Introdução

O Otterhound (ou Cão de Lontra) é uma raça pouco conhecida no Brasil, mas que tem conquistado o coração de tutores que buscam um companheiro leal, cheio de energia e com um temperamento amigável. Originário da Inglaterra, esse cão foi criado originalmente para caçar lontras nas águas frias dos rios britânicos, o que explica sua pelagem densa, resistência ao frio e grande afinidade com ambientes aquáticos. Para quem está pensando em adotar ou já tem um Otterhound em casa, entender as especificidades da raça é fundamental para garantir que ele viva saudável, feliz e bem‑adjustado ao convívio familiar.

Neste artigo, reunimos informações baseadas em evidências veterinárias e em experiências de criadores e tutores experientes, sempre com uma linguagem empática e acessível ao leitor brasileiro. Abordaremos desde as características físicas e comportamentais que definem o Otterhound até os cuidados diários, alimentação, saúde preventiva, treinamento e dicas práticas que facilitam o dia a dia. Nosso objetivo é proporcionar ao tutor um guia completo, que sirva como referência segura para oferecer ao seu cão o melhor suporte possível, fortalecendo a relação de confiança e carinho entre vocês.

Se você já tem um Otterhound, este conteúdo pode ajudá‑lo a identificar necessidades que ainda não foram atendidas ou a aprimorar rotinas já estabelecidas. Se ainda está considerando trazer um desses companheiros para sua casa, as informações aqui reunidas vão esclarecer dúvidas frequentes, ajudando a tomar uma decisão consciente e responsável. Lembre‑se: cada cão é um indivíduo, e o sucesso no cuidado depende de observar, compreender e atender às particularidades do seu animal. Vamos, então, mergulhar nos detalhes que tornam o Otterhound tão especial e aprender como proporcionar a ele uma vida plena e saudável.

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Características Principais

Origem e história

O Otterhound pertence ao grupo dos cães de caça da categoria “scent hounds”. Desenvolvido na Inglaterra medieval, seu nome deriva da habilidade de perseguir e capturar lontras (otters) em rios e lagos. Ao longo dos séculos, a raça foi refinada para combinar resistência física, olfato apurado e um temperamento dócil, tornando‑se um parceiro valioso tanto nas expedições de caça quanto como animal de companhia.

Aparência física

  • Pelagem: O traço mais marcante do Otterhound é sua pelagem dupla e ondulada, composta por um subpelo macio e denso, que protege contra água fria, e uma camada externa mais áspera que repele a sujeira. As cores variam entre cinza, preto, marrom e combinações de “grizzled”.
  • Tamanho: Machos medem entre 61 e 71 cm na cernelha e pesam de 32 a 38 kg; as fêmeas são ligeiramente menores, entre 58 e 66 cm e 27 a 34 kg.
  • Cabeça e orelhas: Possuem crânio longo e estreito, com orelhas largas e pendentes que ajudam a canalizar odores para o nariz.

Temperamento e personalidade


  • Sociável e amigável: O Otterhound costuma ser afetuoso com a família e se dá bem com crianças, desde que sejam ensinadas a respeitar seu espaço.
  • Instinto de caça: Mesmo domesticado, mantém um forte impulso de rastreamento e perseguição, o que pode levá‑lo a seguir cheiros por longas distâncias.
  • Inteligente, porém teimoso: Aprende rapidamente, mas pode demonstrar obstinação se não houver motivação suficiente (recompensas, brincadeiras).
  • Necessidade de exercício: Energia abundante requer caminhadas diárias, atividades aquáticas e jogos de busca que desafiem seu faro.

Compatibilidade com o clima brasileiro

Embora a pelagem densa seja ideal para climas frios, o Otterhound adapta‑se bem a regiões mais quentes, desde que receba sombra, água fresca e cuidados para evitar superaquecimento. Em áreas tropicais, é crucial evitar exposição prolongada ao sol intenso e proporcionar ambientes climatizados durante o verão.

Expectativa de vida

A expectativa de vida média varia entre 10 e 12 anos, podendo ser maior com manejo adequado de saúde, alimentação balanceada e estímulos mentais.

Essas características ajudam o tutor a entender como criar um ambiente que respeite as necessidades naturais da raça, promovendo bem‑estar físico e emocional.

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Cuidados Essenciais

Higiene e banho

  • Frequência: Devido à pelagem densa, recomenda‑se banho a cada 6 a 8 semanas, usando shampoos específicos para cães de pêlo longo e que não retire os óleos naturais.
  • Escovação: Diariamente ou, no mínimo, três vezes por semana, utilizando uma escova de cerdas macias e um pente de dentes largos. Esse procedimento evita nós, reduz a queda de pelos e estimula a circulação cutânea.
  • Secagem: Após o banho, seque bem o pelo com toalhas absorventes e, se possível, use um secador em temperatura baixa, pois a umidade prolongada pode causar dermatites.

Controle de parasitas


  • Pulgas e carrapatos: Aplicar preventivos mensais (spot‑on, coleiras ou comprimidos) recomendados por veterinário, especialmente nas regiões mais úmidas onde carrapatos são prevalentes.
  • Vermifugação: Realizar vermifugação a cada 3 meses, ajustando o protocolo conforme exames de fezes.

Cuidados com as orelhas

As orelhas largas e pendentes são propensas ao acúmulo de cera e infecções. Limpe-as semanalmente com solução isotônica ou produtos específicos, usando algodão ou gaze macia. Evite inserir objetos pontiagudos que possam lesionar o canal auditivo.

Higiene dental

Escove os dentes do Otterhound ao menos 2–3 vezes por semana com pasta dental própria para cães. Ofereça brinquedos mastigáveis (como ossos de nylon) que ajudam a reduzir o tártaro. Visitas ao veterinário para limpeza profissional devem ocorrer a cada 6–12 meses.

Espaço e conforto

  • Abrigo: Forneça uma cama ortopédica de tamanho adequado, preferencialmente em local fresco e ventilado.
  • Área externa: Se houver quintal, garanta que esteja cercado e livre de objetos pontiagudos. Uma piscina ou tanque raso pode ser muito apreciado, pois o Otterhound adora água.

Rotina de exercício

Caminhadas de 1 a 2 horas, divididas em duas sessões, são essenciais. Inclua jogos de busca com bola ou frisbee e, se possível, sessões de natação supervisionada. O exercício regular previne obesidade, ansiedade e comportamentos destrutivos.

Socialização e estímulo mental

Introduza o cão a diferentes ambientes, pessoas e outros animais logo nos primeiros meses de vida. Brinquedos interativos, como puzzles e brinquedos que liberam petiscos, ajudam a manter a mente ativa e reduzem o tédio.

Registro e documentação

Mantenha a carteira de vacinação atualizada, registre o animal no município e considere a microchipagem. Esses procedimentos facilitam a localização do cão em caso de perda e garantem a conformidade legal.

Ao seguir esses cuidados essenciais, o tutor cria uma base sólida para a saúde física e emocional do Otterhound, prevenindo problemas que, muitas vezes, surgem por falta de atenção a detalhes aparentemente simples.

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Alimentação e Nutrição

Necessidades calóricas

Um Otterhound adulto ativo necessita de aproximadamente 1 500 a 2 000 kcal por dia, variando conforme o peso, nível de atividade e idade. Filhotes em fase de crescimento podem requerer até 30 % a mais de energia, distribuída em 3 a 4 refeições diárias.

Macro e micronutrientes

  • Proteínas: Devem representar 22‑30 % da dieta, provenientes de fontes de alta qualidade como carne bovina, frango, peixe ou cordeiro. As proteínas são fundamentais para a manutenção muscular, especialmente em cães que praticam exercícios intensos.
  • Gorduras: Entre 12‑18 % das calorias, fornecendo energia concentrada e ácidos graxos essenciais (ômega‑3 e ômega‑6) que ajudam na saúde da pele e pelagem.
  • Carboidratos: Não são obrigatórios, mas podem ser incluídos em forma de cereais integrais (arroz, aveia) ou vegetais, ajudando na saciedade e na regulação do trânsito intestinal.
  • Fibras: Aproximadamente 3‑5 % da dieta favorecem a digestão e evitam constipação.

Escolha do alimento


  • Ração premium: Opte por marcas que possuam certificação da ANVISA e que listem as fontes de proteína animal nas primeiras posições da lista de ingredientes.
  • Ração específica para raças de médio a grande porte: Muitas vezes formulada com níveis adequados de cálcio e fósforo para suporte ósseo.
  • Dieta caseira ou BARF: Se preferir preparar a comida em casa, consulte um nutricionista veterinário para montar um plano balanceado que inclua carne magra, ossos crus (com supervisão), vegetais cozidos e suplementos de vitaminas/minerais.

Suplementação inteligente


  • Ácidos graxos essenciais: Óleo de peixe (salmão) pode ser adicionado para melhorar a qualidade da pelagem e reduzir inflamações articulares.
  • Glucosamina e condroitina: Benefícios comprovados na saúde das articulações, especialmente em cães de raças grandes ou com predisposição a displasia coxofemoral.
  • Probióticos: Auxiliam na flora intestinal, reduzindo diarreias ocasionais e melhorando a absorção de nutrientes.

Controle de peso

Obesidade é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas. Use a regra da “regra dos 2 dedos” para avaliar a camada de gordura sobre as costelas: deve ser possível sentir as costelas com pressão leve, mas sem visualizá‑las claramente. Ajuste a quantidade de ração conforme a variação de peso, sempre monitorando mensalmente.

Hidração

Mantenha água fresca e limpa sempre à disposição. Cães ativos, especialmente aqueles que se exercitam em ambientes quentes, podem consumir até 150 ml de água por quilograma de peso corporal ao dia. Troque a água várias vezes ao dia e limpe o bebedouro para evitar proliferação de bactérias.

Alimentação durante o calor

Em climas tropicais, ofereça refeições menores e mais frequentes durante as horas mais frescas (manhã e noite). Evite alimentar o cão imediatamente após exercícios intensos, pois isso pode gerar torção gástrica, uma condição grave que requer atenção veterinária urgente.

Atenção a alimentos tóxicos

  • Chocolate, cafeína, uvas, cebola, alho e abacate são altamente tóxicos para cães.
  • Alimentos gordurosos podem causar pancreatite.
  • Xilitol (adoçante presente em balas e gomas) provoca hipoglicemia fatal.
Ao seguir essas diretrizes nutricionais, o tutor garante que o Otterhound receba os nutrientes necessários para sustentar seu alto nível de atividade, manter a pelagem saudável e prevenir doenças relacionadas à alimentação.

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Saúde e Prevenção

Vacinação essencial


Vacina
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V8 (cinomose, parvovirose, adenovirose, hepatite)
A cada 3–4 semanas até 16 semanas, depois 1 ano e anualmente
V10 (inclui leptospirose)
Reforço anual
Raiva
Reforço a cada 1 ou 3 anos, conforme legislação local
Gripe canina (Opcional)
Anual, especialmente em regiões com alta circulação viral
Manter o calendário de vacinação em dia protege o Otterhound contra doenças graves e potencialmente fatais.

Exames de rotina

  • Hemograma completo e bioquímica: Anual, para avaliar função hepática, renal e detectar anemia ou infecções ocultas.
  • Exame de fezes: A cada 6 meses, para identificar parasitas internos.
  • Radiografia torácica: A partir dos 7–8 anos, para monitorar condições cardíacas e ortopédicas típicas de raças grandes.
  • Teste de displasia coxofemoral: Se houver histórico familiar, pode ser realizado entre 12 e 18 meses de idade.

Problemas de saúde mais comuns


  • Displasia coxofemoral (DC): Defeito no desenvolvimento da articulação do quadril, que pode causar dor e claudicação. A prevenção inclui controle de peso, exercícios de baixo impacto (natação) e suplementos de glucosamina.
  • Hipotireoidismo: Diminuição da produção de hormônios tireoidianos, manifestando-se por ganho de peso, pelagem opaca e letargia. Diagnóstico por dosagem de T4 livre e tratamento com levotiroxina.
  • Dermatites e alergias cutâneas: Devido à pelagem densa, o Otterhound pode desenvolver irritações. Banhos regulares, escovação e uso de shampoos hipoalergênicos ajudam. Em casos graves, antihistamínicos ou dietas hipoalergênicas são indicados.
  • Problemas oculares: Como ceratite e entropion (pálpebra invertida). Exames oftalmológicos anuais evitam complicações.
  • Torsão gástrica (síndrome de dilatação‑volvo gástrico): Risco maior em cães de grande porte que comem rapidamente após exercício intenso. Alimentar em porções menores, usar comedouros anti‑engolir e evitar exercícios imediatamente após a refeição são medidas preventivas.

Controle de parasitas internos e externos


  • Vermifugação: Protocolo padrão a cada 3 meses, adaptado por exames de fezes.
  • Antipulgas e carrapatos: Produtos spot‑on (ex.: fipronil, imidacloprida) ou coleiras (ex.: deltametrina). Trocar a cada 3–6 meses, conforme recomendação do fabricante.

Cuidados com a pelagem e pele


  • Óleos essenciais: Evite o uso de óleos essenciais não comprovados, pois podem causar irritação.
  • Banhos medicinais: Quando houver dermatite, utilize shampoos com clorexidina ou aveia coloidal, prescritos pelo veterinário.

Primeiros socorros básicos


  • Ferimentos: Limpe com solução salina, aplique antisséptico e procure o veterinário se houver sangramento intenso.
  • Intoxicação: Em caso de ingestão de substâncias tóxicas, induza vômito (somente sob orientação) e leve o animal ao pronto‑socorro veterinário imediatamente.
  • Calor excessivo: Se o cão apresentar respiração ofegante, língua vermelha e colapso, ofereça água gelada nas axilas e nas patas, e procure ajuda emergencial.

Importância do acompanhamento veterinário

Visitas regulares ao veterinário (pelo menos duas vezes ao ano) permitem a detecção precoce de doenças, ajuste de dietas e atualização de vacinas. Um plano de saúde preventiva reduz custos futuros e melhora a qualidade de vida do Otterhound.

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Treinamento e Comportamento

Princípios de treinamento positivo

  • Reforço imediato: Ofereça petiscos, elogios ou brinquedos logo após o comportamento desejado.
  • Consistência: Use as mesmas palavras‑chave e gestos em todas as sessões.
  • Curto e frequente: Sessões de 5‑10 minutos, 2–3 vezes ao dia, mantêm o cão engajado sem gerar fadiga.

Socialização precoce


  • Idade ideal: Entre 8 e 16 semanas, exponha o filhote a diferentes ambientes (parques, ruas movimentadas), sons (trânsito, aspirador) e pessoas de diversas idades.
  • Contato com outros animais: Encontros controlados com cães bem‑educados ajudam a desenvolver habilidades de comunicação canina.

Obediência básica


Comando
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“Sentar”
Segure um petisco acima da cabeça e mova‑o para trás; o cão naturalmente senta.
“Deitar”
O cão deita o corpo no chão. | Depois de “sentar”, baixe o petisco até