Introdução

A Nova Scotia Duck Tolling Retriever, mais conhecida como Duck Toller, é uma das raças mais curiosas e cativantes do mundo canino. Originária da província canadense de Nova Scotia, essa pequena e ágil raça foi desenvolvida para atrair (ou “toller”) patos selvagens até os caçadores, usando brincadeiras e movimentos que despertam a curiosidade das aves. Hoje, o Duck Toller conquistou o coração de tutores ao redor do globo, inclusive do Brasil, graças ao seu temperamento equilibrado, inteligência e aparência encantadora.

Para quem está pensando em adotar um Duck Toller ou já convive com um, entender profundamente as necessidades físicas, emocionais e comportamentais do animal é essencial para garantir uma relação harmoniosa e saudável. Este artigo foi elaborado especialmente para tutores brasileiros, trazendo informações baseadas em evidências veterinárias, dicas práticas e um olhar empático que coloca o bem‑estar do cão em primeiro lugar.

Ao longo das próximas seções, abordaremos tudo o que você precisa saber: desde as principais características da raça, passando pelos cuidados diários, alimentação adequada, prevenção de doenças, até estratégias de treinamento e curiosidades que muitas vezes são confundidas com mitos. Ao final, você terá um panorama completo para oferecer ao seu Duck Toller uma vida feliz, equilibrada e cheia de momentos de conexão.


Características Principais

História e origem

O Duck Toller surgiu no final do século XIX, quando criadores de Nova Scotia combinaram o Labrador Retriever, o Setter Irlandês e o Spaniel de Terra para obter um cão pequeno, rápido e inteligente, capaz de “toller” (atrair) patos até os barcos dos caçadores. Essa origem híbrida confere ao Duck Toller um conjunto único de atributos físicos e comportamentais.

Aparência física

  • Tamanho: Entre 43 cm e 51 cm de altura na cernelha.
  • Peso: De 14 kg a 20 kg, o que o classifica como um cão de porte pequeno a médio.
  • Pelagem: Densa, dupla e ondulada, com cores que variam do dourado ao ruivo, passando por tons de cobre. A camada externa protege contra o frio e a umidade, enquanto a interna mantém o isolamento térmico.
  • Olhos: Expressivos, de cor marrom ou âmbar, transmitindo inteligência e curiosidade.

Temperamento e personalidade


  • Inteligência: Altamente treinável, o Duck Toller aprende rapidamente comandos e adora desafios mentais.
  • Energia: Muito ativo, requer exercícios diários que estimulem tanto o corpo quanto a mente.
  • Sociabilidade: Geralmente amigável com crianças, adultos e outros animais, desde que socializado desde filhote.
  • Sensibilidade: É um cão que reage ao tom de voz e à linguagem corporal do tutor, precisando de um ambiente harmonioso e de reforço positivo.

Compatibilidade com a vida urbana

Apesar de sua origem rural, o Duck Toller adapta‑se bem a apartamentos, contanto que receba atividades físicas regulares (pelo menos 1 h/dia) e estímulos mentais (puzzles, jogos de busca). Em cidades brasileiras, parques e áreas verdes são excelentes lugares para liberar energia e praticar obedecer a comandos básicos.


Cuidados Essenciais

Higiene e banho

  • Escovação: De 2 a 3 vezes por semana, usando uma escova de pêlo firme para remover pelos soltos e prevenir nós.
  • Banho: A cada 30 a 60 dias, ou quando o cão ficar realmente sujo. Use shampoos neutros, preferencialmente hipoalergênicos, para não irritar a pele sensível.
  • Limpeza dos ouvidos: O Duck Toller tem orelhas de tamanho médio, mas que podem acumular cera. Limpe semanalmente com solução isotônica e algodão, nunca introduzindo objetos pontiagudos.

Exercício físico


  • Caminhadas diárias: 45–60 minutos, incluindo trotes curtos e períodos de corrida livre em áreas seguras.
  • Brincadeiras interativas: Busca de bolinhas, frisbees e “tug‑of‑war” (puxão de corda) são ótimas para canalizar a energia.
  • Natação: Se houver acesso a água limpa, a natação é uma atividade de baixo impacto que fortalece músculos e protege as articulações.

Socialização


  • Filhotes: Expor a filhotes a diferentes ambientes, sons, pessoas e outros animais entre 8 e 16 semanas, para prevenir medos futuros.
  • Adultos: Continuar com encontros regulares em parques ou grupos de treinamento, reforçando comportamentos adequados.

Treinamento de obediência


  • Comandos básicos: “Sentar”, “ficar”, “vir” e “deitar” devem ser ensinados antes de avançar para truques mais complexos.
  • Reforço positivo: Use petiscos saudáveis, elogios e brincadeiras como recompensas. Evite punições físicas, pois podem gerar ansiedade e desconfiança.

Espaço em casa


  • Cama confortável: Preferencialmente ortopédica, para proteger as articulações, especialmente em cães mais velhos.
  • Brinquedos de mastigação: Ofereça brinquedos resistentes (ex.: KONG) para reduzir comportamentos destrutivos e promover saúde dental.
---

Alimentação e Nutrição

Necessidades calóricas

Um Duck Toller adulto ativo (15 kg) necessita de aproximadamente 1.200 a 1.500 kcal/dia, variando conforme nível de atividade, idade e metabolismo. Filhotes em fase de crescimento podem demandar até 30 % a mais.

Macro‑nutrientes essenciais

Nutriente
-----------
------------------
Proteína
Desenvolvimento muscular, reparo de tecidos
Gordura
Fonte de energia, absorção de vitaminas lipossolúveis
Carboidrato
Energia de liberação lenta, fibras para digestão

Escolha da ração

  • Ração premium: Prefira marcas que listem fontes de proteína de alta qualidade (frango, peixe, cordeiro) nos primeiros ingredientes.
  • Ração específica para raças pequenas/medianas: Estas fórmulas têm tamanhos de grânulos adequados e níveis de energia ajustados ao porte.
  • Ração sem grãos (grain‑free): Pode ser indicada para cães com sensibilidade ao glúten, mas não é obrigatória; avalie a necessidade com o veterinário.

Alimentação caseira (opcional)


  • Proteína: Carnes magras cozidas (frango, peru, carne bovina) sem temperos.
  • Carboidrato: Arroz integral ou batata‑doce cozidos.
  • Vegetais: Abóbora, cenoura e vagem, bem picados ou cozidos.
  • Suplementos: Óleo de peixe (ômega‑3) para pele e pelagem, e um complexo vitamínico/mineral, se indicado.

Frequência das refeições


  • Filhotes (até 6 meses): 3‑4 vezes ao dia.
  • Cães adultos: 2 vezes ao dia (manhã e noite), mantendo intervalos regulares para evitar sobrecarga gástrica.

Hidratação

Mantenha sempre água fresca e limpa à disposição. Em dias quentes, ofereça água gelada ou adicione cubos de gelo para incentivar a ingestão.


Saúde e Prevenção

Principais doenças hereditárias

Doença
--------
--------------------
Displasia coxofemoral
Exames radiográficos em filhotes, controle de peso
Atopia (dermatite alérgica)
Identificação de alérgenos, uso de anti‑histamínicos ou imunoterapia
Problemas oculares (catarata, atrofia progressiva da retina)
Exames oftalmológicos regulares
Hipotireoidismo
Teste de T4, tratamento com levotiroxina

Vacinação

  • V8/V10: contra cinomose, hepatite infecciosa, parvovirose, leptospirose, coronavírus e, opcionalmente, parainfluenza.
  • Raiva: obrigatória em todo o território nacional, conforme calendário do Ministério da Saúde.
  • Reforços: a cada 1‑3 anos, conforme orientação do veterinário.

Controle de parasitas


  • Pulgas e carrapatos: Produtos spot‑on, coleiras ou comprimidos mensais (ex.: fipronil, fluralaner).
  • Vermes internos: Anti‑helmínticos a cada 3‑6 meses, especialmente em cães que frequentam áreas externas ou caçam pequenos animais.

Exames preventivos


  • Hemograma completo e bioquímica: ao menos uma vez ao ano.
  • Exames de urina: para detectar infecções urinárias precocemente.
  • Radiografias de articulação: recomendadas para raças predispostas à displasia, especialmente se houver histórico familiar.

Cuidados dentários


  • Escovação diária: usando escova e pasta própria para cães.
  • Petiscos dentais: ajudam a reduzir placa e tártaro.
  • Limpeza profissional: a cada 6‑12 meses, dependendo da necessidade.

Bem‑estar emocional

Estresse crônico pode comprometer o sistema imunológico. Proporcione ambientes tranquilos, rotinas previsíveis e momentos de interação afetiva. Caso perceba sinais de ansiedade (latidos excessivos, destruição de objetos, tremores), procure orientação comportamental.


Treinamento e Comportamento

Metodologias recomendadas

  • Clicker training: associa o som do click a recompensas, facilitando a aprendizagem de novos comportamentos.
  • Treinamento de obediência em grupo: estimula a socialização e permite que o cão aprenda a focar em ambientes com distrações.
  • Enriquecimento ambiental: uso de brinquedos interativos, labirintos de comida e jogos de busca para estimular a mente.

Comandos avançados úteis para a raça


  • “Toller” (atrair): ensinar o cão a buscar objetos e trazê‑los até o tutor, simulando o comportamento original de atrair patos.
  • “Buscar na água”: se houver acesso a piscinas ou lagoas, treine o cão a recuperar brinquedos flutuantes, fortalecendo a musculatura e a confiança na água.
  • “Ficar” à distância: essencial para segurança em áreas abertas, já que o Duck Toller pode ser muito curioso e se aventurar em direção a pequenos animais.

Problemas comportamentais comuns e soluções


Problema
----------
----------------------
Latidos excessivos
Aumentar sessões de jogos de busca, puzzles
Mastigação destrutiva
Oferecer brinquedos de mastigação resistentes, caminhadas mais longas
Puxar na coleira
Treino de “passear ao lado” usando reforço positivo
Medo de barulhos (fogos)
Dessensibilização gradual com sons de baixa intensidade, associando a petiscos

Importância da consistência

Manter comandos e regras consistentes entre todos os membros da família evita confusão e acelera o processo de aprendizado. Use sempre a mesma palavra‑chave para cada comando e estabeleça limites claros (ex.: “não subir no sofá”).


Dicas Práticas para Tutores

  • Crie um calendário de atividades – Anote dias de passeio, sessões de treinamento, consultas veterinárias e troca de ração. Isso ajuda a manter a rotina organizada.
  • Use a “regra dos 5‑10‑15” – 5 minutos de brincadeira ao acordar, 10 minutos de treinamento de obediência e 15 minutos de caminhada ao final do dia.
  • Mantenha o ambiente seguro – Verifique se não há fios elétricos expostos, plantas tóxicas (como azaleia) ou objetos pequenos que possam ser engolidos.
  • Adapte a temperatura – Em climas quentes, evite passeios nas horas de pico solar e ofereça sombra e água fresca. Em dias frios, use roupas de proteção (suéteres) para cães de pelagem curta.
  • Faça check‑ups de peso – Pese seu Duck Toller mensalmente; o ganho de mais de 0,5 kg em um curto período pode indicar sobrealimentação ou problemas de saúde.
  • Envolva a família – Deixe que crianças e adultos participem das sessões de treinamento; isso fortalece o vínculo e ensina responsabilidade.
  • Registre a história de saúde – Tenha um fichário ou app com vacinas, vermifugações e exames; facilita o acompanhamento e a comunicação com o veterinário.
  • Planeje férias com antecedência – Se precisar deixar o cão em um hotel ou com cuidador, visite o local antes e leve objetos familiares (cama, brinquedo) para reduzir o estresse.
---

Curiosidades e Mitos

  • Curiosidade: O nome “Toller” vem do verbo inglês to toll, que significa “tocar” ou “chamar”. Os primeiros Duck Tollers eram treinados para “tocar” (através de brincadeiras) os patos, fazendo‑os aproximar dos caçadores.
  • Mito: “Duck Tollers são cães de caça agressivos”. Na verdade, eles são extremamente inteligentes e têm um instinto de caça, mas sua agressividade é rara; a maioria é amigável e sociável quando bem socializada.
  • Curiosidade: Apesar de pequeno, o Duck Toller tem um nível de energia comparável ao de um Labrador Retriever, o que explica a necessidade de exercícios diários intensos.
  • Mito: “Eles não se adaptam a apartamentos”. Muitos tutores urbanos comprovam que, com caminhadas regulares e estímulos mentais, o Duck Toller pode viver feliz em ambientes internos.
---

Perguntas Frequentes

1. Quantas vezes por dia devo alimentar meu Duck Toller?

Para cães adultos, duas refeições diárias (manhã e noite) são recomendadas. Filhotes precisam de 3‑4 refeições até completarem 6 meses.

2. O Duck Toller pode conviver com gatos?

Sim, desde que haja socialização precoce. Como o Toller tem forte instinto de caça, é importante supervisionar os primeiros encontros e usar reforço positivo quando o cão se comportar adequadamente.

3. Quanto exercício diário é suficiente?

Idealmente, 45‑60 minutos de atividade física combinada com estímulos mentais (brinquedos de puzzle, treinamento de obediência). Sem isso, o cão pode desenvolver comportamentos indesejados.

4. Preciso levar meu Duck Toller ao parque para socializar?

Sim, parques caninos são ótimos para socialização, mas sempre supervisione e verifique se o ambiente está livre de riscos (ex.: cães agressivos, objetos perigosos).

5. Qual a expectativa de vida da raça?

Em geral, a expectativa de vida varia entre 12 e 15 anos, dependendo dos cuidados de saúde, alimentação e atividade física.


Considerações Finais

Cuidar de um Nova Scotia Duck Toller é uma experiência gratificante que combina desafios físicos e mentais com uma dose enorme de carinho e lealdade. Ao entender as características principais, oferecer cuidados essenciais, garantir alimentação balanceada, manter saúde preventiva, investir em treinamento positivo e aplicar dicas práticas, você cria as bases para uma vida longa e saudável ao lado do seu companheiro.

Lembre‑se de que cada cão é único; observar sinais, adaptar rotinas e buscar orientação profissional sempre que necessário são atitudes que fortalecem o vínculo e promovem o bem‑estar animal. Que essa jornada de descoberta e aprendizado seja repleta de momentos de diversão, descobertas e, acima de tudo, amor incondicional. Boa sorte e aproveite cada passo ao lado do seu Duck Toller!