Saúde

Dermatomiosite Familiar em Cães: Collie e Sheltie

A Dermatomiosite Familiar Canina (DFC) é uma doença hereditária inflamatória que afeta simultaneamente a pele e a musculatura em Collie de Pelo Longo, Collie de Pelo Curto e Shetland Sheepdog (Sheltie). Gene ITGB6 associado. Vesículas e erosões cutâneas no focinho, orelhas e ponta da cauda surgem aos 3-6 meses. Atrofia muscular segue as lesões de pele. Espectro variável: formas leves a incapacitantes. Tratamento: imunossupressão + vitamina E.

31 de maio de 2026·1 min de leitura

O Rough Collie de quatro meses chegou com vesículas no focinho.

Erosões nas pontas das orelhas. Alopecia na ponta da cauda.

Três meses depois: atrofia temporal. Dificuldade de mastigação.

Dermatomiosite. Hereditária. Gene ITGB6. Pele e músculo — simultâneos.

Collie, Smooth Collie, Shetland Sheepdog: as raças. Luz solar: o gatilho.

Vitamina E. Prednisona. Proteção solar. E não reproduzir.

Espectro de Gravidade

| Grau | Sinais cutâneos | Sinais musculares | Prognóstico | |---|---|---|---| | Leve (1) | Lesões mínimas no focinho/orelhas | Ausentes | Bom — manejo solar | | Moderado (2) | Lesões mais extensas + cicatrizes | Atrofia leve — masseter/temporal | Moderado — imunossupressão | | Grave (3) | Lesões extensas + fotossensibilidade | Atrofia grave + disfagia + megaesôfago | Reservado — aspiração |

Localização Típica das Lesões Cutâneas

| Região | Lesão elementar | |---|---| | Focinho (nariz e lábios) | Vesículas → erosões → crostas | | Periorbital (ao redor dos olhos) | Alopecia + hipopigmentação | | Pontas das orelhas | Erosões + crostas | | Ponta da cauda | Alopecia + erosões | | Proeminências ósseas | Lesões por trauma + vasculite |

Tratamento

| Abordagem | Produto | Indicação | |---|---|---| | Proteção solar | Evitar UV, roupas protetoras | TODOS os casos — obrigatório | | Vitamina E | 400-800 UI/dia | TODOS os casos | | Imunossupressor | Prednisona 1-2 mg/kg/dia | Moderado a grave | | Vasodilatador | Pentoxifilina 10-25 mg/kg 2-3x/dia | Moderado a grave | | Alternativa | Ciclosporina | Refratário ao corticoide |

Perguntas frequentes

O que é a dermatomiosite familiar canina e quais raças são afetadas?+

A Dermatomiosite Familiar Canina (DFC; inglês: Familial Canine Dermatomyositis, Canine Dermatomyositis — CDM; também: dermatomiosite idiopática inflamatória canina; não confundir com: polimiosite — que é miosite sem envolvimento cutâneo; lúpus cutâneo — sem envolvimento muscular primário) é uma doença hereditária que provoca inflamação simultânea da pele e da musculatura esquelética. É a causa mais importante de doença cutâneo-muscular em raças de pastor britânicas de pelagem longa. Raças afetadas: Rough Collie (Collie de Pelo Longo, FCI 156): a raça com maior prevalência documentada; Smooth Collie (Collie de Pelo Curto, FCI 296): afetada, menor prevalência que o Rough; Shetland Sheepdog (Sheltie, FCI 88): segunda raça mais afetada — prevalência similar ao Rough Collie; Beauceron (FCI 44): casos isolados documentados; Queensland Heeler/Australian Cattle Dog: casos raros relatados; Border Collie: casos esporádicos; A doença é MUITO rara em outras raças; quando ocorre, deve-se confirmar se há ancestralidade Collie/Sheltie oculta; Base genética: herança autossômica com penetrância incompleta e expressividade variável — nem todo cão com o gene desenvolve sinais clínicos; gene ITGB6 (integrina beta-6): variante identificada como fortemente associada (não necessariamente causal único); a variante ITGB6 está presente em alta frequência nas raças afetadas; testes genéticos disponíveis para reprodutores em alguns países; Mecanismo: acredita-se que seja doença imunomediada — os vasos sanguíneos dérmicos e musculares são atacados pelo sistema imune; vasculite isquêmica → hipoperfusão → morte celular na pele e músculo; o gatilho para ativação imune pode incluir: luz ultravioleta, infecções virais, vacinação — em indivíduos geneticamente predispostos.

Quais são os sinais clínicos e como a doença evolui?+

A DFC tem evolução característica — começa na pele em filhotes jovens e pode progredir para envolvimento muscular de gravidade variável. Sinais cutâneos — aparecem primeiro (3-6 meses de idade): localização típica: focinho (ao redor do nariz e lábios), região periorbital (ao redor dos olhos), ponta das orelhas, ponta da cauda, proeminências ósseas (cotovelos, joelhos); Lesões elementares: vesículas (bolhas cheias de líquido): transitórias — frequentemente não vistas pelo tutor porque evoluem rapidamente; pústulas: raras; erosões e úlceras: resultado do rompimento das vesículas; crostas: sobre as erosões; alopecia focal: nas áreas afetadas; hipopigmentação ou hiperpigmentação pós-inflamatória: pode ser permanente; cicatrizes: nas formas mais graves; a pele do Collie é fina e delicada — as lesões são frequentemente sutis no início; Sinais musculares — surgem semanas a meses após as lesões cutâneas: Músculos mastigatórios (masseter, temporal): os mais frequentemente afetados → dificuldade de mastigação, mandíbula tensa, disfagia; atrofia temporal visível: 'crânio côncavo' — a musculatura temporal some progressivamente; Músculos dos membros: atrofia dos membros em casos moderados a graves → claudicação, fraqueza; Músculos do esôfago: megaesôfago em casos graves → regurgitação, pneumonia por aspiração (complicação fatal potencial); Espectro de gravidade: Leve (Grau 1): apenas lesões cutâneas mínimas, sem envolvimento muscular; Moderado (Grau 2): lesões cutâneas mais extensas + atrofia muscular leve; Grave (Grau 3): lesões cutâneas extensas + atrofia muscular grave + disfunção de deglutição; alguns cães têm exacerbações e remissões espontâneas; exposição solar (raios UV) piora as lesões cutâneas — fotossensibilidade.

Como é feito o diagnóstico da dermatomiosite familiar canina?+

O diagnóstico da DFC combina suspeita clínica (raça + idade + sinais) com confirmação histopatológica. Suspeita clínica: Rough Collie, Smooth Collie ou Shetland Sheepdog; filhote jovem (3-6 meses para o início); lesões em localização característica (focinho, orelhas, ponta da cauda); histórico familiar de cães afetados (nem sempre disponível); Biópsia cutânea (ESSENCIAL para confirmação): material das bordas de lesões ativas (não do centro cicatricial); histopatologia: dermatite de interface com degeneração vacuolar da camada basal; vasculite dérmico-perivascular; apoptose de queratinócitos basais; o padrão 'interface vacuolar' é característico mas não patognomônico; imunofluorescência direta: depósitos de IgG, IgM e complemento (C3) na membrana basal (lupus band test-like): presente em alguns casos; Biópsia muscular: se suspeita de miosite: ENMG (eletromiografia) guia o local da biópsia; histopatologia muscular: inflamação perivascular + mionecrose + fibrose em casos avançados; Testes laboratoriais de suporte: CPK (creatinoquinase): elevada se miosite ativa; ALT e AST: podem elevar com miosite extensa; hemograma: inespecífico; Diagnóstico diferencial cutâneo importante: Dermatomiosite vs Lúpus Eritematoso Cutâneo (DLE — Discoid Lupus Erythematosus): DLE também afeta o focinho do Collie; DLE: sem envolvimento muscular; sem vesículas — erosão e despigmentação sem vesiculação; Pemfigus foliáceo: vesículas/pústulas + crostas — mas distribuição diferente; Dermatite solar: sem vesiculação; Dermatomiosite vs Miosite Masticatória (MMM): MMM: sem lesões cutâneas; anticorpos anti-2M presentes; Teste genético ITGB6: disponível em laboratórios especializados na Europa e EUA; útil para triagem de reprodutores; não substitui a biópsia para diagnóstico clínico.

Como é o tratamento e o prognóstico da dermatomiosite familiar canina?+

O tratamento da DFC é imunossupressor — e a prevenção da progressão para miosite grave é o objetivo principal. Medidas de suporte e modificação ambiental: Proteção solar: OBRIGATÓRIA — a luz UV precipita e agrava as lesões; evitar passeios nas horas de pico solar (10h-16h); considerar roupa de proteção solar para passeios; Nutrição: ração de alta qualidade — suporte à regeneração muscular; dieta úmida ou amolecida se disfagia; posicionamento elevado da tigela se megaesôfago; Vitamina E (alfa-tocoferol): 400-800 UI/dia — antioxidante que reduz o dano isquêmico vascular; evidência moderada mas amplamente recomendado; bem tolerado, poucos efeitos adversos; Tratamento imunossupressor — indicado nas formas moderadas a graves: Prednisona: 1-2 mg/kg/dia por 4-8 semanas → redução gradual; tratamento de longo prazo em casos moderados-graves; efeitos adversos do corticoide a longo prazo: poliúria/polidipsia, ganho de peso, atrofia muscular adicional (paradoxal — balancear doses mínimas efetivas); Pentoxifilina: 10-25 mg/kg 2-3x/dia — vasodilatador e anti-inflamatório; melhora microcirculação dérmico-muscular; evidência clínica positiva em DLE e DFC; Ciclosporina: alternativa ao corticoide em casos refratários ou com efeitos adversos inaceitáveis; Niacinamida + tetraciclina: protocolo alternativo para formas leves; Azatioprina: como poupador de corticoide em casos de longo prazo; Manejo do megaesôfago (se presente): alimentação em estação vertical (Bailey chair), dieta em forma de 'almofadas', posicionamento elevado pós-refeição por 20-30 min; Prognóstico: Formas leves (apenas cutâneas): prognóstico bom — qualidade de vida normal com manejo solar; Formas moderadas: prognóstico moderado — controle com imunossupressão; Formas graves com megaesôfago: prognóstico reservado — pneumonia aspirativa é complicação fatal frequente; Reprodução: cães afetados NÃO devem reproduzir — transmissão do gene; testar reprodutores com ITGB6 onde disponível.

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Torção Esplênica em Cães: Emergência Cirúrgica Abdominal

A torção esplênica (TE) é a rotação do baço em torno do hilo esplênico, interrompendo o fluxo vascular e causando congestão progressiva e necrose. Pode ocorrer isoladamente (Torção Esplênica Primária) ou associada à Dilatação-Vólvulo Gástrico (DVG). Pastor Alemão de meia-idade: predisposição específica para torção esplênica primária. Sinais: distensão abdominal, dor, anemia hemolítica progressiva, Heinz bodies. Tratamento: esplenectomia de emergência.

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Tetralogia de Fallot em Cães: A Cardiopatia Cianótica

A Tetralogia de Fallot (ToF) é uma malformação cardíaca congênita composta de quatro defeitos simultâneos: (1) Comunicação Interventricular (CIV), (2) Estenose Pulmonar (EP), (3) Aorta cavalgante sobre o septo e (4) Hipertrofia Ventricular Direita (HVD). A EP severa força shunt direito-esquerdo → cianose (mucosas azuladas) e policitemia. Keeshond tem predisposição genética documentada. Diagnóstico: ecocardiografia. Tratamento: cirurgia paliativa (Blalock-Taussig) ou correção completa. Prognóstico: reservado sem intervenção.

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