose de Lyme em cães é muito diferente da doença humana — o eritema migratório (bullseye rash) da Lyme humana raramente ocorre em cães. Fato importante: estima-se que apenas 5-10% dos cães infectados desenvolvem sinais clínicos — a maioria elimina a infecção sem sintomas. Sinais clínicos (quando presentes): Síndrome articular aguda: claudicação migratória — a claudicação pode mudar de membro a membro; dor nas articulações — articulações inchadas e quentes; febre (39,5-40,5°C); letargia e depressão; anorexia; pode haver linfadenopatia; início: 2-5 meses após a infecção; A síndrome Lyme nefrítica (raro mas grave): glomerulonefrite mediada por imunocomplexos — Borrelia-anticorpo; proteinúria grave, edema, ascite; insuficiência renal rapidamente progressiva; mortalidade alta; raças predispostas: Labrador Retriever e Golden Retriever (suspeita de predisposição genética); manifestação neurológica: rara em cães (ao contrário de humanos); miocardite: muito rara em cães.

Como diagnosticar e tratar a Borreliose de Lyme em cães?+

Diagnóstico: o diagnóstico de Lyme em cães combina histórico, sinais clínicos e sorologia. Testes sorológicos: ELISA: detecta anticorpos anti-Borrelia; pode ser positivo 3-8 semanas após a picada; positivo indica exposição, não necessariamente doença ativa; C6 peptide SNAP test (4Dx e similares): específico para anticorpos anti-C6 peptide de Borrelia; diferencia infecção ativa de vacinação (vacina não gera anticorpos C6); amplamente usado em triagem; Western blot: confirmatório quando necessário; PCR: detecta DNA da Borrelia — líquido sinovial ou biópsia renal; mais específico que sorologia; Diagnóstico da Lyme nefrítica: proteinúria significativa (razão UPC > 2); ureia e creatinina elevadas; biópsia renal: confirmação histopatológica; Tratamento: Doxiciclina: tratamento de escolha — 10 mg/kg/dia VO por 28-30 dias; amoxicilina: alternativa se doxiciclina não tolerada; 90% dos cães com forma articular respondem bem em 3-4 dias; Lyme nefrítica: prognóstico reservado mesmo com antibiótico — o dano renal imunomediado pode ser irreversível; tratamento de suporte da insuficiência renal + antibiótico.

Como prevenir a Borreliose de Lyme em cães e existe vacina?+

Prevenção: a Borreliose de Lyme é altamente prevenível com controle de carrapato adequado. Controle de carrapato (principal medida): acaricidas sistêmicos: isoxazolinas (afoxolaner — NexGard, fluralaner — Bravecto, sarolaner — Simparica): muito eficazes — matam o carrapato antes de completar 24-48h de fixação necessária para transmissão; coleiras acaricidas (Seresto): eficaz para prevenção contínua em regiões endêmicas; remoção manual: inspecionar o cão após toda exposição a área com carrapatos; Vacina contra Lyme: disponível nos EUA e Europa (não no Brasil atualmente): LymeVax (Zoetis): vacina com OspA (outer surface protein A) de Borrelia; RECOMBO Lyme (Elanco): vacina recombinante OspA; protocolo: 2 doses com 2-3 semanas de intervalo, reforço anual; indicada em: cães em regiões endêmicas com alto risco de exposição a Ixodes; eficácia: ~80-90% contra doença clínica; No Brasil: o risco é muito menor que no Hemisfério Norte; prioritário para cães que viajam para áreas endêmicas ou vindos de regiões de alto risco.