Erliquiose Canina: A Doença dos Carrapatos que Todo Tutor Precisa Conhecer
A erliquiose é transmitida por carrapatos e é uma das doenças mais comuns em cães no Brasil. Pode ser silenciosa por meses antes de causar sintomas graves. Conheça os sinais, o tratamento e como prevenir.
Erliquiose canina (ou ehrlichiose) é uma das doenças transmitidas por carrapatos mais frequentes no Brasil. O agente causador é a bactéria Ehrlichia canis, transmitida principalmente pelo carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus). Pode progredir silenciosamente por meses antes de manifestar sintomas graves.
Como o cão é infectado
O carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus) é o principal vetor. Um carrapato infectado que pica o cão transmite a bactéria durante a alimentação — em geral após 3-7 horas de fixação.
Ambientes de risco: quintais com vegetação, campos, fazendas, áreas de mata — mas o carrapato marrom também se prolifera em ambientes urbanos e dentro de casas.
As três fases da erliquiose
Fase Aguda (1-4 semanas após a infecção)
- Febre
- Letargia e prostração
- Falta de apetite e perda de peso
- Secreção nasal e ocular
- Gânglios inchados
- Tendência a sangramentos (epistaxe — sangramento pelo nariz)
Muitos tutores não percebem ou atribuem a "virose" — a fase aguda pode passar espontaneamente (sem tratamento) dando falsa impressão de melhora.
Fase Subclínica (semanas a meses)
- Sem sintomas aparentes
- A bactéria persiste no organismo
- O cão parece saudável
- Exames de sangue revelam plaquetopenia leve
A fase subclínica é traiçoeira — cões parecem estar bem, a doença avança silenciosamente.
Fase Crônica (meses a anos depois)
- Hemorragias graves (sangramento pelo nariz, olhos, gengivas, urina)
- Anemia severa (gengivas brancas, fraqueza extrema)
- Perda de peso dramática
- Edema (inchaço das patas, abdômen)
- Comprometimento dos rins
- Supressão da medula óssea — a fase mais grave e de pior prognóstico
Diagnóstico
Hemograma: é o exame mais importante. Achados típicos:
- Plaquetopenia (plaquetas baixas — sinal mais consistente)
- Anemia
- Leucopenia ou leucocitose
Sorologia (ELISA ou IFA): detecta anticorpos contra Ehrlichia canis. Resultado positivo indica exposição — não necessariamente doença ativa.
PCR: detecta DNA da bactéria — mais específico para diagnóstico de infecção ativa.
Visualização de mórulas: formas intracelulares da bactéria visíveis no microscópio — confirmatório mas raro de encontrar.
Tratamento
Doxiciclina: antibiótico de escolha. 5-10 mg/kg, 2x ao dia, por 28 dias.
Suporte:
- Transfusão de sangue ou plasma em casos de anemia ou sangramento grave
- Suporte nutricional
- Antieméticos se vômito
Monitoramento: hemograma completo após 2-4 semanas de tratamento para avaliar resposta.
Casos crônicos graves: prognóstico reservado, especialmente com supressão de medula óssea. Podem necessitar de meses de suporte.
Prevenção: controle de carrapatos
Antiparasitários sistêmicos (primeira escolha):
- Isoxazolines: Bravecto (3 meses), Simparica, Nexgard (mensais)
- Matam carrapatos em horas — antes que a transmissão da bactéria ocorra (que leva 3-7 horas de fixação)
- Excelente eficácia comprovada
Coleiras antiparasitárias:
- Scalibor, Seresto — duração de 6-8 meses
- Boa opção como complemento ou para cães que não toleram comprimidos
Inspeção manual:
- Examine o cão após passeios em áreas de risco
- Foque em: entre os dedos, atrás das orelhas, virilha, pescoço
- Remova carrapatos com pinça especial (sem torcer — risco de deixar partes fixadas)
Controle ambiental:
- Mantenha a grama aparada
- Evite acúmulo de folhas e lixo orgânico
- Produtos carrapaticidas para ambiente se infestação grave
Cão com carrapato: o que fazer
- Use luvas
- Use pinça de ponta fina para remover o carrapato inteiro — sem torcer
- Coloque o carrapato em álcool (não esmague com os dedos)
- Desinfete o local da picada
- Se o cão apresentar sintomas nas semanas seguintes (febre, letargia) — veterinário
Exame de rotina salva vidas
Cão com carrapato frequente deve ter hemograma semestral — detecta plaquetopenia antes dos sintomas. A erliquiose tratada na fase aguda ou subclínica tem prognóstico excelente.
Perguntas frequentes
Erliquiose passa para humanos?+
Sim — Ehrlichia pode afetar humanos (erliquiose monocítica humana), transmitida por carrapatos. Não é transmitida diretamente do cão para o humano, mas carrapatos infectados em cães podem picar humanos. O controle de carrapatos protege tanto o cão quanto a família.
Cão com erliquiose tem cura?+
Na fase aguda: sim, com tratamento antibiótico (doxiciclina). Na fase crônica grave: o prognóstico piora significativamente, especialmente se houver supressão grave da medula óssea. Diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais. Cães tratados na fase aguda geralmente se recuperam completamente.
Quanto tempo dura o tratamento da erliquiose?+
O tratamento padrão é doxiciclina por 28 dias. Resultados laboratoriais melhoram gradualmente — não interrompa o tratamento antes do prazo mesmo se o cão parecer bem. Acompanhamento com hemograma após 2-4 semanas é necessário para confirmar melhora.
Como prevenir erliquiose em cachorro?+
Controle de carrapatos é a principal prevenção. Antiparasitários sistêmicos mensais (isoxazolines: Bravecto, Simparica, Nexgard) ou coleiras antiparasitárias (Scalibor, Seresto) são altamente eficazes. Examine o cão após passeios em áreas com vegetação e remova carrapatos com pinça especial imediatamente.
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