Saúde

Epilepsia em Cachorro: Causas, Sintomas e Como Agir Durante uma Crise

Epilepsia é a condição neurológica mais comum em cães. Conheça os tipos de convulsão, o que fazer durante uma crise, como é feito o tratamento e como garantir qualidade de vida ao cão epiléptico.

26 de maio de 2026·3 min de leitura

Epilepsia é a condição neurológica mais frequente em cães — estima-se que 1-2% de todos os cães são afetados. A palavra "convulsão" aterroriza tutores, mas com diagnóstico correto e tratamento adequado, cães epilépticos vivem bem.

O que é uma crise epiléptica

Uma crise epiléptica é uma descarga elétrica anormal e desordenada no cérebro que causa alterações temporárias no comportamento e nas funções motoras. Dura geralmente de 1 a 5 minutos.

Tipos de epilepsia

Epilepsia idiopática (genética):

  • Causa genética, sem lesão cerebral detectável
  • A mais comum (60-70% dos casos)
  • Início entre 1 e 5 anos
  • Raças predispostas: Pastor Alemão, Labrador, Golden, Border Collie, Beagle

Epilepsia estrutural (secundária):

  • Causada por lesão ou doença cerebral: tumor, trauma, encefalite, AVC
  • Pode ocorrer em qualquer raça e idade
  • Prognóstico depende da causa

Epilepsia reativa:

  • Causada por fator externo: toxinas, hipoglicemia, doença hepática ou renal grave
  • Não é epilepsia verdadeira — trata-se a causa

Fases de uma crise

Pródromo (horas/dias antes): mudança de comportamento, ansiedade, carência excessiva.

Aura (segundos/minutos antes): o cão pode parecer assustado, vocalizar, buscar o tutor.

Ictus (a crise em si):

  • Perda de consciência
  • Movimentos involuntários das patas ("pedalando")
  • Contrações musculares, tremores
  • Salivação excessiva
  • Urinar e defecar sem controle
  • Vocalizações
  • Duração típica: 1-3 minutos

Pós-ictus (após a crise):

  • Confusão, desorientação
  • Cegueira temporária
  • Fome e sede excessivas
  • Sonolência ou agitação
  • Pode durar minutos a horas

O que fazer durante uma crise

Faça:

  1. Mantenha a calma — a crise é aterrorizante de ver, mas raramente é fatal
  2. Cronometre a duração (essencial para o veterinário)
  3. Proteja o cão de se machucar (afaste de escadas, bordas, objetos duros)
  4. Fique quieto — voz calma se quiser falar
  5. Observe e memorize os movimentos e duração
  6. Se a crise durar +5 minutos: emergência veterinária

Não faça:

  • Não coloque a mão (ou nada) na boca — o cão não engolirá a língua (mito)
  • Não segure o cão com força — pode se machucar ou morder reflexivamente
  • Não coloque objetos na boca
  • Não jogue água

Quando é emergência (vá imediatamente ao veterinário):

  • Crise com mais de 5 minutos (status epilepticus)
  • Duas ou mais crises em 24 horas sem recuperação entre elas
  • Crise com hipertermia (corpo muito quente) — resfrie com água levemente fria durante o trajeto

Diagnóstico

O veterinário pedirá:

  • Histórico completo (frequência, duração, comportamento pós-crise)
  • Exames de sangue e urina (descarta causas metabólicas e orgânicas)
  • Ressonância magnética ou tomografia (avaliar cérebro)
  • Análise do líquor (líquido cefalorraquidiano)

Tratamento

Indicação: tratamento medicamentoso geralmente inicia quando:

  • Crises mensais (frequência mensal ou maior)
  • Crises muito intensas ou longas
  • Status epilepticus
  • Crises agrupadas (cluster seizures)

Medicamentos principais:

  • Fenobarbital: primeira escolha mais utilizada. Eficaz em 65-75% dos casos. Efeitos colaterais: sedação inicial, aumento de apetite, necessidade de monitoramento hepático regular.
  • Brometo de potássio: frequentemente associado ao fenobarbital para potencializar controle.
  • Imepitoin (Pexion): alternativa mais nova com menos efeitos colaterais.
  • Levetiracetam: eficaz em certos casos, bem tolerado.

Monitoramento: dosagem sanguínea dos medicamentos + função hepática a cada 6-12 meses.

Importante: nunca suspenda a medicação abruptamente — pode precipitar crise grave.

Qualidade de vida do cão epiléptico

  • A maioria dos cães com epilepsia controlada tem vida normal
  • Exercício regular é saudável e recomendado
  • Evite situações de estresse intenso (podem precipitar crises em alguns cães)
  • Sono regular é importante
  • Mantenha rotina estável
  • Alimentos e medicamentos no mesmo horário

Registre as crises

Mantenha um diário: data, hora, duração, características da crise. Isso ajuda o veterinário a ajustar o tratamento. Aplicativos de monitoramento de epilepsia canina existem e facilitam o registro.

Perguntas frequentes

Cachorro epiléptico tem vida normal?+

Sim — a grande maioria dos cães epilépticos com tratamento adequado tem qualidade de vida excelente. Crises bem controladas com medicação permitem vida ativa e feliz. O tratamento é para toda a vida, mas com monitoramento adequado, muitos cães ficam anos sem crises significativas.

O que fazer quando o cachorro tem uma crise?+

Mantenha a calma. Não coloque a mão na boca (não há risco de engolir a língua — isso é mito). Proteja o cachorro de se machucar (longe de móveis, escadas). Cronometre a crise. Se durar mais de 5 minutos ou se houver crises repetidas sem recuperação, leve ao veterinário imediatamente.

Epilepsia em cachorro tem cura?+

A epilepsia idiopática (genética) não tem cura — é controlada com medicação contínua. Epilepsia secundária (causada por outra doença) pode ter melhora se a causa for tratada. O objetivo do tratamento é reduzir a frequência e intensidade das crises, não necessariamente eliminá-las.

Quais raças têm predisposição à epilepsia?+

Pastor Alemão, Beagle, Labrador, Golden Retriever, Border Collie, Boxer, Cocker Spaniel, Dachshund, Poodle e Husky têm predisposição genética. Isso não significa que todos desenvolverão epilepsia — apenas que há maior incidência nessas raças.