Saúde

Erliquiose Canina: A Doença dos Carrapatos que Todo Tutor Precisa Conhecer

A erliquiose é transmitida por carrapatos e é uma das doenças mais comuns em cães no Brasil. Pode ser silenciosa por meses antes de causar sintomas graves. Conheça os sinais, o tratamento e como prevenir.

26 de maio de 2026·3 min de leitura

Erliquiose canina (ou ehrlichiose) é uma das doenças transmitidas por carrapatos mais frequentes no Brasil. O agente causador é a bactéria Ehrlichia canis, transmitida principalmente pelo carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus). Pode progredir silenciosamente por meses antes de manifestar sintomas graves.

Como o cão é infectado

O carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus) é o principal vetor. Um carrapato infectado que pica o cão transmite a bactéria durante a alimentação — em geral após 3-7 horas de fixação.

Ambientes de risco: quintais com vegetação, campos, fazendas, áreas de mata — mas o carrapato marrom também se prolifera em ambientes urbanos e dentro de casas.

As três fases da erliquiose

Fase Aguda (1-4 semanas após a infecção)

  • Febre
  • Letargia e prostração
  • Falta de apetite e perda de peso
  • Secreção nasal e ocular
  • Gânglios inchados
  • Tendência a sangramentos (epistaxe — sangramento pelo nariz)

Muitos tutores não percebem ou atribuem a "virose" — a fase aguda pode passar espontaneamente (sem tratamento) dando falsa impressão de melhora.

Fase Subclínica (semanas a meses)

  • Sem sintomas aparentes
  • A bactéria persiste no organismo
  • O cão parece saudável
  • Exames de sangue revelam plaquetopenia leve

A fase subclínica é traiçoeira — cões parecem estar bem, a doença avança silenciosamente.

Fase Crônica (meses a anos depois)

  • Hemorragias graves (sangramento pelo nariz, olhos, gengivas, urina)
  • Anemia severa (gengivas brancas, fraqueza extrema)
  • Perda de peso dramática
  • Edema (inchaço das patas, abdômen)
  • Comprometimento dos rins
  • Supressão da medula óssea — a fase mais grave e de pior prognóstico

Diagnóstico

Hemograma: é o exame mais importante. Achados típicos:

  • Plaquetopenia (plaquetas baixas — sinal mais consistente)
  • Anemia
  • Leucopenia ou leucocitose

Sorologia (ELISA ou IFA): detecta anticorpos contra Ehrlichia canis. Resultado positivo indica exposição — não necessariamente doença ativa.

PCR: detecta DNA da bactéria — mais específico para diagnóstico de infecção ativa.

Visualização de mórulas: formas intracelulares da bactéria visíveis no microscópio — confirmatório mas raro de encontrar.

Tratamento

Doxiciclina: antibiótico de escolha. 5-10 mg/kg, 2x ao dia, por 28 dias.

Suporte:

  • Transfusão de sangue ou plasma em casos de anemia ou sangramento grave
  • Suporte nutricional
  • Antieméticos se vômito

Monitoramento: hemograma completo após 2-4 semanas de tratamento para avaliar resposta.

Casos crônicos graves: prognóstico reservado, especialmente com supressão de medula óssea. Podem necessitar de meses de suporte.

Prevenção: controle de carrapatos

Antiparasitários sistêmicos (primeira escolha):

  • Isoxazolines: Bravecto (3 meses), Simparica, Nexgard (mensais)
  • Matam carrapatos em horas — antes que a transmissão da bactéria ocorra (que leva 3-7 horas de fixação)
  • Excelente eficácia comprovada

Coleiras antiparasitárias:

  • Scalibor, Seresto — duração de 6-8 meses
  • Boa opção como complemento ou para cães que não toleram comprimidos

Inspeção manual:

  • Examine o cão após passeios em áreas de risco
  • Foque em: entre os dedos, atrás das orelhas, virilha, pescoço
  • Remova carrapatos com pinça especial (sem torcer — risco de deixar partes fixadas)

Controle ambiental:

  • Mantenha a grama aparada
  • Evite acúmulo de folhas e lixo orgânico
  • Produtos carrapaticidas para ambiente se infestação grave

Cão com carrapato: o que fazer

  1. Use luvas
  2. Use pinça de ponta fina para remover o carrapato inteiro — sem torcer
  3. Coloque o carrapato em álcool (não esmague com os dedos)
  4. Desinfete o local da picada
  5. Se o cão apresentar sintomas nas semanas seguintes (febre, letargia) — veterinário

Exame de rotina salva vidas

Cão com carrapato frequente deve ter hemograma semestral — detecta plaquetopenia antes dos sintomas. A erliquiose tratada na fase aguda ou subclínica tem prognóstico excelente.

Perguntas frequentes

Erliquiose passa para humanos?+

Sim — Ehrlichia pode afetar humanos (erliquiose monocítica humana), transmitida por carrapatos. Não é transmitida diretamente do cão para o humano, mas carrapatos infectados em cães podem picar humanos. O controle de carrapatos protege tanto o cão quanto a família.

Cão com erliquiose tem cura?+

Na fase aguda: sim, com tratamento antibiótico (doxiciclina). Na fase crônica grave: o prognóstico piora significativamente, especialmente se houver supressão grave da medula óssea. Diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais. Cães tratados na fase aguda geralmente se recuperam completamente.

Quanto tempo dura o tratamento da erliquiose?+

O tratamento padrão é doxiciclina por 28 dias. Resultados laboratoriais melhoram gradualmente — não interrompa o tratamento antes do prazo mesmo se o cão parecer bem. Acompanhamento com hemograma após 2-4 semanas é necessário para confirmar melhora.

Como prevenir erliquiose em cachorro?+

Controle de carrapatos é a principal prevenção. Antiparasitários sistêmicos mensais (isoxazolines: Bravecto, Simparica, Nexgard) ou coleiras antiparasitárias (Scalibor, Seresto) são altamente eficazes. Examine o cão após passeios em áreas com vegetação e remova carrapatos com pinça especial imediatamente.