Hemoplasmose Canina: Infecção por Mycoplasma haemocanis
A Hemoplasmose canina (anteriormente Haemobartonellose) é causada por Mycoplasma haemocanis — um micoplasma hemotrófico que parasita a superfície dos eritrócitos. Transmitida por carrapatos (Rhipicephalus sanguineus principalmente). Geralmente subclínica em cães imunocompetentes — anemia hemolítica significativa principalmente em esplenectomizados ou imunossuprimidos. Diagnóstico: PCR (padrão-ouro) ou esfregaço de sangue periférico. Tratamento: doxiciclina. Importante distinguir de Babesia spp.
O cão esplenectomizado voltou de quarenta dias de internação com hematócrito de vinte e dois por cento — e o esfregaço de sangue tinha pontos minúsculos na superfície das hemácias.
Mycoplasma haemocanis. O hemoplasma. A bactéria que não penetra na hemácia — adere à sua superfície externa e sinaliza ao baço que destrua o eritrócito.
O baço que foi removido. O cão que perdeu o único órgão capaz de controlar a parasitemia.
O PCR que confirmou o que o esfregaço duvidava — a sensibilidade do método que distingue o diagnóstico que se faz do que se perde.
Doxiciclina. Vinte e oito dias. A parasitemia que cai mas não zera — o portador crônico que o carrapato pode reativar anos depois.
O R. sanguineus que transmitiu enquanto o tutor não usava o antiparasitário — e que no mesmo cão carregava a Ehrlichia e a Babesia.
Hemoplasmose vs Babesiose — Diagnóstico Diferencial
| Característica | Hemoplasmose | Babesiose | |---|---|---| | Agente | Mycoplasma haemocanis | Babesia spp. (protozoário) | | Localização no eritrócito | Superfície (externo) | Interior (intraeritrocitário) | | Esfregaço | Baixa sensibilidade | Mais visível (piriformes) | | PCR | Padrão-ouro | Padrão-ouro | | Tratamento | Doxiciclina | Imidocarb + doxiciclina | | Gravidade | Geralmente subclínica | Frequentemente grave |
Fatores de Risco para Hemoplasmose Grave
| Fator | Risco | |---|---| | Esplenectomia | MUITO ALTO — perda do controle | | Corticoterapia crônica | Alto | | Coinfecção (Ehrlichia, Babesia) | Alto | | Filhote jovem | Moderado | | Cão imunocompetente adulto | Baixo (geralmente subclínico) |
Perguntas frequentes
O que é a Hemoplasmose e como o Mycoplasma haemocanis afeta os cães?+
A Hemoplasmose (anteriormente denominada Haemobartonellose; agente: Mycoplasma haemocanis — anteriormente Haemobartonella canis, reclassificado em 2001; inglês: Canine Hemoplasma Infection, Haemobartonellosis; segundo agente documentado: 'Candidatus Mycoplasma haematoparvum' — forma menor, menos patogênica; não confundir com: Babesia spp. — hemoparasita intraeritrocitário (protozoário, não micoplasma) de diagnóstico e tratamento distintos; Ehrlichia canis — parasita de leucócitos (monócitos), não eritrócitos; Anaplasma platys — parasita de plaquetas; Hepatozoon canis — parasita de leucócitos/eritrócitos, intracitoplasmático; todos são hemoparasitas transmitidos por carrapatos mas com espécies parasitadas distintas) é uma infecção por micoplasma hemotrófico — bactérias sem parede celular que parasitam a superfície externa da membrana dos eritrócitos. O Mycoplasma haemocanis nos eritrócitos: o M. haemocanis adere à membrana externa dos eritrócitos (hemácias) — não penetra no interior; a aderência causa: alterações na membrana eritrocitária; reconhecimento pelo sistema imune como células 'anormais'; hemólise extravascular no baço e fígado — os eritrócitos parasitados são removidos da circulação; hemólise intravascular: menos comum, em casos graves; anemia hemolítica: regenerativa inicialmente (medula óssea tenta compensar); não regenerativa em casos crônicos graves; Transmissão: CARRAPATOS são o principal vetor: Rhipicephalus sanguineus (carrapato marrom do cão) — o principal no Brasil; outros Rhipicephalus spp., Ixodes spp.: possíveis; Transfusão sanguínea: de doador infectado para receptor; Transplacentária: documentada — filhotes de mães infectadas; Mordidas: possível mas menos documentado.
Quais são os sinais clínicos e por que os esplenectomizados têm maior risco?+
A Hemoplasmose tem apresentação clínica variável — da infecção subclínica em imunocompetentes à anemia grave em predispostos. Espectro clínico: INFECÇÃO SUBCLÍNICA (MAIS COMUM): a maioria dos cães imunocompetentes infectados não desenvolve sinais clínicos aparentes; o M. haemocanis persiste como infecção crônica de baixo nível — o animal é portador e fonte de infecção via carrapatos; INFECÇÃO CLÍNICA (MINORIA): desencadeada por fatores que reduzem a imunidade ou aumentam a parasitemia; Sinais clínicos quando presentes: Anemia hemolítica: mucosas pálidas a ictéricas (anemia hemolítica com icterícia); letargia, fraqueza progressiva; taquicardia, sopro cardíaco funcional (anemia grave); Febre intermitente; Esplenomegalia (baço aumentado — por destruição de eritrócitos); Anorexia e perda de peso; A importância do BAÇO: o baço é o principal órgão de destruição dos eritrócitos parasitados e de controle da parasitemia; em cão ESPLENECTOMIZADO (sem baço): perde o principal mecanismo de controle → parasitemia pode explodir → anemia grave potencialmente fatal; REGRA CLÍNICA: todo cão esplenectomizado é de alto risco para hemoplasmose — monitorar e informar o tutor; Outros grupos de risco: cães em corticoterapia longa; cães com outras doenças imunossupressoras; cães jovens filhotes (imaturidade imune); infecções concomitantes (Ehrlichia, Babesia) — sinergia negativa; Icterícia + anemia em cão esplenectomizado: Hemoplasmose até prova em contrário.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento da Hemoplasmose?+
O diagnóstico da Hemoplasmose distingue métodos de sensibilidade muito diferente — o PCR é o padrão-ouro. Diagnóstico: Esfregaço de sangue periférico (coloração Romanowsky/Giemsa/Diff-Quick): pode visualizar os M. haemocanis como pequenos pontos/anéis na superfície dos eritrócitos; sensibilidade BAIXA — M. haemocanis está na superfície (não interior como Babesia); parasitemia flutuante — esfregaço negativo não exclui; em parasitemias altas (animais doentes): pode ser positivo; ERRO COMUM: plaquetas em satelitismo podem ser confundidas com hemoplasmas — avaliador experiente necessário; PCR (PADRÃO-OURO): amplificação de DNA de M. haemocanis e 'Ca. M. haematoparvum'; sensibilidade muito superior ao esfregaço — detecta parasitemia muito baixa; identifica a espécie (importante para prognóstico); disponível em laboratórios de biologia molecular veterinária no Brasil; indicado em: cão esplenectomizado com anemia, cão doador de sangue (triagem), anemia hemolítica de causa não aparente; Hemograma: anemia normocítica normocrômica ou macrocítica (regenerativa); policromasia e esferócitos possíveis; Coombs direto: frequentemente positivo (hemólise imunomediada secundária); ELISA e IFI: não padronizados; Tratamento: DOXICICLINA: 10 mg/kg BID ou SID por 21-28 dias; a doxiciclina reduz a parasitemia e sinais clínicos — mas NÃO elimina completamente a infecção; o cão tratado pode permanecer portador crônico (PCR positivo); suporte: transfusão em anemia grave (Hematócrito < 15%); corticoide em baixa dose SE Coombs positivo com componente imunomediado significativo — com cuidado.
Como a Hemoplasmose se diferencia de Babesiose em cães?+
Hemoplasmose e Babesiose são as duas principais causas de anemia hemolítica transmitida por carrapatos no Brasil — e são frequentemente confundidas clinicamente. Comparação Hemoplasmose vs Babesiose: AGENTE: Hemoplasmose: Mycoplasma haemocanis — bactéria sem parede celular — EXTERNO à hemácia; Babesiose: Babesia canis, B. vogeli, B. gibsoni — protozoário — DENTRO da hemácia (intraeritrocitário); VETOR: Hemoplasmose: Rhipicephalus sanguineus (principalmente); Babesiose: Rhipicephalus sanguineus (B. vogeli), Dermacentor spp.; DIAGNÓSTICO: Hemoplasmose: PCR (padrão-ouro), esfregaço de baixa sensibilidade; Babesiose: esfregaço (piroplasmídeos dentro das hemácias — mais visíveis), PCR; GRAVIDADE CLÍNICA: Hemoplasmose: geralmente subclínica — grave em esplenectomizados e imunossuprimidos; Babesiose: geralmente mais grave — pode causar síndrome de resposta inflamatória sistêmica; TRATAMENTO: Hemoplasmose: doxiciclina 21-28 dias; Babesiose: imidocarb diproprionato (Imizol) + doxiciclina; A coinfecção: R. sanguineus pode transmitir AMBOS ao mesmo tempo; na prática: pedir PCR para M. haemocanis E Babesia spp. em cão com anemia hemolítica por carrapato; coinfecção piora o prognóstico; Ehrlichia canis (outra rickéttsia por R. sanguineus): trombocitopenia, não anemia hemolítica primária — mas coinfecção triple é possível; A prevenção por controle de carrapatos: a melhor prevenção para Hemoplasmose (e Babesiose e Ehrlichiose) é o controle rigoroso de carrapatos — especialmente R. sanguineus — com coleiras, pipetas ou comprimidos antiparasitários.
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Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica
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Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães
A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET — também TEN) são reações cutâneas graves e potencialmente fatais — resultam na morte massiva de queratinócitos e desprendimento extenso da epiderme. No cão, o quadro canino equivalente envolve erosões/ulcerações mucosas, vesículas e descamação de pele em extensão variável. Causa mais comum: reação medicamentosa (antibióticos, anticonvulsivantes, AINEs, sulfonamidas). Diagnóstico: biópsia (necrose de queratinócitos em toda a espessura da epiderme). Tratamento: suspensão imediata do fármaco + suporte intensivo. Prognóstico: grave — mortalidade elevada na forma NET.