Introdução

Os Pugs são pequenos, compactos e cheios de personalidade. Com seus olhos grandes, focinho achatado e o inconfundível “rabo enrolado”, eles conquistam o coração de quem tem a sorte de conviver com eles. Essa raça, originária da China e popularizada na Europa durante o século XVI, tornou‑se um dos companheiros favoritos nas casas brasileiras, seja em apartamentos urbanos ou em casas com quintal. Contudo, a aparência fofa esconde necessidades específicas que, quando atendidas, garantem uma vida longa, saudável e feliz para o seu pug.

Neste artigo, vamos percorrer um caminho completo, desde as características que definem o pug até as práticas diárias que todo tutor deve incorporar. Cada seção traz informações baseadas em evidências veterinárias, mas apresentadas de forma clara e acessível, para que qualquer pessoa – mesmo sem formação na área – consiga entender e aplicar. Falaremos sobre a importância de visitas regulares ao veterinário, a escolha correta de ração, os cuidados com a pele e as vias respiratórias, além de estratégias de treinamento que respeitam a sensibilidade desse cãozinho.

Ao final da leitura, esperamos que você se sinta mais confiante e preparado para oferecer ao seu pug o melhor cuidado possível, fortalecendo ainda mais o vínculo afetivo entre vocês. Lembre‑se: a relação tutor‑cão vai além de alimentar e passear; ela envolve atenção, carinho e conhecimento. Vamos juntos descobrir como transformar esses cuidados essenciais em hábitos prazerosos para ambos!

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Características Principais

O pug é reconhecido pela sua constituição robusta, mas ao mesmo tempo ágil. Seu peso ideal varia entre 6 e 9 kg e a altura, de 25 a 30 cm na cernelha. A pelagem curta e lisa pode ser de diversas tonalidades – fawn (bege), preto, prata e até “apricot” (pêssego). Essa variedade de cores não altera a necessidade de cuidados, mas alguns tons podem exigir mais atenção à proteção solar, já que a pele clara costuma ser mais sensível.

A cabeça do pug é um dos seus traços mais marcantes: crâneo‑facialmente braquicefálico, ou seja, com focinho curto e achatado. Essa conformação traz um charme inconfundível, porém predisponibiliza problemas respiratórios, como o colapso das vias aéreas superiores e a síndrome braquicefálica. Além disso, os olhos grandes e proeminentes são propensos a lesões, úlceras de córnea e lacrimejamento excessivo (conhecido como “olho lacrimoso”).

O temperamento do pug combina energia moderada com um forte desejo de companhia humana. São cães extremamente sociáveis, “cães de colo”, que adoram estar perto de seus tutores, seja no sofá, no carro ou no passeio. Essa necessidade de proximidade pode gerar ansiedade de separação se não for bem manejada. Em termos de inteligência, o pug aprende rapidamente comandos básicos, mas pode ser teimoso quando algo não lhe agrada. A chave está em usar reforço positivo e manter sessões de treinamento curtas e divertidas.

Fisicamente, o pug possui uma coluna vertebral curta e um tórax profundo, o que o torna vulnerável a hérnias de disco e a problemas articulares como a luxação patelar. Por isso, a escolha de atividades de baixo impacto – como caminhadas regulares e jogos de busca em superfícies macias – é essencial para preservar a saúde ortopédica.

Em resumo, o pug encanta pela aparência única e pelo temperamento afetuoso, mas requer atenção especial a questões respiratórias, oculares, cutâneas e ortopédicas. Conhecer essas particularidades é o primeiro passo para garantir que seu pequeno amigo viva com conforto e qualidade.

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Cuidados Essenciais

1. Higiene facial e ocular

Devido ao formato da cabeça, o pug acumula secreções nos cantos dos olhos e nas rugas faciais. Limpe‑os diariamente com um pano macio e úmido ou com compressas de solução fisiológica. Evite produtos perfumados que possam irritar a delicada pele. Se notar vermelhidão, inchaço ou secreção espessa, procure o veterinário imediatamente, pois pode indicar conjuntivite ou úlcera corneana.

2. Controle da temperatura corporal

Os pugs têm dificuldade em dissipar calor por causa do focinho curto. Em dias quentes, ofereça água fresca em abundância, mantenha o ambiente ventilado e evite passeios nas horas de pico de sol (10 h – 16 h). O uso de toalhas úmidas no dorso ou de “coletes refrescantes” pode ser uma boa estratégia. Fique atento a sinais de superaquecimento: respiração ofegante, língua muito vermelha, colapso ou vômito.

3. Escovação e cuidados com a pele

Apesar da pelagem curta, o pug pode apresentar pelos soltos e acúmulo de oleosidade. Escove‑o duas vezes por semana com uma escova de cerdas suaves para remover pelos mortos e estimular a circulação. Observe a presença de áreas avermelhadas ou com crostas – isso pode indicar dermatite alérgica ou irritação por atrito nas dobras da pele. Em caso de irritação, limpe a região com solução de clorexidina a 0,05 % e seque bem.

4. Exercícios adequados

Caminhadas de 20 a 30 minutos, duas vezes ao dia, são suficientes para manter o peso ideal e a saúde cardiovascular. Evite esforços intensos, corridas ou brincadeiras em superfícies escorregadias, que podem sobrecarregar as articulações. Se o pug for idoso ou apresentar sobrepeso, reduza a duração e aumente a frequência de caminhadas curtas.

5. Controle de peso

A tendência ao ganho de peso é alta nesta raça, principalmente por causa do metabolismo mais lento e da alimentação baseada em petiscos. Use uma balança de precisão para monitorar o peso a cada 15 dias, e ajuste a quantidade de ração conforme as recomendações do fabricante e do veterinário.

6. Visitas regulares ao veterinário

Leve seu pug ao veterinário ao menos duas vezes ao ano para exames de rotina, vacinação e avaliação das vias respiratórias. Em filhotes, o calendário de vacinas segue o protocolo padrão (V10 ou V8, anti‑cinomose, entre outros). Para cães adultos, o foco inclui exames de sangue, avaliação ortopédica e, se necessário, teste genético para doenças hereditárias (como a atrofia progressiva da retina).

7. Socialização e estímulo mental

Expor o pug a diferentes ambientes, pessoas e sons desde filhote diminui a ansiedade de separação e o medo de estímulos desconhecidos. Brinquedos de puzzle, jogos de busca e sessões curtas de treinamento são excelentes para manter a mente ativa.

Esses cuidados essenciais, quando incorporados à rotina diária, criam uma base sólida para a saúde física e emocional do pug, reduzindo a incidência de problemas comuns e fortalecendo o vínculo entre tutor e animal.

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Alimentação e Nutrição

Escolha da ração

Prefira rações de alta qualidade, formuladas para cães de porte pequeno ou médio, e que contenham proteínas de origem animal como primeiro ingrediente (frango, peixe, cordeiro). Verifique a presença de ácidos graxos ômega‑3 (EPA/DHA), que ajudam a manter a pele saudável e a reduzir inflamações nas vias respiratórias. Para pugs com tendência ao sobrepeso, opte por fórmulas “light” ou “controle de peso”, que possuem menos calorias e mais fibra.

Quantidade diária

A quantidade de alimento varia de acordo com a idade, nível de atividade e condição corporal. Em geral, um pug adulto pesa entre 6 kg e 9 kg e necessita de 120 g a 180 g de ração seca por dia, divididos em duas refeições. Use a tabela do fabricante como ponto de partida e ajuste com base no peso corporal medido semanalmente.

Frequência das refeições

Alimentar o pug duas vezes ao dia (manhã e noite) ajuda a regular o metabolismo e evita a fome excessiva, que pode levar a comportamentos de “comer tudo”. Para filhotes, a frequência aumenta para três ou quatro vezes ao dia, diminuindo gradualmente até a idade de 6 meses.

Alimentação caseira e complementos

Se desejar oferecer alimentos caseiros, siga a orientação de um nutricionista veterinário. Uma boa base inclui proteína magra (frango cozido sem pele, carne magra, peixe sem espinhas), carboidrato de fácil digestão (arroz integral, batata doce) e vegetais ricos em fibras (abóbora, cenoura). Evite alimentos tóxicos para cães, como cebola, alho, uvas, chocolate e adoçantes artificiais (xilitol).

Suplementação inteligente

  • Ômega‑3: 500 mg a 1 g por dia pode melhorar a saúde da pele e reduzir a inflamação das vias aéreas.
  • Glucosamina + Condroitina: Indicado para pugs mais velhos ou com histórico de problemas articulares; a dose típica é 250 mg de glucosamina e 150 mg de condroitina por dia.
  • Probióticos: Podem auxiliar na digestão e no equilíbrio da microbiota intestinal, especialmente após uso de antibióticos.

Hidratação

Mantenha sempre água fresca e limpa ao alcance. Em climas quentes, troque a água a cada 2‑3 horas e considere usar fontes de água automática, que incentivam o consumo.

Controle de petiscos

Petiscos são importantes para o treinamento, mas devem representar no máximo 10 % da ingestão calórica diária. Opte por opções saudáveis, como tiras de frango cozido, pedaços de cenoura ou biscoitos específicos para cães de porte pequeno.

Monitoramento de alergias alimentares

Alguns pugs desenvolvem alergias a proteínas específicas (por exemplo, frango ou soja). Se notar coceira persistente, irritação na pele ou problemas gastrointestinais, converse com o veterinário sobre a realização de dietas de eliminação para identificar o alérgeno.

Uma alimentação equilibrada, ajustada às necessidades individuais do seu pug, é a base para prevenir obesidade, doenças dermatológicas e disfunções metabólicas, garantindo energia suficiente para brincar, socializar e viver com saúde.

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Saúde e Prevenção

Doenças respiratórias

A síndrome braquicefálica é a principal preocupação. Manter o peso controlado, evitar esforço físico intenso e ambientes muito quentes diminui o risco de colapso das vias aéreas. Em casos de respiração ruidosa ou dificuldade ao subir escadas, o veterinário pode recomendar cirurgia de correção das narinas (alarplastia).

Problemas oculares

A exposição constante das glândulas lacrimais pode causar “olho lacrimoso”. Limpeza diária com solução fisiológica e, se necessário, uso de colírios lubrificantes (prescritos pelo veterinário) evitam úlceras corneanas. Em situações de irritação crônica, exames oftalmológicos detalhados são imprescindíveis.

Dermatite nas dobras

As rugas faciais acumulam umidade, favorecendo infecções bacterianas ou fúngicas. Seque delicadamente as dobras após o banho e, se houver sinal de vermelhidão ou odor, aplique antisséptico tópico (clorexidina a 0,05 %). Em casos recorrentes, o veterinário pode prescrever antibióticos de curta duração.

Saúde ortopédica

A luxação patelar e a displasia de quadril são mais frequentes em pugs. Manter um peso adequado reduz a carga nas articulações. Realizar exercícios de baixo impacto, como caminhar em superfícies macias e nadar (se houver estrutura adequada), ajuda a fortalecer a musculatura.

Doenças cardíacas

A miocardiopatia dilatada e as valvulopatias podem surgir. Exames de ausculta anual e ecocardiograma de rotina em cães acima de 5 anos permitem diagnóstico precoce. Sintomas como tosse seca, cansaço excessivo ou inchaço nas extremidades requerem avaliação imediata.

Vacinação e vermifugação

  • Vacinas essenciais: V10 ou V8 (cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa, leptospirose), raiva (obrigatória em muitas cidades) e, se indicado, a vacina contra a gripe canina.
  • Vermifugação: Realizar a cada 3 meses em ambientes urbanos, com produtos de amplo espectro (cestódios, nematódeos e ancilóstomos). Em filhotes, iniciar a partir de 2 semanas de idade.

Controle de parasitas externos

Pulgas e carrapatos são vetores de doenças (leishmaniose, erliquiose). Use coleiras ou spot‑on de longa duração, seguindo a recomendação do veterinário. A limpeza regular da cama e do ambiente diminui a reinfestação.

Exames de rotina

  • Hemograma completo e bioquímica: A cada 12 meses, para monitorar fígado, rins e função metabólica.
  • Teste de pressão intraocular (em cães acima de 6 anos) para detectar glaucoma.
  • Avaliação dentária: Escovação diária e limpeza profissional a cada 6‑12 meses previnem doença periodontal, que pode impactar a saúde sistêmica.

Plano de emergência

Tenha sempre à mão o número do seu veterinário de plantão e uma lista de medicamentos de uso imediato (por exemplo, anti‑inflamatórios prescritos). Em caso de dificuldade respiratória súbita, colapso ou convulsões, procure atendimento de urgência em menos de 30 minutos.

A prevenção proativa, combinada com monitoramento regular, reduz drasticamente a incidência de doenças graves e melhora a qualidade de vida do pug, permitindo que ele curta cada momento ao seu lado.

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Treinamento e Comportamento

Principais traços comportamentais

O pug é um cão de companhia que adora agradar. Essa predisposição facilita o treinamento quando o método utilizado é baseado em reforço positivo (petiscos, elogios, brincadeiras). No entanto, a teimosia pode aparecer quando o cão sente desconforto ou falta de motivação.

Socialização precoce

Entre 3 e 14 semanas de idade, exponha o filhote a diferentes pessoas, sons (aspirador, carro, trânsito) e superfícies (cerâmica, tapete, grama). Sessões curtas de 5‑10 minutos, seguidas de recompensas, ajudam a criar associações positivas.

Comandos básicos

  • Sentar – Use um petisco como guia, levantando a mão acima da cabeça do cão. Quando ele sentar, diga “sentar” e ofereça o petisco.
  • Deitar – A partir da posição sentada, segure o petisco próximo ao chão e mova lentamente em direção ao peito. Quando ele deitar, elogie e recompense.
  • Ficar – Depois do “sentar”, dê o comando “fica” e dê um passo atrás. Se permanecer, retorne e recompense. Aumente gradualmente a distância e o tempo.

Controle da ansiedade de separação

Pugs podem ficar ansiosos quando deixados sozinhos. Comece a praticar saídas curtas (2‑5 min) e aumente gradualmente. Deixe brinquedos interativos (puzzle de comida) para distraí‑lo. Nunca faça alarde ao sair ou ao chegar; permaneça calmo para não reforçar a ansiedade.

Exercícios de estímulo mental

  • Puzzle feeders: Distribua a ração em brinquedos que exigem manipulação para liberar a comida.
  • Busca de objetos: Esconda um petisco sob um copo e troque a posição, incentivando o cão a usar o olfato.
  • Truques divertidos: “Dar a pata”, “rolar” ou “apagar” são simples e mantêm a mente ativa.

Manejo da teimosia

Se o pug recusar um comando, verifique se há desconforto físico (dor nas articulações, calor excessivo). Caso esteja tudo bem, diminua a pressão e torne o treinamento mais lúdico. Divida o comando em etapas menores e recompense cada micro‑sucesso.

Uso de coleira e guia

Devido ao focinho curto, pugs podem respirar mais intensamente ao puxar. Use coleira tipo “peitoral” (harness) que distribui a força de forma equilibrada, evitando pressão no pescoço. A guia deve ser de comprimento moderado (1,2 m) para controle sem restrição excessiva.

Correção de comportamentos indesejados

  • Latidos excessivos: Identifique o gatilho (visita ao portão, barulhos externos) e ofereça um comando de “silêncio” seguido de recompensa quando ele obedecer.
  • Mordidas de brinquedo: Redirecione a energia para brinquedos adequados e evite usar as mãos como alvo.

Rotina e consistência

Mantenha horários regulares para alimentação, passeios e sessões de treinamento. A previsibilidade reduz o estresse e facilita a aprendizagem.

Aplicando essas estratégias, o tutor cria um ambiente de confiança, estimulação e disciplina suave, permitindo que o pug desenvolva seu potencial comportamental sem sofrimento.

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Dicas Práticas para Tutores