Epilepsia em Cachorro: Causas, Sintomas e Como Agir Durante uma Crise
Epilepsia é a condição neurológica mais comum em cães. Conheça os tipos de convulsão, o que fazer durante uma crise, como é feito o tratamento e como garantir qualidade de vida ao cão epiléptico.
Epilepsia é a condição neurológica mais frequente em cães — estima-se que 1-2% de todos os cães são afetados. A palavra "convulsão" aterroriza tutores, mas com diagnóstico correto e tratamento adequado, cães epilépticos vivem bem.
O que é uma crise epiléptica
Uma crise epiléptica é uma descarga elétrica anormal e desordenada no cérebro que causa alterações temporárias no comportamento e nas funções motoras. Dura geralmente de 1 a 5 minutos.
Tipos de epilepsia
Epilepsia idiopática (genética):
- Causa genética, sem lesão cerebral detectável
- A mais comum (60-70% dos casos)
- Início entre 1 e 5 anos
- Raças predispostas: Pastor Alemão, Labrador, Golden, Border Collie, Beagle
Epilepsia estrutural (secundária):
- Causada por lesão ou doença cerebral: tumor, trauma, encefalite, AVC
- Pode ocorrer em qualquer raça e idade
- Prognóstico depende da causa
Epilepsia reativa:
- Causada por fator externo: toxinas, hipoglicemia, doença hepática ou renal grave
- Não é epilepsia verdadeira — trata-se a causa
Fases de uma crise
Pródromo (horas/dias antes): mudança de comportamento, ansiedade, carência excessiva.
Aura (segundos/minutos antes): o cão pode parecer assustado, vocalizar, buscar o tutor.
Ictus (a crise em si):
- Perda de consciência
- Movimentos involuntários das patas ("pedalando")
- Contrações musculares, tremores
- Salivação excessiva
- Urinar e defecar sem controle
- Vocalizações
- Duração típica: 1-3 minutos
Pós-ictus (após a crise):
- Confusão, desorientação
- Cegueira temporária
- Fome e sede excessivas
- Sonolência ou agitação
- Pode durar minutos a horas
O que fazer durante uma crise
Faça:
- Mantenha a calma — a crise é aterrorizante de ver, mas raramente é fatal
- Cronometre a duração (essencial para o veterinário)
- Proteja o cão de se machucar (afaste de escadas, bordas, objetos duros)
- Fique quieto — voz calma se quiser falar
- Observe e memorize os movimentos e duração
- Se a crise durar +5 minutos: emergência veterinária
Não faça:
- Não coloque a mão (ou nada) na boca — o cão não engolirá a língua (mito)
- Não segure o cão com força — pode se machucar ou morder reflexivamente
- Não coloque objetos na boca
- Não jogue água
Quando é emergência (vá imediatamente ao veterinário):
- Crise com mais de 5 minutos (status epilepticus)
- Duas ou mais crises em 24 horas sem recuperação entre elas
- Crise com hipertermia (corpo muito quente) — resfrie com água levemente fria durante o trajeto
Diagnóstico
O veterinário pedirá:
- Histórico completo (frequência, duração, comportamento pós-crise)
- Exames de sangue e urina (descarta causas metabólicas e orgânicas)
- Ressonância magnética ou tomografia (avaliar cérebro)
- Análise do líquor (líquido cefalorraquidiano)
Tratamento
Indicação: tratamento medicamentoso geralmente inicia quando:
- Crises mensais (frequência mensal ou maior)
- Crises muito intensas ou longas
- Status epilepticus
- Crises agrupadas (cluster seizures)
Medicamentos principais:
- Fenobarbital: primeira escolha mais utilizada. Eficaz em 65-75% dos casos. Efeitos colaterais: sedação inicial, aumento de apetite, necessidade de monitoramento hepático regular.
- Brometo de potássio: frequentemente associado ao fenobarbital para potencializar controle.
- Imepitoin (Pexion): alternativa mais nova com menos efeitos colaterais.
- Levetiracetam: eficaz em certos casos, bem tolerado.
Monitoramento: dosagem sanguínea dos medicamentos + função hepática a cada 6-12 meses.
Importante: nunca suspenda a medicação abruptamente — pode precipitar crise grave.
Qualidade de vida do cão epiléptico
- A maioria dos cães com epilepsia controlada tem vida normal
- Exercício regular é saudável e recomendado
- Evite situações de estresse intenso (podem precipitar crises em alguns cães)
- Sono regular é importante
- Mantenha rotina estável
- Alimentos e medicamentos no mesmo horário
Registre as crises
Mantenha um diário: data, hora, duração, características da crise. Isso ajuda o veterinário a ajustar o tratamento. Aplicativos de monitoramento de epilepsia canina existem e facilitam o registro.
Perguntas frequentes
Cachorro epiléptico tem vida normal?+
Sim — a grande maioria dos cães epilépticos com tratamento adequado tem qualidade de vida excelente. Crises bem controladas com medicação permitem vida ativa e feliz. O tratamento é para toda a vida, mas com monitoramento adequado, muitos cães ficam anos sem crises significativas.
O que fazer quando o cachorro tem uma crise?+
Mantenha a calma. Não coloque a mão na boca (não há risco de engolir a língua — isso é mito). Proteja o cachorro de se machucar (longe de móveis, escadas). Cronometre a crise. Se durar mais de 5 minutos ou se houver crises repetidas sem recuperação, leve ao veterinário imediatamente.
Epilepsia em cachorro tem cura?+
A epilepsia idiopática (genética) não tem cura — é controlada com medicação contínua. Epilepsia secundária (causada por outra doença) pode ter melhora se a causa for tratada. O objetivo do tratamento é reduzir a frequência e intensidade das crises, não necessariamente eliminá-las.
Quais raças têm predisposição à epilepsia?+
Pastor Alemão, Beagle, Labrador, Golden Retriever, Border Collie, Boxer, Cocker Spaniel, Dachshund, Poodle e Husky têm predisposição genética. Isso não significa que todos desenvolverão epilepsia — apenas que há maior incidência nessas raças.
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