Spitz Alemão: 7 Problemas de Saúde Mais Comuns
Aviso: As informações deste artigo são de caráter informativo e não substituem a avaliação de um médico veterinário. Em caso de suspeita de doença, procure um profissional qualificado.
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1. Introdução
O Spitz Alemão, também conhecido como German Spitz, conquista tutores por seu porte compacto, pelagem exuberante e personalidade vivaz. Embora seja um cão de companhia extremamente adaptável, essa raça possui predisposições genéticas que podem culminar em alguns problemas de saúde recorrentes. Conhecer essas questões antes que se tornem graves é fundamental para garantir uma vida longa, saudável e feliz ao seu amiguinho de quatro patas.
No Brasil, o clima variado, a disponibilidade de alimentos industrializados e a rotina agitada das famílias podem influenciar ainda mais a manifestação de doenças. Por isso, é essencial que o tutor esteja atento a sinais sutis, realize visitas regulares ao veterinário e ofereça um ambiente que favoreça o bem‑estar físico e emocional do animal.
Neste artigo, vamos explorar em detalhes os sete problemas de saúde mais frequentes entre os Spitz Alemães, abordando desde as causas e os fatores de risco até estratégias de prevenção, manejo e tratamento. Cada seção traz recomendações práticas, embasadas em literatura veterinária atualizada, para que você possa agir de forma proativa e fortalecer a relação de confiança com seu cão.
Prepare‑se para descobrir como pequenas mudanças diárias – na alimentação, nos exercícios, nos cuidados preventivos e no treinamento – podem fazer toda a diferença na qualidade de vida do seu Spitz Alemão. Vamos juntos construir um caminho de saúde, alegria e muito carinho!
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2. Características Principais
Aparência física
O Spitz Alemão apresenta um porte pequeno a médio (geralmente entre 4,5 kg e 9 kg), com cabeça em forma de raposa, olhos escuros e amendoados, e orelhas eretas e pontiagudas. A pelagem é dupla: um subpelo macio que protege contra o frio e um manto externo longo, reto e denso que exige escovação frequente para evitar nós e embaraços. As cores mais comuns são o preto, o marrom, o laranja e o branco.
Temperamento
São cães inteligentes, alertas e muito leais. Apesar de terem um instinto de guarda, geralmente são sociáveis com a família e podem ser cautelosos com estranhos. Essa combinação de vigilância e afeto faz deles excelentes companheiros para famílias, casais e pessoas que moram em apartamentos. No entanto, a energia e curiosidade típicas podem levá‑los a explorar ambientes de forma intensa, o que exige supervisão e estímulos mentais adequados.
Expectativa de vida
A expectativa de vida do Spitz Alemão varia entre 12 e 16 anos, quando bem cuidado. Essa longevidade está intimamente ligada à qualidade da alimentação, ao controle de peso, à prática regular de exercícios e à prevenção de doenças hereditárias.
Predisposição genética
Estudos de genética canina apontam que a raça tem maior incidência de displasia de quadril, luxação patelar e determinadas alergias cutâneas. A herança também pode influenciar a ocorrência de doenças metabólicas, como hipotireoidismo, e neurológicas, como epilepsia idiopática. Conhecer essas predisposições permite ao tutor adotar medidas preventivas mais eficazes.
Necessidades de cuidados diários
- Escovação: pelo menos 2‑3 vezes por semana, aumentando para diariamente durante períodos de troca de pelos.
- Higiene bucal: escovação dental semanal e uso de brinquedos mastigáveis específicos.
- Exercício: caminhadas curtas (15‑30 min) duas a três vezes ao dia, combinadas com brincadeiras de estímulo mental (puzzle toys, busca).
- Socialização: contato precoce com outros animais, crianças e ambientes variados para evitar comportamento excessivamente tímido ou agressivo.
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3. Cuidados Essenciais
3.1. Higiene e cuidados com a pelagem
A pelagem dupla do Spitz Alemão tende a acumular sujeira, pelos soltos e umidade, favorecendo a formação de nós e até infecções cutâneas. A escovação regular com uma escova de cerdas macias ou uma luva de silicone remove os pelos mortos e estimula a circulação sanguínea. Durante a troca de pelos (geralmente duas vezes ao ano), aumente a frequência para ao menos três vezes por semana e considere o uso de um pente de dentes largos para desembaraçar áreas mais densas, como a região do pescoço e das patas.
Dica prática: reserve 10‑15 minutos após o banho para uma sessão de escovação completa; isso cria um momento de vínculo e ainda permite observar a presença de parasitas (pulgas, carrapatos) ou lesões.
3.2. Saúde bucal
Doenças periodontais são frequentes em raças pequenas, e o Spitz Alemão não é exceção. A placa bacteriana pode se transformar em tártaro em poucos meses, levando a gengivite, perda dentária e até infecções sistêmicas (endocardite). Escove os dentes do seu cão com uma escova de cerdas suaves e pasta dental própria para pets, ao menos duas vezes por semana. Brinquedos de borracha dura e ossos dentais aprovados pela ANVISA ajudam a reduzir a placa entre as escovações.
Dica prática: introduza a escovação ainda filhote, associando o ato a petiscos e elogios, para que o adulto veja o procedimento como algo positivo.
3.3. Controle de parasitas internos e externos
Pulgas, carrapatos e vermes intestinais podem causar irritação, anemia, doenças graves (doença de Lyme, erliquiose) e até alergias cutâneas. O uso de produtos preventivos mensais (pipetas, coleiras ou comprimidos) é recomendado por veterinários. Realize exame de fezes a cada seis meses para detectar vermes e ajuste o tratamento conforme a carga parasitária encontrada.
Dica prática: combine o tratamento antiparasitário com a escovação do pelo, pois a retirada de carrapatos é mais fácil quando o pelo está livre de nós.
3.4. Vacinação e exames de rotina
A vacinação básica (cinco vias) protege contra cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa canina, leptospirose e raiva. Além disso, vacinas anuais de reforço (gripe canina, bordetella) são indicadas para cães que frequentam parques ou creches. Exames de sangue anuais, avaliação cardíaca (ausculta) e radiografias de quadril podem detectar displasias ou problemas cardíacos precocemente.
Dica prática: agende a consulta veterinária no aniversário do cão; assim, a data se torna um marco fácil de lembrar para toda a família.
3.5. Ambiente seguro e estímulo mental
Como o Spitz Alemão é curioso e ativo, objetos pequenos, fios elétricos e plantas tóxicas (como lírio e azaleia) podem representar riscos. Mantenha áreas de acesso restringido e ofereça brinquedos interativos que estimulem a resolução de problemas (puzzle toys).
Dica prática: crie um “cantinho de exploração” com tapetes de diferentes texturas, caixas de papel e brinquedos de roer, alternando a disposição semanalmente para manter o estímulo.
Esses cuidados essenciais formam a base para prevenir os sete problemas de saúde mais comuns que abordaremos nas próximas seções, além de promover um dia a dia mais saudável e feliz para o seu Spitz Alemão.
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4. Alimentação e Nutrição
4.1. Necessidades energéticas
O Spitz Alemão tem metabolismo relativamente rápido devido ao seu tamanho e nível de atividade. Em média, um adulto pesa entre 5 kg e 8 kg e necessita de aproximadamente 90‑110 kcal/kg de peso corporal por dia, distribuídas em duas refeições. Filhotes, porém, exigem até 30 % a mais de energia para sustentar o crescimento ósseo e muscular.
4.2. Macro‑ e micronutrientes essenciais
Nutriente |
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Proteína |
Carne magra (frango, peru), peixe, ovos; ração de alta qualidade com ≥ 25 % de proteína bruta |
Gordura |
Óleos de peixe (ômega‑3), óleo de linhaça; ração com 12‑15 % de gordura |
Carboidrato |
Arroz integral, batata doce, aveia; porém em quantidades moderadas |
Cálcio & Fósforo |
Farinha de ossos, laticínios (se tolerados), suplementos específicos para filhotes |
Vitamina E & Selênio |
Suplementos naturais ou ração enriquecida |
Ácidos graxos ômega‑3 |
Óleo de peixe, óleo de linhaça |
4.3. Alimentos que favorecem a saúde articular
A luxação patelar e a displasia de quadril são problemas comuns no Spitz Alemão. A inclusão de condroitina, glicosamina e ácidos graxos ômega‑3 na dieta pode retardar a degeneração da cartilagem. Muitos alimentos comerciais de “premium” já incluem esses componentes, mas, em casos de predisposição, o veterinário pode recomendar suplementos adicionais.
4.4. Controle de peso e prevenção da obesidade
A obesidade aumenta o risco de luxação patelar, problemas cardíacos e diabetes. Monitore a condição corporal mensalmente: a costela deve ser palpável sem excesso de gordura, e a cintura deve ser visível quando visto de cima. Caso note ganho de peso, reduza a quantidade de ração em 10‑15 % e aumente a atividade física.
Dica prática: pese o alimento diariamente usando uma balança de cozinha e registre a quantidade oferecida em um caderno ou aplicativo de controle de pet.
4.5. Alimentos a evitar
Alimento |
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Chocolate |
Uvas e passas |
Cebola e alho |
Ossos cozidos |
Alimentos ricos em gordura (ex.: pele de frango) |
Leite em excesso |
4.6. Suplementação e alimentação caseira
Se optar por alimentação caseira, consulte um nutricionista veterinário para montar uma fórmula balanceada. A falta de micronutrientes críticos pode levar a problemas de pele, pelagem opaca e comprometimento imunológico. Em geral, a ração de alta qualidade (premium ou super‑premium) já oferece o balanço necessário, e a suplementação só é indicada quando há diagnóstico específico (ex.: hipotireoidismo requer iodo, artrite requer glucosamina).
4.7. Hidratação
A água fresca deve estar sempre disponível. Cães pequenos podem não beber quantidades suficientes, especialmente em climas quentes. Adicionar cubos de gelo ao bebedouro ou oferecer água levemente aromatizada (com caldo de carne sem temperos) pode incentivar a ingestão.
A nutrição adequada não só sustenta a energia diária do seu Spitz Alemão, como também funciona como primeira linha de defesa contra as doenças que detalharemos a seguir.
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5. Saúde e Prevenção
5.1. Luxação Patelar (Joelho “saltitante”)
Causa: Defeito de desenvolvimento da rótula que pode deslocar para fora da fossa troclear, comum em cães de pequeno porte.
Sinais clínicos: Coceira ao subir escadas, “caminhar com a perna traseira trêmula” ou dor ao tocar a patela.
Prevenção:
- Controle de peso para reduzir a carga articular.
- Suplementos de glucosamina e condroitina, conforme orientação veterinária.
- Evitar superfícies escorregadias e escadas excessivas.
5.2. Displasia de Quadril
Causa: Herança genética combinada com crescimento rápido e excesso de peso.
Sinais clínicos: Claudicação, dificuldade ao subir escadas, relutância em pular.
Prevenção:
- Seleção de criadores que realizam radiografias de controle.
- Dieta equilibrada com controle de crescimento (uso de alimentos específicos para filhotes que liberam energia gradualmente).
- Manter o peso ideal desde filhote.
5.3. Doenças Dermatológicas (Alergias e Dermatite Atópica)
Causa: Predisposição genética, alérgenos ambientais (pólen, ácaros) ou alimentares.
Sinais clínicos: Coceira, vermelhidão, perda de pelos, infecções secundárias.
Prevenção:
- Banhos com shampoos hipoalergênicos a cada 4‑6 semanas.
- Controle de pulgas e carrapatos (parasitas podem desencadear alergias cutâneas).
- Dieta de eliminação sob supervisão veterinária para identificar alergias alimentares.
5.4. Hipotireoidismo
Causa: Falha da glândula tireoide em produzir hormônios (T4), mais frequente em raças pequenas.
Sinais clínicos: Ganho de peso, letargia, queda de pelos, pele seca, intolerância ao frio.
Prevenção: Não há prevenção direta, mas a detecção precoce por exames de T4 e TSH é essencial.
Tratamento: Administração diária de levotiroxina (synthetic T4) – dose ajustada via exames de sangue a cada 6‑12 meses.
5.5. Epilepsia Idiopática
Causa: Predisposição genética; crises de origem não identificada.
Sinais clínicos: Convulsões tônico‑clônicas, perda de consciência, salivação excessiva.
Prevenção: Não há prevenção, mas evitar gatilhos (estresse, luz estroboscópica) pode reduzir a frequência.
Tratamento: Anticonvulsivantes como fenobarbital ou brometo de potássio, monitoramento de níveis sanguíneos e ajustes de dose.
5.6. Doenças Cardíacas (Miocardiopatia Dilatada)
Causa: Fatores genéticos e envelhecimento.
Sinais clínicos: Tosse, fadiga, aumento do abdômen (ascite), respiração ofegante.
Prevenção: Controle de peso, alimentação rica em taurina e antioxidantes, check‑ups cardíacos anuais (ausculta, ecocardiograma).
Tratamento: Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), diuréticos, betabloqueadores, conforme estágio da doença.
5.7. Problemas Dentários (Periodontite)
Causa: Acúmulo de placa, má higiene oral, predisposição a tártaro.
Sinais clínicos: Mau hálito, sangramento gengival, dificuldade ao mastigar, perda de dentes.
Prevenção: Escovação diária, brinquedos dentais, limpeza profissional semestral.
Tratamento: Remoção de tártaro, raspagem periodontal, extração de dentes comprometidos e antibióticos se houver infecção.
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6. Treinamento e Comportamento
6.1. Socialização precoce
A socialização entre 3 e 12 semanas de idade é decisiva para prevenir medos excessivos e agressividade. Exponha o filhote a diferentes sons (aspirador, trânsito), superfícies (grama, piso frio) e pessoas de todas as idades. Use reforço positivo (petiscos, carinhos) para associar novas experiências a sensações agradáveis.
6.2. Obediência básica
Comandos como “sentar”, “ficar