Saúde

Poliartrite Imune-Mediada em Cães: Articulações Inflamadas por Autoimunidade

A poliartrite imune-mediada (PAIM) em cães é a inflamação de múltiplas articulações causada por resposta autoimune — o sistema imune ataca o líquido sinovial. Manifestação: claudicação migratória, rigidez matinal, febre, letargia, dor ao manipular articulações. Diagnóstico: artrocentese (citologia do líquido sinovial — contagem de neutrófilos > 5.000/µL). Tratamento: imunossupressão com prednisona ± clorambucil ou ciclosporina. Formas: idiopática (mais comum), erosiva (poliartrite erosiva tipo Greyhound), reativa a infecção ou neoplasia. Bom prognóstico na forma idiopática com tratamento precoce.

31 de maio de 2026·1 min de leitura

O Labrador veio mancando da pata direita — e na semana seguinte era a esquerda.

Claudicação migratória. A característica que diferencia a autoimunidade do desgaste articular simples.

Febre de 40°C. Articulações edemaciadas ao carpo e ao tarso.

A artrocentese: líquido sinovial turvo, quarenta mil neutrófilos por microlitro.

Poliartrite imune-mediada. A prednisona em dose imunossupressora. A melhora em dez dias.

A doença que confunde médico veterinário — e que a agulha no líquido sinovial clareia.

PAIM — Tipos e Prognóstico

| Tipo | Erosão Óssea | Causa | Prognóstico | |---|---|---|---| | Idiopática não-erosiva | Não | Desconhecida | Bom com tratamento | | Reativa | Não | Infecção distante | Bom (tratar foco) | | Erosiva Greyhound | Sim — progressiva | Genética/imune | Reservado | | Artrite Reumatoide | Sim | Fator reumatoide + | Reservado |

Articulações Dolorosas — Diagnóstico Diferencial

| Condição | Padrão | Artrocentese | Claudicação | |---|---|---|---| | PAIM | Múltiplas | > 5.000 neutrófilos | Migratória | | Osteoartrite | Estável 1-2 | Normal-leve elevação | Estável | | Artrite séptica | Geralmente 1 | Neutrófilos degenerados + bactérias | Aguda/grave | | Ehrlichiose | Múltiplas | Neutrófilos + sorologia + | Variável |

Perguntas frequentes

O que é poliartrite imune-mediada e quais são os seus tipos?+

A poliartrite imune-mediada (PAIM; inglês: Immune-Mediated Polyarthritis — IMPA; também: poliartrite autoimune; não confundir com: osteoartrite (OA) — degeneração articular progressiva por desgaste — diferente da autoimunidade; artrite séptica — infecção bacteriana articular — diferente, tratamento com antibiótico; artrite da doença de Lyme (Borrelia) — causa infecciosa específica — mas pode desencadear PAIM reativa; espondilite anquilosante — menos descrita em cães; espondiloartropatia — diferente; displasia coxofemoral — problema estrutural e degenerativo, diferente) é a inflamação imune-mediada de múltiplas articulações — o sistema imune produz anticorpos e células T que atacam a membrana sinovial (sinóvia) das articulações. Classificação das poliartrites imune-mediadas em cães: Poliartrite Não-Erosiva (a MAIS COMUM): as articulações são inflamadas mas a cartilagem e o osso subcondral NÃO são destruídos radiograficamente; subtipos: PAIM idiopática (tipo 1): sem doença primária identificada — a forma mais frequente; diagnóstico de exclusão; PAIM reativa (tipo 2): reativa a foco infeccioso distante (piodermia, pielonefrite, infecção dentária); PAIM associada a gastrointestinal (tipo 3): associada a IBD, neoplasia intestinal; PAIM associada a neoplasia (tipo 4): paraneoplásica — linfoma, timoma; Poliartrite Erosiva: articulações DESTRUÍDAS progressivamente pelo processo inflamatório — osso e cartilagem erodidos radiograficamente; Poliartrite Erosiva tipo Greyhound: específica do Greyhound e parentes; erosão articular progressiva; Artrite Reumatoide Canina: equivalente da AR humana; produção de fator reumatoide positivo; destruição articular — mais rara; A distinção erosiva vs não-erosiva: crucial para o prognóstico; na forma erosiva: dano articular é permanente; na forma não-erosiva: o dano pode ser evitado com tratamento precoce.

Quais são os sinais clínicos e como é feito o diagnóstico da poliartrite imune-mediada?+

A PAIM tem apresentação bastante característica — múltiplas articulações afetadas, febre e claudicação que muda de membro. Sinais clínicos — padrão típico: Claudicação migratória: a característica mais importante — o cão manqueja de um membro hoje e de outro amanhã; diferente da osteoartrite (claudicação estável); Rigidez matinal: especialmente ao levantar-se pela manhã; melhora com o movimento (diferente da dor muscular aguda que piora com o uso); Febre: temperatura retal > 39,5°C — frequente na PAIM ativa; Letargia e anorexia: sinal sistêmico de processo inflamatório ativo; Dor à manipulação articular: ao flexionar e estender múltiplas articulações — carpo, tarso, joelhos, cotovelos; Edema articular: articulações aumentadas de volume — especialmente carpos e tarsos; Diagnóstico — o protocolo: Artrocentese: DIAGNÓSTICO DEFINITIVO — punção do líquido sinovial; normal: líquido transparente, viscoso, < 3.000 células/µL; PAIM: líquido turvo, menos viscoso, > 5.000 células/µL (frequentemente > 10.000-50.000); citologia: predomínio de neutrófilos não-degenerados (90%+) — inflamatório não-infeccioso; na artrite séptica: neutrófilos degenerados com bactérias; articulações a puncionar: carpo (mais acessível), joelho, tarso — punção mínima de 2-3 articulações; Cultura do líquido sinovial: excluir artrite séptica; Radiografias: nas formas não-erosivas: normais ou com leve efusão; na forma erosiva: erosões, estreitamento do espaço articular; Hemograma + bioquímica: leucocitose neutrofílica frequente; Pesquisa de causa primária: urinálise + cultura (pielonefrite); sorologias (Leishmania, Ehrlichia, Borrelia em áreas endêmicas); biópsia de pele, intestino; hemograma para neoplasia.

Qual é o tratamento da poliartrite imune-mediada em cães?+

O tratamento da PAIM visa suprimir a resposta imune e identificar/tratar a causa primária quando presente. Tratamento da PAIM idiopática não-erosiva: Prednisona — a base do tratamento: dose inicial imunossupressora: 2 mg/kg/dia (diferente da dose anti-inflamatória de 0,5-1 mg/kg); resposta esperada: melhora clínica em 5-14 dias — claudicação reduz, febre cede, apetite volta; reducão gradual: após remissão clínica (3-4 semanas): redução de 25% a cada 4 semanas até a menor dose eficaz; duração mínima: 3-6 meses de tratamento; recidivas: frequentes ao tentar descontinuar — muitos cães necessitam de tratamento de manutenção de longo prazo; Poupadores de esteroides — quando: resposta insuficiente à prednisona em doses imunossupressoras; efeitos colaterais inaceitáveis (poliúria, polidipsia, ganho de peso, infecções oportunistas); Clorambucil (0,1-0,2 mg/kg/dia): alkylating agent — citotóxico; permite redução da dose de prednisona; monitorar hemograma (mielossupressão); Ciclosporina: alternativa — inibe calcineurina; Azatioprina: menos usado em PAIM canina que em outras doenças imune-mediadas; Tratamento da PAIM reativa: tratar o foco infeccioso primário (antibiótico para pielonefrite, piodermia, infecção dentária) → melhora ou resolução da poliartrite; prednisona pode ser necessária inicialmente; Monitoramento: reavaliação 2-4 semanas após início do tratamento; re-artrocentese: confirmar remissão citopatológica antes de reduzir dose; a remissão citopatológica (líquido sinovial normalizado) deve preceder a redução de dose.

Quais raças são predispostas e como diferenciar a PAIM de outras doenças articulares?+

A PAIM pode afetar qualquer raça, mas algumas têm predisposição ou formas específicas descritas. Raças predispostas ou com formas específicas: Greyhound (e parentes — Whippet, Saluki): Poliartrite Erosiva tipo Greyhound — a forma erosiva mais característica no mundo canino; destruição articular progressiva; Labrador Retriever, Golden Retriever: PAIM idiopática não-erosiva descrita com frequência; Bernese Mountain Dog: predisposto a doenças imune-mediadas em geral incluindo PAIM; Weimaraner: PAIM descrita; Shar-Pei: Síndrome da Febre do Shar-Pei (FSF) — amiloidose + artrite aguda recorrente — relacionada à disfunção inflamatória; Diagnóstico diferencial — articulações dolorosas em cães: Osteoartrite (OA): radiografia: osteófitos, estreitamento do espaço; afeta articulações com histórico de lesão/displasia; claudicação estável (não migratória); líquido sinovial: < 5.000 células com mononucleares dominantes; Artrite Séptica: geralmente monoarticular; febre alta; líquido sinovial turvo com neutrófilos degenerados + bactérias intra e extracelulares; Artrite da Ehrlichiose: Ehrlichia canis (vetor carrapato) → trombocitopenia + poliartrite; sorologia positiva; Artrite da Leishmaniose: L. infantum → poliartrite em áreas endêmicas; sorologia/PCR positivos; Panosteíte: filhotes e adultos jovens de raças grandes; dor nos ossos longos (não articulações); migratória; radiografia: espessamento do canal medular; Dano tendinoso/ligamentar: ruptura de ligamento cruzado → monoarticular aguda; O erro mais comum: tratar claudicação migratória com anti-inflamatório não-esteroidal (AINE) sem artrocentese → melhora parcial temporária, sem diagnóstico definitivo, progressão da doença.

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Torção Esplênica em Cães: Emergência Cirúrgica Abdominal

A torção esplênica (TE) é a rotação do baço em torno do hilo esplênico, interrompendo o fluxo vascular e causando congestão progressiva e necrose. Pode ocorrer isoladamente (Torção Esplênica Primária) ou associada à Dilatação-Vólvulo Gástrico (DVG). Pastor Alemão de meia-idade: predisposição específica para torção esplênica primária. Sinais: distensão abdominal, dor, anemia hemolítica progressiva, Heinz bodies. Tratamento: esplenectomia de emergência.

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Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica

A Tetralogia de Fallot (ToF) é uma malformação cardíaca congênita composta de quatro defeitos simultâneos: (1) Comunicação Interventricular (CIV), (2) Estenose Pulmonar (EP), (3) Aorta cavalgante sobre o septo e (4) Hipertrofia Ventricular Direita (HVD). A EP severa força shunt direito-esquerdo → cianose (mucosas azuladas) e policitemia. Keeshond tem predisposição genética documentada. Diagnóstico: ecocardiografia. Tratamento: cirurgia paliativa (Blalock-Taussig) ou correção completa. Prognóstico: reservado sem intervenção.

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Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães

A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET — também TEN) são reações cutâneas graves e potencialmente fatais — resultam na morte massiva de queratinócitos e desprendimento extenso da epiderme. No cão, o quadro canino equivalente envolve erosões/ulcerações mucosas, vesículas e descamação de pele em extensão variável. Causa mais comum: reação medicamentosa (antibióticos, anticonvulsivantes, AINEs, sulfonamidas). Diagnóstico: biópsia (necrose de queratinócitos em toda a espessura da epiderme). Tratamento: suspensão imediata do fármaco + suporte intensivo. Prognóstico: grave — mortalidade elevada na forma NET.