Tumor de Testículo em Cachorro: Seminoma, Sertolioma e Leydigoma
Os tumores testiculares são as neoplasias mais comuns do sistema reprodutor masculino canino — incidência estimada de 15-30% em machos inteiros acima de 7 anos. Os três tipos principais são: seminoma (células germinativas), tumor de células de Sertoli (sertolioma) e tumor de células de Leydig (leydigoma). Criptorquidismo é o maior fator de risco (14x mais). O sertolioma pode causar síndrome de feminização. Tratamento: orquiectomia bilateral — prognóstico excelente na maioria dos casos.
O Labrador de 9 anos inteiro havia ganhado uma mama.
Ginecomastia. Alopecia bilateral simétrica.
Outro macho da casa ficou atraído por ele.
Síndrome de feminização. Sertolioma produtor de estrogênio.
Ultrassom: testículo direito com nódulo de 3 cm.
Orquiectomia bilateral. Patologia: sertolioma grau baixo, sem metástase.
Três meses depois: alopecia reverteu. Mama regrediu.
Os Três Tumores Testiculares Caninos
| Tipo | Origem | Malignidade | Particularidade | |---|---|---|---| | Seminoma | Células germinativas | < 5% | Associação com criptorquidismo | | Sertolioma | Células de Sertoli | 10-15% | Síndrome de feminização — hiperestrogenismo | | Leydigoma | Células de Leydig | < 1% | Geralmente incidental — benigno |
Síndrome de Feminização — Sinais do Sertolioma
| Sinal | Mecanismo | Reversível? | |---|---|---| | Ginecomastia | Estrogênio → proliferação mamária | Parcialmente — após orquiectomia | | Alopecia bilateral simétrica | Hiperestrogenismo | Sim — semanas a meses | | Atração por machos | Alteração hormonal comportamental | Sim | | Aplasia medular | Estrogênio → supressão medula | Risco de vida — prioridade |
Prognóstico por Tipo Tumoral
| Tipo | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---| | Seminoma | Orquiectomia bilateral | > 95% cura | | Leydigoma | Orquiectomia bilateral | > 99% cura | | Sertolioma (sem metástase) | Orquiectomia bilateral | > 90% cura | | Sertolioma (com metástase) | Orquiectomia + quimioterapia | Reservado |
Perguntas frequentes
Quais são os tipos de tumor de testículo em cães e qual é mais comum?+
Os tumores testiculares caninos são classificados em três tipos principais — cada um com origem celular, comportamento biológico e apresentação clínica distintos. Os três tipos principais: Seminoma (carcinoma de células germinativas): origem: células germinativas (espermatogônias); incidência: um dos mais comuns junto com o sertolioma; comportamento: geralmente benigno — malignidade em < 5% dos casos; testículo afetado: frequentemente aumentado de volume de forma uniforme; associação com criptorquidismo: alta; Tumor de Células de Sertoli (Sertolioma): origem: células de Sertoli (suporte das espermatogônias); incidência: muito comum — talvez o mais frequente no testículo retido; comportamento: pode ter comportamento maligno — metástase em 10-15% dos casos; **síndrome de feminização**: secreção de estrogênio → ginecomastia, atrofia do pênis, alopecia bilateral simétrica, atração por outros machos; aplasia medular: o hiperestrogenismo grave pode causar pancitopenia → risco de vida; FORTE associação com criptorquidismo: o testículo retido tem risco de sertolioma 14x maior que o normal; Tumor de Células de Leydig (Leydigoma / Tumor de Células Intersticiais): origem: células de Leydig (produzem testosterona); incidência: muito comum — mas geralmente pequeno e incidental; comportamento: quase sempre benigno — malignidade < 1%; geralmente não causa sinais clínicos evidentes — descoberto em exame; não associado a criptorquidismo; Apresentação mista: é comum encontrar mais de um tipo no mesmo testículo (tumor misto); a frequência dos tipos varia com a pesquisa — qualquer dos três pode ser o mais prevalente dependendo da amostra estudada.
Quais são os sinais clínicos dos tumores testiculares e como diagnosticar?+
A apresentação clínica varia muito conforme o tipo de tumor e a localização do testículo (escrotal ou retido). Sinais locais: Aumento de volume testicular: assimétrico — um testículo claramente maior que o outro; consistência firme ou irregular à palpação; pode ser indolor (a maioria) ou discretamente doloroso; Testículo retido com tumor: o testículo criptorquídico com tumor pode aumentar na cavidade abdominal → distensão abdominal, desconforto; sem acesso externo para palpação → diagnóstico por imagem; Sinais sistêmicos — síndrome de feminização (sertolioma produtor de estrogênio): Ginecomastia (aumento das mamas): característica; Alopecia bilateral simétrica: queda de pelo simétricamente na linha media — flancos e abdômen; Atração por machos: comportamento sexual alterado — o cão inteiro atrai outros machos; Atrofia peniana e prepucial: redução do volume; Comportamento submisso: alteração comportamental; Aplasia medular (hiperestrogenismo grave — emergência): palidez de mucosas, fraqueza, petéquias → pancitopenia; hemograma: leucopenia, anemia, trombocitopenia — emergência hematológica; Diagnóstico: Exame físico: palpação testicular cuidadosa — comparar ambos os testículos; Ultrassonografia testicular: padrão de imagem interno do testículo → diferencia tipos e avalia homogeneidade; Ultrassonografia abdominal: rastrear metástase (linfonodos ilíacos, sublombares); avaliar testículo retido abdominal; Radiografia: metástase pulmonar (seminoma maligno); Hemograma: aplasia medular no sertolioma secretor; Citologia por PAAF (punção aspirativa): pode orientar o tipo tumoral pré-cirurgia; Histopatologia (definitivo): confirmação do tipo após orquiectomia.
Qual é o tratamento do tumor testicular em cães e qual é o prognóstico?+
O tratamento padrão é cirúrgico — a orquiectomia bilateral (castração) é curativa na grande maioria dos casos. Tratamento cirúrgico: Orquiectomia bilateral: remoção de ambos os testículos — mesmo se apenas um está afetado visivelmente; razão: risco de tumor sincrônico ou metacrônico no segundo testículo; técnica: convencional (pré-escrotal) para testículos escrotais; laparotomia para testículo retido abdominal; Pré-operatório para aplasia medular: estabilização hematológica antes da cirurgia: transfusão de sangue total se anemia grave (Ht < 20%); aguardar recuperação parcial da medula antes de anestesia geral; após orquiectomia: a fonte de estrogênio é removida → a medula óssea se recupera em semanas a meses; Prognóstico: Seminoma: > 95% de cura com orquiectomia — malignidade rara; Leydigoma: > 99% de cura — quase invariavelmente benigno; Sertolioma sem metástase: > 90% de cura com orquiectomia; Sertolioma com metástase (10-15%): prognóstico mais reservado — quimioterapia adjuvante pode ser considerada; aplasia medular grave: prognóstico reservado se não tratado antes da cirurgia; Quimioterapia: indicada em casos de metástase confirmada; protocols variados (cisplatina, vimblastina); resposta moderada; Síndrome de feminização pós-orquiectomia: a alopecia e outros sinais de feminização regridem em semanas a meses após remoção da fonte de estrogênio; ginecomastia pode regredir parcialmente; Castração preventiva: elimina completamente o risco de tumor testicular — principal argumento médico (além de controle reprodutivo) para a castração eletiva de machos.
O criptorquidismo aumenta o risco de tumor testicular? Quando castrar?+
O criptorquidismo (testículo retido que não desceu ao escroto) é o maior fator de risco individual para tumor testicular canino — e a principal indicação médica para castração de machos criptorquídicos. Criptorquidismo e risco tumoral: Testículo retido: temperatura corporal interna (38-39°C) vs temperatura escrotal (2-3°C mais fria); o calor inibe a espermatogênese mas não inibe as células de Sertoli e Leydig; resultado: o testículo retido não produz espermatozoides mas continua sob estímulo hormonal → ambiente propício para transformação neoplásica; Risco quantificado: criptorquídico vs normal: 9-14x mais risco de tumor testicular; sertolioma: especialmente associado ao testículo abdominal retido; o risco começa a ser clinicamente relevante após 5-6 anos de idade; Localização do testículo retido: inguinal (na virilha): risco intermediário; abdominal: risco máximo; Recomendação veterinária: machos criptorquídicos devem ser castrados eletivamente — preferencialmente antes dos 5 anos; orquiectomia inclui o testículo retido (abdominal) + o testículo escrotal normal; machos criptorquídicos não devem ser reprodutores: hereditariedade do criptorquidismo é bem documentada; Diagnóstico do criptorquidismo: inspeção do escroto: presença de ambos os testículos até 8 semanas de vida (máximo até 6 meses); ultrassonografia inguinal/abdominal: localiza o testículo não palpável; Raças mais afetadas por criptorquidismo: Yorkshire Terrier, Pinscher Miniatura, Chihuahua, Poodle miniatura, Boxer, Pastor Alemão — mas qualquer raça pode ser afetada; Castração preventiva em machos inteiros normais: elimina 100% do risco de tumor testicular; este argumento médico frequentemente não é adequadamente comunicado pelos veterinários ao tutor.
Continue lendo
Torção Esplênica em Cães: Emergência Cirúrgica Abdominal
A torção esplênica (TE) é a rotação do baço em torno do hilo esplênico, interrompendo o fluxo vascular e causando congestão progressiva e necrose. Pode ocorrer isoladamente (Torção Esplênica Primária) ou associada à Dilatação-Vólvulo Gástrico (DVG). Pastor Alemão de meia-idade: predisposição específica para torção esplênica primária. Sinais: distensão abdominal, dor, anemia hemolítica progressiva, Heinz bodies. Tratamento: esplenectomia de emergência.
Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica
A Tetralogia de Fallot (ToF) é uma malformação cardíaca congênita composta de quatro defeitos simultâneos: (1) Comunicação Interventricular (CIV), (2) Estenose Pulmonar (EP), (3) Aorta cavalgante sobre o septo e (4) Hipertrofia Ventricular Direita (HVD). A EP severa força shunt direito-esquerdo → cianose (mucosas azuladas) e policitemia. Keeshond tem predisposição genética documentada. Diagnóstico: ecocardiografia. Tratamento: cirurgia paliativa (Blalock-Taussig) ou correção completa. Prognóstico: reservado sem intervenção.
Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães
A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET — também TEN) são reações cutâneas graves e potencialmente fatais — resultam na morte massiva de queratinócitos e desprendimento extenso da epiderme. No cão, o quadro canino equivalente envolve erosões/ulcerações mucosas, vesículas e descamação de pele em extensão variável. Causa mais comum: reação medicamentosa (antibióticos, anticonvulsivantes, AINEs, sulfonamidas). Diagnóstico: biópsia (necrose de queratinócitos em toda a espessura da epiderme). Tratamento: suspensão imediata do fármaco + suporte intensivo. Prognóstico: grave — mortalidade elevada na forma NET.