Introdução

O Schipperke é um dos pequenos gigantes do mundo canino quando o assunto é personalidade. Originário da Bélgica, esse cão‑de‑raça “pelo de rato” foi criado inicialmente para proteger galpões de granjas e, ao longo dos séculos, acabou conquistando o coração de tutores ao redor do globo graças à sua inteligência aguçada, energia contagiante e aparência fofa. Se você está pensando em abrir espaço na sua casa para receber um Schipperke, vale a pena conhecer a fundo as características, necessidades e particularidades desse companheiro, de forma que a relação entre vocês seja saudável, feliz e duradoura.

Neste artigo vamos abordar tudo o que você precisa saber antes de trazer um Schipperke para a sua família: desde sua história e temperamento até cuidados diários, alimentação adequada, prevenção de doenças e estratégias de treinamento. Tudo isso foi compilado a partir de fontes veterinárias confiáveis, literatura de clubes de raça e a experiência de tutores experientes no Brasil. Nosso objetivo é oferecer um conteúdo empático e prático, que ajude tanto quem está considerando adotar um Schipperke quanto quem já tem esse pequeno guardião em casa.

Ao ler cada seção, você encontrará dicas acionáveis – como a frequência ideal de escovação, sinais de alerta para problemas de saúde comuns e métodos de estímulo mental que evitam o tédio. Lembre‑se: o bem‑estar do seu cão depende de uma parceria baseada em respeito, conhecimento e muito carinho. Preparado(a) para descobrir por que o Schipperke pode ser o seu novo melhor amigo? Continue a leitura!


Características Principais

Aparência física

O Schipperke é um cão de porte pequeno, mas robusto. Seu tamanho varia entre 30 e 38 cm de altura na cernelha e pesa de 5 a 9 kg. A pelagem é curta, densa e de textura “açoitada”, geralmente preta, embora existam variantes em tons de cinza, marrom e até branco. Essa pelagem rígida protege o animal de condições climáticas adversas, mas também exige cuidados regulares para evitar emaranhados e queda excessiva.

Temperamento

O que realmente diferencia o Schipperke é o seu temperamento. Ele é extremamente alerta, curioso e possui um instinto de guarda muito desenvolvido, apesar do tamanho diminuto. Essa raça adora observar o ambiente, muitas vezes posicionando‑se em pontos estratégicos da casa para “vigiar” tudo que acontece. Essa vigilância natural pode transformá‑lo em um excelente cão de alerta, mas também requer que o tutor ofereça estímulos mentais para que ele não se torne excessivamente protetor ou “latidor”.

Inteligência e energia

Classificado como um dos cães mais inteligentes (segundo o estudo de Stanley Coren), o Schipperke aprende rapidamente comandos e truques, especialmente quando o treinamento é baseado em reforço positivo. Ele possui níveis de energia moderados a altos; gosta de brincar, correr e explorar, mas também sabe ser calmado quando recebe atenção e conforto. Um Schipperke bem exercitado tende a ser mais equilibrado e menos propenso a comportamentos indesejados, como mastigação destrutiva.

Sociabilidade

Essa raça desenvolve laços fortes com a família, especialmente com a pessoa que assume o papel de “líder”. Ele pode ser desconfiado com estranhos, mas não é agressivo por natureza – a cautela vem do instinto de proteção. Quando socializado desde filhote, o Schipperke aceita bem visitas e até outros animais, embora prefira ser o “cão alfa” da casa. É importante apresentar novos estímulos de forma gradual, usando recompensas para criar associações positivas.

Compatibilidade com o estilo de vida brasileiro

Para quem vive em apartamentos, o Schipperke pode ser uma ótima escolha, desde que receba caminhadas diárias e tempo para gastar energia. Em casas com quintal, ele adora explorar, mas ainda assim precisa de supervisão, pois seu instinto de caça pode levá‑lo a perseguir pequenos animais. Em climas tropicais, a pelagem curta ajuda a manter o cão fresco, porém é essencial oferecer sombra e água em dias muito quentes.


Cuidados Essenciais

Higiene e escovação

Mesmo sendo de pelagem curta, o Schipperke solta pelos e pode desenvolver nós se não for escovado regularmente. Use uma escova de cerdas firmes 2‑3 vezes por semana para remover pelos mortos e distribuir os óleos naturais da pele. Banhos devem ser realizados a cada 30‑45 dias ou quando o cão estiver realmente sujo; evite excessos, pois o banho frequente pode remover a camada protetora da pele, provocando ressecamento e irritação.

Cuidados com as orelhas e olhos

As orelhas do Schipperke são de tamanho médio e levemente inclinadas. Verifique semanalmente a presença de cera, odores ou vermes. Limpe suavemente com um algodão umedecido em solução de limpeza auricular recomendada por veterinários. Os olhos, de cor escura, podem acumular secreções, principalmente ao acordar. Use um pano macio e úmido para remover as secreções, evitando o uso de produtos agressivos.

Higiene bucal

A saúde dentária muitas vezes é negligenciada, mas é crucial para a longevidade do cão. Escove os dentes do seu Schipperke ao menos 3 vezes por semana, usando escova e pasta específica para cães. Produtos como brinquedos dentais e petiscos de limpeza ajudam a reduzir o acúmulo de tártaro. A visita ao veterinário para limpeza profissional deve ser feita a cada 6‑12 meses.

Exercício físico

Como mencionado, o Schipperke possui energia moderada a alta. Caminhadas diárias de 30‑45 minutos, combinadas com sessões de brincadeiras (puxar‑pelo, buscar bola, agility caseiro) são suficientes para mantê‑lo feliz e saudável. Em dias muito quentes, prefira horários mais frescos (manhã cedo ou fim da tarde) e ofereça água fresca constantemente.

Enriquecimento ambiental

Para evitar o tédio, forneça brinquedos interativos, puzzles de comida e rotinas de treino que desafiem a mente do cão. Cada sessão de estimulação mental de 10‑15 minutos pode reduzir comportamentos indesejados, como latidos excessivos ou mastigação de objetos.

Espaço e segurança

Mesmo em apartamentos, ofereça um cantinho próprio, como uma caminha confortável em um local tranquilo. Certifique‑se de que a casa esteja “à prova de cães”: fios elétricos protegidos, plantas tóxicas fora de alcance (por exemplo, lírio, azaleia) e objetos pequenos que podem ser engolidos guardados.


Alimentação e Nutrição

Necessidades calóricas

Um Schipperke adulto, com peso entre 5‑9 kg, necessita de aproximadamente 250‑350 kcal por dia, dependendo do nível de atividade. Filhotes em fase de crescimento exigem mais energia – cerca de 30‑40 kcal/kg/dia – para suportar o desenvolvimento muscular e ósseo.

Tipo de ração

A escolha da ração deve levar em conta a qualidade dos ingredientes e a adequação à fase da vida (filhote, adulto, sênior). Opte por marcas que utilizem fontes de proteína de alta digestibilidade (frango, peixe, carne bovina) como primeiro ingrediente. Evite fórmulas com excesso de subprodutos, corantes ou conservantes artificiais.

Alimentação caseira

Se preferir preparar a comida em casa, ofereça uma dieta balanceada que inclua:

  • Proteína: carnes magras cozidas sem tempero (frango, peru, carne bovina);
  • Carboidrato: arroz integral ou batata-doce;
  • Legumes: abóbora, cenoura, vagem (cozidos e sem sal);
  • Gordura: óleo de peixe ou óleo de linhaça (para ômega‑3);
  • Suplementos: cálcio e vitaminas, se necessário, sob orientação veterinária.
É imprescindível consultar um nutricionista veterinário antes de mudar para a alimentação caseira, pois a falta de micronutrientes pode levar a deficiências graves.

Frequência das refeições

Filhotes (até 6 meses) devem ser alimentados 3‑4 vezes ao dia. Adultos podem receber duas refeições diárias, preferencialmente nos mesmos horários, para regular o metabolismo e evitar sobrepeso. Mantenha água fresca sempre disponível.

Controle de peso

O Schipperke tem tendência a ganhar peso se a ingestão calórica superar o gasto energético. Observe a condição corporal: ao tocar a costela, deve ser possível sentir, mas não ver a camada de gordura. Se o cão apresentar excesso de gordura abdominal ou dificuldade ao subir escadas, ajuste a quantidade de ração e aumente a atividade física.

Petiscos e treinamento

Utilize petiscos de baixa caloria, como pedaços de frango cozido ou biscoitos específicos para treinamento. Limite a quantidade total de petiscos a não mais que 10 % da ingestão calórica diária, para evitar desequilíbrios.


Saúde e Prevenção

Principais doenças da raça

  • Displasia do cotovelo: apesar de ser mais comum em raças maiores, pode ocorrer em Schipperkes. A prevenção inclui evitar excesso de exercício em filhotes e manter o peso ideal.
  • Atrofia progressiva da retina (PRA): doença hereditária que leva à cegueira. Testes genéticos estão disponíveis e são recomendados para criadores.
  • Hipoglicemia: filhotes podem apresentar queda de açúcar no sangue, principalmente se não se alimentarem adequadamente. Ofereça refeições pequenas e frequentes nos primeiros meses.
  • Problemas dermatológicos: a pelagem curta pode ser propensa a dermatites alérgicas. Use shampoos neutros e evite produtos químicos agressivos.

Vacinação

Siga o calendário de vacinação padrão para cães no Brasil:

  • V8/V10 (cinco doenças): a partir de 6‑8 semanas, com reforços a cada 3‑4 semanas até 16 semanas.
  • Antirrábica: primeira dose aos 12‑16 semanas, reforço anual.
  • Gripe canina (influenza): opcional, recomendada em áreas com alta incidência.
Mantenha o registro de vacinação em dia e consulte o veterinário para ajustes de acordo com a região e estilo de vida do animal.

Vermifugação e prevenção de parasitas


  • Vermes internos: vermifugação a cada 3 meses até 6 meses de idade, depois a cada 6 meses ou conforme indicação veterinária.
  • Pulgas e carrapatos: use produtos tópicos, coleiras ou comprimidos mensais. No clima tropical brasileiro, a prevenção deve ser contínua, pois a infestação é frequente e pode transmitir doenças como a doença de Lyme e a ehrlichiose.

Exames de rotina


  • Check‑up anual: avaliação clínica completa, exames de sangue e urina para monitorar função renal, hepática e níveis hormonais.
  • Exames oftalmológicos: especialmente para detectar PRA precocemente.
  • Radiografias de articulação: recomendadas se houver histórico de claudicação ou suspeita de displasia.

Cuidados dentários preventivos


  • Escovação: 3 vezes por semana.
  • Petiscos dentais: ofereça duas vezes por semana.
  • Limpeza profissional: a cada 6‑12 meses.

Primeiros socorros básicos

Mantenha um kit com:

  • Gaze estéril, antisséptico (clorexidina a 0,05 %),
  • Pinça para remoção de objetos estranhos,
  • Termômetro digital,
  • Solução de soro fisiológico,
  • Número de telefone de um veterinário de plantão.
Em caso de ingestão de substâncias tóxicas (cobras, plantas venenosas, chocolate), procure ajuda imediatamente.


Treinamento e Comportamento

Princípios do adestramento

O Schipperke responde melhor ao reforço positivo — recompensas como petiscos, elogios e brincadeiras. Evite métodos punitivos, pois podem gerar medo e agressividade latente. Sessões curtas (10‑15 min) e frequentes mantêm o interesse do cão.

Socialização precoce

A partir das 3‑4 semanas de vida, exponha o filhote a diferentes sons, superfícies, pessoas e outros animais. Cada nova experiência deve ser acompanhada de recompensas, criando associações positivas. A socialização adequada reduz o risco de medo excessivo e comportamentos de guarda exagerados.

Comandos básicos

  • Sentar – “Senta” + petisco.
  • Deitar – “Deita” após “senta”.
  • Ficar – “Fica” com passo atrás, recompensando a permanência.
  • Vir – “Aqui” com tom alegre, usando a coleira curta para evitar fugas.
Pratique esses comandos em ambientes com pouca distração primeiro, avançando gradualmente para locais mais movimentados (parques, ruas).

Controle de latidos

Como cão de alerta, o Schipperke pode latir ao perceber ruídos. Estratégias:

  • Identificar o gatilho (portas, campainha, passos).
  • Desensibilização: reproduza o som em volume baixo, recompense o silêncio.
  • Comando “Quieto”: ensine associando o comando a uma pausa no latido e recompense imediatamente após o silêncio.

Exercício mental


  • Puzzles de comida: distribua ração em brinquedos que exigem manipulação.
  • Truques avançados: “rolar”, “dar a pata”, “buscar objetos nomeados”.
  • Agility caseiro: crie obstáculos simples com cadeiras e vassouras.

Manejo de comportamento de guarda

Se o cão demonstra agressividade ao proteger a casa, oriente o tutor a:

  • Reforçar o “não” com voz firme, mas sem gritar.
  • Introduzir o “não latir” durante situações de alerta.
  • Treinar o “solta” para que ele libere objetos ou pessoas que ele considere ameaças.

Exercício físico adequado

Caminhadas regulares, jogos de buscar e sessões de “carrinho” (puxar um carrinho de brinquedo) ajudam a canalizar energia. Em dias muito quentes, prefira áreas sombreadas e ofereça água a cada 15‑20 minutos.

Consistência e rotina

Mantenha um horário fixo para refeições, passeios e treinos. A previsibilidade tranquiliza o Schipperke, reduzindo ansiedade e comportamentos indesejados.


Dicas Práticas para Tutores

  • Crie um calendário de cuidados – Use um aplicativo ou agenda física para marcar datas de vacinação, vermifugação, consultas de rotina e trocas de ração. Isso evita esquecimentos e garante a saúde contínua do cão.
  • Use a coleira de identificação – Mesmo que o Schipperke seja pequeno, ele pode fugir em áreas externas. Uma coleira com nome, telefone e endereço ajuda em caso de perda.
  • Escolha um veterinário de confiança – Procure um profissional que tenha experiência com raças pequenas e que esteja próximo de sua residência. Visitas regulares criam um vínculo de confiança e facilitam o diagnóstico precoce de problemas.
  • Invista em brinquedos resistentes – O Schipperke tem mandíbula forte e gosta de mastigar. Opte por brinquedos de borracha dura ou cordas, evitando objetos que possam se desfazer em partes pequenas que ele possa engolir.
  • Mantenha a casa livre de objetos pequenos – Evite deixar meias, fios ou brinquedos pequenos ao alcance, pois o Schipperke pode tentar engolir.
  • Faça treinamento de “solta” – Ensine o comando “solta” usando um brinquedo favorito. Quando ele largar o objeto ao comando, recompense imediatamente. Isso será útil em situações de guarda ou quando ele pegar algo perigoso.
  • Adapte a temperatura da água – Em dias de calor intenso, ofereça água fresca e, se possível, um copo de água gelada. Em dias frios, mantenha a água em temperatura ambiente para evitar desconforto.
  • Planeje viagens – Se for viajar, leve a caixa de transporte adequada, documentos de saúde e a alimentação habitual. Acostume o cão à caixa gradualmente antes da viagem, oferecendo petiscos dentro dela.
  • Observe sinais de estresse – O Schipperke pode manifestar ansiedade através de lambedura excessiva, bocejos frequentes ou tremores. Caso note esses sinais, avalie o ambiente (ruídos, mudanças) e ofereça um espaço tranquilo.
  • Eduque a família – Todos os membros da casa devem conhecer as regras de interação (não puxar a cauda, não deixar alimentos na mesa). A consistência entre todos evita confusão e reforça o aprendizado.
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Curiosidades e Mitos

  • Origem do nome: “Schipperke” vem do holandês “schipper”, que significa “marinheiro”. Originalmente, esses cães acompanhavam os barqueiros belgas, ajudando a proteger as mercadorias a bordo.
  • Mito do “cão de fogo”: Alguns acreditam que o Schipperke tem tendência a ser agressivo como um “cão de fogo”. Na realidade, ele é apenas muito vigilante; com socialização e treinamento, demonstra um temperamento equilibrado.
  • Inteligência excepcional: Segundo estudos de Stanford, o Schipperke tem capacidade de aprendizado compar