Saúde

Picada de Aranha-Marrom em Cachorro: Loxosceles e Loxoscelismo

A aranha-marrom (Loxosceles intermedia, L. laeta e L. gaucho) é a principal causa de araneísmo grave no Brasil, especialmente no Paraná e em Santa Catarina. O veneno de Loxosceles causa loxoscelismo cutâneo (necrose de coagulação) ou visceral (hemólise intravascular). Diagnóstico: lesão necrótica em 'placa marmórea' + histórico de exposição. Tratamento: soro antiloxoscélico nos CATOs + dapsona (uso controverso) + suporte. Cães pequenos e filhotes têm maior risco de forma visceral.

30 de maio de 2026·1 min de leitura

A fêmea Golden de 4 anos chegou com a pata dianteira inchada.

A tutora não sabia o que tinha acontecido — acordou assim.

No dia seguinte: área central pálida e borda vermelha na pata. Placa marmórea.

Paraná. Verão. L. intermedia.

CATO acionado. Soro antiloxoscélico — 5 ampolas IV.

A necrose foi contida. Cicatriz permanente, mas sem amputação.

Loxoscelismo — Evolução da Lesão Cutânea

| Fase | Tempo | Sinais | Ação | |---|---|---|---| | Inicial | 0-6h | Eritema, dor leve, lambedura compulsiva | Levar ao veterinário — soro é mais eficaz aqui | | Intermediária | 6-24h | Placa marmórea — centro pálido + borda eritematosa | Soro + corticoide | | Tardia | 24h+ | Necrose de coagulação, escara escura | Desbridamento tardio (2-3 semanas) |

Formas Clínicas do Loxoscelismo

| Forma | Frequência | Sinais Principais | Risco | |---|---|---|---| | Cutânea | Mais comum | Necrose local, placa marmórea | Cicatriz, perda tecidual | | Visceral | Cães pequenos — maior risco | Hemoglobinúria, anemia hemolítica | CID, insuficiência renal |

Protocolo de Tratamento

| Intervenção | Indicação | Dose/Observação | |---|---|---| | Soro antiloxoscélico | Todo caso moderado/grave | 5 ampolas (cutâneo) / 10 ampolas (visceral) IV — CATO | | Prednisona | Componente inflamatório | 1-2 mg/kg/dia VO | | Fluidos IV | Loxoscelismo visceral | Proteção renal | | Desbridamento | Necrose estabelecida | Após 2-3 semanas — bordos estáveis |

Perguntas frequentes

Quais são as espécies de aranha-marrom no Brasil e por que são perigosas?+

O Brasil tem três espécies de Loxosceles de importância médico-veterinária — todas com veneno necrotizante potente. Espécies brasileiras: Loxosceles intermedia: a mais comum e perigosa no Brasil; distribuição: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo (sul); responsável pela maioria dos casos de loxoscelismo no Sul do Brasil; Loxosceles laeta: maior das três; distribuição: mais comum no Paraná e Santa Catarina; veneno mais potente em estudos comparativos; Loxosceles gaucho: distribuição: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais; levemente menos perigosa que L. intermedia; Identificação da aranha: 1-4 cm (corpo + patas); coloração: marrom a bege — daí o nome; marca característica: violino ou fídula no cefalotórax — 'aranha violinista'; olhos em pares de 3 — 6 olhos díades (não 8 como em outras aranhas); hábitos: noturna, evita confronto, pica quando pressionada (roupa, calçado, cama); Por que o veneno é perigoso: Esfingomielinase D (componente principal): hidrolisa a esfingomielina das membranas celulares → destruição direta das células; ativa o complemento → inflamação local intensa; ativa plaquetas → microtrombose local; Hialuronidase: 'fator de dispersão' — facilita a penetração do veneno nos tecidos; LiLiP (Loxosceles Insecticidal Peptide): contribui para necrose; O resultado: ischemia + inflamação + trombose = necrose de coagulação progressiva → 'placa marmórea'.

Quais são os sinais do loxoscelismo em cães e como avaliar a gravidade?+

O loxoscelismo em cães apresenta-se em duas formas: cutânea (mais comum) e visceral (mais grave). Loxoscelismo cutâneo: Fase inicial (0-6h): dor local discreta (diferente da picada de escorpião — dor é MAIS INTENSA imediatamente); eritema local; o cão lambe e morde o local persistentemente; Fase intermediária (6-24h): 'placa marmórea' — área de coloração irregular com centro pálido isquêmico e borda eritematosa; edema local; crostas incipientes; Fase tardia (24h-semanas): necrose de coagulação: escara seca e escura que se aprofunda; a lesão pode atingir 5-20 cm² dependendo da quantidade de veneno; derme e hipoderme afetadas — cicatrização prolongada; locais de risco: focinho, orelha, pata — locais sem muita gordura subcutânea têm necrose mais rápida; Loxoscelismo visceral (hematúria, hemólise): mais comum em cães pequenos e filhotes; ocorre em 10-15% dos casos em humanos — dados em cães mais escassos; sinais: hemoglobinúria (urina vermelho-escura a marrom = hemoglobina livre), palidez de mucosas, taquicardia, prostração, anemia hemolítica; mecanismo: esfingomielinase D + complemento → hemólise intravascular massiva; risco de Coagulação Intravascular Disseminada (CID) e insuficiência renal aguda; Avaliação de gravidade: Leve: lesão cutânea < 3 cm, sem sinais sistêmicos; Moderado: lesão cutânea > 3 cm ou com sinais sistêmicos leves; Grave: forma visceral, hemólise, CID, insuficiência renal.

Qual é o tratamento da picada de aranha-marrom em cães?+

O tratamento depende da gravidade — forma cutânea leve versus forma visceral são abordagens muito diferentes. Avaliação imediata: levar ao veterinário em até 6h — o soro antiloxoscélico é mais eficaz nas primeiras horas; descrever: quando suspeita da picada, local da lesão, espécie da aranha (se capturada); Soro antiloxoscélico (principal tratamento): disponível nos CATOs (Centros de Assistência Toxicológica); produzido pelo Instituto Butantan (SP) e Fundação Ezequiel Dias (MG); dose: 5 ampolas IV para forma cutânea moderada; 10 ampolas IV para forma visceral; diluir em soro fisiológico e infundir em 60 min; eficácia maior nas primeiras 4-6h — após 24h: ainda neutraliza veneno circulante mas necrose já estabelecida; Corticoterapia: prednisona 1-2 mg/kg/dia: reduz o componente inflamatório/imunológico; início precoce — antes de 48h da picada; Dapsona (controverso em veterinária): em humanos: reduz o recrutamento de neutrófilos — bloqueia peroxidase mieloperoxidase; dose humana: 100 mg/dia; uso em cães: off-label, doses não padronizadas — consultar com especialista em toxicologia veterinária; contraindicada em cães com deficiência de G6PD; Cuidados locais da lesão: NÃO incisar, NÃO aspirar — agrava a dispersão do veneno; lavar com água e sabão; curativo limpo e úmido; se necrose estabelecida: desbridamento cirúrgico tardio (após 2-3 semanas — quando os bordos estiverem estáveis); Loxoscelismo visceral — UTI: fluidos IV agressivos: proteção renal; transfusão se anemia grave (Ht < 15%); monitorar função renal (ureia, creatinina); monitorar coagulograma: CID → plasma fresco + vitamina K.

Como prevenir a picada de aranha-marrom em cães e humanos?+

A aranha-marrom é cada vez mais urbana — presente em casas, apartamentos e jardins especialmente no Sul do Brasil. Ecologia e risco: áreas de maior risco: Paraná (Curitiba e região têm altíssima densidade de L. intermedia), Santa Catarina, sul de SP; ambiente favorito: entulho, papelão empilhado, roupas guardadas, calçados, fendas em paredes, atrás de quadros, em porões e sótãos; ativa à noite — pica quando pressionada acidentalmente; Prevenção no ambiente doméstico: eliminar entulho e materiais de construção amontoados; sacudir roupas e sapatos antes de usar (especialmente se guardados em local escuro); inspecionar cama e cobertores (L. intermedia é uma das aranhas que pode subir em camas); vedar frestas em paredes e rodapés; manter caixas de papelão longe do chão ou usar plástico; Proteção dos cães: não deixar a cama do cão encostada na parede ou em locais escuros não inspecionados; verificar a cama do cão regularmente — especialmente em SP, PR e SC; o cão em contato com a aranha pode comer a aranha (menos risco via ingestão que via picada) ou ser picado ao comprimir a aranha; O que fazer ao suspeitar de picada: inspecionar o corpo do cão — focinho, orelhas, patas e abdômen; procurar a aranha: colocar em pote fechado e levar ao veterinário/CATO para identificação; não matar ou esmagar — dificulta identificação; CATOS regionais: Paraná — Centro de Informações Toxicológicas do Paraná; SP — CIT-SP; contato 24h: 0800-722-6001 (CIATOX nacional).

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