Doenças de pele mais comuns em cães
Introdução
A saúde do nosso companheiro de quatro patas é uma das principais preocupações de qualquer tutor responsável. Quando se trata de pele, é fundamental estar bem informado para tomar as melhores decisões.
Neste guia completo, vamos abordar tudo o que você precisa saber sobre doenças de pele mais comuns em cães, desde os sinais iniciais até as medidas preventivas mais eficazes. O objetivo é que você, tutor brasileiro, possa identificar rapidamente qualquer anormalidade, entender as causas mais prováveis e saber quando e como buscar ajuda profissional.
O que Você Precisa Saber
Sinais e Sintomas Importantes
- Observação diária: Mantenha atenção aos comportamentos do seu cão, como coçar, lamber excessivamente ou mudar a postura ao deitar.
- Dermatologia: Identifique os principais indicadores, como vermelhidão, descamação, crostas, feridas ou queda de pelos.
- Mudanças graduais: Note alterações sutis no dia a dia, pois muitas doenças de pele evoluem lentamente e podem passar despercebidas nos primeiros estágios.
- Fungo: Compreenda os fatores de risco, como ambientes úmidos, falta de higiene ou contato com outros animais infectados.
Prevenção é o Melhor Remédio
A prevenção sempre será a abordagem mais eficaz quando se trata de pele. Algumas medidas importantes incluem:
- Consultas regulares com veterinário de confiança – ao menos duas vezes ao ano, ou com maior frequência se o seu cão tem histórico de dermatites.
- Acompanhamento preventivo através de exames de rotina – exames de sangue, raspados de pele e citologia ajudam a detectar infecções antes que se tornem graves.
- Cuidados diários específicos para bactérias – higiene adequada, escovação regular e uso de shampoos neutros ou medicinais quando indicado.
- Ambiente seguro e livre de riscos – controle de pulgas e carrapatos, limpeza de áreas de descanso, e manutenção de temperatura e umidade adequadas.
Quando Procurar Ajuda Veterinária
⚠️ ATENÇÃO: Sempre consulte um médico veterinário para diagnóstico e tratamento adequados.
Procure ajuda profissional imediatamente se observar:
- Sinais persistentes por mais de 24 horas.
- Mudanças súbitas no comportamento, como irritabilidade ou relutância em se mover.
- Sintomas que parecem estar piorando, como aumento da área afetada ou presença de secreção purulenta.
- Qualquer sinal de desconforto ou dor, incluindo choramingos ao ser tocado ou ao deitar.
Cuidados no Dia a Dia
Rotina Preventiva
- Mantenha uma rotina consistente de cuidados: banho semanal (ou conforme orientação do veterinário), escovação diária e inspeção da pele.
- Observe atentamente qualquer mudança: verifique as orelhas, as áreas entre os dedos e a região perianal, que costumam ser pontos críticos.
- Documente sintomas e comportamentos: fotos datadas ajudam o veterinário a acompanhar a evolução.
- Mantenha contato regular com seu veterinário: tire dúvidas e ajuste o plano de prevenção conforme a idade, raça e estilo de vida do seu pet.
Ambiente Adequado
Criar um ambiente seguro e saudável é essencial para prevenir problemas relacionados a pele. Dicas práticas para tutores brasileiros:
- Controle de pulgas e carrapatos: use produtos recomendados pela ANVISA e siga a periodicidade indicada (geralmente a cada 30 dias).
- Higiene do ambiente: lave a cama, cobertores e tapetes regularmente; use água quente e detergente neutro.
- Ventilação: evite locais úmidos e abafados; a umidade favorece o desenvolvimento de fungos como a Malassezia.
- Alimentação equilibrada: dietas com ácidos graxos essenciais (ômega‑3 e ômega‑6) ajudam a manter a barreira cutânea forte.
Perguntas Frequentes
É normal que meu cão apresente esses sinais?
Cada cão é único, e é importante conhecer o comportamento normal do seu pet para identificar mudanças. Coçar levemente é comum, mas coçar excessivo, perda de pelos ou feridas merecem atenção.
Com que frequência devo me preocupar?
A observação diária é importante, mas evite ansiedade excessiva. Se algo mudar de forma súbita ou persistir por mais de 24 h, procure o veterinário.
Existem tratamentos caseiros seguros?
Sempre consulte um profissional antes de tentar qualquer tratamento por conta própria. Alguns remédios humanos podem ser tóxicos para cães.
Principais Doenças de Pele em Cães
A seguir, detalhamos as doenças dermatológicas mais frequentes, suas causas, sinais clínicos, diagnóstico e opções de tratamento. Cada tópico foi elaborado com base em evidências científicas e nas práticas recomendadas pelos principais conselhos veterinários.
1. Dermatite Alérgica Atópica (DAA)
Causa:
A DAA é uma reação imunológica exagerada a alérgenos ambientais (pólen, ácaros, mofo) ou alimentares. É mais comum em raças como o Labrador Retriever, Pastor Alemão, Boxer e West Highland White Terrier.
Sinais clínicos:
- Coceira intensa, principalmente nas patas, orelhas, abdômen e região perianal.
- Vermelhidão, eritema e espessamento da pele (lichenificação).
- Perda de pelos em áreas de coceira crônica.
- História clínica detalhada e exame físico.
- Testes de alergia cutânea (intracutâneos) ou exames de sangue (IgE).
- Eliminação dietética por 8–12 semanas para descartar alergia alimentar.
- Controle da coceira: anti-histamínicos, ciclosporina ou oclacitinibe.
- Terapia imunoterapia (vacinas de alergia) para reduzir a sensibilidade a longo prazo.
- Em casos de infecção secundária, antibióticos ou antifúngicos tópicos.
- Manter a casa livre de ácaros (usar capas antiácaros em colchões e travesseiros).
- Banhos regulares com shampoos hipoalergênicos.
- Dieta hipoalergênica, se houver suspeita de alergia alimentar.
2. Sarna (Mangeira)
A sarna pode ser causada por ácaros Sarcoptes scabiei (sarna sarcóptica) ou Demodex (sarna demodécica). Cada um tem particularidades importantes.
#### Sarna Sarcóptica (Sarna Contagiosa)
Causa:
Ácaro altamente contagioso que pode ser transmitido entre cães e, em casos raros, para humanos.
Sinais clínicos:
- Coceira severa, que surge rapidamente (dias).
- Pápulas, vesículas e crostas, principalmente nas orelhas, cotovelos, joelhos e abdômen.
- Perda de pelos em áreas de coceira intensa.
- Raspado de pele e exame microscópico que revela ácaros.
- Teste de escovado de pele (tape test) pode ser útil.
- Acaricidas sistêmicos (selamectina, ivermectina – sob prescrição) por 2–3 semanas.
- Banhos com shampoos acaricidas (benzyl benzoate, lufenurona).
- Controle ambiental: lavar roupas de cama, aspirar tapetes e usar spray acaricida.
Causa:
Ácaro Demodex normalmente presente em baixa quantidade na pele; a doença ocorre quando há superpopulação, geralmente por imunossupressão.
Sinais clínicos:
- Lesões alopeciais bem delimitadas, com crostas e eritema.
- Pode haver pústulas e inflamação grave (sarna demodécica generalizada).
- Coceira moderada a ausente nos estágios iniciais.
- Raspado profundo de pele que evidencia ácaros demodécios.
- Avaliação de exames de sangue para detectar causas subjacentes (deficiência de imunidade, doenças endócrinas).
- Acaricidas sistêmicos (amitraz, ivermectina, milbemicina oxima).
- Terapia de suporte: antibióticos para infecções secundárias, anti-inflamatórios.
- Controle de fatores predisponentes (nutrição, doenças sistêmicas).
- Manter a imunidade forte com dieta balanceada e vacinação em dia.
- Evitar uso indiscriminado de corticoides sem orientação veterinária.
3. Piodermite (Infecção Bacteriana da Pele)
Causa:
Infecção secundária por bactérias (geralmente Staphylococcus pseudintermedius) que colonizam lesões cutâneas preexistentes (alergias, parasitas, feridas).
Sinais clínicos:
- Pústulas, crostas purulentas e odor fétido.
- Vermelhidão e edema nas áreas afetadas.
- Coceira moderada a intensa.
- Citologia de raspado ou impressão de pele que mostra bactérias e neutrófilos.
- Cultura e antibiograma em casos recorrentes ou graves.
- Antibióticos sistêmicos (cefazolina, clindamicina, enrofloxacina) baseados no antibiograma.
- Antissépticos tópicos (chlorhexidine, povidona‑iodo).
- Controle da causa subjacente (alergia, parasitismo).
- Higiene adequada e secagem completa da pele após banho.
- Escovação regular para remover detritos e pelos soltos.
- Uso de shampoos com ação bactericida em cães predispostos.
4. Dermatite Seborreica (Seborreia)
Causa:
Distúrbio da produção de sebo que pode ser primário (genético) ou secundário a alergias, infecções fúngicas (Malassezia) ou alterações hormonais.
Sinais clínicos:
- Caspa oleosa ou seca, com escamas esbranquiçadas ou amareladas.
- Coceira leve a moderada.
- Odor característico (às vezes “cheiro de queijo”).
- Exame visual e raspado de pele que demonstra excesso de sebo e, frequentemente, presença de Malassezia.
- Shampoos medicinais contendo cetoconazol, sulfeto de selênio ou ácido salicílico.
- Em casos graves, terapia sistêmica com antifúngicos (itraconazol, fluconazol).
- Suplementação de ácidos graxos essenciais (ômega‑3) para melhorar a qualidade da pele.
- Banhos regulares com shampoos específicos (a cada 2–4 semanas).
- Dieta rica em ácidos graxos essenciais e com baixa carga glicêmica.
5. Hot Spot (Dermatite Aguda Ulcero‑Hemorrágica)
Causa:
Lesão cutânea autolimitada que surge a partir de coceira intensa, geralmente desencadeada por pulgas, alergias ou feridas superficiais. O cão lambe ou morde a área, que se torna inflamada, úmida e infectada.
Sinais clínicos:
- Área vermelha, quente, úmida e com bordas elevadas.
- Presença de crostas, secreção purulenta e odor desagradável.
- Dor ao toque; o cão tenta remover a lesão.
- Avaliação clínica; em casos de infecção secundária, pode ser feita citologia para identificar bactérias.
- Limpeza cuidadosa da área com solução salina ou antisséptico.
- Antibiótico sistêmico (ex.: amoxicilina‑ácido clavulânico) para infecção secundária.
- Anti-inflamatório (corticosteroide ou anti-histamínico) para reduzir a inflamação.
- Controle de parasitas (pulgas) e uso de colágeno tópico ou pomada cicatrizante.
- Controle rigoroso de pulgas e carrapatos.
- Identificação precoce de alergias e tratamento adequado.
- Evitar que o cão se lamba excessivamente usando colares elisabetanos quando necessário.
6. Dermatite por Pulgas (Dermatite Alérgica à Picada de Pulga – DAPP)
Causa:
Reação alérgica à saliva da pulga. Mesmo poucos insetos podem desencadear uma resposta inflamatória intensa em cães sensíveis.
Sinais clínicos:
- Coceira intensa na base da cauda, região lombar e parte inferior das pernas.
- Vermelhidão, inflamação e pústulas (dermatite papulopustular).
- Presença de pulgas ou fezes de pulga (cocos) no pelo.
- Exame visual de pulgas ou fezes.
- Teste de alergia pode confirmar a sensibilidade à saliva de pulga.
- Controle imediato das pulgas: produtos topicais (fipronil, imidacloprida), coleiras (flumetrina) ou medicamentos orais (nitenpiram).
- Anti-histamínicos ou corticoides de curta duração para aliviar a coceira.
- Banho com shampoo anti‑pulgas e anti‑inflamatório.
- Programa de controle mensal de pulgas (produto aprovado pela ANVISA).
- Limpeza profunda da casa: aspirar tapetes, lavar roupas de cama em água quente.
- Verificar o pet após passeios em áreas verdes.
7. Infecção por Malassezia (Micoses Cutâneas)
Causa:
Levedura lipofílica que proliferam em áreas úmidas e oleosas da pele. Fatores predisponentes incluem alergias, dermatite seborreica, imunossupressão e ambientes úmidos.
Sinais clínicos:
- Coceira moderada a intensa.
- Escamas oleosas, com aspecto “cremoso” e odor característico.
- Vermelhidão e inflamação nas orelhas, dobras da pele e região perianal.
- Citologia direta (impressão de KOH) que revela leveduras em forma de “cacho de uvas”.
- Cultura em meio seletivo, se necessário.
- Shampoos antifúngicos (cetoconazol, sulfeto de selênio) 2–3 vezes por semana até a melhora.
- Antifúngicos sistêmicos (itraconazol, fluconazol) em casos graves ou recorrentes.
- Controle das condições subjacentes (alergias, higiene).
- Secar bem as dobras cutâneas após banho ou natação.
- Manter as orelhas limpas e secas.
- Dieta rica em ácidos graxos essenciais para melhorar a barreira cutânea.
8. Alergia Alimentar
Causa:
Reação imunológica ou não-imunológica a componentes da dieta (proteínas, aditivos, corantes).
Sinais clínicos:
- Coceira, principalmente nas patas, abdômen e região perianal.
- Perda de pelos circular ou em “padrões” específicos.
- Prurido que melhora com mudança de dieta.
- Eliminação dietética por 8–12 semanas (dieta hipoalergênica ou novel protein).
- Reintrodução gradual para confirmar o alérgeno.
- Manter a dieta de exclusão aprovada pelo veterinário.
- Suplementação com ácidos graxos e probióticos para melhorar a saúde da pele.
- Evitar mudanças bruscas de dieta.
- Preferir rações de alta qualidade, com fontes de proteína identificáveis.
Curiosidades Sobre a Pele dos Cães
Curiosidade |
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A pele do cão tem mais de 1.000 folículos capilares por cm² |
O pH da pele canina é mais alcalino (5,5‑7,5) que o humano |
| Cães de raças com pelagem dupla (ex