Keeshond: Características e Temperamento para Tutores
“Um Keeshond não é apenas um cachorro, é um abraço de quatro patas que ilumina a casa.”
Introdução
O Keeshond, também conhecido como “Cão do Povo Holandês”, conquistou corações ao redor do mundo graças à sua pelagem exuberante, orelhas pontudas e um sorriso que parece iluminar qualquer ambiente. Originário da Holanda, esse cão foi criado inicialmente como companheiro de barco e guardião das embarcações, mas ao longo dos séculos evoluiu para um parceiro leal, afetuoso e extremamente sociável.
Se você está pensando em adicionar um Keeshond à sua família, é fundamental entender suas características físicas, necessidades diárias e temperamento para garantir uma convivência harmoniosa. Este artigo traz informações detalhadas, embasadas em evidências veterinárias, dicas práticas para tutores brasileiros e respostas às dúvidas mais comuns.
História e Origem
Fato marcante |
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O Keeshond recebeu o nome de
Kees (apelido de
Cornelis, um líder da Revolução dos Batavos) e era símbolo da classe média holandesa. |
Utilizado como cão de guarda em navios mercantes e como cão de tração em carruagens. |
Reconhecido pelo
Kennel Club britânico. |
Quase extinto durante a Segunda Guerra Mundial; resgatado por criadores apaixonados. |
Popular em concursos de conformação, agility e como animal de terapia. |
A história do Keeshond mostra a resistência e a capacidade de adaptação da raça — características que ainda se refletem no temperamento do cão.
Características Principais
Aparência física
- Porte: Médio, altura entre 43 cm e 55 cm na cernelha.
- Peso: 16 kg a 30 kg, variando de acordo com sexo e estrutura.
- Pelagem: Dupla camada – subpelo macio e denso, e pelo externo ondulado e mais longo. As cores predominantes são cinza prateado, marrom e preto, sempre com a “máscara” facial clara que realça o olhar expressivo.
- Orelhas: Erguidas, triangulares e bem posicionadas, reforçando a aparência alerta.
- Cauda: Curvada sobre o dorso, coberta por pelos abundantes.
Temperamento
Descrição |
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Gosta de estar perto de pessoas, crianças e outros animais. |
Aprende rápido, mas pode ser teimoso se o treinamento for monótono. |
Busca contato físico, adora ser acariciado e participar das atividades familiares. |
Boa capacidade de detectar estranhos, fazendo um “cuidado” vocal agradável. |
Curioso e cheio de energia; adora jogos de busca e truques. |
Essas características fazem do Keeshond um excelente cão de companhia, mas também exigem atenção, estímulo mental e rotina estruturada.
Cuidados Essenciais
1. Pelagem e higiene
- Escovação: 2‑3 vezes por semana com escova de cerdas macias ou pente de metal. Durante a “troca de pelo” (duas vezes ao ano) aumente para 4‑5 vezes semanais.
- Banho: A cada 6‑8 semanas ou quando necessário. Use xampu neutro para cães; evite produtos com álcool ou perfume forte que podem irritar a pele.
- Secagem: Seque bem com toalha e, se possível, use secador em temperatura morna para evitar resfriados, principalmente em regiões mais frias do Brasil (serra gaúcha, sul de Minas).
- Corte de pelos: Não é obrigatório, mas aparar ao redor dos olhos e das orelhas evita irritações e facilita a limpeza.
2. Higiene bucal
- Escovação: 2‑3 vezes por semana com escova e pasta de dente própria para cães.
- Enxaguantes: Produtos veterinários com clorexidina ajudam a prevenir gengivite.
3. Unhas e patas
- Corte de unhas: A cada 15‑20 dias, ou quando a unha tocar o chão ao ficar em pé.
- Patas: Verifique diariamente a presença de corpos estranhos (espinhos, pedras) e limpe com água morna.
4. Exercício físico
- Caminhadas: 30‑60 minutos diários, divididos em duas sessões para evitar sobrecarga nas articulações.
- Brincadeiras: Busca, cabo de guerra (com brinquedo apropriado) e jogos de “esconde‑esconde” com petiscos.
- Esportes caninos: Agility, rally‑obediência e canicross são ótimas opções para quem busca desafios mais avançados.
5. Estímulo mental
- Brinquedos interativos: Puzzles, dispensadores de petiscos e brinquedos que exigem solução de problemas.
- Treinamento de truques: “Rolar”, “dar a pata”, “buscar o objeto” – fortalecem o vínculo e evitam tédio.
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Alimentação e Nutrição
1. Escolha da ração
- Ração premium (mínimo 30 % de proteína de origem animal).
- Níveis de vida: Filhote (até 12 meses), adulto (1‑7 anos) e sênior (acima de 7 anos). Cada fase tem necessidades diferentes de energia, cálcio e antioxidantes.
2. Porções e controle de peso
- Calcule a necessidade calórica: ~ 30 kcal/kg de peso corporal para cães adultos de porte médio.
- Divida a ração em duas refeições diárias para evitar sobrecarga gástrica.
- Petiscos: Use como recompensa, limitando a 10 % da ingestão calórica diária.
3. Dietas caseiras e cruas
- Caseira: Deve ser balanceada com proteína (frango, peixe, carne magra), carboidrato (arroz integral, batata doce), vegetais (abobrinha, cenoura) e suplemento de cálcio. Consulte um nutricionista veterinário.
- Crua (BARF): Risco de contaminação bacteriana (Salmonella, E. coli). Se optar, siga protocolos de higiene rigorosos e inclua ossos moídos para cálcio.
4. Alimentos proibidos no Brasil
Por quê? |
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Contém teobromina, tóxico para cães. |
Podem causar insuficiência renal aguda. |
Danificam hemácias, provocando anemia hemolítica. |
Contém persina, tóxica em grandes quantidades. |
Causam pancreatite. |
5. Hidratação
- Água fresca sempre disponível, trocada diariamente.
- Em dias muito quentes (Nordeste, Centro‑Oeste) ofereça água gelada ou cubos de gelo para incentivar a ingestão.
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Saúde e Prevenção (Baseado em Evidências Veterinárias)
1. Principais doenças hereditárias
Doença |
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Catarata precoce |
Exame oftalmológico anual a partir dos 2 anos. |
Atrofia Progressiva da Retina (PRA) |
Teste genético (quando disponível) e avaliação retiniana. |
Displasia Coxofemoral |
Radiografia de quadril aos 12‑18 meses; controle de peso. |
Doença Cardíaca (valvulopatia mitral) |
Ecocardiograma anual a partir dos 5 anos. |
Dermatite alérgica (pólen, ácaros) |
Testes de alergia e controle ambiental. |
2. Vacinação e vermifugação
Vacina |
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V8 (cinco vírus + leptospirose) |
A cada 1‑3 anos, conforme risco local. |
Raiva |
Reforço a cada 3 anos (legislação brasileira). |
Gripe canina (influenza) |
Anual. |
- Vermifugação interna: Cada 3‑4 meses, com medicamentos de amplo espectro (p.e., pyrantel, milbemicina).
- Controle de ectoparasitas: Coleiras ou spot‑on (fipronil, imidacloprida) mensalmente, principalmente nas regiões tropicais onde carrapatos são abundantes.
3. Cuidados preventivos específicos para o clima brasileiro
- Calor intenso: Evite exercícios nas horas de pico (10 h‑16 h). Use protetor solar canino nas áreas menos pigmentadas (focinho, orelhas).
- Umidade e fungos: Seque bem as orelhas após banho ou natação para prevenir otites.
- Pulgas e carrapatos: Em áreas de mata atlântica, mantenha vigilância diária; carrapatos podem transmitir a doença de Lyme e a babesiose.
4. Sinais de alerta que exigem visita ao veterinário
- Vômito ou diarreia persistente (> 48 h).
- Falta de apetite por mais de 24 h.
- Cambalear ou relutância em se mover.
- Secreção ocular ou nasal excessiva.
- Coceira intensa, alopecia ou feridas que não cicatrizam.
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Treinamento e Comportamento
1. Princípios do adestramento positivo
Como aplicar |
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Ofereça petisco ou elogio imediato ao comportamento desejado. |
Use o clicker como marcador de comportamento correto, seguido de recompensa. |
Recompense aproximações sucessivas ao comportamento final (ex.: “deitar”). |
Exponha gradualmente a estímulos assustadores (ruído, multidões) com recompensas. |
2. Obediência básica
Dicas de ensino |
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Segure o petisco acima da cabeça; ao mover a cabeça para trás, o traseiro naturalmente baixa. |
Após “sentar”, dê o comando “fica” e dê um passo atrás; recompense se permanecer. |
Use a palavra “vem” com tom alegre; puxe levemente a guia se necessário, mas nunca puxe com força. |
A partir do “sentar”, deslize o petisco ao chão; o cão seguirá o movimento. |
3. Socialização eficaz
- Primeiros 16 semanas: Apresente a diferentes pessoas, sons (aspirador, carro), superfícies (grama, piso de cerâmica) e outros animais.
- Cães de rua: Sempre em local seguro e com coleira, para evitar transmissões de doenças.
- Parques caninos: Ideal para reforçar o comportamento calmo e obediente.
4. Lidando com a teimosia
- Varie as recompensas: Alternar entre petiscos, brinquedos e elogios.
- Curta sessões: 5‑10 minutos, mais vezes ao dia, evitando fadiga mental.
- Consistência: Use sempre as mesmas palavras e gestos; o Keeshond prospera em rotinas previsíveis.
5. Treinamento avançado (opcional)
- Agility: Circuitos de obstáculos que estimulam velocidade e obediência.
- Trick training: “Dar a pata”, “rolar”, “buscar objetos específicos”.
- Therapy dog preparation: Exposição a ambientes hospitalares, treinamento de tolerância a toque humano e sons.
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Adaptação ao Ambiente Brasileiro
Região |
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Sul (clima frio) |
Cobertor quente, casinha isolada, passeios mais curtos nos dias gelados. |
Sudeste (verão úmido) |
Passeios nas manhãs ou noites, água fresca sempre à disposição, evitar asfalto quente. |
Centro‑Oeste (altitude) |
Acostumar gradualmente, hidratação reforçada e repouso adequado. |
Nordeste (calor seco) |
Oferecer água com eletrólitos (solução oral veterinária diluída) em dias de muito calor. |
Norte (alta umidade) |
Secar bem as orelhas após banho ou nado, usar antisséptico tópico preventivo. |
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Adoção Responsável
- Avalie seu estilo de vida – Horário de trabalho, espaço disponível, disponibilidade para exercícios.
- Procure criadores ou abrigos reconhecidos – Verifique a saúde dos pais, pedigree e certificações (AKC, FCI).
- Exija exames de saúde – Testes genéticos, exames de visão e quadril.
- Planeje o orçamento – Alimentação de qualidade, vacinas, vermífugos, consultas regulares (cerca de R$ 1.500‑2.500/ano).
- Comprometa-se a longo prazo – Expectativa de vida de 12‑15 anos, com necessidade de cuidados contínuos.
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Curiosidades e Mitos
Curiosidades
- Sorriso “Keeshond”: O “sorriso” do Keeshond é na verdade a forma como a pelagem ao redor da boca se curva, dando a impressão de um sorriso permanente.
- Cães de terapia: No Japão, Keeshonds são usados como cães de terapia em hospitais e casas de repouso devido ao seu temperamento calmo e empático.
- Participação em esportes: A raça já venceu campeonatos nacionais de agility no Brasil, demonstrando agilidade e inteligência.
Mitos e Verdades
Verdade |
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“Keeshond não suporta calor.” |
Eles podem viver em climas quentes, desde que recebam sombra, água fresca e exercícios nos horários mais amenos. |
“É um cão de guarda agressivo.” |
São alertas e avisam sobre estranhos, mas não costumam ser agressivos; a sociabilidade é a marca da raça. |
“Não precisa de muito exercício.” |
Apesar de parecer “fofinho”, são ativos e precisam de pelo menos 30 minutos de exercício diário. |
A dupla camada faz com que soltem pelos, especialmente na troca de pelagem duas vezes ao ano. |
“É fácil de treinar porque é inteligente.” |
Inteligência ajuda, mas a teimosia pode dificultar; o método positivo e a consistência são essenciais. |
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual a expectativa de vida de um Keeshond?
A média é de 12 a 15 anos, podendo chegar a 17 anos com cuidados preventivos, dieta balanceada e exames regulares.
2. Ele se adapta bem a apartamentos?
Sim, desde que receba exercícios diários, estímulo mental e seja levado para passeios ao ar livre.
3. Precisa de tosa ou corte de pelos?
Não é obrigatório, mas aparar a pelagem ao redor dos olhos, orelhas e região anal facilita a higiene.
4. Quanto devo gastar com alimentação?
Para um adulto de 20 kg, a ração de qualidade custa entre R$ 150‑250 por mês. Ajuste a quantidade conforme nível de atividade.
5. O Keeshond pode conviver com gatos?
Sim, desde que haja socialização precoce. Eles costumam ser curiosos e