Saúde

Leishmaniose Canina: O Que É, Sintomas e Como Proteger Seu Cão

A leishmaniose canina é uma doença grave e incurável, transmitida pelo mosquito palha. Endêmica em grande parte do Brasil, exige vacinação, repelentes e diagnóstico precoce para manter a qualidade de vida do cão.

19 de maio de 2026·3 min de leitura

A leishmaniose visceral canina é uma das doenças mais sérias e prevalentes em cães no Brasil. Causada pelo protozoário Leishmania infantum (ou L. chagasi), é transmitida pela picada do mosquito flebotomíneo — popularmente chamado de "mosquito palha", "birigui" ou "tatuquira".

Distribuição no Brasil

A doença é endêmica em grande parte do território nacional, com casos registrados em todos os estados. Estados com maior prevalência: Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Pará, Maranhão e Tocantins. Mas a urbanização do mosquito vetor expandiu a doença para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Se você mora em área endêmica, a prevenção não é opcional.

Como ocorre a transmissão

O ciclo: mosquito flebotomíneo pica cão infectado → ingere protozoários → pica outro cão ou humano → transmite a doença. A transmissão é exclusivamente pelo mosquito — não há contágio direto entre cães, nem de cão para humano por contato físico.

O mosquito é menor que o comum, voa perto do chão e é mais ativo ao entardecer e no início da noite.

Sintomas — reconheça cedo

O período de incubação pode durar meses a anos. Os sintomas evoluem gradualmente:

Fase inicial:

  • Lesões de pele: crostas, úlceras ou descamação — principalmente em focinho, orelhas e pontas dos membros
  • Queda de pelos ao redor dos olhos (aspecto de "óculos")
  • Unhas longas, quebradiças e deformadas
  • Perda de peso progressiva apesar de alimentar-se
  • Linfonodos aumentados (ínguas)

Fase avançada:

  • Olhos com secreção e conjuntivite
  • Hemorragias nasais
  • Insuficiência renal (sede aumentada, urinar frequentemente)
  • Fraqueza extrema e intolerância ao exercício
  • Fígado e baço aumentados

Diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico.

Diagnóstico

O veterinário solicitará testes sorológicos (RIFI, ELISA) e/ou testes moleculares (PCR). O diagnóstico definitivo requer confirmação parasitológica — exame de linfonodo, medula óssea ou baço.

Importante: cão com sorologia positiva mas sem sintomas requer monitoramento e decisão sobre tratamento com o veterinário — não é automático que precisa de tratamento imediato.

Tratamento

No Brasil, o tratamento com Milteforan (miltefosina) é o padrão atual — medicamento oral de 28 dias, associado a Alopurinol de uso contínuo. O tratamento reduz a carga parasitária e melhora os sintomas, mas não elimina o parasita.

O cão tratado permanece infectado — por isso o controle de mosquitos no ambiente continua importante mesmo durante e após o tratamento.

Monitoramento semestral com exames de sangue, urina e sorologias é parte permanente da vida do cão com leishmaniose.

Prevenção — o que realmente funciona

1. Vacinação (Leish-Tec) A única vacina aprovada no Brasil contra leishmaniose canina. Requer:

  • Soronegatividade confirmada antes de vacinar
  • Esquema inicial: 3 doses com 3 semanas de intervalo
  • Reforço anual

2. Coleira repelente Coleiras impregnadas com deltametrina ou flumetrina repelem e matam o mosquito antes da picada. Troca a cada 4-6 meses. É o complemento mais eficaz à vacinação.

3. Inseticidas ambientais Telas finas (malha ≤1,5 mm) em janelas e portas. Inseticidas em spray ao entardecer, especialmente em épocas chuvosas quando a população de mosquitos aumenta.

4. Evitar horários de risco O mosquito é mais ativo entre o crepúsculo e as primeiras horas da noite. Evite passeios nesse período em áreas de risco.

Zoonose — risco para humanos

A leishmaniose visceral humana é uma doença grave e potencialmente fatal se não tratada. Crianças, idosos e imunossuprimidos são mais vulneráveis. Se um dos cães da casa for diagnosticado com leishmaniose, a família deve buscar orientação médica e intensificar o controle de mosquitos.

A eutanásia de cães com leishmaniose era recomendada antigamente como medida de saúde pública, mas não é mais a orientação do MAPA — o tratamento com Milteforan reduz a carga parasitária significativamente, diminuindo o risco de transmissão.

Perguntas frequentes

Leishmaniose tem cura para cachorro?+

Não existe cura para a leishmaniose canina — o tratamento controla a doença e melhora a qualidade de vida, mas o cão permanece infectado. Com tratamento adequado e monitoramento regular, cães com leishmaniose podem viver anos com boa qualidade de vida. O abandono não é a solução — o cão tratado tem carga parasitária reduzida.

Cachorro com leishmaniose pode conviver com humanos?+

Sim — a transmissão para humanos ocorre exclusivamente pelo mosquito flebotomíneo, não pelo contato direto com o cão. O cão com leishmaniose não transmite a doença por saliva, urina, fezes ou contato físico. Controle de mosquitos no ambiente é o que protege os humanos da casa.

Vacina contra leishmaniose para cachorro funciona?+

Sim — a Vacina Leish-Tec (aprovada pelo MAPA) confere proteção significativa contra a doença visceral, a forma mais grave. A vacinação deve começar antes da exposição, e exige soronegatividade confirmada por teste antes de vacinar. Não substitui outras medidas preventivas — use junto com coleiras repelentes e inseticidas ambientais.

Quais são os primeiros sintomas de leishmaniose em cachorro?+

Os sintomas aparecem meses ou anos após a infecção. Sinais iniciais: perda de peso progressiva, lesões na pele (especialmente no focinho, orelhas e patas), queda de pelo, unhas longas e quebradiças, olhos avermelhados. Sintomas avançados: insuficiência renal, hemorragias, fraqueza extrema. Diagnóstico precoce faz diferença no prognóstico.