Raça Pekingese (Pequinês): Guia Completo do Cão Imperial Chinês
Pekingese foi o cão sagrado dos imperadores da China — proibido ao povo comum por séculos. Temperamento independente e digno. Braquicefálico — cuidados especiais com respiração e calor.
O Pekingese — conhecido no Brasil como Pequinês — é um dos mais antigos cães domésticos, com história documentada de mais de 2000 anos na China Imperial. Por séculos, foi privilégio exclusivo da família imperial: roubar um Pekingese era crime punível com morte. Somente membros da corte poderiam possuir esses cães — chamados de "cão leão" (shī zi gǒu) por sua aparência que remetia ao leão sagrado budista.
Quando o Palácio de Verão foi saqueado por tropas britânicas e francesas durante a Segunda Guerra do Ópio (1860), encontraram cinco Pekingeses ao lado do corpo da Tia Imperial (que se suicidou para não ser capturada). Esses cães foram levados para a Inglaterra — um foi presenteado para a Rainha Vitória, que o chamou de Looty. Esse é o registro do início da raça no Ocidente.
Características físicas
| Característica | Detalhes | |---|---| | Peso | 3,2-6,4 kg | | Altura | 15-23 cm | | Pelo | Duplo — subpelo denso + pelo externo longo e reto | | Cor | Qualquer — dourado, vermelho, sable, preto, branco, brindle | | Focinho | Extremamente curto (braquicefálico) — focinho quase plano | | Vida útil | 12-15 anos |
A caminhada imperial: o Pekingese tem modo de andar característico — balançante, quase bamboleante — resultado de membros anteriores ligeiramente arqueados e ombros largos comparados ao tronco. É característica da raça, não problema ortopédico.
O "double coat": o pelo exuberante do Pekingese foi descrito como "juba de leão" — pelo mais longo ao redor do pescoço e ombros, formando uma espécie de colar. O subpelo denso dá volume ao conjunto.
Temperamento
Independente e digno: séculos de adoração imperial resultaram em cão que sabe seu valor. O Pekingese não implora por atenção nem segue o dono ansiosamente. É o cão que aceita — ou não — sua companhia.
Corajoso desproporcional: herança do "cão leão" — o Pekingese não recua de desafios, independente do porte do adversário. Pode confrontar cães muito maiores sem hesitar. Esse traço requer socialização desde filhote.
Leal à família: apesar da aparente independência, o Pekingese é profundamente leal às pessoas de sua família. Pode desenvolver vínculo forte — geralmente com uma pessoa em particular.
Reservado com estranhos: não é cão que vai saudar desconhecidos com entusiasmo. Avalia. Aceita quando decide que a pessoa merece.
Não é cão de crianças pequenas: tolerância baixa a manipulação excessiva, barulho e imprevisibilidade de crianças pequenas. Pode latir ou morder se incomodado. Melhor com crianças mais velhas que respeitam o espaço do cão.
Saúde
Síndrome Braquicefálica Obstrutiva (SOBCA)
A condição mais importante da raça — e que define muito da vida do Pekingese.
Componentes:
- Estenose de narina: narinas estreitas reduzem o fluxo de ar
- Palato mole alongado: o palato mole excede o comprimento normal, sendo aspirado para a laringe durante a inspiração
- Traqueia hipoplásica: traqueia de diâmetro menor que o normal
- Sáculos laríngeos evertidos: em casos graves, sáculos na laringe se evertem bloqueando ainda mais a via aérea
Sinais: ronco intenso (normal vs. respiração comprometida é diferença de grau), esforço respiratório ao exercício ou calor, cansaço rápido, regurgitação, episódios de respiração ruidosa.
Cirurgia: alargamento de narinas + encurtamento do palato mole — melhora significativamente a qualidade de vida. Recomendada antes de 2 anos de idade, antes que mudanças secundárias (sáculos evertidos) se desenvolvam.
Emergência por calor: Pekingeses não suportam calor e umidade — a respiração comprometida torna a termorregulação ineficaz. Temperatura > 25°C com umidade alta é risco real de crise respiratória. Ar condicionado é necessidade de saúde, não conforto.
Olhos — úlcera de córnea
Os olhos proeminentes (exoftalmia) do Pekingese são frágeis — facilmente lesionados por trauma, pelo ou objetos. Úlceras de córnea são emergências — se o olho parece opaco, fechado ou lacrimejando excessivamente, veterinário imediatamente.
Proptose ocular: em traumatismos, o olho pode sair da órbita — emergência absoluta. Não tentar recolocar — ir ao veterinário de urgência com o olho umedecido.
Doença do Disco Intervertebral (DDIV)
Pekingese têm coluna condrodistroplásica — predispostos a hérnias de disco, assim como Dachshunds, Poodles e Bassets. Claudicação, dor nas costas ou paralisia exigem avaliação urgente.
Dermatite de Dobras
As dobras ao redor do focinho e nariz acumulam umidade — infecção bacteriana e fúngica (Malassezia). Limpeza diária com pano seco ou lenço umedecido sem álcool é preventiva e obrigatória.
Grooming
Exige comprometimento real:
- Escovação: mínimo 4-5x/semana com escova de cerdas e pente de dentes finos — o subpelo denso feltrava rapidamente sem atenção diária
- Tosa profissional: a cada 6-8 semanas — manutenção do comprimento e aparência
- Banho: a cada 3-4 semanas — secar completamente (subpelo retém umidade → dermatite)
- Dobras faciais: limpeza diária com pano seco
- Unhas: crescem rápido — corte a cada 2-3 semanas (membros arqueados apoiam peso diferente)
- Orelhas: limpeza quinzenal — orelhas pendentes e pelo ao redor retêm umidade
Corte prático (teddy bear): muitos tutores optam pelo corte curto no corpo — facilita enormemente o manejo e reduce o risco de dermatite em climas quentes e úmidos do Brasil.
Exercício
Baixo: 20-30 minutos de caminhada por dia — suficiente para a raça.
Evitar exercício em dias quentes (acima de 23-25°C) ou alta umidade. Nunca exercitar no horário de pico de calor.
Peso: Pekingeses tendem ao sobrepeso — controle de dieta é importante para não sobrecarregar as articulações e a respiração já comprometida.
Para quem é o Pekingese
Boa escolha para:
- Tutores com experiência que aceitam a independência da raça
- Quem pode se comprometer com grooming e cuidados especiais de braquicefálico
- Apartamentos com ar condicionado e clima controlado
- Quem quer cão com história e personalidade marcantes
Não é boa escolha para:
- Famílias com crianças pequenas
- Clima quente sem controle de temperatura
- Quem não tem tempo para grooming extenso
- Tutores que querem cão altamente obediente e fácil de treinar
Perguntas frequentes
Pekingese é um bom cão para apartamento?+
Sim — para quem entende o temperamento da raça. O Pekingese tem necessidade de exercício baixa (caminhadas curtas satisfazem), não é cão de alta energia, e adapta-se bem ao espaço reduzido. Os desafios: o pelo exige grooming regular; como braquicefálico, o calor é problema sério — ar condicionado em dias quentes é necessidade, não luxo; e o latido, que pode ser frequente se não manejado desde filhote. O Pekingese também pode ser territorial — socialização ampla desde filhote é importante.
Pekingese é fácil de treinar?+
Não — é uma das raças mais desafiadoras para treinamento de obediência. O Pekingese foi criado por séculos para ser objeto de adoração imperial, não para executar comandos. Tem independência e altivez características — pode simplesmente decidir que não quer obedecer. Responde melhor ao reforço positivo com recompensas de alto valor e sessões muito curtas. Punição é contraprodutiva — o Pekingese simplesmente se fecha. A maioria dos tutores aprende a 'negociar' com a raça em vez de comandar.
Pekingese tem problemas de saúde por ser braquicefálico?+
Sim — como Bulldog Inglês, Pug e Shih Tzu, o Pekingese é braquicefálico (focinho achatado) e pode ter Síndrome Braquicefálica Obstrutiva (SOBCA): narinas estreitas (estenose de narina), palato mole alongado que obstrui a faringe, e traqueia hipoplásica. Resultado: dificuldade de respirar, ronco intenso, intolerância ao exercício e ao calor, risco de colapso respiratório em dias quentes. Cirurgia corretiva (alargamento das narinas, encurtamento do palato) melhora significativamente a qualidade de vida e é recomendada em casos moderados a graves.
Como cuidar do pelo do Pekingese?+
O pelo do Pekingese adulto é duplo — subpelo denso + pelo externo longo e mais grosso — e exige comprometimento sério. Escovação diária (ou mínimo 4-5x/semana) para evitar matões e feltragem, especialmente nas regiões de maior atrito (axilas, virilha, atrás das orelhas). Tosa profissional a cada 6-8 semanas. As dobras faciais (ao redor do focinho achatado) precisam de limpeza diária com pano seco ou lenço umedecido para evitar dermatite de dobras (infecção bacteriana/fúngica nas pregas). Muitos tutores optam pelo corte prático mais curto ('teddy bear cut') para facilitar o manejo.
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