1. Introdução

O Brussels Griffon – também conhecido simplesmente como Griffon – é uma das raças mais carismáticas e curiosas que você pode encontrar nas ruas e nos lares brasileiros. Originário da Bélgica, o pequeno “cão de rabo curto” foi criado inicialmente para caçar ratos em celeiros e, ao longo dos séculos, conquistou seu espaço como animal de companhia graças ao olhar inteligente, à personalidade vibrante e ao porte compacto.

Para quem está pensando em adotar um Griffon ou já convive com ele há alguns anos, compreender as necessidades específicas desta raça é fundamental para garantir saúde, felicidade e um vínculo duradouro. Diferente de raças maiores, o Brussels Griffon tem particularidades que vão desde a estrutura facial (com a famosa “máscara” de pelos) até a tendência a desenvolver certas enfermidades ortopédicas e dermatológicas.

Neste guia completo, reunimos informações baseadas em evidências veterinárias, pesquisas recentes e a prática diária de tutores experientes. O objetivo é oferecer um recurso prático, empático e acessível para tutores brasileiros que desejam proporcionar ao seu Griffon o melhor cuidado possível. Desde a alimentação correta até o treinamento comportamental, passando por dicas de prevenção de doenças e curiosidades que muitas vezes são confundidas com mitos, você encontrará tudo o que precisa saber para viver em harmonia com esse pequeno grande companheiro.

Prepare‑se para mergulhar em um universo de carinho, atenção e responsabilidade – afinal, cuidar de um Brussels Griffon não é apenas alimentar e levar para passear; é entender sua linguagem, respeitar suas particularidades e celebrar cada “sorriso” que ele oferece ao seu tutor.

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2. Características Principais

2.1. Aparência física

  • Tamanho: O Griffon é um cão de porte pequeno, pesando entre 5 kg e 7 kg e medindo 28 cm a 38 cm de altura na cernelha.
  • Pelagem: Possui duas variedades de pelagem – curta (Smooth) e longa (Rough). A pelagem curta é lisa e brilhante, enquanto a longa apresenta uma camada mais abundante, com “cabelos” que podem lembrar um pequeno “cachorro de pelúcia”.
  • Rosto: A expressão facial é marcante, com olhos grandes, escuros e profundos, e uma “máscara” escura que destaca ainda mais a personalidade curiosa.
  • Cauda: Curta e levemente curvada para cima, quase sempre mantida em posição horizontal quando o cão está alerta.

2.2. Temperamento

  • Inteligência: Altamente inteligente, o Griffon aprende rapidamente, mas pode ser teimoso se não houver estímulo mental adequado.
  • Sensibilidade: É extremamente sensível ao humor do tutor; reage a tons de voz e gestos, o que o torna um ótimo “espelho emocional”.
  • Energia: Apesar do tamanho diminuto, tem energia abundante e adora brincar, porém também aprecia momentos de tranquilidade ao lado do tutor.
  • Socialização: Geralmente sociável com pessoas e outros animais, mas requer socialização precoce para evitar comportamentos de guarda excessiva.

2.3. Particularidades de saúde

  • Problemas dermatológicos: Devido à sua pelagem e à presença de dobras faciais, são propensos a dermatites, irritações e infecções fúngicas.
  • Doenças ortopédicas: Patologias como luxação patelar e displasia da anca podem aparecer, especialmente em linhas de criação que não priorizam a saúde ortopédica.
  • Problemas oculares: A predisposição a catarata precoce e a síndrome do olho seco (keratoconjuntivite) exige monitoramento oftalmológico regular.

2.4. Expectativa de vida

A expectativa de vida do Brussels Griffon varia entre 12 e 15 anos, podendo chegar a 17 anos em casos de manejo adequado, alimentação balanceada e acompanhamento veterinário regular.

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3. Cuidados Essenciais

3.1. Higiene e banho

  • Frequência: Banhos a cada 2 ou 3 semanas são suficientes, a menos que o cão se suje excessivamente.
  • Produtos adequados: Use shampoos específicos para cães de pelagem curta ou longa, preferencialmente hipoalergênicos e sem fragrâncias fortes que possam irritar a pele sensível.
  • Secagem: Seque bem as dobras faciais e a região do peito para evitar umidade que favoreça fungos.

3.2. Escovação

  • Pelagem curta: Escove duas vezes por semana com uma escova de cerdas macias para remover pelos soltos e estimular a circulação cutânea.
  • Pelagem longa: Escove diariamente, especialmente nas áreas de “cabelos” ao redor da cauda e do peito, usando um pente de metal de dentes largos para desembaraçar.

3.3. Cuidados dentários

  • Escovação: Escove os dentes do Griffon 3 a 4 vezes por semana com pasta própria para cães e escova de cerdas suaves.
  • Petiscos dentais: Ofereça ossos de couro ou brinquedos mastigáveis que ajudem a reduzir placa e tártaro.

3.4. Exercício físico

  • Caminhadas curtas: 30 minutos de passeio diário, divididos em duas sessões, são ideais.
  • Jogos de estímulo: Use brinquedos interativos (puzzle, bola com compartimento de petisco) para estimular o cérebro e evitar comportamentos destrutivos.

3.5. Controle de temperatura

Devido ao tamanho pequeno, o Griffon pode sofrer com extremos térmicos. Em dias quentes, providencie sombra e água fresca; em dias frios, use roupinhas de lã ou suéteres.

3.6. Visitas ao veterinário

  • Check‑up: Consulte o veterinário a cada 6 meses para avaliação geral, vacinação e exames preventivos.
  • Exames específicos: Avalie a necessidade de exames oftalmológicos anuais e radiografias ortopédicas, especialmente em filhotes de linhas predispostas a luxação patelar.
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4. Alimentação e Nutrição

4.1. Necessidades calóricas

Um Griffon adulto de 6 kg necessita de aproximadamente 350 kcal a 400 kcal por dia, variando conforme nível de atividade, idade e metabolismo. Filhotes em fase de crescimento exigem até 30 % a mais de energia.

4.2. Macro e micronutrientes

Nutriente
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Proteína
Ração premium com proteína animal de alta qualidade (frango, peixe)
Gordura
Ácidos graxos ômega‑3 (óleo de peixe) para pele e pelagem
Carboidrato
Grãos integrais (arroz, aveia) – evitar milho e trigo em excesso
Vitaminas
Aditivos vitamínicos balanceados (A, D, E, K)
Minerais
Cálcio, fósforo, zinco, selênio – em proporções adequadas

4.3. Ração comercial vs. dieta caseira

  • Ração comercial: Opte por marcas que ofereçam “shelf‑stable” (estável) com garantia de análise garantida (AAFCO). Verifique o selo “Complete and Balanced” e a presença de “no artificial preservatives”.
  • Dieta caseira: Caso prefira preparar comida em casa, consulte um nutricionista veterinário para formular uma dieta balanceada, evitando deficiências de taurina e ácidos graxos essenciais.

4.4. Frequência das refeições

  • Filhotes (0‑12 meses): 3 a 4 refeições diárias.
  • Adultos: 2 refeições diárias, preferencialmente 12 h de intervalo.
  • Sêniores: 2 refeições, com foco em alimentos de fácil digestão e menor teor calórico.

4.5. Controle de peso

Mantenha o peso ideal (aprox. 5,5 kg a 6,5 kg) utilizando a “regra da balança”: pese o cão mensalmente e ajuste a quantidade de ração em 5 % a cada 0,5 kg de variação.

4.6. Suplementação (quando necessária)

  • Ômega‑3: 100 mg por dia para pelagem brilhante e redução de inflamações cutâneas.
  • Glucosamina + condroitina: 500 mg por dia em cães com predisposição a displasia ou luxação patelar, sob orientação veterinária.
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5. Saúde e Prevenção

5.1. Vacinação

Vacina
Observação |

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V8 (Polivalente)
Protege contra cinomose, parvovirose, hepatite, leptospirose |

Anti‑raiva
Obrigatória em todo o Brasil |

Bordetella
Previne tosse dos canis, importante para cães que frequentam creche ou parques |

5.2. Parasitas internos e externos

  • Vermes intestinais: Desparasitação a cada 3 meses até os 6 meses de idade, depois a cada 6 meses ou conforme diagnóstico fecal.
  • Pulgas e carrapatos: Uso de produtos tópicos (spot‑on) ou coleiras com ação prolongada (ex.: fluralaner).

5.3. Doenças ortopédicas

  • Luxação patelar: Muitas vezes hereditária; sinais incluem “cambalear” ao subir escadas ou ao pular. Tratamento precoce com fisioterapia e, em casos graves, cirurgia corretiva.
  • Displasia da anca: Avaliação radiográfica em filhotes de 6 meses e 1 ano; manejo com controle de peso e exercício moderado.

5.4. Problemas dermatológicos

  • Dermatite atópica: Identifique coceira excessiva, vermelhidão e perda de pelos. Use shampoos medicinais contendo aveia coloidal e, se necessário, antihistamínicos prescritos.
  • Infecção fúngica (dermatofitoses): Tratamento com antifúngicos tópicos (miconazol) e limpeza ambiental.

5.5. Saúde ocular

  • Catarata precoce: Exame oftalmológico anual detecta opacidades. Em casos avançados, cirurgia pode ser indicada.
  • Síndrome do olho seco: Lacrime artificial (colírio) 2‑3 vezes ao dia, sob prescrição.

5.6. Exames de rotina recomendados

  • Hemograma completo: Anual, para avaliar anemia, infecção ou problemas metabólicos.
  • Perfil bioquímico: Avalia fígado, rins e eletrólitos.
  • Radiografia ortopédica: A partir dos 2 anos, para monitorar desenvolvimento ósseo em linhas de criação com histórico de luxação patelar.
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6. Treinamento e Comportamento

6.1. Socialização precoce

  • Primeiras 12 semanas: Exponha o filhote a diferentes sons (aspirador, carro), ambientes (parques, lojas pet) e pessoas.
  • Reforço positivo: Use petiscos pequenos (5 g) e elogios verbais para recompensar comportamentos calmos.

6.2. Obediência básica

Comando
Dica de ensino |

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Sentar
Segure um petisco acima da cabeça; ao levantar, o cão naturalmente senta. |

Deitar
Use o “sentar” como ponto de partida; deslize o petisco para a frente, encorajando a postura deitado. |

Vir
Comece em ambiente sem distrações; use a coleira curta e chame o nome do cão antes de oferecer o petisco. |

6.3. Controle de latidos e “guarda”

  • Desensibilização: Se o Griffon latir ao som da campainha, toque o som em volume baixo e recompense o silêncio.
  • Rotina de exercícios: Cães cansados tendem a latir menos; inclua sessões de corrida curta ou brincadeiras intensas.

6.4. Enriquecimento ambiental

  • Brinquedos interativos: Puzzle feeders que exigem solução para liberar petiscos.
  • Rotina de “caça ao tesouro”: Esconda petiscos em caixas de papelão ou tapetes de “snuffle”.

6.5. Manejo da teimosia

  • Curto e consistente: Sessões de treinamento de 5‑10 minutos, evitando longas repetições que podem gerar fadiga.
  • Variedade de recompensas: Alternar entre petiscos, brinquedos e elogios para manter o interesse.

6.6. Treinamento de caixa (crate)

  • Introdução gradual: Deixe a caixa aberta e coloque um cobertor macio dentro, oferecendo petiscos ao entrar.
  • Tempo limitado: Comece com 5 minutos e aumente gradualmente até 30 minutos, nunca ultrapassando 2 horas seguidas, exceto durante a noite.
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7. Dicas Práticas para Tutores

  • Calendário de cuidados: Crie um calendário (digital ou papel) com datas de vacinação, desparasitação, escovação e exames.
  • Kit de emergência: Tenha à mão soro fisiológico, gaze esterilizada, vet‑call (telefone do veterinário) e uma pequena porção de alimento seco.
  • Hidratação em viagens: Leve um copo dobrável e água fresca; o Griffon pode desidratar rapidamente em climas quentes.
  • Identificação: Use coleira com placa de identificação contendo nome, telefone e, se possível, microchip (implantado por veterinário).
  • Cuidado com a temperatura: Nunca deixe o Griffon em carros estacionados, mesmo por poucos minutos; o risco de hipertermia é alto.
  • Manutenção da pelagem: Para a pelagem longa, evite usar secadores de alta temperatura; opte por ar frio ou temperaturas abaixo de 30 °C.
  • Alimentação em horários fixos: Mantenha horários consistentes para evitar ansiedade e problemas digestivos.
  • Monitoramento de peso: Use uma balança de cozinha ou escala de banheiro; registre o peso semanalmente nos primeiros 3 meses.
  • Interação com crianças: Ensine as crianças a respeitar o espaço do Griffon, especialmente quando ele está comendo ou dormindo.
  • Visita ao groomer: Se não se sente confortável em fazer a tosa (para pelagem curta) ou o corte de pelos (para pelagem longa), contrate um profissional experiente que conheça a anatomia delicada da raça.
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8. Curiosidades e Mitos

  • Curiosidade: O nome “Griffon” vem da palavra francesa “griffon”, que significa “cão de caça de pequeno porte”. Originalmente, a raça era usada para caçar ratos em celeiros belgas.
  • Mito 1 – “Eles são agressivos”: Embora alguns Griffons possam apresentar comportamento de guarda, a maioria é amigável e sociável quando bem socializada.
  • Mito 2 – “Precisa de muito espaço”: Por ser pequeno, o Griffon adapta‑se bem a apartamentos, desde que receba exercício diário e estímulo mental.
  • Mito 3 – “Só comem ração seca”: Griffons podem se beneficiar de dietas úmidas ou caseiras, desde que sejam balanceadas.
  • Mito 4 – “Eles não sentem dor”: Na verdade, são sensíveis e podem esconder sinais de dor; atenção a mudanças de comportamento é crucial.
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9. Perguntas Frequentes

1. Quantas vezes por dia devo levar o meu Griffon para passear?

Recomenda‑se duas caminhadas diárias de 15‑20 minutos cada, totalizando cerca de 30 minutos de exercício. Em dias de clima quente, prefira horários mais frescos (manhã ou final da tarde).

2. O meu Griffon tem pelagem curta, mas perde muito pelo. Isso é normal?

Sim, a troca de pelos ocorre a cada 3‑4 meses. Esc