Legg-Calvé-Perthes em Cachorro: Necrose Avascular da Cabeça do Fêmur
A doença de Legg-Calvé-Perthes (LCP) é uma necrose avascular idiopática da cabeça femoral — que ocorre principalmente em cães de raças pequenas e miniaturas com menos de 12 meses. Causa claudicação progressiva unilateral, dor à movimentação do quadril e atrofia muscular. Diagnóstico: radiografia (achatamento e fragmentação da cabeça femoral). Tratamento definitivo: FHNE (excisão da cabeça e colo femoral) com excelente prognóstico funcional.
O Pinscher Miniatura de 6 meses parou de apoiar a pata traseira esquerda.
A tutora achava que era crescimento — tinha 2 semanas que estava assim.
Radiografia ventrodorsal do quadril: cabeça femoral achatada e fragmentada à esquerda.
Legg-Calvé-Perthes. Unilateral. Diagnóstico tardio.
FHNE esquerda — cirurgia de 45 minutos.
Quatro meses depois: correndo normalmente.
Progressão Radiográfica do LCP
| Fase | Achado Radiográfico | Momento | |---|---|---| | Precoce | Osteopenia focal da cabeça femoral | 4-6 meses de idade | | Intermediária | Achatamento + irregularidade da cabeça | 5-8 meses | | Tardia | Fragmentação + colapso + artrose | 7-12+ meses |
Raças Mais Afetadas pelo LCP
| Raça | Risco Relativo | |---|---| | Pinscher Miniatura | Muito alto | | Yorkshire Terrier | Alto | | West Highland White Terrier | Alto | | Cairn Terrier | Alto | | Poodle Miniatura/Toy | Moderado a alto |
Tratamento e Prognóstico
| Abordagem | Indicação | Prognóstico | |---|---|---| | Conservador (AINE + repouso) | Fase muito inicial — raramente suficiente | Moderado — evolui para cirurgia | | FHNE (excisão cabeça femoral) | Cão < 10 kg — padrão-ouro | > 85% função excelente | | Artroplastia Total de Quadril | Qualquer porte — maior custo | Excelente |
Perguntas frequentes
O que é a doença de Legg-Calvé-Perthes e quais raças são afetadas?+
A doença de Legg-Calvé-Perthes (LCP) — também chamada osteocondrite dissecante da cabeça femoral ou necrose isquêmica da cabeça femoral — é uma condição ortopédica de desenvolvimento que afeta especificamente raças pequenas e miniaturas de cães jovens. Definição: isquemia e necrose avascular da cabeça do fêmur → colapso estrutural da epífise femoral → remodelamento ósseo anormal → artrite e dor; a necrose ocorre por interrupção do suprimento sanguíneo para a cabeça femoral — mas a causa exata dessa interrupção permanece desconhecida (idiopática); Raças predispostas: Toy e miniatura: Pinscher Miniatura: a raça mais afetada proporcionalmente; Manchester Terrier; Yorkshire Terrier; Lhasa Apso; Cairn Terrier; West Highland White Terrier (Westie); Poodle Miniatura e Toy; Chihuahua; Pequenas mas não toy: Beagle; Cairn Terrier; Border Terrier; Staffordshire Bull Terrier; Fatores de risco: Idade: 4-12 meses — filhotes em crescimento; pico: 5-8 meses; raramente após 1 ano; Peso: < 10 kg (cão adulto) — risco muito maior; Sexo: sem diferença significativa entre machos e fêmeas; Lateralidade: 85-90% unilateral; 10-15% bilateral; Herança: evidência de componente hereditário — criadores devem excluir afetados da reprodução; Epidemiologia: afeta aproximadamente 0,2-0,6% das raças predispostas; é a causa mais comum de claudicação crônica em raças pequenas jovens, junto com luxação de patela.
Quais são os sinais clínicos e como é feito o diagnóstico da LCP?+
A LCP tem apresentação clínica insidiosa — a claudicação é progressiva e os tutores frequentemente associam ao crescimento normal, atrasando o diagnóstico. Sinais clínicos: Claudicação progressiva unilateral: início gradual entre 4-7 meses; progressão ao longo de semanas a meses; o filhote poupa o membro afetado — apoio parcial a nenhum apoio; Dor à mobilização do quadril: extensão e rotação interna dolorosas; o filhote vocaliza ou resiste ao exame; palpação da articulação coxofemoral → dor; Atrofia muscular do membro afetado: resultado da redução de uso — músculo glúteo e quadríceps visivelmente menores; Crepitação: em casos avançados — fragmentação da cabeça femoral cria ruído na articulação; Posição compensatória: o cão tende a sentar de lado ou usar o membro traseiro de forma assimétrica; Diagnóstico: Radiografia da articulação coxofemoral — exame de escolha: posição: decúbito dorsal com membros estendidos (ventrodorsal do quadril); Achados radiográficos progressivos: Fase precoce (4-6 meses): diminuição da densidade óssea na cabeça femoral — osteopenia focal; Fase intermediária: achatamento e irregularidade da cabeça femoral; alargamento do espaço articular (edema sinovial); Fase tardia: fragmentação da cabeça femoral; colapso e remodelamento irregular; sinais de artrose secundária; Diagnóstico diferencial: displasia coxofemoral (radiografia diferencia); luxação traumática de quadril; osteossarcoma (em raças maiores); sinovite transitória; artrite séptica.
Qual é o tratamento e prognóstico da doença de Legg-Calvé-Perthes?+
O tratamento definitivo da LCP é cirúrgico — a FHNE (excisão da cabeça e colo femoral) oferece excelente prognóstico funcional em cães pequenos. Tratamento conservador (apenas casos muito iniciais): analgesia: AINEs (meloxicam 0,1 mg/kg/dia ou carprofeno 2 mg/kg/dia); repouso: confinamento em gaiola por 4-6 semanas — reduz a progressão; fisioterapia: movimentação passiva para manter amplitude articular; limitação: raramente evita a progressão — indicado apenas em casos leves com diagnóstico muito precoce; na maioria dos casos: evolui para indicação cirúrgica; Tratamento cirúrgico — FHNE (Femoral Head and Neck Excision): remoção cirúrgica completa da cabeça e colo do fêmur; resultado: 'pseudoartrose fibrosa' — a musculatura perirarticular sustenta o membro sem apoio ósseo real; Por que funciona em cães pequenos: em raças < 10 kg, a musculatura peri-articular é suficiente para criar apoio funcional sem a articulação óssea; em raças grandes, a FHNE tem resultado inferior (indicação de artroplastia total de quadril — muito mais cara); Prognóstico: > 85-90% dos cães de pequeno porte após FHNE recuperam função excelente em 3-6 meses; a fisioterapia pós-operatória acelera a recuperação: hidroginástica, exercício em rampa, movimentação passiva; tempo de recuperação: 4-12 semanas para apoio; 3-6 meses para função plena; Alternativa — Artroplastia Total de Quadril (ATQ): implante metálico — prognóstico excelente em qualquer porte; custo muito elevado; poucos centros no Brasil realizam em cães pequenos.
Como diferenciar Legg-Calvé-Perthes de displasia coxofemoral e luxação de patela em filhotes?+
O diagnóstico diferencial em filhotes de raças pequenas com claudicação é essencial — as três condições principais têm tratamentos diferentes. LCP vs Displasia Coxofemoral (DCF): LCP: unilateral predominante, 4-12 meses, raças pequenas, cabeça femoral fragmentada na radiografia; DCF: bilateral frequente, raças grandes predispostas (Labrador, Golden, Pastor Alemão), frouxidão articular na radiografia (Ortolani positivo); teste de Ortolani: DCF positivo; LCP negativo (articulação dolorosa mas não frouxa até a fragmentação); LCP vs Luxação de Patela: ambas em raças pequenas jovens; luxação de patela: claudicação intermitente típica — o cão 'pula' na locomoção; palpação patelar: patela sai do sulco troclear; radiografia do quadril: normal na luxação de patela; LCP pode coexistir com luxação de patela — avaliar ambas as articulações; LCP vs Osteossarcoma: OSA em filhotes: raro mas possível em raças gigantes; OSA localização: mais comum em metáfise distal do fêmur, não na cabeça; radiografia: reação periosteal e lise — padrão diferente da LCP; Quando suspeitar de LCP e não de crescimento normal: claudicação progressiva (não melhora com repouso prolongado); atrofia muscular visível em 1-2 semanas; dor real à movimentação do quadril (≠ desconforto por crescimento); cão de raça predisposta entre 4-12 meses: encaminhar para radiografia.
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Torção Esplênica em Cães: Emergência Cirúrgica Abdominal
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Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica
A Tetralogia de Fallot (ToF) é uma malformação cardíaca congênita composta de quatro defeitos simultâneos: (1) Comunicação Interventricular (CIV), (2) Estenose Pulmonar (EP), (3) Aorta cavalgante sobre o septo e (4) Hipertrofia Ventricular Direita (HVD). A EP severa força shunt direito-esquerdo → cianose (mucosas azuladas) e policitemia. Keeshond tem predisposição genética documentada. Diagnóstico: ecocardiografia. Tratamento: cirurgia paliativa (Blalock-Taussig) ou correção completa. Prognóstico: reservado sem intervenção.
Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães
A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET — também TEN) são reações cutâneas graves e potencialmente fatais — resultam na morte massiva de queratinócitos e desprendimento extenso da epiderme. No cão, o quadro canino equivalente envolve erosões/ulcerações mucosas, vesículas e descamação de pele em extensão variável. Causa mais comum: reação medicamentosa (antibióticos, anticonvulsivantes, AINEs, sulfonamidas). Diagnóstico: biópsia (necrose de queratinócitos em toda a espessura da epiderme). Tratamento: suspensão imediata do fármaco + suporte intensivo. Prognóstico: grave — mortalidade elevada na forma NET.