Saúde

Osteoartrite em Cachorro: A Doença Articular Mais Comum

A osteoartrite (OA) é uma doença articular degenerativa crônica que afeta 20-25% dos cães adultos — e até 80% dos cães acima de 8 anos. Degeneração progressiva da cartilagem articular → inflamação → dor crônica. Raças grandes mais predispostas. Tratamento: anti-inflamatórios (AINEs), suplementos (glucosamina, condroitina), controle de peso, fisioterapia. Tratamentos inovadores: terapia com células-tronco, anticorpos monoclonais anti-NGF.

30 de maio de 2026·1 min de leitura

O Labrador de 9 anos demorava mais para se levantar. O tutor achava que era "cansaço da idade".

A radiografia mostrou osteófitos bilaterais no quadril, esclerose subcondral, redução do espaço articular.

Osteoartrite avançada — provavelmente com anos de progressão silenciosa.

A Prevalência Subestimada

| Faixa etária | Prevalência estimada de OA | |---|---| | Adultos (2-7 anos) | ~20-25% | | Maduros (8-10 anos) | ~50-60% | | Seniores (> 10 anos) | ~80% |

Os cães mascaram a dor instintivamente — e a OA é a causa mais comum de dor crônica silenciosa em cães.

Sinais Que os Tutores Ignoram

| Sinal | O que parece | O que significa | |---|---|---| | Demora para levantar | "Preguiça" | Rigidez por OA | | Relutância a subir escadas | "Hábito" | Dor articular | | Círculos longos antes de deitar | "Ritual" | Buscando posição menos dolorosa | | Menos brincar | "Envelhecimento" | Dor limita atividade | | Lambedura do joelho | "Limpeza" | Dor local |

Tratamento Multimodal

| Abordagem | Opções | |---|---| | AINE | Meloxicam, Carprofeno, Grapiprant | | Anti-NGF | Frunevetmab (Librela) — injeção mensal SC | | Suplementos | Glucosamina + condroitina, Ômega-3, Mexilhão verde | | Fisioterapia | Hidroterapia, Laser terapêutico, TENS | | Células-tronco | Disponível em centros especializados no Brasil | | Controle de peso | O fator mais impactante e mais simples |

Raças Mais Predispostas

| Raça | Articulação principal | |---|---| | Labrador, Golden Retriever | Quadril + cotovelo | | Pastor Alemão | Quadril + mielopatia | | Rottweiler | Quadril + ombro | | Bernês da Montanha | Cotovelo + ombro | | Dachshund | Coluna vertebral (DDIV) |

Perguntas frequentes

O que é a osteoartrite canina e quais são os fatores de risco?+

A osteoartrite (OA) canina — também chamada artrose ou doença articular degenerativa (DAD) — é uma condição crônica progressiva caracterizada pela degeneração da cartilagem articular com inflamação e remodelação óssea secundária. Prevalência: afeta estimadamente 20-25% dos cães adultos; em cães acima de 8 anos: até 80%; é a causa mais comum de dor crônica em cães — frequentemente subdiagnosticada porque os cães mascaram a dor; Mecanismo: a articulação saudável tem cartilagem articular que cushiona os ossos; na OA: condrócitos (células da cartilagem) são ativados → produção de enzimas proteolíticas (metaloproteases) → degradação da cartilagem; com a perda de cartilagem: osso subcondral fica exposto → esclerose → formação de osteófitos (bicos de papagaio ósseos); inflamação sinovial (sinovite): perpetua o ciclo; mediadores: IL-1β, TNF-α, PGE₂, NO; Fatores de risco: Raça/porte: raças grandes e gigantes (Labrador, Pastor Alemão, Rottweiler, Golden Retriever, Bernês): displasia de quadril e cotovelo são causas primárias frequentes de OA secundária; Peso: obesidade é o maior fator modificável — cada 1 kg extra = 4-5 kg de carga extra por articulação; Idade: processo progressivo — piora com o tempo; Histórico de lesão articular: cruciate ligament ruptura, fraturas intra-articulares → OA secundária precoce; Displasia articular: quadril, cotovelo, ombro; Conformação: raças com angulações extremas.

Como reconhecer os sinais de osteoartrite em cães?+

Os cães são especialistas em mascarar a dor — o instinto de sobrevivência suprime a expressão de vulnerabilidade. O tutor atento reconhece os sinais sutis. Sinais comportamentais (os mais observados pelos tutores): Dificuldade de levantar após repouso — 'rigidez matinal'; relutância em subir escadas, pular para sofá ou carro; Redução da atividade espontânea: o cão que brincava e agora fica parado; Claudicação: coxear mais evidente no início da atividade (depois 'esquenta'); Relutância a ser tocado em certas áreas — pode rosnado ou fugir ao tocar o quadril; Mudança de postura ao deitar: círculos longos antes de deitar, escolhe superfície mais macia; Lambedura excessiva de articulações específicas; Perda de massa muscular: atrofia por desuso dos músculos ao redor da articulação afetada; Irritabilidade ou alteração de comportamento; Vocalização: ocasionalmente — mas muitos cães não vocalizam; Exame clínico e diagnóstico: crepitação articular: som de atrito ao mover a articulação; redução de amplitude de movimento; espessamento da cápsula articular; dor à palpação; Radiografia: osteófitos (excrescências ósseas); esclerose subcondral; redução do espaço articular; Outros: ultrassonografia articular; artrocentese (análise do líquido sinovial); ressonância magnética: em casos específicos.

Quais são os tratamentos disponíveis para osteoartrite canina?+

O tratamento da OA canina é multimodal — a combinação de abordagens produz melhor resultado que qualquer tratamento isolado. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): primeira linha farmacológica; inibem a COX-2 → redução de prostaglandinas → analgesia e anti-inflamação; Meloxicam (Metacam): o mais usado; 0,1 mg/kg/dia de manutenção; Carprofeno: 4,4 mg/kg/dia; Grapiprant (Galliprant): antagonista do receptor EP4 da PGE₂ — nova classe, menos efeitos GI; Deracoxib, Tepoxalin: outros AINEs veterinários; SEMPRE: monitorar função renal e hepática a cada 6 meses com uso crônico; NUNCA usar AINE humano (ibuprofeno, diclofenaco): toxicidade grave em cães; Analgésicos adjuvantes: Gabapentina: dor neuropática crônica; Amantadina: sensibilização central à dor; Tramadol: opioide de ação moderada — adjuvante; Suplementos articulares: Glucosamina + condroitina: suporte à síntese de cartilagem; evidência: moderada — funciona em parte dos pacientes; Omega-3 (EPA/DHA): anti-inflamatório documentado — dose: 100-200 mg/kg de EPA+DHA/dia; doseando: óleo de peixe de qualidade; Extrato de mexilhão de lábio verde (Perna canaliculus): ômega-3 + glicosaminoglicanos; Ácido hialurônico: via intra-articular (melhor) ou oral; Curcumina + piperina: anti-inflamatória, evidência moderada; Tratamentos inovadores: Terapia com células-tronco mesenquimais: regeneração de cartilagem — disponível em alguns centros no Brasil; anticorpo monoclonal anti-NGF (frunevetmab — Librela, Zoetis): bloqueia o fator de crescimento nervoso → analgesia sem anti-inflamação; injeção mensal SC; disponível no Brasil desde 2023; controle de peso: perde 1 kg → reduz sintomas em muitos casos; fisioterapia: hidroterapia (caminhar em água), laser terapêutico (fotobiomodulação), TENS, massagem.

Quais são as raças mais predispostas e como monitorar a progressão?+

Raças mais afetadas por OA primária e secundária: Raças gigantes e grandes: Labrador Retriever: displasia de quadril + cotovelo → OA bilateral precoce; Golden Retriever: similar ao Labrador; Pastor Alemão: mielopatia degenerativa + OA de quadril — dupla complicação; Rottweiler: OA de quadril e ombro; Bernês: OA de cotovelo e ombro; São Bernardo: displasia de quadril grave; Raças de médio porte com predisposição: Cocker Spaniel: OA de cotovelo; Bassett Hound: OA por conformação; Bulldog: conformação extrema → OA de ombro e cotovelo; Pugs: OA de coluna (cifose) + articulações; Raças condrodistróficas (Dachshund, Basset): DDIV (doença do disco intervertebral) + artrite de vértebras; Monitoramento: a OA é progressiva — mas a progressão pode ser lentificada; avaliação radiográfica: a cada 6-12 meses em cão confirmado; escala de dor: CBPI (Canine Brief Pain Inventory) — questionário para tutores; pesagem: a cada 30-60 dias para controle de peso; BCS (Body Condition Score): avaliar mensalmente; avaliação de massa muscular: perda muscular indica progressão; ajuste de tratamento: conforme avaliação periódica; A osteoartrite não tem cura — mas o manejo adequado pode manter o cão com qualidade de vida por anos. Tutores atentos reconhecem a piora sutil antes que o cão demonstre dor óbvia.

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Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica

A Tetralogia de Fallot (ToF) é uma malformação cardíaca congênita composta de quatro defeitos simultâneos: (1) Comunicação Interventricular (CIV), (2) Estenose Pulmonar (EP), (3) Aorta cavalgante sobre o septo e (4) Hipertrofia Ventricular Direita (HVD). A EP severa força shunt direito-esquerdo → cianose (mucosas azuladas) e policitemia. Keeshond tem predisposição genética documentada. Diagnóstico: ecocardiografia. Tratamento: cirurgia paliativa (Blalock-Taussig) ou correção completa. Prognóstico: reservado sem intervenção.

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Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães

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