Mycoplasma haemocanis Canino: Hemoplasma, Anemia Hemolítica e o Cão Esplectomizado
O Mycoplasma haemocanis (antigo Hemobartonella canis) é um hemoplasma — bactéria sem parede celular que infecta eritrócitos caninos. APRESENTAÇÃO: maioria dos cães é portador assintomático; DOENÇA CLÍNICA ocorre principalmente em cão esplenectomizado ou imunossuprimido. TRANSMISSÃO: carrapatos (Rhipicephalus sanguineus). DIAGNÓSTICO: PCR de sangue total (exame padrão-ouro) — esfregaço sanguíneo é insensível. TRATAMENTO: doxiciclina 10 mg/kg 1x/dia por 28 dias. Anemia hemolítica regenerativa em afetados.
O hematologista veterinário havia recebido o Golden Retriever de seis anos que havia sido esplenectomizado três meses antes por hemangiossarcoma e que havia chegado com o hematócrito de dezesseis por cento e as mucosas pálidas que haviam indicado a anemia grave que havia levado ao hemograma que havia mostrado a anemia regenerativa com policromasia e reticulócitos de oito por cento e ao PCR do sangue total que havia confirmado o Mycoplasma haemocanis em carga elevada que havia chegado como a infecção oportunista que havia aguardado a esplenectomia para se manifestar clinicamente enquanto havia permanecido como portador subclínico nos meses anteriores à cirurgia quando o baço havia controlado eficientemente os eritrócitos parasitados que haviam sido filtrados e removidos antes de acumular em número que havia causado a anemia que havia precisado da transfusão enquanto a doxiciclina havia chegado como o tratamento que havia restaurado o hematócrito em vinte e um dias.
Mycoplasma haemocanis. O hemoplasma que havia chegado como Hemobartonella canis até a reclassificação molecular que havia confirmado a linhagem Mollicutes sem parede celular que havia sido a razão pela qual o betalactâmico havia sido inativo e a doxiciclina havia funcionado enquanto havia aderido à membrana dos eritrócitos que havia sinalizado para os macrófagos esplênicos que haviam fagocitado os eritrócitos marcados em quantidade que havia chegado como a anemia hemolítica extravascular que havia somado ao componente imunomediado que havia chegado nos casos em que os anticorpos haviam reconhecido o epítopo alterado da membrana e haviam acrescentado a destruição imunológica à fagocitose que havia sido o mecanismo primário.
O esfregaço que havia chegado como falso negativo — o veterinário que havia descartado o M. haemocanis pelo esfregaço negativo no cão anêmico que havia chegado com a suspeita clínica e que havia pedido o PCR por insistência do tutor que havia pesquisado sobre hemoplasmas e que havia confirmado o positivo que havia sido o PCR que havia detectado o DNA em quantidade que havia estado abaixo do limite de detecção do microscópio enquanto havia servido como o exemplo que havia justificado a regra de pedir PCR e não esfregaço para o diagnóstico de hemoplasmas porque o organismo havia sido pequeno demais e havia estado presente em densidade baixa demais para a detecção microscópica na maioria dos casos.
A coinfecção que havia chegado como diagnóstico diferencial — o Fila Brasileiro de quatro anos com a pancitopenia que havia chegado com a anemia e a trombocitopenia e a leucopenia que haviam chegado juntas como o painel que havia incluído o PCR para Ehrlichia canis positivo mais o PCR para M. haemocanis positivo que haviam chegado como a coinfecção que havia sido a regra em áreas de alta endemicidade de Rhipicephalus sanguineus que havia transmitido os dois agentes ao mesmo cão enquanto havia requerido o protocolo que havia tratado os dois simultâneamente com doxiciclina que havia sido ativa para ambos e havia restaurado o hemograma em quatro semanas.
Diagnóstico Diferencial de Anemia Hemolítica em Cão por Agente Infeccioso
| Agente | Célula Alvo | Diagnóstico | Vetor | Tratamento | |---|---|---|---|---| | M. haemocanis | Membrana eritrócito (epi) | PCR sangue total | R. sanguineus | Doxiciclina 10 mg/kg 28 dias | | Babesia canis | Interior eritrócito | Esfregaço + PCR/sorology | Dermacentor, Rhipicephalus | Imidocarb dipropionato | | Ehrlichia canis | Monócitos (leucócitos) | PCR leucócitos | R. sanguineus | Doxiciclina 28 dias | | Anaplasma platys | Plaquetas | PCR plaquetas | R. sanguineus | Doxiciclina | | AHIM (imunomediada) | Membrana eritrócito (auto-Ac) | Coombs positivo | Sem vetor | Imunossupressor |
Perguntas frequentes
O que é o Mycoplasma haemocanis e como causa doença no cão?+
O Mycoplasma haemocanis (inglês: canine hemoplasma, Mycoplasma haemocanis; antigo nome: Hemobartonella canis — renomeado após reclassificação molecular; também: Candidatus Mycoplasma haematoparvum — hemoplasma menor, encontrado em cão; não confundir com: Mycoplasma cynos — causa pneumonia canina, diferente; Ehrlichia canis — intraleucocitária, diferente célula alvo; Anaplasma platys — plaquetas, diferente; Babesia canis — piroplasma intraeritrócito, diferente organismo) é uma bactéria epieritrocítica — adere à superfície dos eritrócitos (hemácias) sem penetrá-los, diferentemente da Babesia que penetra no interior. TAXONOMIA E CLASSIFICAÇÃO: CLASS: Mollicutes; sem parede celular (por isso resiste a antibióticos beta-lactâmicos e cefalosporinas); MECANISMO DE PATOGENICIDADE: M. haemocanis adere à membrana externa dos eritrócitos; REMOÇÃO ESPLÊNICA: eritrócitos com aderências são reconhecidos como anormais pelo baço → fagocitose → anemia hemolítica extravascular; ANTICORPOS ANTI-ERITRÓCITO: a aderência pode desencadear produção de anticorpos → componente imunomediado; O PAPEL DO BAÇO: baço íntegro remove eritrócitos parasitados eficientemente → cão imunocompetente e esplênico raramente adoece; ESPLENECTOMIA = FATOR DE RISCO MAJOR: sem filtração esplênica, os eritrócitos parasitados circulam livres → acúmulo → anemia progressiva; IMUNOSSUPRESSÃO: cão em corticosteróide, quimioterapia, ou com imunossupressão primária → mesmo sem esplenectomia pode adoecer; TRANSMISSÃO: Rhipicephalus sanguineus (carrapato marrom do cão) — vetor documentado; transfusão sanguínea de doador portador; transplacentária (descrita); EPIDEMIOLOGIA BRASILEIRA: muito prevalente no Brasil pela alta carga de R. sanguineus; estimativas sugerem soroprevalência de 20-50% em cães do Nordeste e Sudeste.
Quais são os sinais clínicos e como diagnosticar o Mycoplasma haemocanis?+
A maioria dos cães com Mycoplasma haemocanis é portadora subclínica — a doença clínica é desencadeada por fatores específicos como esplenectomia ou imunossupressão. SINAIS CLÍNICOS: PORTADOR ASSINTOMÁTICO (MAIORIA): sem sinais; parasitemia baixa; baço controla a infecção; DOENÇA CLÍNICA (MINORIA): ANEMIA HEMOLÍTICA: palidez de mucosas (conjuntiva, gengivas); LETARGIA E FRAQUEZA: redução da capacidade de carregar oxigênio; ANOREXIA; ESPLENOMEGALIA: em fase aguda → baço aumenta para compensar a hemólise; ICTERÍCIA: bilirrubinemia por catabolismo da hemoglobina (em casos graves); HEMOGLOBINÚRIA: urina escura marrom-avermelhada (hemoglobina livre — casos graves); FEBRE: resposta inflamatória; TAQUICARDIA E TAQUIPNEIA: compensação da anemia; DIAGNÓSTICO: PCR (PADRÃO-OURO): detecção do DNA de M. haemocanis no sangue total; sensibilidade muito superior ao esfregaço; especificidade de espécie (distingue M. haemocanis do Candidatus M. haematoparvum); ESFREGAÇO SANGUÍNEO: INSENSÍVEL — a parasitemia pode ser tão baixa que os organismos são invisíveis na lâmina; os organismos nas membranas eritrocíticas são minúsculos e podem ser confundidos com artefato; usado como complemento, não diagnóstico definitivo; HEMOGRAMA: anemia normocítica normocrômica regenerativa (policromasia, reticulócitos elevados → regenerativa); leucocitose com neutrofilia (resposta inflamatória); BIOQUÍMICA: bilirrubina elevada (hemólise); TESTE DE COOMBS: pode ser positivo (componente imunomediado) — diagnóstico diferencial com AHIM; DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DA ANEMIA HEMOLÍTICA: AHIM (anemia hemolítica imunomediada): Coombs positivo, autoanticorpos sem hemoplasma no PCR; Babesia canis: organismo intraeritrócito (pear-shaped), sorology/PCR; Ehrlichia canis: trombocitopenia marcada, leucopenia, mielossupressão.
Qual é o tratamento do Mycoplasma haemocanis e qual é o prognóstico?+
O tratamento do Mycoplasma haemocanis é eficaz na maioria dos casos com doxiciclina — a eliminação completa do organismo é possível, embora alguns cães permaneçam portadores crônicos. TRATAMENTO: DOXICICLINA (PRIMEIRA LINHA): DOSE: 10 mg/kg VO 1x/dia; DURAÇÃO: 28 dias (mínimo); MECANISMO: inibe a síntese proteica ribosomal (30S) — ativo contra Mollicutes sem parede celular; IMPORTANTE: oferecer com comida para reduzir irritação gástrica; manter o cão hidratado; RESPOSTA: melhora clínica esperada em 5-10 dias; hemograma melhora em 2-4 semanas; ENROFLOXACINO: segunda linha; menos documentado que doxiciclina para M. haemocanis; AZITROMICINA: descrita como alternativa; menos eficaz sozinha; SUPORTE PARA ANEMIA GRAVE: TRANSFUSÃO DE SANGUE: se hematócrito < 15-18% e o cão está em crise; usar sangue de doador testado negativo para M. haemocanis por PCR; OXIGÊNIO SUPLEMENTAR: se dispneia; CORTICOSTERÓIDE: se há componente imunomediado significativo (Coombs positivo + destruição eritrocítica imune) — usado em conjunto com doxiciclina; PREDNISONA 1-2 mg/kg/dia decrescendo conforme resposta; MONITORAMENTO: hemograma a cada 2 semanas durante o tratamento; PCR de controle ao final dos 28 dias; PROGNÓSTICO: DOENÇA AGUDA EM IMUNOCOMPETENTE: bom com tratamento; DOENÇA CRÔNICA EM IMUNOSSUPRIMIDO: reservado — pode ser necessário controle de longo prazo; CÕES ESPLENECTOMIZADOS: guarda para toda a vida após a cirurgia — monitorar hematócrito mensalmente; PCR anual ou se sinais de anemia; PORTADOR CRÔNICO: alguns cães permanecem PCR positivo após tratamento — parasitemia subclínica mantida pelo equilíbrio imunológico.
Como prevenir e manejar o Mycoplasma haemocanis em cães de risco e como diferenciar de Ehrlichiose?+
A prevenção do Mycoplasma haemocanis centra-se no controle de carrapatos e na vigilância especial em cães esplenectomizados — o grupo de risco mais importante no Brasil. PREVENÇÃO: CONTROLE DE CARRAPATOS (PRINCIPAL): Rhipicephalus sanguineus é o principal vetor no Brasil; ANTIPARASITÁRIOS: isoxazolinas (afoxolaner, fluralaner, sarolaner, lotilaner) — alta eficácia; acaricidas tópicos (deltametrina, cipermetrina) para ambiente; TRIAGEM DE DOADORES DE SANGUE: banco de sangue canino deve testar PCR para M. haemocanis em todos os doadores; ATENÇÃO ESPECIAL EM ESPLENECTOMIZADOS: qualquer cirurgia que remova o baço → avisar tutor sobre o risco aumentado de M. haemocanis, Babesia e outros hemoplasmas; monitoramento semestral com hemograma; PCR anual ou se sinais de anemia; DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE HEMOPLASMAS E DOENÇAS VETORIAIS: M. HAEMOCANIS vs EHRLICHIA CANIS: M. haemocanis: anemia hemolítica principal; plaquetas pode estar normal; PCR de eritrócito; R. sanguineus vetor; Ehrlichia canis: TROMBOCITOPENIA predominante; leucopenia; mielosupressão; PCR de leucócitos (mononucleares); M. HAEMOCANIS vs BABESIA CANIS: Babesia canis: PARASITA INTRAERITRÓCITO (par-a-par); anemia hemolítica mais grave; esplenomegalia mais intensa; hemoglobinúria mais frequente; diagnóstico: esfregaço (organismo visível em parasitemias altas) + PCR/sorologia; M. HAEMOCANIS vs AHIM: AHIM: sem vetor; Coombs positivo isolado; PCR de M. haemocanis negativo; tratamento imunossupressor; COINFECÇÃO: o cão pode ter M. haemocanis + Ehrlichia + Babesia simultaneamente — PCR multiplex é recomendável em áreas de alta endemicidade; BRASIL: o perfil carrapato-vetorial é de alta transmissão de múltiplos agentes — sempre pesquisar painel completo de doenças vetoriais em cão com anemia + trombocitopenia.
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Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão
A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.
Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans
A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.
Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina
A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.