Glicogenose (GSD) em Cães: Doença de Armazenamento de Glicogênio
As Glicogenoses (GSD — Glycogen Storage Disease) são erros inatos do metabolismo do glicogênio — acúmulo em músculos, fígado e/ou coração por deficiência enzimática. Autossômicas recessivas. Tipo II (Doença de Pompe — deficiência de alfa-glucosidase ácida/GAA): Lapphund sueco, Lapphund finlandês, Boykin Spaniel. Sinais: fraqueza muscular progressiva, cardiomegalia, intolerância ao exercício. Diagnóstico: atividade enzimática + DNA. Sem cura — suporte.
O Lapphund sueco de cinco meses não consegue mais subir a escada que subia há três semanas.
GSD Tipo II. Doença de Pompe canina. A alfa-glucosidase ácida que não degrada o glicogênio que se acumula nos lisossomos dos cardiomiócitos e das fibras musculares.
O ecocardiograma: coração aumentado. A biópsia muscular: vacúolos PAS-positivos em cada fibra. A CK sérica: três vezes o limite.
O criador que não testou o reprodutor portador — e a mutação GAA em dois alelos que condenou o filhote antes do nascimento.
Sem cura. A atrofia muscular que a fisioterapia retarda mas não detém. A insuficiência cardíaca que chegará.
O gene que está nos reprodutores de Lapphunds suecos e finlandeses — e que o teste de DNA de saliva identificaria antes do cruzamento.
Glicogenoses Caninas — Tipos Documentados
| Tipo | Enzima | Gene | Raças Afetadas | |---|---|---|---| | GSD II (Pompe) | Alfa-glucosidase ácida | GAA | Lapphund sueco/finlandês, Boykin Spaniel | | GSD IIIa | Enzima desramificadora | AGL | Curly-Coated Retriever | | GSD VII (Tarui) | Fosfofrutoquinase | PFKM | Springer Spaniel |
Doenças Lisossomais Caninas — Comparação de Substrato
| Doença | Substrato Acumulado | Órgão Alvo | Raças | |---|---|---|---| | GSD II (Pompe) | Glicogênio | Músculo + Coração | Lapphunds, Boykin | | Gangliosidose GM2 | Gangliosídeos | Neurônios | Toy Poodle, PWD | | MPS VI | GAG (dermatana) | Osso + córnea | Min. Pinscher | | NCL (Batten) | Ceróide-lipofuscina | Neurônios | English Setter |
Perguntas frequentes
O que são as Glicogenoses e como afetam os cães?+
As Glicogenoses (inglês: Glycogen Storage Disease — GSD; plural: GSDs; nomenclatura romana: GSD Tipo I (Von Gierke), II (Pompe), III (Cori/Forbes), IV (Andersen), V (McArdle), VI, VII, VIII...; em cães, o Tipo II (Pompe) é o mais documentado; não confundir com: Gangliosidose — acúmulo de gangliosídeos, não glicogênio — diferente substrato; Mucopolissacaridose (MPS) — acúmulo de GAG, não glicogênio; Ceroidolipofuscinose (NCL) — acúmulo de ceróide, não glicogênio; Glicogenoses caninas: o glicogênio (polissacarídeo de reserva de glicose) acumula em tecidos por deficiência de enzimas específicas de sua síntese ou degradação; cada tipo corresponde a uma enzima diferente) são erros inatos do metabolismo do glicogênio — deficiências enzimáticas que impedem a síntese, degradação ou regulação normal do glicogênio. Glicogenose Tipo II — Doença de Pompe canina: a forma mais documentada em cães; enzima deficiente: ALFA-GLUCOSIDASE ÁCIDA (GAA — ácida) — também chamada de maltase ácida; localização: enzima LISOSSOMAL (a única GSD de mecanismo lisossomal); acúmulo de glicogênio nos lisossomos de células musculares (músculo esquelético, coração, músculo liso); raças caninas documentadas com GSD Tipo II (Pompe): Lapphund sueco (Swedish Lapphund — FCI 135): mutação GAA documentada — teste DNA disponível; Lapphund finlandês (Finnish Lapphund — FCI 189): mutação GAA documentada — teste DNA disponível; Boykin Spaniel: mutação GAA mapeada; relatado em outras raças de forma esporádica; Genética: autossômica recessiva — dois alelos defeituosos necessários; Apresentação: filhotes jovens — progressão implacável.
Quais são os sinais clínicos e como a GSD Tipo II progride nos cães?+
A Glicogenose Tipo II (Pompe) canina tem apresentação predominantemente muscular e cardíaca — diferente das gangliosidoses que são predominantemente neurológicas. Sinais clínicos da GSD Tipo II em cães: Sistema muscular esquelético: Fraqueza muscular progressiva: começa pelos músculos proximais (quadris, ombros); dificuldade para levantar, subir escadas, pular; hipotonia muscular: músculos com tônus reduzido; atrofia muscular progressiva: visível ao exame; marcha anormal: arrastar dos membros posteriores; Intolerância ao exercício: colapso após esforço moderado — diferente do colapso induzido por exercício (EIC) do Labrador, que é reversível; fadiga acelerada; Sistema cardíaco: Cardiomegalia (coração aumentado): o acúmulo de glicogênio nos cardiomiócitos causa hipertrofia; detectable no ecocardiograma; arritmias: ritmo cardíaco anormal; insuficiência cardíaca progressiva: em casos avançados; Sistema respiratório: Fraqueza dos músculos respiratórios: o diafragma é afetado; dispneia (dificuldade respiratória) progressiva; pneumonia por aspiração: secondary ao megaesôfago (em alguns casos); Progressão: IMPLACÁVEL — sem tratamento, o acúmulo progressivo leva a óbito; filhotes afetados geralmente morrem antes dos 12 meses sem tratamento; a velocidade de progressão varia entre indivíduos e raças; Diferença da EIC (Exercise-Induced Collapse): na EIC do Labrador, o cão colapsa mas RECUPERA COMPLETAMENTE com repouso — sem dano muscular progressivo; na GSD, a fraqueza é progressiva e permanente — piora ao longo do tempo independente do exercício.
Como é feito o diagnóstico de Glicogenose em cães?+
O diagnóstico da GSD Tipo II combina clínica, achados laboratoriais, bioquímica enzimática e confirmação molecular. Diagnóstico: Suspeita clínica: fraqueza muscular progressiva + cardiomegalia em filhote jovem de raça predisposta (Lapphund, Boykin Spaniel) = GSD Tipo II até prova em contrário; Atividade enzimática GAA — DIAGNÓSTICO BIOQUÍMICO DEFINITIVO: medir atividade de alfa-glucosidase ácida em leucócitos (sangue EDTA) ou biópsia muscular; resultado: atividade muito baixa (< 1% do normal em homozigotos) confirma Pompe; heterozigotos (portadores): atividade intermediária (30-70% do normal); envio para laboratório de referência (PennGen, laboratórios europeus especializados); Teste de DNA: mutações GAA em Lapphund sueco e finlandês: documentadas e disponíveis; PCR de sangue ou saliva: identifica N/N (normal), N/Pompe (portador), Pompe/Pompe (afetado); Ecocardiograma: cardiomegalia, hipertrofia concêntrica ou excêntrica; avaliação da função ventricular; útil para estimar gravidade e prognóstico cardíaco; Eletrocardiograma (ECG): arritmias características; Biópsia muscular: células musculares com vacúolos repletos de glicogênio (PAS-positivos) — achado patognomônico; Enzimas musculares séricas: CK (Creatinaquinase): frequentemente ELEVADA — indica lesão muscular; aldolase: pode estar elevada; Tratamento: SEM CURA — terapia causal não estabelecida em cães; Terapia de Reposição Enzimática (ERT): disponível para humanos (Alglucosidase alfa — Myozyme, Lumizyme); estudos experimentais em cães-modelo; custo proibitivo e sem protocolo veterinário estabelecido; Suporte: fisioterapia; suporte respiratório; manejo cardíaco.
Quais raças têm risco de Glicogenose e como prevenir?+
A prevenção da GSD pelo teste reprodutivo é possível para as variantes mapeadas — especialmente nos Lapphunds escandinavos. Raças caninas com GSD documentada: GSD Tipo II (Pompe — GAA): Lapphund sueco (Swedish Lapphund — FCI 135): mutação GAA c.2237G>A — prevalência de portadores documentada; Lapphund finlandês (Finnish Lapphund — FCI 189): mutação GAA mapeada; Boykin Spaniel: mutação GAA documentada; relatado esporadicamente em: Springer Spaniel, outros Spaniels; GSD Tipo IIIa (Cori — GDE / AGL): Curly-Coated Retriever: mutação AGL documentada; síndrome miopática; GSD Tipo VII (Tarui — PFKM): Springer Spaniel: mutação PFKM documentada; hemólise crônica + intolerância ao exercício; Prevenção reprodutiva: TESTE DE DNA para mutações mapeadas: disponível via Laboklin, Optigen, Animal Genetics; protocolo: apenas N/N × N/N para filhotes sem risco; portadores N/GSD: cruzar com N/N — 0% afetados, 50% portadores; IMPORTANTE: a glicogenose canina é provavelmente subdiagnosticada no Brasil — a fraqueza muscular progressiva em filhotes jovens pode ser confundida com outros diagnósticos se o teste enzimático e genético não for solicitado; Comparação entre Doenças Lisossomais e Metabólicas Caninas: GSD Tipo II (Pompe): glicogênio nos lisossomos; muscular + cardíaco; Lapphunds, Boykin; Gangliosidose GM1/GM2: gangliosídeos nos lisossomos; neurológico; Portuguese Water Dog, Toy Poodle; MPS VI/VII: GAG nos lisossomos; esquelético + neurológico; Min. Pinscher, GSD; NCL: ceróide-lipofuscina nos lisossomos; neurológico; English Setter, Border Collie.
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Torção Esplênica em Cães: Emergência Cirúrgica Abdominal
A torção esplênica (TE) é a rotação do baço em torno do hilo esplênico, interrompendo o fluxo vascular e causando congestão progressiva e necrose. Pode ocorrer isoladamente (Torção Esplênica Primária) ou associada à Dilatação-Vólvulo Gástrico (DVG). Pastor Alemão de meia-idade: predisposição específica para torção esplênica primária. Sinais: distensão abdominal, dor, anemia hemolítica progressiva, Heinz bodies. Tratamento: esplenectomia de emergência.
Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica
A Tetralogia de Fallot (ToF) é uma malformação cardíaca congênita composta de quatro defeitos simultâneos: (1) Comunicação Interventricular (CIV), (2) Estenose Pulmonar (EP), (3) Aorta cavalgante sobre o septo e (4) Hipertrofia Ventricular Direita (HVD). A EP severa força shunt direito-esquerdo → cianose (mucosas azuladas) e policitemia. Keeshond tem predisposição genética documentada. Diagnóstico: ecocardiografia. Tratamento: cirurgia paliativa (Blalock-Taussig) ou correção completa. Prognóstico: reservado sem intervenção.
Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães
A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET — também TEN) são reações cutâneas graves e potencialmente fatais — resultam na morte massiva de queratinócitos e desprendimento extenso da epiderme. No cão, o quadro canino equivalente envolve erosões/ulcerações mucosas, vesículas e descamação de pele em extensão variável. Causa mais comum: reação medicamentosa (antibióticos, anticonvulsivantes, AINEs, sulfonamidas). Diagnóstico: biópsia (necrose de queratinócitos em toda a espessura da epiderme). Tratamento: suspensão imediata do fármaco + suporte intensivo. Prognóstico: grave — mortalidade elevada na forma NET.