Micoplasmose Hemotrópica em Cães: Mycoplasma haemocanis
A micoplasmose hemotrópica canina é causada pelo Mycoplasma haemocanis (antes: Hemobartonella canis) — bactéria que infecta e destrói as hemácias do cão causando anemia hemolítica. Transmitida por carrapatos. A maioria dos cães é portadora assintomática — a doença clínica ocorre em cães esplenectomizados ou imunossuprimidos. Diagnóstico: esfregaço de sangue + PCR. Tratamento: doxiciclina + prednisolona.
O cão tinha sido esplenectomizado após o trauma seis meses antes.
Mucosas pálidas. Letargia progressiva. Anemia crescente.
O esfregaço mostrou pontos basofílicos na superfície das hemácias.
Mycoplasma haemocanis. A Hemobartonella dos textos antigos.
Portador silencioso até o baço desaparecer. Doxiciclina por vinte e um dias.
A bactéria sem parede celular que vive na hemácia.
Micoplasmose vs Babesiose — Diferencial Diagnóstico
| Aspecto | M. haemocanis | Babesia canis | |---|---|---| | Agente | Superfície da hemácia | Interior da hemácia | | Esfregaço | Pontos basofílicos externos | Merozoítos em pêra/anel dentro da célula | | Intensidade anemia | Moderada (subaguda) | Severa (aguda) | | Febre | Moderada | Intensa | | Icterícia | Discreta | Moderada a intensa | | Carrapato vetor | Sim | Sim (Rhipicephalus) | | Tratamento | Doxiciclina | Imidocarb dipropionato |
Protocolo de Tratamento
| Medicamento | Dose | Duração | |---|---|---| | Doxiciclina | 10 mg/kg/dia VO — dividir 2 doses | 21 dias | | Prednisolona | 1 mg/kg/dia | 2-3 semanas, reduzir gradualmente | | Transfusão | Se Ht <15% | Doador PCR negativo para M. haemocanis |
Fatores de Risco para Doença Clínica
| Fator | Risco | Por Quê | |---|---|---| | Esplenectomia | MUITO ALTO | Baço não controla a bacteremia | | Imunossupressão (corticoide, quimio) | Alto | Reduz defesa imune | | Coinfecção Ehrlichia/Babesia | Moderado-alto | Agrava hemólise e imunossupressão | | Cão jovem saudável com baço | Baixo | Portador assintomático na maioria |
Perguntas frequentes
O que é a micoplasmose hemotrópica canina e quem são os agentes causadores?+
A micoplasmose hemotrópica (antiga denominação: hemobartonellose canina) é uma infecção bacteriana causada por micoplasmas hemotrópicos — bactérias que infectam a superfície externa das hemácias (eritrócitos) do cão, causando sua destruição pelo sistema imune. Agentes causadores no cão: Mycoplasma haemocanis (principal espécie patogênica, antiga: Hemobartonella canis): bactéria gram-negativa sem parede celular; parasito obrigatório da superfície dos eritrócitos; causa a forma mais comum e mais grave em cães; Candidatus Mycoplasma haematoparvum (espécie menor, reclassificada): menos patogênica — muitas vezes causa infecção subclínica; Reclassificação histórica: antes de 2001: eram chamados Hemobartonella canis e Eperythrozoon spp.; a reclassificação molecular demonstrou que são membros do filo Tenericutes, família Mycoplasmataceae; a mudança de nome de 'Hemobartonella' para 'Mycoplasma hemot rópico' ainda causa confusão em textos veterinários mais antigos; Transmissão: carrapatos: Rhipicephalus sanguineus (o carrapato-marrom-do-cão) e Ixodes spp. são os vetores mais prováveis — sem prova definitiva da transmissão por todas as espécies; transfusão sanguínea: o cão portador assintomático pode transmitir M. haemocanis por transfusão de sangue; mordidas e brigas: possível transmissão por feridas contaminadas com sangue; transmissão transplacentária: possível mas rara; Situação no Brasil: M. haemocanis detectado em cães do Brasil por PCR em vários estudos — soroprevalência variável por região; a maioria dos cães infectados no Brasil são assintomáticos (portadores); a doença clínica é relativamente incomum em cão imunocompetente com baço intacto.
Quais são os sinais clínicos e por que a maioria dos cães não adoece?+
A característica mais importante da micoplasmose hemotrópica canina é que a maioria dos cães infectados permanece portadora assintomática. Por que a maioria não adoece: O BAÇO é o órgão central da defesa contra M. haemocanis: o baço filtra e remove hemácias infectadas antes que a infecção se torne grave; macrófagos esplênicos reconhecem e destroem as hemácias com micoplasmas na superfície; em cão saudável com baço intacto: o organismo controla a infecção → portador assintomático; Fatores de risco para doença clínica: Esplenectomia (remoção do baço): o maior fator de risco — sem o baço, o cão não pode controlar a infecção; doença hemolítica grave por M. haemocanis tipicamente ocorre em cão esplenectomizado; Imunossupressão: corticoterapia prolongada, quimioterapia, infecção concomitante por FeLV (em gatos) ou outras doenças imunossupressoras; coinfecção com outros hemoparasitas (Ehrlichia, Babesia): a coinfecção agrava o quadro; Sinais clínicos (cão com doença ativa): Anemia hemolítica: mucosas pálidas a levemente ictéricas (bilirrubina elevada pela hemólise); letargia e fraqueza progressiva; perda de peso; Febre: presente em casos agudos; Esplenomegalia: se o baço ainda está presente e tenta compensar; Anorexia; Taquicardia e taquipneia: pela anemia compensatória; Icterícia discreta: hemólise moderada → bilirrubina indireta ligeiramente elevada; A apresentação costuma ser subaguda (dias a semanas) — raramente tão aguda quanto a Babesiose.
Como diagnosticar e tratar a micoplasmose hemotrópica canina?+
O diagnóstico da micoplasmose hemotrópica é feito por esfregaço de sangue + PCR — o organismo é difícil de visualizar. Diagnóstico: Esfregaço de sangue periférico: os micoplasmas são visíveis como pequenos pontos basofílicos (cocos/bastonetes) na superfície das hemácias — mas são muito pequenos e facilmente confundidos com artefatos; sensibilidade variável: depende da bacteremia (alta na fase aguda, baixa na fase crônica); colorações: Giemsa, Romanowsky, Diff-Quik — o Giemsa é o melhor para hemoparasitas; PCR (diagnóstico de escolha): muito mais sensível que o esfregaço; PCR em tempo real para M. haemocanis: disponível em laboratórios especializados no Brasil; distingue M. haemocanis de Candidatus M. haematoparvum; ideal para confirmar portadores assintomáticos; Hemograma: anemia regenerativa (policromasia, reticulocitose): hemólise extravascular; anemia normocítica normocrômica em casos crônicos; Bioquímica: bilirrubina indireta leve a moderadamente elevada; ALT pode estar levemente elevada; Diferencial com Babesia canis: a Babesiose causa anemia muito mais aguda e grave; M. haemocanis: anemia mais subaguda, febre menos intensa, no esfregaço: merozoítos no interior das hemácias (Babesia) vs pontos na superfície (Mycoplasma); Tratamento: Doxiciclina (tratamento de escolha): 10 mg/kg/dia VO dividida em 2 doses por 21 dias; doxiciclina não elimina completamente a infecção — o cão pode permanecer portador após o tratamento; Prednisolona: 1 mg/kg/dia: justificada pela componente imunomediada da hemólise; reduzir gradualmente após 2-3 semanas; Transfusão sanguínea: em anemia grave (Ht <15%); sangue de doador testado para M. haemocanis (PCR negativo) — risco de transmissão por transfusão; Suporte: fluidoterapia, antieméticos se necessário; Monitoramento: repetir hemograma semanalmente; o hematócrito deve subir progressivamente com o tratamento.
Como prevenir a micoplasmose e qual é o risco de transmissão para outros cães?+
A prevenção da micoplasmose hemotrópica foca no controle de carrapatos e no cuidado com transfusões de sangue. Prevenção de carrapatos (principal vetor): controle regular de ectoparasitas: isoxazoínas (fluralaner — Bravecto, afoxolaner — NexGard, sarolaner — Simparica) são altamente eficazes contra carrapatos; spot-on piretróides: deltametrina, permetrina; verificar e remover carrapatos após passeios em áreas de mata ou pasto; Prevenção em transfusões de sangue: os bancos de sangue veterinários idealmente testam doadores por PCR para M. haemocanis antes de qualquer doação; em transfusões de emergência sem teste: risco de transmissão existe; Cuidados com cão esplenectomizado: cão que teve o baço removido por qualquer razão (trauma, hiperesplenismo, neoplasia esplênica) tem risco MUITO MAIOR de desenvolver doença clínica grave se infectado; esplenectomizados: considerar profilaxia com doxiciclina mensal em área de alto risco de carrapatos; comunicar ao veterinário que o cão é esplenectomizado em qualquer consulta futura; O portador assintomático: cão portador assintomático de M. haemocanis: sem necessidade de tratar se assintomático e imune intacto; o tratamento não elimina o organismo completamente — apenas reduz a carga; o portador deve ser monitorado em situações de imunossupressão ou esplenectomia futura; A micoplasmose no contexto das doenças hemotrópicas no Brasil: M. haemocanis: importante no Brasil principalmente em cão esplenectomizado e em coinfecções com Ehrlichia e Babesia; as três doenças (Ehrlichia + Babesia + M. haemocanis) podem coexistir em cão com carrapatos — o diagnóstico diferencial deve incluir todas.
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