Introdução
O Bullmastiff, também conhecido como Mastim Bull ou simplesmente Bullmastiff, é um dos cães mais imponentes e ao mesmo tempo carinhosos que você pode encontrar. Originado na Inglaterra no final do século XIX, esse gigante gentil foi criado para proteger propriedades e caçar caçadores clandestinos. Hoje, ele conquistou lares ao redor do mundo, especialmente no Brasil, graças ao seu temperamento equilibrado: leal, protetor, tranquilo e extremamente apegado à família.
Entretanto, como qualquer raça de grande porte, o Bullmastiff traz consigo predisposições genéticas a determinadas condições de saúde. Conhecer essas vulnerabilidades é fundamental para quem deseja oferecer ao seu companheiro uma vida longa, confortável e cheia de momentos felizes. Neste artigo, vamos abordar de forma detalhada sete problemas de saúde mais comuns nessa raça, além de apresentar informações essenciais sobre suas características, cuidados diários, alimentação, prevenção, treinamento e dicas práticas para tutores.
Nosso objetivo é proporcionar um conteúdo acessível, baseado em evidências veterinárias e, sobretudo, empático. Queremos que você, tutor brasileiro, se sinta confiante para identificar sinais precoces de doença, adotar medidas preventivas e estreitar ainda mais o vínculo com seu Bullmastiff. Afinal, cuidar da saúde do seu cão é um ato de amor que reflete diretamente na qualidade da convivência familiar. Prepare-se para mergulhar no universo desse gigante gentil e descobrir como garantir que ele desfrute de muitos anos de bem‑estar ao seu lado.
---
Características Principais
O Bullmastiff combina a força e a estrutura robusta do Mastim Inglês com a agilidade e o temperamento do Bulldog Inglês. Seu porte é imponente: machos costumam pesar entre 50 kg e 59 kg, enquanto as fêmeas ficam entre 45 kg e 54 kg. A altura média varia de 61 cm a 69 cm na cernelha, conferindo-lhe um aspecto musculoso, mas bem proporcionado.
Aparência física
- Cabeça: larga, quadrada, com focinho curto porém não tão achatado quanto o do Bulldog. O crânio é macio ao toque, e a expressão facial transmite serenidade.
- Pelagem: curta, densa e lisa, com cores que vão do dourado ao tigrado, passando por tons de marrom, preto e cinza. A pelagem curta facilita a manutenção, porém a queda de pelos pode ser moderada, especialmente nas estações de troca.
- Olhos: escuros, amendoados, transmitindo inteligência e atenção.
Temperamento
O Bullmastiff possui um temperamento equilibrado: é protetor sem ser agressivo, calmo em ambientes familiares e muito apegado aos seus tutores. Ele costuma ser reservado com estranhos, mas não é predisposto a latidos excessivos. Essa combinação faz dele um excelente cão de guarda e, ao mesmo tempo, um “cão de colo” que adora estar perto das pessoas.
Energia e necessidades de exercício
Apesar da aparência robusta, o Bullmastiff tem um nível de energia moderado. Caminhadas diárias de 30 a 45 minutos, combinadas com brincadeiras leves, são suficientes para manter seu peso e bem‑estar mental. Exercícios intensos ou de alta resistência devem ser evitados, principalmente em filhotes, pois podem sobrecarregar as articulações ainda em desenvolvimento.
Inteligência e sociabilidade
A raça é considerada inteligente, mas não tão fácil de treinar quanto um Pastor Alemão, por exemplo. Ela responde melhor a métodos de reforço positivo, consistência e paciência. Socializar desde filhote — expondo o cão a diferentes pessoas, sons e ambientes — ajuda a prevenir comportamentos de medo ou agressividade.
Expectativa de vida
A expectativa de vida do Bullmastiff varia entre 8 e 10 anos, podendo chegar a 12 anos com cuidados adequados. Essa longevidade relativamente curta, comparada a raças menores, reforça a importância de monitorar de perto sua saúde ao longo da vida.
Em resumo, o Bullmastiff é um gigante gentil, que combina força física com um coração doce. Conhecer suas características físicas e comportamentais ajuda o tutor a oferecer um ambiente adequado, prevenir problemas de saúde e criar uma relação de confiança e carinho mútuo.
---
Cuidados Essenciais
Cuidar de um Bullmastiff exige atenção a alguns aspectos específicos, principalmente devido ao seu tamanho e predisposição a certas condições médicas. Abaixo, listamos os cuidados essenciais que todo tutor deve observar para garantir conforto, segurança e bem‑estar ao seu companheiro.
1. Controle de peso
Devido à sua estrutura robusta, o Bullmastiff pode acumular gordura com facilidade, o que aumenta o risco de displasia de quadril, problemas cardíacos e artrite. Mantenha o peso ideal — geralmente entre 45 kg e 55 kg para adultos — realizando avaliações mensais da condição corporal (palpação das costelas, cintura visível e avaliação da camada de gordura).
2. Higiene dental
A raça apresenta tendência a acúmulo de tártaro, o que pode levar a doença periodontal e, consequentemente, a infecções sistêmicas. Escove os dentes do seu Bullmastiff pelo menos 3 vezes por semana com pasta dental específica para cães. Ofereça brinquedos mastigáveis e petiscos dentais que ajudem a remover a placa.
3. Banho e higiene da pele
A pelagem curta facilita o banho, mas o Bullmastiff tem dobras na pele, especialmente ao redor do pescoço e das pernas, onde pode se acumular umidade e causar irritações ou infecções fúngicas. Seque bem essas áreas após o banho e verifique regularmente sinais de vermelhidão ou mau cheiro.
4. Proteção contra parasitas
Pulgas, carrapatos e vermes intestinais são ameaças sérias. Use produtos preventivos mensais recomendados por veterinário (pipetas, coleiras ou comprimidos). Realize exames de fezes a cada 6 meses para detectar parasitas internos.
5. Exercício adequado
Caminhadas diárias de 30‑45 minutos são suficientes. Evite corridas intensas em superfícies duras, que podem sobrecarregar as articulações. Em dias de calor intenso (temperaturas acima de 30 °C), prefira exercícios matinais ou ao entardecer e ofereça água fresca constantemente.
6. Visitas regulares ao veterinário
Agende consultas de rotina a cada 6‑12 meses. Nestas visitas, o veterinário pode avaliar a condição articular, cardíaca e dermatológica, além de atualizar vacinas e exames de sangue. Cães idosos (acima de 7 anos) devem ter avaliações semestrais.
7. Ambiente seguro
Devido ao seu tamanho, o Bullmastiff pode causar acidentes dentro de casa se não houver espaço suficiente. Garanta que portas e portões estejam bem travados para evitar fugas, e use tapetes antiderrapantes em pisos escorregadios para prevenir quedas.
8. Socialização e estímulo mental
Brinquedos interativos, jogos de busca e treinamento de obediência mantêm a mente do Bullmastiff ativa, reduzindo comportamentos indesejados como mastigação excessiva de objetos.
Ao integrar esses cuidados na rotina diária, você cria uma base sólida de saúde e bem‑estar para o seu Bullmastiff, prevenindo muitos dos problemas que abordaremos nas próximas seções.
---
Alimentação e Nutrição
Uma dieta equilibrada é um dos pilares para a saúde a longo prazo do Bullmastiff. Por ser um cão de grande porte, ele requer nutrientes específicos que sustentem músculos fortes, articulações saudáveis e um sistema imunológico robusto.
1. Necessidades calóricas
Um Bullmastiff adulto ativo consome, em média, 2 200 a 2 800 kcal por dia, dependendo da idade, nível de atividade e metabolismo. Filhotes em fase de crescimento podem precisar de até 30 % a mais de energia para suportar o desenvolvimento ósseo e muscular.
2. Proteína de qualidade
A proteína deve representar 25‑30 % da dieta (para adultos) e até 30‑35 % para filhotes. Prefira rações que listem fontes de proteína animal (frango, carne bovina, cordeiro, peixe) como primeiro ingrediente. Proteínas de alta qualidade ajudam a manter a massa muscular e a reparar tecidos, essencial para prevenir a atrofia muscular em cães idosos.
3. Ácidos graxos ômega‑3 e ômega‑6
Esses nutrientes são fundamentais para a saúde da pele, pelagem e articulações. Ingredientes como óleo de peixe, linhaça ou óleo de germen de trigo são boas fontes. Uma proporção de omega‑6 para omega‑3 de 5:1 a 10:1 costuma ser indicada para raças propensas a problemas articulares.
4. Controle de carboidratos e fibras
Embora os cães não tenham necessidade estrita de carboidratos, eles fornecem energia e fibras. Opte por fontes de carboidrato de digestão lenta (arroz integral, batata doce, cevada) e inclua fibras (cascas de frutas, vegetais cozidos) para melhorar a motilidade intestinal.
5. Suplementos específicos
- Glucosamina e condroitina: ajudam a preservar a cartilagem, sendo particularmente úteis para prevenir ou retardar a displasia de quadril e artrite.
- Antioxidantes (vitamina E, selênio): fortalecem o sistema imunológico e combatem o envelhecimento celular.
- Ácido linoleico: importante para a saúde da pele, reduzindo a incidência de dermatites e alopecia.
6. Alimentação de filhotes
Os filhotes de Bullmastiff devem ser alimentados 3 a 4 vezes ao dia até completarem 6 meses de idade, reduzindo para duas refeições a partir dos 6‑12 meses. A alimentação deve ser feita com ração específica para “raças grandes” ou “filhotes de grande porte”, que contenha níveis adequados de cálcio e fósforo (cálcio : fósforo entre 1,2 : 1 e 1,4 : 1) para evitar problemas de crescimento ósseo.
7. Hidratação
Cães de grande porte têm maior necessidade de água, principalmente em dias quentes. Mantenha sempre água fresca e limpa disponível, trocando o conteúdo pelo menos duas vezes ao dia.
8. Evite alimentos tóxicos
Chocolate, uvas, cebola, alho, álcool e alimentos gordurosos são altamente tóxicos para cães. Além disso, evite dar ossos cozidos, que podem lascar e causar perfurações intestinais.
9. Monitoramento de peso e condição corporal
Pese seu Bullmastiff a cada 2‑3 meses e avalie a condição corporal (CC). Se notar aumento de gordura abdominal ou dificuldade para sentir as costelas, ajuste a quantidade de ração ou a frequência das refeições.
Ao adotar uma alimentação balanceada, com ênfase em proteínas de alta qualidade, ácidos graxos essenciais e suplementos articulares quando necessário, você cria uma base nutricional que protege contra muitos dos problemas de saúde mais comuns na raça, como displasia de quadril, doenças cardíacas e dermatites.
---
Saúde e Prevenção
Nesta seção, abordaremos os sete problemas de saúde mais comuns nos Bullmastiffs, explicando suas causas, sinais clínicos e estratégias de prevenção. O conhecimento desses quadros permite intervenções precoces, que são decisivas para o sucesso do tratamento e para a qualidade de vida do seu cão.
1. Displasia de quadril (DQ)
O que é?
A DQ é uma anomalia de desenvolvimento da articulação do quadril, em que a cabeça femoral não se encaixa adequadamente no acetábulo, gerando instabilidade e desgaste articular.
Fatores de risco
- Genética (alta prevalência em linhagens com histórico de DQ).
- Excesso de peso.
- Exercício excessivo em filhotes (corridas e saltos).
- Relutância em subir escadas ou pular.
- Claudicação (caminhar com “cambalear”).
- Dor ao pressionar a região lombar ou coxas.
- Escolha criadores que realizem exames de radiografia de quadril (hip‑scoring) nos pais.
- Controle rigoroso do peso, especialmente nos primeiros 2 anos.
- Evite exercícios de alto impacto antes dos 12‑18 meses; prefira caminhadas curtas e brincadeiras controladas.
2. Doença cardíaca – Cardiomiopatia dilatada (CCD)
O que é?
A CCD é um enfraquecimento do músculo cardíaco que leva à dilatação dos ventrículos e diminuição da capacidade de bombeamento.
Fatores de risco
- Predisposição genética (mais comum em machos).
- Obesidade.
- Tosse seca, especialmente à noite.
- Fadiga e intolerância ao exercício.
- Inchaço nas extremidades (edema).
- Exames de ecocardiograma a partir dos 2 anos, especialmente em cães com histórico familiar.
- Manutenção de peso saudável.
- Dieta baixa em sódio e rica em antioxidantes (por exemplo, betacaroteno, vitamina E).
3. Problemas de pele – Dermatite atópica e alergias alimentares
O que é?
A dermatite atópica é uma reação alérgica crônica a alérgenos ambientais (pólen, ácaros). As alergias alimentares são respostas imunológicas a proteínas específicas da dieta
Sinais clínicos
- Coceira intensa, principalmente nas patas, orelhas e abdômen.
- Vermelhidão, eritema e perda de pelos em áreas afetadas.
- Infecções secundárias por bactérias ou fungos.
- Uso de shampoos hipoalergênicos e limpeza regular das orelhas.
- Dieta hipoalergênica de avaliação (rótulo “limited ingredient”) para cães com suspeita de alergia alimentar, sob orientação veterinária.
- Controle de ácaros domésticos (limpeza frequente, uso de capas antiácaros).
4. Hipotireoidismo
O que é?
Deficiência na produção de hormônios tireoidianos, levando a metabolismo lento.
Sinais clínicos
- Ganho de peso inesperado.
- Pelagem opaca, queda de pelos.
- Letargia e intolerância ao frio.
- Exames de sangue (TSH, T4 livre) a partir dos 3 anos, especialmente se houver histórico familiar.
- Tratamento com levotiroxina, ajustado conforme exames de acompanhamento.
5. Problemas oculares – Ectropion e ceratite séptica
O que é?
Ectropion é a rolagem da margem da pálpebra, expondo a conjuntiva. A ceratite séptica ocorre por infecção bacteriana ou fúngica da córnea.
Sinais clínicos
- Lacrimejamento excessivo, secreção ocular.
- Irritação, coceira ao redor dos olhos.
- Visão embaçada ou sensibilidade à luz.
- Limpeza diária da região ocular com solução fisiológica.
- Visitas regulares ao oftalmologista veterinário, principalmente se houver histórico de ectropion.
- Evitar irritantes ambientais (fumaça, poeira).
6. Disfunção da válvula mitral (DMV)
O que é?
Degeneração da válvula mitral que pode levar a insuficiência cardíaca.
Sinais clínicos
- Tosse, respiração ofegante.
- Fraqueza, colapso ao esforço.
- Exames de ecocardiograma regulares a partir dos 5 anos.
- Controle de pressão arterial e dieta com baixo teor de gordura.
7. Osteoartrite (OA)
O que é?
Degeneração da cartilagem articular, comum em cães de grande porte e em indivíduos com DQ.
Sinais clínicos
- Rigidez ao levantar, especialmente pela manhã.
- Diminuição da atividade física.
- Suplementação de glucosamina + condroitina a partir dos 2 anos.
- Manutenção de peso adequado e uso de superfícies antiderrapantes.
- Fisioterapia e hidroterapia em casos de dor crônica.
Treinamento e Comportamento
O Bullmastiff tem um temperamento naturalmente equilibrado, porém seu tamanho impõe a necessidade de um treinamento consistente e bem estruturado. Um cão bem treinado não só facilita a convivência diária, como também diminui o risco de comportamentos problemáticos que podem impactar a saúde física e emocional.